Capítulo 14 Promessas e dor.

Achei melhor ela guardar o dinheiro em seu apartamento. Ver aquele dinheiro ainda me incomoda. Não quero lembrar do que a trouxe para mim. Ela concorda, então antes de me encontrar com Bella, deixo ela na portaria do seu prédio.

-Não vou demorar amor. -explico, sem vontade nenhuma de me afastar dela.

-Tudo bem, vou aproveitar e organizar as coisas por aqui.

-Okay! Me espera para irmos juntos pra casa.

-Espero sim. -me beija.

Nos despedimos e fui ao encontro de Bella, mas deixei um segurança de plantão na praça para protegê-la.

Quando chego, Bella está com Nicolas.

-Estava te esperando mesmo, estou indo ver a compra de uma parte de uma emissora de televisão daqui do Rio, quero saber se quer ser meu sócio nessa loucura? -Nicolas propõe apertando minha mãe e dando um tapinha em minha costa -se topar, compramos 80 por cento, 40 pra cada.

-Boa tarde pra vocês também. -debocho.

-Desculpe meu marido Luke. Vem, vamos tomar um suco irmãozinho.

-Responde cara, eu estou indo pra lá agora, se você quiser vem comigo e assinamos juntos.

-Porra! Assim sem nem pensar?

-Pensar em quê? É investimento e depois se quiser morar aqui no Brasil, já vai ter emprego garantido. -sorriu

-Okay, eu vou. Bella conversaremos depois.

-Tudo bem, volte amanhã.

A tal reunião foi demorada e somente ai, me toquei que não tenho o numero de celular de Bianca nem ela o meu.

Eu a chamei para morar comigo, mas ela não quis. Me disse que enquanto eu estiver fora, ela vai ficar em seu apartamento.

Na porta do prédio interfono para dona Solange, pedindo para abrir e me dar o numero do apartamento da "Adriana". Toco à campainha e ela abre sorrindo.

-Estava esperando alguém? -não escondo minha pequena desconfiança.

-Sim, você. Dona Solange me ligou assim que abriu o portão pra você. -Deus eu já estou com ciúmes.

-Posso entrar?

-Claro Luke, desculpa. -afastou-se, dando espaço para eu passar.

-Tudo bem. -Sou um beijinho em seus lábios deliciosos.

-Você demorou, então eu fiz uma comidinha, quer jantar comigo?

-Aceito -me sento no sofá com ela no meu colo -não acho uma boa você ficar aqui enquanto eu estiver fora?

-Aqui eu tenho a dona Solange, lá eu vou ficar sozinha.

-Bianca, não quer me falar um pouco de você?

-Eu quero, mas tenho medo.

-Medo de quê?

-De muitas coisas e do que você vai pensar de mim depois?

-Não vou pensar nada, mas se ainda não se sente à vontade, eu espero.

-Obrigada.

-Você não tem muitos móveis, quer que eu...

-Não, o que tenho é suficiente.

-Esse apartamento é seu?

-Não. É alugado, a senhora que morava aqui morreu, a família tem posses e me alugou ele baratinho. É usos e frutos, então pago apenas as taxas incluindo o IPTU. Dei muita sorte, conheci a neta dela quando eu morava no Espirito Santo.

-Em quantos estados já morou?

-Em muitos, mas me apaixonei pelo Rio.

Vamos ao teste...

-Aonde você nasceu?

-Em Leopoldina, fica na Zona da Mata em Minas Gerais.

-Sente falta de lá?

-Não. Vou fazer uma salada e já volto, fique a vontade.

Ela sai, fugindo do assunto. Estou tão confuso, porque ela não me conta logo o que aconteceu, mudo de ideia e mando outra mensagem pedindo para Douglas investigar.

Ela me chama. Na cozinha a mesa simples, porém arrumada com capricho, está posta pra dois.

Enquanto comemos, conversamos...

-Luke como você descobriu onde eu trabalhava? -Fudeu!

-Pedi um amigo para te seguir, me desculpe, eu queria muito você.

-Por que em vez de mandar me seguir, simplesmente não me chamou para sair?

-Eu ia, mas lá na ilha ouvi você falando ao telefone que iria conseguir o dinheiro e chamando alguém de amor.

-O que mais você ouviu? -pareceu preocupada.

-Basicamente foi isso.

-Tudo bem. -Somente isso, ela não vai me dizer com quem falava.

-Você é filha única?

-Sou.

-Então se seu pai tinha dinheiro, quem herdou tudo?

-Ninguém, meu pai era viciado em jogo, a primeira vez que perdeu tudo, ele me deu na troca, mas da segunda ele não tinha mais o que barganhar -seu olhar estava longe -ele sempre foi descontrolado no jogo e quando minha mãe morreu, ele se entregou a bebida. Quando pedi ajuda a ele, ele ainda tinha um apartamento e conhecimento, eu só queria um emprego e um bom advogado, mas quando ele finalmente resolveu me ajudar, morreu -ela suspira -quando cheguei com minha mala, ele estava morto no sofá da sala. O médico legista disse que foi um infarto fulminante -larga o garfo e seca as lagrimas -ainda tenho muito o que pagar. -acrescenta.

-Você deve dinheiro a alguém, me conta que eu te ajudo meu amor. Eu pago.

-Não devo dinheiro a ninguém. Por favor Luke, se realmente me ama, não tente descobrir meu passado, não mexa nisso. Promete pra mim que não vai mandar me investigar. -O desespero dela é tão grande, que sem pensar eu prometo.

- Eu prometo.

-Obrigada.

-Mas somente se me prometer um dia me contar tudo.

Em resposta ela em silêncio abaixa o olhar.

Bianca

Queria ser capaz de devolver o dinheiro dele e contar tudo que passei com aquele lixo, mas eu não posso.

Flávio é influente e do mesmo jeito que mandou matar meu pai e Lucas, ele pode fazer o mesmo com Luke.

Flávio é um mostro disfarçado de bom político, a única coisa que presta naquele verme e que ama verdadeiramente os filhos.
Meu príncipe nasceu de um estupro.

Eu não tinha nem dezoito anos quando ele me obrigou. Ele chegou em casa furioso porque soube que Lucas tinha ido me ver e não acreditou quando eu disse que não dei esperanças a Lucas. ele me xingava de puta e dizia que se eu não fosse mas virgem matava nos dois.

Com ódio, me falou que ou ele matava Lucas ou eu me deitava com ele para ele mesmo conferir. Ele sabia do meu amor por Lucas, então para protegê-lo eu finalmente cedi. Foi a pior noite da minha vida, ele me pegou com violência e a dor que senti foi mais na alma que no corpo. Ter aquele monstro sobre mim, suado e falando palavrões, ele também batia em meu rosto e eu somente chorava pedindo a Deus que tudo aquilo acabasse logo. Quando pensei que tinha acabado tomei banho e chorei no banheiro. Mas ele entrou e ali mesmo me colocou de quatro e invadiu meu ânus e assim ele fez à noite toda. Quando cansava de um lugar ele entrava em outro. De manhã, sorrindo; ele me disse que sabia que eu não tinha dado esperanças ao Lucas, pois ali todos os empregados me vigiavam.

Eu tinha nojo do bebê em meu ventre. Flavio continuou me estrupando, só que não era mais violento, eu não quis amamentá-lo quando nasceu e para me convencer a fazê-lo, Flávio o registrou com o nome de Lucas, dizendo que todo amor que eu tinha por Lucas agora poderia ser dado ao meu filho. Por mais incrível que pareça, quando eu ouvi o nome dele eu comecei a ama-lo, Flavio apenas me dava paz quando meu pequeno Lucas estava comigo. Eu ainda estava de resguardo, quando ele trouxe sua mãe para ajudar na criação do meu príncipe e antes do meu resguardo acabar, ele me estrupou violentamente de novo. Dona Francisca, mãe dele, se meteu e acabou levando um tapa no rosto.

Estava perdida em meu pesadelo quando Luke me abraçou.

-O que você tem? Você está tremendo.

-Nada, me desculpe.

-Não se desculpe, eu estou aqui mas ninguém lhe fará mal -me agarro a ele fechando meus olhos e pedindo a Deus que ele esteja certo -me desculpe por ter feito você se lembrar de coisas ruins.

-Tudo bem, só continue me abraçando.

Luke

A dor que sinto em vê-la assim me enlouquece. Vou sim quebrar a promessa que lhe fiz. Eu tenho que achar o canalha que a apavora e saber exatamente o que ele fez para deixá-la desse jeito.

Não sei o nome do cara com quem ela "casou", somente que ele não era filho de um sócio do pai dela. Pois o tal sócio, tinha duas filhas e nenhum filho.

Fiz um chá e acabamos dormindo no apartamento dela mesmo.
Para não vê-la mais daquele jeito, prometi a mim mesmo nunca mais interrogá-la sobre seu passado.

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🌟por favor não esqueçam de votar e comentem à vontade.
💋beijo da Aline💋💋.

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