7'

Eu não estou tentando iniciar
um incêndio com esta chama
Mas eu estou preocupado
que o seu coração
possa sentir o mesmo
E eu tenho que
ser honesto com você, querida
Me diga se eu estiver errado
e se isso é loucura
Mas eu comprei essa rosa para você
E eu preciso saber
Você vai deixá-la morrer
ou deixá-la crescer?

Não é que eu não me importe
com o amor que você tem
Não é que eu não queira ver você sorrir
Mas não há nenhuma maneira
que possa sentir o mesmo, sim
Porque quando eu penso em você
minha mente vai a loucura
— Roses - Shawn Mendes

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Já tomei decisões horríveis durante a minha vida, mas essa com certeza deve ser a pior.

No meio da madrugada, enquanto ouvia a música e meu coração palpitava sem parar, comecei a procurar o contato do produtor da banda.

Imaginei que como o lançamento ainda estava recente, iam me responder rápido. No fundo, estava esperando que fosse ignorada.

Foi então que eu acabei falando diretamente com o Jackson White. Não era pra conseguir o contato dele assim tão fácil, mas está na internet e jurei que fosse um número errado. Mas não era.

Não falei com o Matthew, mas agora ele sabe meu nome e meu número. Tenho certeza que era apenas isso que ele queria, matar sua curiosidade.

Se estou indo pra casa dele, no bairro mais rico de Los Angeles, é pra buscar meu batom vermelho e ir embora. Não posso ficar e nem vou. Hoje é quinta, eles devem estar ocupados assim como eu.

Confesso que quase não acreditei quando esse carro chique parou na minha porta informando que me levaria pra esse lugar onde estou agora.

Parada em frente a uma casa de três andares, com cinco homens de preto na frente e uma mulher loira entre eles, me pergunto se aqui é uma casa ou uma prisão.

― Pode sair, senhorita. ― O motorista me informa. Abro a porta do carro, ainda meio perdida de como agir e incomodada com a roupa que estou usando.

Ao fechar a porta, uma mulher loira começa a vim na minha direção. Ela usa uma saia lápis creme e uma blusa rosa clara, salto alto rosa e o cabelo todo solto ondulado. É tão impecável que isso me afeta.

― Você deve ser a Every, certo? ― Me pergunta, bem séria.

― Sim. Eu mesma. ― Digo, dando um sorriso de canto.

― Sou Stacey, assessora da banda. Por medidas de segurança, teremos que dar uma olhada nas suas coisas. Não se preocupe, não vai demorar. ― Stacey diz, sua voz sendo tão calma como uma mãe falando com o filho.

Um dos homens de preto me guia até a entrada da casa. Eu mostro minha bolsa, dentro dela só tem minha nécessaire de maquiagem, meu celular e minha agenda. O segurança me entrega de volta e olha pra Stacey, afirmando.

A loira perfeita continua sem sorrir, mas abre a porta da casa.

― Podem voltar ao trabalho, tenham um bom dia. ― Ela falou aos homens. Eu entro na casa e faço de tudo pra não ficar de boca aberta.

É tudo tão... normal.

Claro que exceto o bairro nobre, os seguranças na porta e uma assessora que nunca sorri, tudo dentro dessa casa parece comum. Tem pares de tênis na entrada, jaquetas jogadas no sofá e a televisão ligada no jogo de basquete.

― Eu peço desculpas pela bagunça, só fui avisada essa manhã da sua chegada. ― Stacey me pede, sorrindo um pouquinho finalmente.

― Ah, não se importe tanto. Isso aqui está mais arrumado do que meu apartamento. ― Digo e ela ri, concordando.

― Meu apartamento também não é o melhor exemplo de limpeza. ― Confessou, piscando os olhos azuis. Eu realmente gostei dela. ― Vamos, Jackson e os meninos estão ansiosos pra te conhecer. ― Ela me fala. Volto a ficar nervosa, querendo apenas fugir de novo e deixar o batom pra trás.

Você já chegou até aqui, Every. Não fuja agora. Esse batom é importante pra você, a única lembrança que restou do seu pai.

Sigo a loira até as escadas em formato caracol, chegando no segundo andar. Tem várias portas aqui e fico curiosa pra saber o que é. Depois de mais alguns passos, tem mais uma escada.

Em todo lugar tem fotos dos meninos juntos e isso me faz sorrir, mostrando que eles são mais do que amigos, são irmãos.

No último andar da casa, tem uma única porta. É possível ouvir um ruído, mas não consigo identificar. Stacey fica na frente de um equipamento e coloca uma senha, um segundo é necessário pra porta se abrir.

Agora o som é bem mais alto e ouço vozes conhecidas.

Entrando nessa sala bem maior do que aquela que tem no primeiro andar, descubro que aqui é onde a banda faz os ensaios. As duas paredes são de vidro, uma é onde eles deixam as guitarras e os baixos e na outra tem uma estante imensa cheia de prêmios, mais fotos e dois sofás encostados.

Em um deles está Jackson e uma mulher. Como está nas fotos, o produtor tem um cabelo mais curto agora, pintado de castanho claro. Assim que me vê, ele abre um sorriso e os olhos verdes parecem surpresos.

― Willian, depois dessa música, avise aos meninos que o ensaio acabou! ― Ele fala com o homem. Sigo seu olhar e aviso toda a banda tocando e cantando, tão concentrados que nem notam a movimentação.

Meu coração salta do peito quando aviso Matthew.

Ele mantém seus olhos fechados, cantando uma das músicas que mais fez sucesso na banda. Essa parte é o seu solo e todos nós ficamos calados ouvindo sua suave voz ecoar. É rouca e tem um tom mais baixo.

Prendo minha respiração, como se ela fosse capaz de quebrar toda bolha. Ele termina o solo e a música acaba. Willian, que imagino que seja o sonoplasta, aperta um botão e avisa aos meninos que eles podem descansar.

― Every Arrow, não imagina a felicidade que estou em te conhecer pessoalmente. Ainda mais depois de ontem. ― Jack fala comigo, tirando minha atenção de Matthew.

― Ah, eu também. ― Respondo, tímida.

A mulher com aparência asiática se aproxima, sorrindo de leve.

— Sou Lee, a mãe do Connor. — Ela se apresenta, estendendo a mão. Eu aperto e dou um sorriso.

Nunca imaginei que até a mãe vinha assistir aos ensaios. Isso é impressionante.

Por falar em ensaio, a porta da sala acústica se abre e os meninos saem dela, falando entre si ao mesmo tempo.

— Ei, seus otários! Temos visita. — Stacey bradou, chamando atenção deles totalmente em mim.

Olho pra Matthew, o único que conheço um pouco mais entre eles. Ele me encara sem acreditar, e eu também não acredito. Poderia estar fazendo tantas coisas, mas aqui estou.

— A garota misteriosa do batom vermelho! — Connor declarou, sorrindo largamente. Dou um aceno constrangido.

Ele não tem nenhuma vergonha de vim até mim e me abraçar como se me conhecesse a várias décadas. Eu abraço de volta, bem tensa.

— Uau, você é muito linda. — Benjamin comenta, também se aproximando. Eu acho que quero me enterrar no chão.

Deveria ao menos ter trazido Alex comigo, assim não ficaria tão calada e parecendo estúpida.

— Obrigada. — Respondo baixo.

— Olá, Every. — Dominik é o único que permanece ao lado de Matthew. Mas ele diz meu nome tão naturalmente que é como se escutasse falar de mim sempre. Isso é estranho.

— Olá. — Dou um sorriso sem graça. Estou empacada aqui.

— Já está na hora do almoço, vamos todos ir pra cozinha. Stacey fez lasanha. — Jackson conta, muito animado.

— Eu não fiz porcaria nenhuma, comprei já pronta. Até parece que vou quebrar minhas unhas fazendo comida. — A assessora revira os olhos, seguindo até a porta. Os meninos vão atrás dela.

A mãe de Connor os acompanha, mas não vai embora antes de dar uma olhada pra mim e piscar. Fico sem entender direito.

— Every... — Escutar a voz de Matthew depois de uma semana, quase impossível de acreditar.

— Parece que acabou descobrindo meu nome e meu número de qualquer jeito. — Dei de ombros, ainda sem saber o que fazer. Pedir o batom e ir embora, ou conversar um pouco mais?

— Sim, mas ainda preferiria que tivesse me dito. Por outro lado, não existiria a música e nem tudo isso aqui. — Ele olha em volta, indicando a casa inteira.

A música... que ele escreveu pensando em mim. Pra Matthew, escrever músicas sobre seus acontecimentos deve ser normal. Pra mim, me sinto um pouco exposta demais, como se guardasse um segredo que ninguém acreditaria caso contasse.

Sabe o Matthew McDavis? Ele escreveu a música Batom Vermelho pra mim. Eu sou a garota misteriosa.

Desviei o olhar pra uma da paredes de vidro, olhando a vista de todo bairro e com muitas casas tão lindas quanto essa.

— O gato comeu sua língua? — Me perguntou, se aproximando e olhando meu corpo de cima a baixo. Meu coração acelerou de novo com a proximidade demasiada.

— O quê? Como assim? — Franzi minha testa, bastante confusa.

— Esqueça, é isso que acontece quando convive com um brasileiro. — Faz um gesto largado. Seus olhos claros se juntam aos meus e me observam. — Como suportou minha falta? — Pergunta, sem rodeios.

Quase me engasgo, recuando um passo. Ele é direto demais.

— Se acha que vou dizer que não comi nada, passei noites em claro e quase morri, está muito enganado. Não iria ficar sofrendo por um cara estranho que conheci no bar. — Respondo antes que consiga me controlar.

Matthew sorri, parecendo genuinamente feliz em me ver falando como fiz no bar aquela noite.

— Nem mesmo depois de saber que o cara estranho do bar era um cantor famoso de vinte e três anos com uma carreira jamais vista e blá blá blá? — O vocalista perguntou-me.

Ele falava algumas coisas estranhas, mas resolvi ignorar e me concentrar na conversa e não nós movimentos de sua boca, e nem na vontade que estou de ver sua covinha no queixo uma última vez.

— Você ainda continuaria sendo um desconhecido. Espero que saiba que foi uma excessão, pois não saio por aí beijando estranhos que conheci em menos de cinco minutos. — Explico pra ele, dando passos pra trás.

Matthew está se aproximando, e quando menos percebo já estou encostada na parede perto das guitarras.

— Gosto disso. — Ele diz, parado em minha frente, ainda com uma das mãos no bolso da calça moletom cinza.

— Do que está falando? — Pergunto, confusa.

Disso. — Aponta pra o espaço curto entre mim e ele, depois sorri de canto. — De como você continua olhando pra minha boca quando estou falando, e que sua respiração fica agitada. De como ainda quer me beijar, mas finge que só veio aqui pegar seu batom de volta. Não vou te deixa fugir de novo, Every. — Matthew confessou, dizendo meu nome orgulhosamente.

Eu fiquei estática, sem saber o que dizer. O que tudo aquilo significava?

O vocalista deu mais um passo largo pra frente e nossos narizes estavam quase encostados. Se ele abaixasse um pouco mais a cabeça...

Meu coração quase saiu pela boca quando ele se inclinou e deixou um beijo no canto de meus lábios.

— Vamos almoçar, Every Arrow. Temos muitos assuntos pra conversar ainda. — Ele disse, tranquilo. Enquanto eu estava surtando, sem respirar direito.

Matthew colocou a mão em meu ombro e me levou pra saída da sala acústica. A porta de fechou atrás de nós, automática. Assim como eu.

Não sei como desci todos aquele degraus, mas estava certa de uma coisa.

Matthew não ia me deixar fugir tão cedo dali sem lhe dar resposta para suas perguntas.

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