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Oi, tô te ligando
Porque deu um branco na nossa briga
E a saudade tá tão saidinha
Pra cima de mim

Não dá pra dormir sem teu cheiro
Até teu cabelo, enrolado no meu
Te pego de jeito, quando deita no meu peito
E sinto até sua respiração
Perto do meu coração
Escuta bem esse refrão

Eu não sou bom em ficar mal com você
Dá saudade eu volto, me chama que eu volto
E não me importo com o que vão dizer

Eu não sou bom em ficar mal com você
Existe um beijo nesse mundo que é raro
Eu não quero perder
— Beijo Raro - Nicolas Germano 

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Respondi a última questão da prova de cosmetologia e enviei tudo.

Já havia se passado uma semana e agora precisava focar na minha formatura. Pelo menos disso não vou sair com o coração partido.

Meu pai dorme aqui em casa enquanto não voltava pra seu estado, e Alex veio me visitar, dizendo que está arrumando a bagunça do meu quarto. Não gosto que mexam nas minhas coisas, mas confio nele.

Enquanto Jacob toma banho, resolvo terminar tudo aproveitando o silêncio. Já que estou sem emprego, posso focar totalmente em estudar agora. Não quero que meu pai pague minhas contas, mas com um certificado concluído é bem mais fácil arranjar um emprego do que em andamento.

O silêncio não dura muito. Alguém começa a bater na porta e apertar a campainha milhares de vezes seguidas. Levanto em um salto, preocupada com quem possa ser, talvez um dos meninos ou Stacey.

Me deparo com minha mãe.

— Graças aos céus, pensei que morreria esperando. — Ela diz, agindo como se não tivesse feito nada. Como se não tivesse dito que não queria mais me ver.

Mariah olha tudo a sua volta, já que deve ser a terceira vez que vem aqui e nunca gostou do lugar. Com o que fui juntando, comprei esse apartamento. Dessa vez, com meu próprio esforço, vou comprar um ainda maior. Agora eu acredito em mim mesma.

— Poderia me explicar porque a sua cara gorda está estampada em sites de fofoca? Ainda mais junto com aquele cantor ridículo! Eu tento fazer você ser independente de mim e é isso que faz? Resolve sujar seu nome? — Minha mãe começa. Ela foi mais rápida em julgar do que pensei.

Diferente das outras vezes, eu não abaixo minha cabeça. Continuo encarando-a, sem deixar nenhuma emoção aparecer. Me cansei dela. Não mereço ouvir nada disso.

— Não preciso te explicar nada. Sou adulta, tenho vinte e um anos. Posso sair com quem quiser, o nome é meu. Nunca fui dependente de você, apenas trabalhava em seu salão idiota. Me demitiu, não é? Porque ainda se importa? — Declarei, cruzando meus braços.

— Sou sua mãe, a sua responsável! Se o seu nome vai pra lama, o meu também vai junto. É por isso que te digo a anos que deveria ser médica, uma profissão honrada, com pessoas de boa fama. Não esse jovem que vive de fazer música, pelo amor de Deus, Every! — Ela começa a andar por todo lado.

— Apenas desista de mim, Mariah. Não vou ser a filha que você quer, não vou seguir seu sonho e não farei o que deseja. Vou ser maquiadora, quem sabe até abrir meu próprio negócio e viver disso pra o resto da vida. Lamento se nunca te dei orgulho, mas é assim que sou. — Dei um passo na direção dela.

Minha mãe ficou se calou, como se pela primeira vez ela percebesse que eu não estou brincando. Continuamos encarando uma a outra por um tempo.

— Peço desculpa por não ser o que você tanto almeja, por ter nascido diferente da filha perfeita que sonhou. Peço desculpa, mãe, por ter destruído seu sonho de ser uma mulher de sucesso. Peço desculpa por ter entrado na sua vida sem permissão. — Tive que dizer, mesmo sentindo a garganta apertar e os olhos cheios de lágrimas.

Mariah fica sem reação. Abalada pelas palavras.

— Se sou uma maldição em sua vida, como tanto diz, apenas desapareça da minha frente e siga seu caminho. Diga a todos que não tem uma filha. Feche seu salão, faça algo que goste de verdade. Eu estou fazendo isso agora. — Terminei de falar. Não vou chorar na frente dela mais nunca.

É nessa hora que meu pai aparece, entrando na sala e encarando minha mãe com raiva. Mariah nota a presença dele e perde toda a cor de seu rosto.

— O que... como você... — Ela gagueja.

— Eu poderia exigir seu perdão por ter mentido pra mim esse tempo todo, mas não farei isso. Sei que não está arrependida. Só que é bom deixar claro que agora tenho pessoas com quem contar e que apoiam meu sonho. Não preciso de você. — Falei, dando um sorriso de canto convencido.

Ela se virou na minha direção, os olhos mostrando ódio.

— Eu fiz de tudo por você, Every! — Mariah declarou, voando na minha direção. Segurei seus pulsos, impedindo que tentasse me bater. 

Jacob a afastou de mim e ficou entre nós duas. Avistei Alex parado no corredor, observando toda a cena que acontecia sem saber o que fazer.

— Humilhar a sua filha, pisar nos sonhos dela e tentar agredi-la é fazer de tudo? É isso que estou vendo aqui, Mariah. Uma mulher cruel que está usando a própria filha pra apagar as frustrações e os erros do passado. — Meu pai segurou no braço da minha mãe e começou a afastá-la, ele transbordava de fúria.

— Não vou voltar, sua maldita! Nem tente vim atrás de mim quando tudo der errado, eu vou jogar em sua cara. — Foram as últimas palavras que escutei dela antes do meu pai a colocar pra fora.

Sem mais força nenhuma, sentei no sofá e suspirei. Eu estava aliviada, mas com o coração apertado de tristeza. Tinha mesmo acabado de perder a minha mãe? Ela mesma conseguiu destruir a nossa relação? Como alguém consegue viver sem a mãe por perto?

Mesmo naquele momento, me lembrei de Matthew. 

De quando aconteceu a mesma coisa a algumas semanas atrás e a primeira pessoa que liguei foi pra ele. De como me envolveu em seus braços e deu um jeito de me fazer sorrir.

— Every, como você está? Ela te machucou? — Alex veio até mim. Ele fez a mesma coisa que Matthew. Me colocou perto de seu peito e encostou o queixo na minha cabeça, mas não senti a mesma coisa.

Queria ficar com raiva por tudo que ele fez, mas sentia saudade. Sou tão boba.

— O único lugar que ela me feriu foi o coração. Como sempre. — Resmunguei, agarrando a camisa de Alex e começando a chorar.

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