20
Quando eu olho para
o outro lado da sala
você está olhando
de volta para mim
Como se alguém tivesse
contado uma piada
e nós somos os únicos rindo
Nem sei porque eu tento
pois não há ninguém como você
Há uma decepção familiar
toda vez que eu tento
Toda noite em que meus braços
não estão ao seu redor
Minha mente continua presa à você
Querida, me diga quando
você estiver pronta
Estou esperando
Querida, há qualquer momento
que você estiver pronta
Estou esperando
Mesmo daqui a dez anos
Se você ainda não tiver
encontrado alguém
Eu prometo que estarei por perto
— When You're Ready - Shawn Mendes
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Uma semana. Faz uma semana que vi Every pela última vez.
Estou louco de saudade e só queria ao menos ouvir sua voz, mas estamos apenas trocando mensagens inúteis, que não ajudam em nada. Ela está passando todo esse tempo com seu pai, saindo juntos e aproveitando o tempo, então eu não deveria ficar preocupado ou sendo egoísta.
Mas ela faz falta...
— Nem parece que só faz um mês que vocês se conheceram. Não seja apressado, Matt. Ela só precisa de um tempo com o pai. — Dominik falou. Meu amigo nem tira os olhos do livro, só ajeita o óculos e continua a ler.
— Acha que eu deveria fazer o pedido de namoro? Existem casais que se conhecem a bem menos tempo e já estão namorando. Será que estou apressando as coisas demais? Ou um mês já é muito? — Suspiro derrotado, uma confusão na minha cabeça.
Dominik solta um resmungo e fecha o livro, irritado.
— Já falei sobre isso, Matthew. Ela também sente sua falta, mas passar um tempo com o próprio pai também é importante. Não seja grudento. — Ele me olha uma última vez, dando o aviso.
Pega o livro de novo e abre na página, voltando a me ignorar. Fico calado, organizando meus pensamentos. Dom tem razão, eu não quero ser grudento, posso esperar mais um pouco e conta a ela o que sinto.
Alguém entra no quarto, sem se quer bater na porta. Jackson, o nosso produtor, lança aquele sorriso de que teve uma ideia.
— Eu tive uma ideia! — Anunciou, empolgado.
— Meu Jesus, eu não vou terminar esse capítulo nunca!? — Dominik reclama, fuzilando Jack com seu olhar nervoso.
— Jaaziel está dando uma festa hoje, todos nós vamos. — Disse. Abro a boca, fingindo um bocejo.
— Nossa, que horas são? Estou morrendo de sono. — Eu minto, esticando meus braços. Infelizmente, Jack me conhece bem mais do que pensava.
— Ainda é sete e quinze. — Jackson cerrou os olhos. — Vá tomar banho e colocar uma roupa decente, temos que convencer o Connor a sair de casa. Ele não vai nem no jardim! — O produtor declarou, saindo do quarto.
Dominik começa a fazer birra, resmungando algo incompreensível. Seguro a risada, pois sei que se fizer isso vou ganhar um livro na cabeça.
Saio do quarto dele, indo pra o meu afim de me arrumar. Jack tem razão, depois que tia Lee desmaiou na semana passada, Connor não coloca o pé fora de casa.
— Se divirtam, garotos! — Tia Lee acena, se despedindo. Não deixa passar o olhar afiado pra o filho, que ainda está de cara fechada.
— Jackson, cuide dela e não esqueça dos remédios. — Connor diz, encarando nosso produtor. Sua voz calma enganaria qualquer um que não visse seu rosto irritado ficando vermelho.
— Pode ir, Connor. Sua mãe ficará bem, já coloquei o número da enfermeira na lista de emergência pra precaução. — Jack mostra o celular, tentando acalmar nosso guitarrista.
Connor afirma, desconfiado. Stacey buzina e começamos a entrar no carro, já que ela é a motorista da vez.
A loira está usando um lindo vestido preto brilhante, que não chega nem aos joelhos. Seus saltos brancos não a impedem de dirigir perfeitamente. O cabelo como sempre está solto e com ondas.
— As festa do Jaaziel sempre tem as melhores comidas, é fato. — Stacey anuncia assim que entramos no carro. Dou um jeito de colocar Benjamin na frente.
— Já foi em outras festas dele? Pensei que essa fosse a primeira. — Ben pergunta, franzindo o rosto.
Belisco a perna de Dominik discretamente, ele me olha irritado de novo, mas aponto com o queixo pra conversa dos dois. O curioso presta atenção no que está acontecendo. Connor nem nota nada, olhando pra janela.
Stacey solta uma risada irônica, balançando a cabeça em negação.
— Já fui em várias outras festas dele, Benjamin. Eu e Jaaziel somos amigos. — Responde tranquila. Eu tento não ficar boquiaberto. Noto a frieza de suas palavras, lançadas exatamente pra mexer com Ben.
— Amigos?! — Benjamin caiu feito um patinho. — Desde quando?
— Desde de que terminamos o namoro. Decidimos ser amigos. — Stacey revelou. Até Connor percebeu o que estava acontecendo. Ele olha pra mim e pra Dominik, em um sinal pedindo explicação.
— Namoro. — Benjamin repete a palavra.
— Sim, nós namoramos por alguns meses. Foi algo rápido. Continuamos conversando e trocando mensagens, ele me convida pra outras festas. — Ela com certeza não está contando isso atoa.
Desde que Stacey ouviu a conversa com Benjamin no quarto, ela vem agindo pior. Antes, não ficava nem cinco minutos no mesmo lugar que nós, agora nem se aproxima. É um milagre ter vindo hoje. Então se veio, há um motivo por trás, e Ben vai ter um colapso a qualquer momento.
— Você e Jaaziel. — Ele ainda está processando a informação.
— É. — Ela confirma, sem tirar seus olhos da estrada. — Meninos, vocês vão querer passar em alguns lugar antes de ir? — Pergunta, esquecendo o assunto.
— Não, loira. Estamos bem. Pode ir direito pra lá. — Respondi.
— Você conheceu Jaaziel em uma das nossas festas? — Dominik, o curioso, resolve insistir na conversa. Benjamin ainda está paralisado.
Stacey olha pelo retrovisor, abrindo um sorriso.
— Sim, foi você que nos apresentou. Já esqueceu? — Ela provoca, rindo da cara surpresa que Dom acaba de fazer.
— Namorando escondido de nós, Stacey? — Connor pisca pra loira. — Pensei que fossemos amigos. — Ele cruza os braços, fingindo chateação.
— Nós somos, mas meu namoro com Jaaziel não era da conta de ninguém. Agora se preparem, estamos chegando. — Ela acelera o carro, fazendo Connor bater com a cara no banco do passageiro. Começamos a rir dele.
Depois de trinta minutos, estamos na festa. A música boa toca, os garçons levando bebidas por todos os lados e as pessoas dançando. Conheço quase todas as celebridades que estão aqui, algumas acenam e sorrirem.
Benjamin já está no seu terceiro copo de bebida. Ele está realmente em um colapso enquanto assiste Stacey dançando com Jaaziel na pista de dança, principalmente com uma música romântica quente em fundo musical.
— Vai com calma, amigo. — Pego um copo dele, tomando um gole.
— É ridículo. Eles nem combinam. — Resmungou. Sua raiva transbordaria um copo. Eu não podia começar a rir em uma situação assim.
— Você mesmo disse que foi um erro ficarem juntos. Se a Stacey ficar com um cara legal como o Jaaziel, eu apoio totalmente. — Confessei, pedindo mais bebida. Procurei Connor e o encontrei conversando com uma garota.
Benjamin respirou fundo, desviando o olhar da pista.
— Mas ela é nossa assessora. É errado. — Diz, começando a segunda fase. A tristeza e arrependimento.
— Benjamin, vocês já se beijaram. A merda já está feita, só pare de atrasar o problema e resolve tudo de uma vez. Fale a ela como se sente e fiquem juntos. — Aconselho ele. Dou um aceno agradecido ao barman e tomo a bebida gelada.
— Ela não me quer mais. Ficamos discutindo o tempo todo. — Ele parece realmente angustiado.
— Você é um idiota. Se Stacey está te fazendo ciúmes, ela ainda sente alguma coisa, nem que seja raiva. — Digo a ele, tomando o copo da sua mão de novo. — Vai lá e a chame pra dançar. Apenas dancem juntos, só isso. — Seguro o braço dele e o empurro do banco.
Benjamin arruma o cabelo e sorri pra mim. Meu amigo caminha até Stacey, mas para de novo no meio do caminho. Eu fico esperando que continue, mas ele não se mexe.
Quando sigo seu olhar, percebo Stacey e Jaaziel se beijando.
Quase consigo sentir a dor dele, principalmente quando passa direto pela loira e vai até uma garota, ele troca algumas palavras com ela e não demora um segundo até que estejam se beijando também. Sei que foi um ato impulsivo.
Procuro Dominik e o vejo conversando com Zoe Monroe. Eles parecem entretidos, então prefiro não atrapalhar. Pra resumir, estou sozinho em uma festa cheia de gente. É entediante e só consigo pensar em Every.
O que ela está fazendo agora?
Pego meu celular pra mandar uma mensagem, começo a digitar e sinto algo molhando minhas costas. Me viro e vejo uma garota.
— Meu Deus, me desculpa. Não queria molhar sua blusa. — Ela se lamenta, passando a mão nas minhas costas.
— Tudo bem. — Respondi, me afastando.
— Seu nome é Matthew, não é? — Pergunta, seu sorriso se espalhando pelo rosto. Os olhos azuis brilhando pela bebida excessiva.
— Sim, sou eu. Com licença. — Tento me afastar, levantando do banco.
A garota tropeça nos próprios pés e cai em meus braços, rindo de algo. Ela começa a soluçar e rir sem parar. Os cabelos pretos grudando em seu rosto suado. É incrível como isso só acontece comigo.
— Eu te vi no hospital a alguns dias, não lembra de mim? — A garota revela, sorrindo abertamente. Franzi meu rosto enquanto a colocava de pé.
Percebo que a reconheço sim, a garota que me chamou no hospital. É ela mesma. Os olhos azuis, o cabelo preto e aquele rosto familiar.
— Lembro sim. Você veio sozinha ou está com alguém aqui? — Perguntei, colocando sentada no banco. Me pergunto como a garota que eu vi no hospital pode está em uma festa cheia de famosos.
— Vim sozinha! — Declarou, erguendo os braços. — Você mudou tanto, Matthew. Está bem mais bonito do que quando era criança. Quem diria. — Ela murmura.
Me afasto pra encará-la. Do que quando era criança? Ela me conhece desde que eu era criança?
— Qual seu nome? — Decidi perguntar.
Os olhos azuis me encararam, brilhantes de alegria.
— Hope Jenner. — Respondeu, com muito orgulho.
Fiquei ali piscando, sem acreditar no que estava ouvindo.
— Como pode não lembrar de mim? Estudamos juntos! Era sua confidente. — A maldita não para de sorrir. Seus braços me agarram pela cintura. — Me desculpa por tudo que eu te fiz, Matt. Eu era uma criança boba.
Uma criança boba que me fez perder a confiança em todas as pessoas a minha volta. Que me fez querer morrer. Que me machucou.
Ah sim, uma criança muito boba.
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