7

Câmeras ligadas
E eu vejo os rostos mudando
Eu quero correr, eu quero correr
Câmeras ligadas
Agora sou amigos de todos os estranhos
Eu quero correr, eu quero correr

Sim, eu vi isso no meu passado
Sim, esse amor falso não dura
E eu sei o que isso vai fazer comigo
Quando eu acho que eles me querem bem
Eles estão tentando me fazer outra pessoa
E eu sei o que isso vai fazer comigo

Mas nunca com você, amor
Você me ama por quem eu sou
Quando estou com você
Eu quero ficar, eu quero ficar
Nunca com você
Você me ama
Por quem eu sou

Cameras On - AJ Mitchell

x

Estou com os olhos focados no meu celular quando escuto a porta se abrir.

— Connor! — Uma voz fofa me grita.

Ergo e reconheço a pequena garotinha vindo correndo na minha direção de braços abertos. 

Um sorriso toma meu rosto e deixo o celular de lado, afim de abraçá-la. 

— Sol! Que saudade. Como você está ainda mais linda, tão brilhante quando o sol! — Declarei, deixando um beijo de leve na bochecha cheia dela.

A garotinha sorri tanto que parece que seus olhos vão desaparecer.

— Muito obrigada. Também senti saudade suas. Agora posso te apresentar pra minha mãe e todos nós seremos amigos! — Sol diz, batendo palmas animadas. 

E então, aponta pra porta da sala. Meu coração parece que parou de bater por um segundo. 

— Querida, ainda bem que conseguiu chegar a tempo. — Givin vai até a garota do quartinho de limpeza e coloca as mãos em suas costas, a guiando até a cadeira enquanto nós encaramos um ao outro.

Eu limpo minha garganta e tento desviar o olhar, mas não dura muito. É contagiante a maneira como continua exatamente igual e ao mesmo tempo ainda mais bonita com a claridade.

— Mãe, esse é meu amigo que falei com você antes de vim. — Sol consegue minha atenção de volta e percebo quatro coisas importantes.

Eu beijei uma garota no quartinho de limpeza.
Essa garota é filha do dono dessa galeria. 
E ela tem uma filha.
A filha dela é minha amiga.

Então não era mentira quando disse que realmente ia ser a futura dona desse lugar. Não sei se duvidei pois não queria vê-la outra vez, ou não queria assumir o quanto estava ansioso.

— Oi, mãe da Sol. Prazer te conhecer. — Eu digo, conseguindo deixar um sorriso de canto surgir.

Ela entende o jogo. Vamos fingir que nunca nos vimos antes. Que nunca nos beijamos antes.

— Olá, amigo da Sol. É um prazer finalmente te conhecer também. — Ela rebateu, sorrindo rápido.

Olhei para meus amigos, que observavam a cena curiosos. Eu quase consegui esquecer que eles estavam aqui, meu Deus.

— Sol, esses são os meus outros amigos. — Eu digo, apontando pra cada um. — Esse com cor de chocolate é o Matthew. O com cor de papel é o Benjamin. O de óculos é o Dominik. E aquela de cabelo loiro é a Stacey. Somos tão amigos, que fingimos que somos irmãos. — Expliquei.

Os olhos dela reluzem de alegria. 

— Sempre quis ter irmãos e você tem vários! — Diz, sem conseguir parar de sorrir. 

O meu peito aperta. Eu também sempre quis ter irmãos, me sentia tão sozinho.

— É um prazer te conhecer, Sol. Nunca conheci ninguém com um nome tão lindo antes. — Matt estende a mão pra ela, que aceita e fica piscando os olhinhos sem parar.

— Nossa, você bem bonito. E tem uma covinha bem aqui! — Ela dá um pitoque no queixo dele. Todos começamos a rir, até mesmo Givin.

— Só não é tão bonito quanto eu. — Interrompo, dando uma piscada.

— É quase isso. — Ainda tem a coragem de dizer. Sol se volta pra Ben e depois pra Dominik, por fim para em Stacey. — Todos vocês são bonitos, mas o Connor é muito mais. — Declarou e eu não consegui evitar de dar de ombros convencido. 

— Se ela falou, está falado. Lamento por vocês. — Soltei um beijo pra todos e escutei a gargalhada feliz de Sol. Ela é mesmo uma garotinha incrível.

— Muito bem, agora que todos foram devidamente apresentados, podemos começar a reunião. — Givin diz, pegando sua neta e a colocando sentada do seu lado na cadeira.

Aproveitei a distração pra voltar a observar a garota do quartinho de limpeza e esperar ansioso pelo seu nome. Minha perna começou a balançar debaixo da mesa e mordi o lábio.

Quando fiz isso, a encontrei olhando pra mim também. Ficamos assim por rápidos segundos antes dela desviar, mas eu continuei e pude notar coisas que não vi antes.

Discretamente olhei por debaixo da mesa e vi que seus pés não encostavam no chão enquanto estava sentada na cadeira alta. Prendi a risada por achar isso tão fofo e ridículo. 

Como alguém conseguia ser tão baixo assim?! Se ela ficasse em pé em minha frente novamente, nem chegaria no meu ombro. 

— E Kali concordou com isso. — Escuto metade da conversa. 

Notei que estou encarando ela demais e quase fui pego fazendo isso, mas acabei de descobrir o nome dela. Kali Askav, a garota do quartinho de limpeza. 

A que me trancou lá e depois me beijou, deixando apenas a lembrança dos seus lábios colados aos meus. Confesso que reviveria aquele momento várias vezes durante a semana.

— Connor, você está escutando alguma coisa? — Benjamin murmura e me cutuca, fazendo minha mente voltar pra o planeta Terra. E não o planeta Kali.

— O que ele disse? — Perguntei, baixinho.

— Que a Kali vai viajar com a gente pra turnê. Vai assistir dois shows nossos e trabalhar com a equipe pra os clipes. Por acaso ficou surdo de repente?! — Resmunga. 

Não me controlo e olho de novo pra ela. Kali vai viajar conosco.

— Eu me voluntariei pra ajudar a equipe do meu pai. Ele ainda vai poder dar críticas sobre o projeto, mas qualquer coisa podem falar diretamente comigo. — Kali começa a dizer, olhando pra todos os lados menos na minha direção.

— Como vai funcionar a agenda de shows pelo estado e os clipes? Precisamos fazer uma plano que seja perfeito para nós dois. — Givin pergunta pra Stacey e eles começam a falar sobre os dias e horários livres em que podemos gravar junto com toda equipe.

— Acha que com apenas dois shows você vai conseguir representar a capa do álbum? — Stacey pergunta pra Kali, enquanto ajeita os papéis para eles assinarem.

— Sim. Já fiz coisas piores antes, tipo um quadro de dois metros em doze horas pra um leilão. Em dois dias é tempo suficiente. Eu já tenho até algumas ideias para os clipes, passo pra você depois. — Não vacilou um minuto. 

Droga, eu tenho um penhasco por mulheres confiantes e atrevidas.

— Perfeito, Kali. Vamos adorar trabalhar com você. E sua filha é a coisa mais adorável, uma fofa. — Stacey informou, dando um aceno pra Sol.

Eles continuam a falar mais algumas coisas rápidas e por fim enceram tudo. Vamos viajar amanhã pela tarde, então tenho tempo de descansar. 

É o que deveria fazer, mas assim que todos começam a sair da sala, eu tomo atitude.

— Sol, o que acha de me mostrar toda galeria? Com a minha viagem, vou demorar de voltar aqui, gostaria de conhecer cada lugar. Até o quartinho de limpeza.  — Disse a última parte com meus olhos focados no que Kali.

Ela franziu o rosto e resmungou algo impossível de saber, antes de começar a caminhar pra perto da sua filha.

— Sim! Com certeza! Sabia que você é o primeiro amigo que eu trago aqui? Meus colegas não gostam de desenhar como eu, dizem que é coisa boba. Eu estou tão feliz por ter um amigo pra conversar sobre desenhos. — Sol desandou a falar.

Até fiquei surpreso. Uma garota tão falante como ela deveria ter vários amigos, como eu também tinha.

Olhei rápido e vi Kali paralisada, bem perto de nós. Ela realmente não esperava a confissão sincera.

— Que coisa mais terrível, você é incrível e como eles podem dizer isso?! — Perguntei, tentando aliviar o clima. — Escute o que vou te dizer, Sol. Eles não fazem ideia de quem você é de verdade. Se divirta do seu jeito e não tente mudar por causa disso, ok? — Fiquei apoiado num joelho, sorrindo.

A garotinha ficou com os olhos brilhantes. Pegou novamente minha mão e se virou pra seu avô e sua mãe.

— Quem quiser participar, siga meu amigo Connor e eu, a garota mais incrível do universo! — Falou animada. Foi tão engraçado que meus amigos entraram na brincadeira.

Eu estava tão envolvido que toda hora esquecia que eles estavam comigo. Dominik se aproximou, curioso.

— Connor, não me diga que ela é a garota. Logo a filha do nosso patrocinador? — Perguntou, com receio e baixinho.

— Sim, ela mesma. — Eu afirmei, tentando parecer o mais discreto possível.

Não consegui falar mais nada antes de Sol me puxar pelo corredor.

— Vem, mamãe. Vamos fazer um passeio. — E de repente, meu coração quase parou de novo. Sol agarrou a mãe e saiu puxando nós dois pela mão.

Parecia uma cena de família, e eu não queria lembrar daquele dia de novo.

Apenas esquecer e enterrar. E sorrir, sorrir e sorrir.

x

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top