23'

Quando você sorri, seus olhos brilham como fogo
É tão triste dizer que você não sorri há um tempo
Ultimamente tem sido difícil e não temos o que conversar

Mas eu não vou desistir, vamos resolver isso
Porque estou do seu lado
Através das noites escuras e dos tempos difíceis
Se você chorar eu vou secar seus olhos

Eu quero que você fale sobre
como você se sente por dentro
Você sempre estará seguro comigo
basta colocar sua mão na minha
Apenas me deixe ser sua terapia esta noite

Deixe-me abrir suas cortinas, eu quero te mostrar o sol
Sinta tudo em sua pele, raios de luz como uma droga
Ultimamente você tem estado distante
vou tentar o meu melhor para consertar
Eu não vou desistir até resolvermos

Therapy - Noelle

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Assim que o show em Charlotte termina, espero ansiosamente para ver o guitarrista.

Já é quase madrugada, e quando cheguei aqui tudo tinha começado. Ainda não o vi no meio dessa multidão de dançarinos, operadores de som e todos da organização. 

Alguns da minha equipe ficaram no hotel enquanto outros vieram comigo assistir. Foi difícil conseguir as passagem pra chegar até aqui.

Finalmente, consigo avistar Connor saindo do palco junto com seus amigos.

— Connor Kang Yoon. — Eu chamo seu nome completo e cruzo meus braços.

Ele se vira, com seus olhos repuxados arregalados e fica me encarando sem acreditar.

Aceno para Dominik, que sorri de volta. Matt e Ben estão surpresos também. Eles vem até mim, mas o baixista segura seus dois amigos e deixa apenas Connor se aproximar. 

— Kali... — Falou. Sua mão passa entre os fios pretos lisos, grudados na testa pelo suor.

— Estou até hoje esperando sua ligação. Ou quem sabe, uma simples mensagem dizendo que está bastante ocupado resolvendo as coisas com sua ex namorada. — Dei um sorriso afetado.

Ele abre a boca, mas não consegue falar. Suspira várias vezes.

— Me desculpa mesmo. Que droga, você fica tão linda irritada que perco até a fala. — Confessa de repente. Sou eu que fico surpresa dessa vez. Ele endoidou? 

— Viajei três horas de avião, mais uma hora de ônibus e assisti mais três horas do show, tudo isso apenas pra tentar falar com você e saber se estava bem. Devo mesmo ficar linda irritada, mas estou irritada! — Comecei a falar, colocando o dedo no peito dele molhado de suor.

 Connor colocou as mãos no bolso, como se estivesse admirando a cena.

— Se não parar de me olhar assim, vou quebrar seu maxilar em quatro pedaços. — Ameacei, ficando ainda mais furiosa. 

E então, percebi que ele estava bem ali na minha frente, com aquele sorriso irritante que tanto senti falta e tão bonito mesmo todo suado. Como alguém poderia continuar assim? 

— Me desculpa, Kali Askav, por te deixar preocupada. Meu celular descarregou e não consegui falar com ninguém por horas. Tenho tanta coisa pra te explicar e nesse momento não consigo parar de pensar no quanto minha namorada é deslumbrante. — Ignorou minha ameaça e continuou a falar. — Seus olhos parecem até mais claros de tanta raiva que sente. Ou deve ser saudade? 

Não esperei mais um minuto. Envolvi sua cintura e lhe abracei, ficando na ponta dos pés e colocando meu rosto na curva do seu ombro. Não era um sentimento qualquer.

— Seu convencido idiota, nunca mais desapareça desse jeito. Consigo fazer bastante coisa quando estou irritada, isso envolve gritar com todos os policiais do aeroporto. — Confessei, minha voz um pouco abafada. Ele soltou uma risadinha, me apertando contra si.

— Eu sabia que era saudade. — Murmurou no meu ouvido. — Também senti sua falta, Kali. Queria que estivesse comigo, nem que fosse pra apenas segurar minha mão. — Conta.

Me afasto um pouco, segurando seu rosto com minhas mãos e o beijando intensamente.

— Se fizer isso de novo, estamos acabados. Não arrisque. — Prometi, voltando ao beijo. Ele comprimiu um sorriso e ficamos no nosso pequeno mundo por alguns segundos.

— Eu tenho que te contar tudo que aconteceu, agora mesmo. — Declarou. Se distanciou para segurar minha mão, me guiando pra fora dos bastidores.

Ele ainda parecia tão cansado de tudo. Parei no meio do caminho, o impedindo.

— Não vai me contar nada agora, vamos direto para o hotel. Você precisa descansar, pode me contar tudo amanhã. — Declarei, já decidida. 

Connor tentou falar, mas apenas continuei. Nós entramos na van com os meninos, Stacey, Jack e Every. Ninguém tinha força nem se quer para conversar muito, a prova de tanto cansaço.

Quando chegamos no hotel, cada um entrou em seus próprios quartos e fiquei sozinha com meu namorado. O guitarrista se sentou na cama e colocou as mãos na cabeça, esfregando as têmporas.

Andei até ele, parando em sua frente e me inclinando.

— Apenas me diga, aconteceu alguma coisa a mais entre você e sua ex?

Ele me olhou aterrorizado. 

— Pensa isso de mim? Que iria te trair? Eu jamais faria isso com ninguém, Kali. — Ficou de pé, segurando meus braços. Escondi um sorrisinho satisfeito com a provocação.

— Acredito no que está dizendo. — Eu agarrei suas mãos, o empurrando para o banheiro do quarto. — Agora vá tomar um banho e vou pegar minhas coisas no outro quarto. 

Ajeitei seu cabelo na frente do rosto para o tranquilizar e me afastei. Fui até meu quarto, tomei um banho rápido também e vesti uma roupa confortável.

Assim que voltei, encontrei Connor sentado na cama me esperando. 

— Kali, eu acredite, eu jamais iria te trair. Sei que passou por coisas complicadas no passado e tem dificuldade em confiar nas pessoas, mas eu nunca faria... — Lhe dei um beijo, o calando.

— Eu confio em você, Connor. Fique tranquilo. Durma e amanhã pode me contar toda história. — Puxei para que ele se acomodasse, o cobri com um cobertor e desliguei a luz.

— Não vai querer ouvir tudo agora? Kali, eu fiquei quase dois dias inteiros sem te dar notícias, prometi te ligar e de alguma maneira você soube que fui me encontrar com a minha ex. Não precisa...

— Pelo amor da MonaLisa, cala essa boca e dorme! Eu confio em você, não estou irritada por ter apenas desaparecido, mas por ter dito que ia descansar e depois eu soube que foi pra outra cidade. Contar o que aconteceu agora ou amanhã não muda nada. — Reclamei. 

Mesmo assim, deitei em seu peito e me encolhi pra me esquentar um pouco do frio.

— Tem certeza? Está zangada por eu não descansar? — Continuou perguntando.

Suspirei, já fechando os olhos e tentando ignorar o fato que acabaria dormindo com ele aqui.

— Eu te admiro muito por se colocar em segundo lugar pelas pessoas que ama e cuida, mas todo mundo se cansa. Por favor, feche os olhos e relaxe, estou te pedindo. — Tento explicar.

Mesmo com os olhos fechados, vejo o céu clarear com um relâmpago. Não vi quando começou a chover de repente. Não gosto de noites assim, mas essa é diferente.

— Você está tremendo, anjo. — Ele nota.

— Tenho medo de tempestades. Não pense em contar isso pra alguém, eu cortaria sua garganta. — Abracei ele ainda mais, quase desaparecendo pela coberta.

— Prometo que não conto. — Beijou minha testa. — Está segura comigo.

E eu acreditei nele novamente. 

Naquele momento, um trovão ecoou pelo quarto, mas já estava quase adormecida. O abraço dele e o seu cheiro agradável de eucalipto estavam me levando num sono bom. Eu não dormia tão bem assim havia vários anos.

Já caindo naquela sensação tão macia, escutei um sussurro dele como se fosse um sonho. 

Tinha me dito algo que eu guardaria para sempre em minhas lembranças.

Estava pronta para o dia agitado quando fui até o quarto de Connor, conferir se ele havia acordado. Voltei pro meu quarto de manhã cedo pra me aprontar pro ensaio que teríamos.

Bati na porta e ele atendeu, também pronto pro dia. 

Exceto pela falta de uma camisa. Eu continuei ali paralisada na entrada do quarto.

— Vamos, anjo. Não é nada que você não já tenha visto na capa de alguma revista. — Ele me puxou pela mão e me colocou para dentro. 

Assim que fechou a porta, deu um beijo na minha bochecha bem rápido de bom dia.

— Vai sair pelo hotel desse jeito? Desculpa, mas não vou permiti. — Coloquei minhas mão na cintura, olhando pra ele em desafio. — Sim, estou sendo possesiva agora.

O guitarrista deu uma risada baixa e se sentou na cama, batendo para que eu me sentasse ao seu lado. Foi quando notei uma tatuagem recente em seu ombro. Franzi minha testa. 

Me aproximei e toquei levemente, notando que a pele ainda estava avermelhada em volta. Ele tinha feito aquilo ontem? Olhei em seu rosto, em busca das respostas.

— Fiz ontem lá em Boston, antes de vim. — Revelou, tranquilo.

— Ah, é por isso que queria que eu segurasse sua mão, estava com medo da agulha. — Brinquei, lhe cutucando pela costela. 

Ele riu por um momento e voltou a ficar sério, me acomodei esperando pela história que viria a seguir.

— Conheci Ella quando tinha dezenove anos. Ficamos juntos por três anos, mas no último ano do nosso namoro algo aconteceu. Ella ficou grávida e não sabia que tinha problemas de saúde. — Assim que falou, eu perdi toda minha graça. 

Se a criança não está aqui agora significa que...

— Ela perdeu o bebê. — Murmurei, em choque. Ele afirmou, olhando para o chão.

— Tinha apenas dois meses. Eu estava com ela quando começou a ter o sangramento e a levei pro hospital. Quando o médico nos contou que era um bebê, e tínhamos acabado de perdê-lo sem nem saber, eu senti meu mundo partir. Eu me tornei pai e não sabia de nada. — Continua dizendo. 

Como mãe, eu consigo quase sentir a dor que Ella sentiu naquele momento.

— Depois disso, ainda passamos alguns meses juntos, mas foram os piores. Não havia um único momento que ela não começasse a chorar quando ficava perto de mim. Chegou o dia que Ella terminou tudo e foi embora, dizendo que não aguentaria viver ao meu lado. — Conta, dando um suspiro fundo pra não chorar. Meu coração já estava partido.

— Isso tudo foi a três anos atrás. Somente agora vocês conseguiram conversar? — Eu perguntei.

— Eu a convidei pro meu aniversário pra tentar falar com ela, mas descobri que estava noiva naquele mesmo dia. Foi quando me ligou ontem, dizendo que estava grávida de novo, que sua mãe piorou do câncer e precisava me ver pessoalmente. Não consegui pensar duas vezes.

— Estou feliz por terem se resolvido. Dá pra saber que vocês continuam tendo o mesmo respeito e admiração um pelo outro. — Sorri, colocando a mão no seu ombro, entendendo o significado triste por trás da tatuagem.

— O amor entre nós mudou e temos essa história juntos, mas cada um conseguiu seguir seu caminho. Pra me lembrar desse dia e de tudo que passei, fiz isso. — Ele toca em seu ombro também, dando um sorriso triste com os olhos cheios de lágrimas. — Meu primeiro anjo. Eu jamais vou esquecê-lo.

Nesse momento, qualquer um é capaz de ver como ele é forte e incrível.

Toco em seu rosto, enxugando suas lágrimas que escorrem devagar. 

— Eu sinto muito pelo seu anjinho, meu amor. — Falei de todo coração.

Ele acena agradecido, fungando um pouco o nariz. Os olhos ainda fechados.

— Você e Sol são os meus maiores presentes agora. Eu não merecia, mas recebi vocês duas em minha vida e nada poderia ser melhor. — Quando fixamos nossos olhares, borboletas flutuaram em minha barriga e meu coração acelerou ainda mais.

— Obrigada por ter ficado preso naquele quartinho de limpeza comigo. — Disse, sorrindo. 

Connor sorri enquanto vai até o banheiro para lavar seu rosto. Ele volta um pouco tímido, com as mãos nos bolsos e ainda sem me encarar. Não o deixo passar tão rápido.

— Falei com Sol hoje de manhã, ela me disse pra te dar um beijo de saudade. — Pisquei, colocando meus braços em volta do pescoço dele, na pontinha dos pés.

Só assim eu consegui arrancar um sorriso grande.

— Eu conquistei mesmo duas garotas de uma só vez. Sou impressionante. — Se gabou, voltando a seu jeito de sempre, mas eu sabia que era uma forma de esconder sua dor.

— Tem razão. — Confirmei, indo me afastar dele em direção a porta.

— O que você disse? Pode repetir? Concordou que sou impressionante? O homem mais bonito que já viu? Que está totalmente apaixonada por mim? — Ele me segurou, fingindo que não ouviu o que eu disse. Comecei a dar risada.

— Sim, Connor. Tudo isso. Sou totalmente apaixonada por você, é impressionante e o segundo homem mais bonito que já vi. — Eu falei, o empurrando antes de sair correndo. 

O segundo homem?! Kali Askav, me diga agora quem é o primeiro! — Veio atrás de mim, me perseguindo. Nunca vi ninguém trancar a porta de um quarto tão rápido.

— Ah, todo mundo sabe. — Acelerei ainda mais. Minhas pernas curtas não permitiam correr muito rápido. Logo ele estava me alcançando. 

— É melhor me dizer agora. — Chegou mais perto.

— O Dominik, é claro! Nunca vi alguém tão bonito. — Declarei. 

Escutei Connor resmungar algo bastante irritado antes de me pegar pela cintura e me prender na parede do corredor daquele hotel. Eu não parava de rir da sua expressão fechada. 

— Foi ele que te contou tudo não foi? Aquele fofoqueiro. — Continua nervoso.

— Não sei do que está falando. — Dei de ombros. — Agora vamos, temos um ensaio fotográfico e uma viagem pra fazer ainda hoje. 

Consegui afastá-lo, segurando sua mão para guiar pra onde todos nos esperavam.

— E não fale assim dele. Dom não é fofoqueiro, ele é muito gentil. — Sorri docemente.

— É melhor ficar quieta, Kali. Não vai querer saber as consequências de me provocar. — Foi ele que me ameaçou dessa vez. Eu dei risada e continuei andando quase saltitando.

Li certa vez que o para sempre é referente para momentos. Os momentos são para sempre, nunca vão ser esquecidos. 

Connor Kang é o meu momento para sempre.

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