Capítulo 15
Diversos tipos de sensações percorreram o meu corpo naquele momento; em minha frente estava Erik com roupas casuais e estendendo a mão para mim. O que diabos ele estaria fazendo aqui? Seus olhos verdes penetrantes fitavam-me a medida que seguro a sua mão e me levanto completamente molhada devido a poça de água anterior.
— Droga!
— Você está bem? Não se machucou? — seus olhos agora estão preocupados e curiosos.
— Acho que não.
Enquanto eu reclamava daquela situação terrívelmente constrangedora, ele me olha e começa a soltar alguns sorrisos meia lua com toda situação.
— Ei! — dou um pequeno murro em seu ombro.
— Parei... — continuou rindo. — Agora eu parei. — respirou profundamente e cessou.
Algumas pessoas passavam por nós e me olhavam. Eu tentava de todas as maneiras cobrir a marca d'água que ficara na roupa, mas isso não evitara os olhares maldosos já que minha roupa era branca e por consequência da água ficara um pouco transparente.
— Consigo ver tudo gracinha! Você é muito linda, porque não me passa o seu número? — um cara com boné e bermuda fala em minha direção.
Meu corpo flamejava de raiva, pois já havia ouvido comentários como este de homens sem caráter como ele. Minhas bochechas ficam vermelhas e é perceptível o meu estado de completa revolta.
Erik estava distraído, mas quando ouviu este comentário se virou repentinamente.
— Vista isso! — ele me entrega o seu sobretudo marrom que estava usando. — O que você disse? — afronta o homem que começa a recuar.
— Eu não disse nada! Foi um mal entendido. — tenta fugir, mas Erik o segura.
Fico boquiaberta quando vejo o punho de Erik apontado para este homem, a qualquer momento ele o bateria.
E como disse...assim foi feito, o olho do cara é acertado acarretando uma leve camada avermelhada em volta.
— Peça desculpas! — Erik ordena ainda o segurando.
— Moço...me desculpa. — ele diz quase em sussurros.
Mais a raiva de Erik apenas aumentou com essas palavras.
— Não peça desculpas para mim, imbecil! Peça a ela! Você a assediou. — puxa a cola de sua roupa e o leva até mim.
Nunca alguém havia feito isso por mim e era uma atitude admirável, já que muitos homens são completos idiotas assediadores que não se importam com a saúde mental das mulheres, não generalizo, mas são muitos babacas por aí. O mundo tem ficado cada vez mais sombrio; andar com medo na rua e se desviar de alguns homens por causa do pavor de ser mais um idiota... é torturante, e isso não deveria cair no costume. Uma atitude dessas me faz pensar que o mundo pode ser um lugar diferente, que ainda há pessoas que tentam fazer a coisa certa, mesmo que de um jeito um pouco "torto".
— Eu realmente sinto muito moça, me desculpa. — o homem que agora estava livre diz.
E eu assinto com a cabeça.
— Agora cai fora e não faça isso com mulher alguma. — o fita com os olhos.
Eu me aproximo de Erik sem que me visse e puxo levemente a sua camisa para atrair o seu olhar até mim.
— O-obrigada! — gaguejo. — Foi muito gentil da sua parte.
— É o que todo mundo deveria fazer. Defender as mulheres, então, não precisa agradecer. — fechou o sobretudo que eu estava usando.
Eu olho para o seu rosto, mas desta vez foi um pouco diferente. Não havia notado antes o quanto era bonito e nem como os seus olhos brilham quando me observam...e quando dei-me conta estava o encarando incessantemente.
— O que você tanto me olha? — ele diz. — Há alguma coisa em meu rosto? — começa a apalpar a sua bochecha fazendo uma careta engraçada.
— Não. — gargalho. — Tenho que ir! — aponto para o supermercado.
— Ah sim. Eu não tenho nada para fazer no momento já que estava apenas passeando por aqui, então vou com você. — me oferece o braço para que eu pudesse o segurar.
— Vai me proteger de outros assediadores? — brinco.
— Claro! — dá um sorriso meia lua.
E assim...brincando e rindo entramos no supermercado.
August On
Tamanha dor profunda senti quando ouvi minha filha dizer que não perdoaria o seu pai... não perdoaria à mim. Mas não a culpo, eu a deixei sozinha muito nova e não a procurei como ela mesma disse, mas se ela ao menos soubesse o porquê...Ema...se você soubesse a verdade ainda assim me odiaria?
Aqueles miseráveis ainda estão a solta e uma sequência de sequestros está ocorrendo novamente, assim como ocorreu com você, minha filha. Eu preciso encontrá-los.
— Veja August! Mais uma criança desapareceu. — Jackson me entrega o jornal.
Aparentemente um menino classe média-alta desapareceu; assim como ocorreu naquela noite, mas você era tão pobre, minha menina, por que eles a pegaram? Eu ainda não entendo muito bem.
— Mande os homens procurarem no sul onde tudo aconteceu. — ordeno e assim o fez.
Me orgulho de Jackson, eu o tirei da favela novo e desde então tem me ajudado tanto na busca pelos cretinos quanto ao tão esperado perdão da minha filha.
Levantei-me quando escutei o meu telefone tocar.
— Quem é?
— Eai meu irmão! Quando você vai pagar aquele dinheiro que me deve? Faz tanto tempo...acha que eu me esqueci que você precisou dos meus homens naquela noite? — gargalha. — Eu não me esqueci.
— Cachorro louco! Eu já lhe disse que irei lhe pagar, mas seu serviço não foi completo, eles voltaram! Lhe pago quando me vingar. — desliguei.
— Ele me irrita tanto! — esbravejei.
Emma On
Estranhamente, neste instante eu não o via como o meu chefe o qual eu devia obedecer, mas sim como uma simples pessoa que ria demasiadamente alto, parecia tão leve... tão simples... tão feliz.
Com um carrinho de compras começamos a escolher o que faltava em casa.
Um pouco de carne, verduras, macarrão...o básico.
— Emma! — diz o meu nome.
Mas quando iria me virar, esbarrei em algumas latas que logo caíram no chão, em seguida todos me olhavam.
— Essas coisas sempre acontecem comigo. — me entristeço.
— Está tudo bem! — ele me ajudou a arrumar.
Quando menos esperei, Erik pega uma amostra de molho de tomate que estavam servindo, molha o dedo e passa em minha testa.
— Simba! — diz separadamente.
Meus olhos se abrem no mesmo instante e uma vontade de rir descontrolada me invadiu.
Faço o mesmo em sua testa e logo o supermercado é lotado pelo barulho de nossas risadas conjuntas.
— Bobo! — limpo a minha testa e ele faz o mesmo. — Acho que já peguei tudo que faltava.
— Está bem! Agora vamos no caixa.
Uma mulher loira de cabelo cacheado começou a passar os produtos pela máquina e eu pego a minha carteira para pegar o dinheiro.
"Eu não acredito" digo a mim mesma. "Cadê o dinheiro? Eu esqueci?"
— Algum problema? — Erik pergunta.
— Não! Problema nenhum. — tento manter a calma.
A minha tranquilidade cessou quando a mulher disse:
— Cartão ou dinheiro?
Comecei a suar frio e a tremer um pouco, eu havia esquecido o dinheiro e não tinha como pagar.
— Eu... — sou interrompida.
— Cartão! Moça. — Erik diz e pega seu cartão em mãos, em seguida paga a minha conta.
Envergonhada, saio do ambiente.
Ele já havia me ajudado mais de uma vez no mesmo dia e o pensamento de apenas estar dando trabalho não saía da minha cabeça.
— Eu vou lhe pagar! Quando eu chegar em casa vou lhe pagar. — digo rapidamente.
— Não se preocupe com isso!
— Eu insisto.
— Eu também insisto. — sorri. — Vamos! Vou lhe acompanhar até a sua casa.
E assim o fez. Erik me deixou na porta do apartamento.
— Obrigada mais uma vez. — sorrio.
— Não há de quê! Espero que aproveite a sua janta. — pisca para mim e sai lentamente.
No apartamento, faço um pouco de comida e Anna e eu comemos.
Logo eu estava pronta para dormir, mas não pude deixar de olhar para aquele sobretudo em cima da minha cama, pois eu havia ficado com ele e o entregaria depois. Eu estava o vendo de uma forma diferente, mas qual? Nunca senti algo assim.
E esta... foi a primeira vez que dormi pensando em Erik Carter.
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Demorou, mas aí está mais um capítulo. Peço desculpas pela demora e espero que goste.❤️
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