Capítulo 14
Em meio a tamanha confusão em minha mente... Meus sentimentos em vendaval no meu coração, pude distrair-me um pouco mais quando aquele homem, August, começara a conversar comigo.
Obviamente sem interesse, uma vez que o mesmo tinha idade para ser o meu pai.
Sorríamos com as conversas aleatórias que nem notei o meu milkshake descongelar.
— Você tem família? — pergunto.
— Eu tive uma esposa, mas ela morreu há algum tempo... Eu a deixei por um motivo relacionado a nossa filha, todavia, me arrependo de não ter aproveito o tempo que tive ao lado dela, pois a amava muito. — abateu-se em tristeza.
— E onde está sua filha? — digo impulsivamente e pude notar os seus olhos de tristeza. — Desculpe! Não precisa responder se não quiser.
Mas ele me retribuí com um sorriso e começa a olhar para o meu rosto como se lembrasse de algo. Algumas lágrimas saíram de seus olhos até que ele diz:
— Eu a vejo, mas não posso tê-la comigo; ela está perto, mas ao mesmo tempo tão longe. — sorri desajeitado. — Você se parece com ela.
— Sinto muito. — abaixo a cabeça. — Perdi a minha mãe e o meu pai me deixou. Se você se arrepende e quer ter um relacionamento com sua filha, tente conversar com ela, quem sabe ela te perdoe.
— Se fosse o seu pai... Você o perdoaria? — seus olhos brilham em esperança.
— Eu não sei, mas provavelmente não. — digo diretamente. — Mas quem sabe a sua filha sim.
— Entendo. — vira o seu rosto em outra direção, pude escutar um suspiro vindo de sua parte. — Foi boa a conversa que tivemos... Acho melhor eu ir agora. Espero vê-la novamente.— em seguida, sai depois de pagar a sua conta.
Não entendo o porquê essa conversa o entristeceu de tal maneira; apenas dei a minha opinião em relação a minha família.
Como perdoaria um homem que me abandonou e mesmo depois da morte da minha mãe... Não me procurou? É um absurdo!
Ainda pensando na conversa que tive com August, observei uma mulher caída no chão.
Estava suja, magra e com olhos avermelhados.
— Posso lhe ajudar? — pergunto tentando levantá-la.
— Eu quero ir embora! — ela dizia seguidas vezes. — Eu não posso ficar lá.
— Acalme-se! Eu me chamo Emma. Vou lhe ajudar, mas antes me diga o seu nome e como veio parar aqui.
— Sou a Jessy... — pega um cigarro de sua bolsa. — Eu preciso disso. — diz um pouco dependente.
Foi quando eu vi que não se tratava de um cigarro qualquer, era algum tipo de droga. Jessy era depende química.
— Eles quiseram me prender, mas eu fugi. Queriam que eu largasse isso que me deixa tão feliz. — fuma, mas eu a interrompi.
Começo a olhar em minha volta procurando alguém que pudesse me ajudar, pois aquela mulher não poderia ficar assim.
Usar droga vicia e mata, sua saúde estava precária.
E então ao longe, escuto uma voz familiar, mas inesperada naquele momento.
— Mãe! — gritou.
Meus olhos vão de encontro aos da pessoa que gritara e nesse momento espantei-me com quem vi.
— Sol? — afasto-me de Jessy. — Ela é sua mãe? — perguntei, mas fui ignorada.
Sol começa a levantar a mulher que havia caído no chão novamente e cobre o seu corpo com uma manta.
Pude sentir a atmosfera tornar-se pesada e sombria mesclando-se com a feição e temperamento de ambas.
Lágrimas escorrem dos olhos de Sol e isso foi uma alfinetada em meu coração.
— Ela é minha mãe! Obrigada por tê-la encontrado e não deixado que fizesse besteira. — diz enquanto passa a mão no cabelo de sua mãe.
— Eu não sabia, sinto muito.
— Sinto muito eu, pois lhe tratei tão mal e mesmo assim tentou ajudá-la.
— Isso já passou! Vai levá-la para onde?
— O certo seria para clínica, mas do modo que está agitada não vai funcionar, por hora levarei em casa e cuidarei dela.
— Está certo!
Sol me pediu para que olhasse sua mãe enquanto atendia uma ligação, e assim o fiz.
Ver como a vida de um usuário de drogas se transforma e decai é assustador. As drogas arruinaram essa família, mas espero que Jessy consiga se livrar do vício.
— Jessy! — seguro suas mãos. — Não deixe isso acabar com você; sua filha quer lhe ajudar então deixa-a fazer isso. Ela te ama tanto, consigo ver em seu olhar. — suspiro. — Prometa que irá dar o seu melhor para deixar o vício.
De certa maneira, senti que minhas palavras tocaram o seu coração.
O percurso que ela terá que percorrer não será nada fácil, mas sei que irá conseguir.
Agora entendo um pouco as atitudes de Sol, não por completo, mas já é um começo para a mudança, uma vez que a mesma se arrependeu do mal que me fez.
— Prometo! — Jessy diz entre lágrimas, sussurrando antes que Sol a segurasse e a levasse embora.
— Obrigada! —ambas dizem.
Sei que para todos há um propósito para se cumprir e também sei que cumprirão o propósito delas, então alegro-me.
Foram tantas emoções para um final de tarde que tenho medo do que irá acontecer no anoitecer.
Caminho até o apartamento e observo que Anna ainda não chegara.
Entro com a chave reserva e acomodo-me perto da janela direcionada ao jardim.
Mais uma vez sozinha e mais um bilhete escrevi.
Estou um pouco assustada com o que me espera nessa vida em Londres, por favor! Não me deixe só, mamãe.
—Com amor, Back.
E como todas as vezes o atirei pela janela em formato de aviãozinho.
Apoio a minha cabeça na mesa, tentando descansar um pouco, mas a lembrança do meu possível sequestro não permite que eu o faça. Eu preciso saber um pouco mais sobre o que realmente aconteceu.
— Obrigada por me acompanhar até em casa! — escuto a voz de Anna e vou ao seu encontro.
Ela estava falando com um homem, mas não conseguia vê-lo direito, apenas notei que era uma voz grave.
Eles conversaram e se despediram com um beijo na bochecha.
Anna nunca havia me falado sobre possíveis flertes que ela poderia ter, então isso me surpreendeu.
— Emma! Você está aí. — diz quando nota a minha presença esboçando um sorriso bobo em seu rosto.
— Você está muito animada. O que aconteceu?
— Eu fui ver meus pais e acabei encontrando com um amigo. — seu rosto fica vermelho.
— Amigo? Sei.
Anna nunca falava de seus pais, me pergunto o porquê, mas decido não questioná-la. Se não me disse até então, talvez eu não devesse saber.
— Qual o nome dele?
— Jackson! — sorriu.
— Engraçado! É o nome de um amigo meu também. — nós rimos dessa coincidência até que ela foi tomar seu banho.
Estava faminta depois de tudo que acontecera hoje e meu estômago pede por comida.
Mas nenhuma de nós se lembrou de reabastecer nosso armário e não havia nada para comer.
— Anna! —gritei. — Vou comprar comida e já volto!
— Está bem! — ela grita do chuveiro.
Já estava de noite e mesmo assim meu estômago almejava incessantemente por alimento a qualquer custo.
Vou a um supermercado um pouco próximo de onde moro, mas devido aos resquícios da chuva que caíra outrora noite, escorreguei em uma calçada e caí no chão.
— Posso lhe ajudar? — ouço uma voz masculina.
E então levanto a minha cabeça e estendo as mãos sobre as suas, olhando em seus olhos verdes.
— Erik? — surpreendo-me.
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