Capítulo 01
Sentada ao lado da minha mãe, Christiny Back, em uma cama de hospital é desesperador. Ela é a única pessoa que eu tenho de família, pois nem ao menos sei onde meu pai está... Não posso perdê-la.
—Filha!? — olho para o lado e a vejo com seus olhos brilhantes abertos finalmente olhado para mim.
— Mãe, você enfim acordou; eu tive tanto medo... — afogo minhas lágrimas em sua mão que eu estava segurando.
— Calma! Tudo vai ficar bem. -—ela tenta me acalmar, mas no fundo ela sabia que não iria.
Acaricio o seu rosto que está coberto pela máscara de oxigênio.
— Christiny! O seu estado está crítico, você está ciente disso? -—diz o médico que acabara de entrar.
Observo a minha mãe olhar para a janela e em seguida deixar rolar uma lágrima solitária em seu rosto.
— Estou sim. — ela diz e me olha. —Perdoe-me por não tê-la contado, mas já faz um tempo que estou doente.
— Mas mãe!? Por que não me contou?
— Não queria preocupar-te.
Levanto-me e começo a andar pelo quarto de hospital, foi quando o médico me chama.
—Ela irá ter que ficar aqui e o tratamento será muito caro, você acredita que conseguirá pagar? — ele me entrega um papel com o valor.
Espanto-me com o valor que havia no papel, no momento não estava trabalhando, não fazia ideia de como arcar com tal preço. 7 mil reais estava fora do meu alcance.
—Por favor, cuide dela. Eu vou lhe pagando aos poucos! — imploro a ele.
Relutante ele concorda; era a única maneira de salvar a minha mãe, então me despeço dela e começo a andar pelo bairro de Brixton. Onde conseguiria um emprego? Eu ajudava minha mãe na costura, mas sou praticamente inútil sem ela; foi quando vi um anúncio : " precisa-se de entregadores".
Sem nem pensar entrei naquele estabelecimento.
— Olá mocinha! Me chamo Marie, como posso ajudá-la? -—uma mulher simpática me recebe com um sorriso.
—Eu estou aqui por causa do emprego.
—Ótimo! Você parece boa para o papel, está contratada.... Quando pode começar?
—Agora mesmo se quiser! -—respondo confiante.
Então Marie me lança um sorriso e me leva para colocar um uniforme meio estranho, acinzentado e rosa. Não é muito bonito, mas ao menos é confortável. Terei que entregar os jornais de bicicleta e nem ao menos sei como andar, mas entro no personagem e sigo em diante.
Começo entregando em Brixton mesmo, todas as casas que eu passava, jogava um jornal... Na porta, pelo muro, onde desse.
—Aí! Minha cabeça! — uma voz masculina reclama quando jogo o último jornal.
Imediatamente paro a bicicleta e fico receiosa de olhar. Então sinto uma cutucada em meu olho.
— Mocinha, eu acho que isto é seu. — diz me entregando o jornal.
Olho para ele e em minha frente está um alto rapaz de cabelos escuros me olhando.
—Desculpe-me! — baixo a cabeça.
—Só toma cuidado da próxima vez e por sinal meu nome é Jackson.
—O meu é Emma.
Simplesmente ele joga o jornal em minha mão e dá um sorriso sarcástico seguindo em frente. Já havia ouvido falar sobre um homem tanto quanto encrenceiro que se chamava Jackson, diziam que ele era barra pesada aqui no bairro.
Ao pensar nisso um arrepio invade o meu corpo.
—Minha nossa!
Continuo entregando até que não restasse mais nenhum, recebo uma pequena quantia que não dava nem 1/3 do dinheiro para o tratamento da minha mãe. Foi então que recebi uma ligação.
—Emma Back?
—Sim, sou eu.
—Venha para o hospital agora! Sua mãe não está bem.
Deixo o celular cair ao chão e corro depressa até a minha mãe, começara a chover e estava tão escuro que quase não conseguia enxergar.
— Ei mocinha!
Olho na direção daquela voz e lá estava Jackson parado em frente a uma moto.
—Precisa de carona? — ela dá novamente seu sorriso sarcástico.
Coloco o capacete e subo em sua moto.
—Por favor, preciso ir ao hospital. —digo quase chorando.
—Não precisa falar duas vezes. —ele diz acelerando.
Quando enfim cheguei, desço e saio correndo em direção ao hospital; Jackson me acompanha.
—Onde está minha mãe?
— Quarto 46.
Nem deixo a enfermeira falar direito e corro para o encontro da minha mãe; o que vejo é assustador... Ela está fraca.
—Mãe!? — Aproximo-me dela e seguro firme a sua mão. — Eu estou aqui mãe.
—Emma... — ela diz com a voz falha.
—Veja! Eu estou conseguindo o dinheiro para o seu tratamento. —mostro o dinheiro que havia arrecadado com o primeiro dia de entregadora.
Ela me lança um sorriso falho.
— Como eu queria ver você se transformando em uma linda mulher... —ela diz.
— Mas você vai mãe!
— Pegue! Este é o dinheiro que eu estava guardando para você, são todas as minhas economias. — ela me entrega um envelope.
— Mas mãe, então vamos usar para o seu tratamento.
—Não há jeito, estou muito doente. —diz tossindo.
Os batimentos cardíacos dela começam a ficar irregulares e fracos.
— O que está acontecendo? Enfermeira! — grito.
—Eu cuidarei de você, minha filha. — e assim seus olhos se fecharam e seus batimentos pararam. Fora a última vez que ouvi a voz da minha mãe.
Eu grito e choro e vejo os médicos passarem em minha frente enquanto Jackson me segurava. Minha mãe... Estava morta!
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