Capítulo Um
O detetive
Dias atuais
Os gemidos de Laura o faziam aumentar a velocidade e intensidade dos movimentos, faziam amor de uma forma meio desesperada, nem parecia que eram casados. A questão era que, devido ao trabalho de Cliff, ele às vezes tinha que passar várias noites no escritório, debruçado sobre pilhas de casos que tinha que resolver.
O detetive se movia como um jovem que tinha que aproveitar que o pai da namorada estava fora, e após alguns minutos, com um urro, ele se jogou de lado, suado e exausto, com uma expressão satisfeita no rosto. O que ele não percebeu, foi a expressão nada satisfeita da esposa, que mais uma vez precisaria esperá-lo dormir, e ir buscar sua satisfação no banheiro, com um brinquedinho que ela mantinha em segredo.
Não era fácil ser a esposa de Cliff Hoogan, ele era detetive da divisão de homicídios de Seattle, e muitas vezes, tinha que sair no meio da noite porque mais um corpo havia sido encontrado. Laura sabia que ele era obcecado com o trabalho, mas pensou que após se casarem, isso mudaria. Para seu azar, uma série de assassinatos vinha acontecendo nos últimos quatro meses, e o primeiro caso ocorreu exatamente no dia do seu casamento, e fez Cliff ter que adiar a noite de núpcias, já que o assassino tinha deixado um recado específico para ele.
Uma jovem de dezoito anos tinha sido assassinada e um bilhete tinha sido deixado ao lado do corpo, com o nome Cliff Hoogan no envelope. Ela teve a garganta cortada e as pregas vocais arrancadas e levadas como um souvenir. Todo o trabalho de perícia tinha sido feito, mas o máximo que conseguiram foi descobrir os objetos que foram usados para se fazer os cortes. O assassino era muito habilidoso e cauteloso e desde esse primeiro assassinato, Cliff sabia que era um assassino em série, pois o bilhete tinha a seguinte frase enigmática:
"Gritei para o penhasco, e recebi em resposta o silêncio do vazio."
Para Hoogan, a frase estava ligada ao fato do assassino ter levado as pregas vocais da vítima como troféu, por isso ele usou as palavras "gritei" e "silêncio", mas ele não poderia ter certeza até que o assassino fizesse outra vítima, e foi exatamente o que aconteceu um mês depois — outro jovem foi assassinado e outro bilhete destinado ao detetive foi deixado sobre o corpo. Desta vez, o bilhete continha a seguinte frase:
"olhei para os olhos negros do penhasco, e senti vontade de me jogar, para que ele pudesse finalmente me ver como eu sou."
Ao ver o corpo, Hoogan reforçou a sua teoria, de que as mensagens estavam ligadas ao modo como o assassino matava as pessoas. O jovem teve os olhos arrancados e levados, ilustrando as palavras "olhei" e "ver" do bilhete, porém, mais uma vez, foi o máximo que conseguiram deduzir de tudo o que foi encontrado. O assassino era um profissional e escondia muito bem os indícios.
Mais um mês se passou, e mais um corpo foi encontrado — dessa vez, era um idoso, que estava sozinho em casa, e foi encontrado sem as mãos que, pasmem, foi levada como troféu e mais uma vez a frase do bilhete encontrado na cena do crime, falava da parte escolhida pelo assassino:
"Aproximei-me do Penhasco o suficiente para tocá-lo, e quando percebi já estava em queda livre, sem ter onde me agarrar."
Cliff estava a quase uma semana sem ir em casa e, por isso, assim que teve a oportunidade, correu para a sua esposa, que ele sabia que estava insatisfeita com sua ausência constante. Ele não sabia mais o que fazer quanto ao seu casamento, tinha ainda o medo de que Laura pudesse estar em perigo também, já que o assassino estava deixando mensagens direto para ele, além de que havia descoberto que todas as vítimas eram pessoas que ele havia salvado em casos que resolveu durante a sua carreira, e a última vítima era um amigo do pai de Laura, logo, o desgraçado estava cada vez mais perto.
— Vou te colocar em um programa de proteção! — ele disse, assim que ela retornou para o quarto, pegando a de surpresa por achar que ele estava dormindo e fazendo-a deixar cair o vibrador no chão.
— Do que você está falando agora, Cliff? — ela perguntou constrangida, enquanto pegava o objeto.
— Esse assassino manda bilhetes direcionados a mim — ele respondeu, e levantando-se, caminhou até a janela aberta, onde acendeu um cigarro e deu um trago —, é um sinal de que ele me conhece e tem alguma coisa contra mim. O fato de você ser minha esposa te coloca em perigo.
— Eu não quero deixar a nossa casa — ela disse, guardando o vibrador na gaveta e se aproximando dele —, tem que ter outra solução.
— Seria só até pegar o filho da puta, amor — ele insistiu, olhando para ela com o olhar cansado.
— Já fazem quatro meses, Cliff — ela resmungou, sentando-se na cama e enterrando a cabeça nas mãos —, quatro malditos meses, que deveriam ter sido maravilhosos para nós, mas virou um inferno. Eu mal encontro com você e quando você vem para casa, tem que fazer tudo com pressa, porque não sabe quanto tempo poderá ficar. Se eu não o conhecesse, poderia pensar que você tem uma amante, mas eu sei que não teria tempo para isso também.
— Eu sinto muito por isso, Laura — ele disse, e após apagar o cigarro em um cinzeiro, ajoelhou-se aos pés dela e segurou-lhe as mãos, fazendo-a olhar em sua direção com os olhos cheios d'água —, prometo que quando isso acabar, eu vou tirar uma licença longa, para te compensar, mas agora eu preciso resolver isso!
O toque do celular interrompeu o diálogo e, levantando-se, ele pegou o aparelho e viu que era do departamento de polícia. Mais um corpo tinha sido encontrado e ele precisava ir ao local.
— Eu preciso ir, Laura — ele a olhou e ela apenas assentiu com a cabeça, mas pelo olhar dela, ele sabia que a estava perdendo —, pensa no que eu disse, se você estiver sob proteção, eu ficarei mais tranquilo e poderei focar mais em resolver esse caso.
Pegando sua arma e seu distintivo, ele saiu às pressas, acelerando seu Plymouth Barracuda 1974, em direção à cena do crime.
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