Capítulo Quatro

Assassino
2 meses atrás

Era divertido ver o grande detetive batendo a cabeça de um lado e para o outro, sem saber onde mais procurar. Deu o prazo calculado de um mês, para ver os desdobramentos do primeiro assassinato, e agora revisava os arquivos da segunda vítima. Rayan Irons, um garoto de programa, que há oito anos, foi alvo do chamado Assassino da Pike Street, que aterrorizou os garotos de programa da famosa rua, onde ficam os melhores clubes e restaurantes da cidade. O assassino abordava garotos de programa na Pike Street, e após o programa, os matava e levava seus órgãos genitais como troféus.

Por se tratar de garotos de programa, a polícia parecia não estar dando importância para os assassinatos, até que o caso caiu na mesa de Hoogan. O então melhor detetive do departamento, fez um intenso trabalho de investigação, cruzando o modus operandi dos nove assassinatos, e percebeu que as vítimas tinham sido abordadas no mesmo dia, e que estavam sendo mantidas em cativeiro, para serem abatidas aos poucos. Ele então intensificou as buscas por filmagens, e conseguiu identificar o veículo que abordava os garotos. O cativeiro era embaixo da casa de Isaac Holloway, um filantropo que até então tinha a imagem imaculada na sociedade. Holloway não se entregou e ameaçou matar Rayan, que era o último refém, e depois disso se matar, mas o detetive agiu mais rápido e, com um tiro certeiro na testa, salvou o dia.

Era mais um caso resolvido e mais uma vida salva pelo herói Cliff Hoogan. "Seattle ficava mais tranquila sabendo que tinha um incansável homem da lei trabalhando dia e noite." Isso foi o que o prefeito da cidade disse ao anunciar as honras ao detetive, que pediu para não aparecer na solenidade, dizendo que só estava fazendo o seu dever como detetive, e que não precisava de uma medalha por isso, mas aceitou de bom grado o bônus, que diga-se de passagem atrasou a promoção de alguns de seus companheiros de departamento. Já Ryan continuou sendo garoto de programa, mesmo depois de todo trauma. Aquela era a vida que ele escolheu e mal sabia que era ele o escolhido dessa vez.

Olhando uma foto do rapaz nos arquivos, viu que ele tinha um belo par de olhos, como bolinhas de topázio azul lapidado, e lembrando-se da frase que tinha escrito no bilhete, soltou um sonoro "Puta que pariu", que ecoou pelo apartamento com poucos móveis, pensando no quão irônico o destino era. Retirando o bilhete que já estava dentro de um envelope destinado ao detetive, leu em voz alta: "olhei para os olhos negros do penhasco, e senti vontade de me jogar, para que ele podesse finalmente me ver como eu sou." Começou a rir compulsivamente até sair lágrimas dos olhos enquanto pensava: "só falta ficar sabendo que a Sabrina tinha uma uma linda voz". Tinha tido a ideia louca de levar consigo as pregas vocais da jovem, e as mantinha conservadas em um pote, como um troféu, e agora teria aqueles olhos azuis que mais pareciam pedras preciosas.

Na pasta de casos resolvidos de Hoogan podia ver muitos assassinos, alguns agiram por loucura, alguns agiram depois de surtos psicóticos, alguns certamente tinham prazer em matar. Pensou em qual categoria se encaixaria, mas preferiu deixar esse rótulo para a polícia, agora precisava focar na missão, então pegou sua bolsa, revisou os equipamentos, e saiu, rumo ao estacionamento que ficava a um quarteirão do prédio onde estava morando. Tinha marcado o programa durante a tarde, já que trabalhava à noite e precisava dormir ao menos um pouco durante o dia. As novas tecnologias tinham facilitado muito a vida dos assassinos, milhares de vítimas em potencial estavam em aplicativos de encontro, ou de delivery. O aplicativo que usou colocava garotos e garotas de programa em um menu, e Ryan estava lá, belo e alheio ao perigo que estava correndo. Um alvo muito fácil, disponível para homens e mulheres que estivessem atrás de algumas horas de prazer.

A primeira coisa que fez foi trocar a placa do carro que usaria para se encontrar com o jovem, não que tivesse o risco de ser pego em alguma câmera, mas gostava de aparar todas as possíveis arestas. Saindo do estacionamento, ligou o rádio que tocou Behind Blue Eyes, do The Who.

- Eu devo estar em uma série da Shonda Rhimes - pensou assim que ouviu a música, e começou a rir novamente.

Pegando o celular enquanto ainda dirigia, acessou as câmeras do departamento de trânsito, e mapeando as ruas que iria passar, desligou a transmissão de todos os aparelhos do local. Iria demorar pelo menos uma hora para que as ligassem novamente, e era mais do que suficiente para terminar a missão. Encontraria o jovem na casa dele, o que garantia que não precisaria se preocupar em hackear o sistema de câmeras de nenhum hotel.

Descendo do carro, caminhou até a porta e tocou a campainha. O jovem era mais belo pessoalmente do que na foto, e por um instante pensou em aproveitar o programa, mas não vacilaria à ponto de deixar qualquer fluido corporal na cena do crime ou na vítima, então, aproveitando que o rapaz se virou, tirou do casaco uma lâmina e, com a precisão característica, a cravou profundamente em um ponto logo abaixo da orelha do rapaz, em um golpe sólido que o levou a morte instantaneamente.

Virando o corpo, viu que Ryan não teve tempo nem de fechar os olhos, que continuavam lindos, mas não tinham mais o mesmo brilho. Com um bisturi e uma precisão cirúrgica, extraiu os dois olhos e os colocou em um pote. Depois de coletar mais um item para a sua galeria de artes macabras, deixou a casa cantarolando Behind Blue Eyes, ciente de que ninguém estava lhe observando, já que Ryan e outros garotos de programa escolhiam aquela vizinhança exatamente pela fama que tinha de ser discreta e pouco movimentada.

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