Capítulo Dois

Assassino
3 meses atrás

Já tinha planejado tudo em sua mente, e usando as suas facilidades de acesso, mescladas as habilidades computacionais, foi fácil conseguir a ficha do detetive Cliff Hoogan. Notável por ter resolvido muitos casos nos onze anos de carreira que acumulava, era um exemplo de policial e antes disso acumulava medalhas também no exército, onde serviu por cinco anos e só pediu baixa para cuidar da mãe doente.

Quantos casos resolvidos, quantos criminosos presos, quantas vidas salvas, Cliff era um herói, mas preferia permanecer longe dos holofotes, e agora iria se casar com a também perfeita Laura Jenkins, psicóloga formada com honras em Stanford. Eram o casal perfeito, e tinham tudo para serem muito felizes juntos, mas tudo dependerá da obsessão de Cliff pelo seu trabalho, e era aí que seu plano agiria. Após escolher minuciosamente cada um dos alvos e a ordem em que os mataria, era hora de começar, mas primeiro, pegou um envelope e escreveu nele o nome do detetive. Fez questão de escrever tudo à mão, logicamente usando luvas, afinal era profissional e só cometeria erros se quisesse.

Em um papel, com a caligrafia perfeita, deixou a seguinte frase: "Gritei para o penhasco, e recebi em resposta o silêncio do vazio." e, dobrando-o, o introduziu no envelope. Pegando suas ferramentas, partiu para o endereço de Sabrina Fields, dezoito anos. Ela tinha acabado de ganhar um apartamento de seus pais adotivos, onde morava com uma amiga, e tinha registrado o novo endereço na matrícula da faculdade que começaria a fazer, caso não tivesse sido escolhida.

Não era uma escolha aleatória, Sabrina Fields era Sabrina Atkins, e há dez anos foi raptada por Mathias Ford, junto com seus pais e suas duas irmãs. Mathias era um ex-sócio de seu pai, e quando ambos faliram, a vida dele desmoronou, enquanto a de seu sócio até melhorou. Ford foi abandonado pela mulher, que levou a filha para longe dele, já Atkins teve apoio incondicional da família. Em um surto psicótico, Mathias matou toda a família de Sabrina, e a raptou para mantê-la como se fosse a sua filha da mesma idade. Ele viajou com ela por várias cidades, até que um jovem detetive brilhante traçou todo o percurso feito por ele, e o cercou, conseguindo libertar a garota, que foi adotada e pode dar sequência à sua vida.

O detetive era Cliff Hoogan em começo de carreira, mas já perfeito em suas deduções e linhas de investigação. A primeira vida que Cliff salvou, seria sua primeira vítima, e até a hora da morte e de encontrarem o corpo estava cronometrada. A ligação deveria chegar durante a noite de núpcias, e seria o primeiro teste. Cliff irá largar a doce Laura morrendo de tesão, para atender ao chamado do dever?

Em sua empolgação na casa nova, Sabrina foi um alvo fácil. A tranca da porta não foi um obstáculo, e o som alto nos fones de ouvido ajudou na entrada furtiva. Não estava ali para brincar, não tinha perversão nenhuma, só queria deixar seu recado junto com o cadáver, e foi isso que fez. Com um corte limpo, cortou a garganta da jovem, deixando o sangue encharcar e manchar o lençol branco, e colocando o envelope em cima do corpo, seguiu até a porta.

Antes de sair, lembrou-se da frase que deixou, contendo um enigma que inclusive achava bobo demais, e lembrando que ela falava sobre gritar e sobre silêncio, deu uma gargalhada, divertindo-se com o que estava pensando, mas resolveu fazer, então, voltando até o corpo, retirou um bisturi de sua bolsa, e com uma incisão perfeita, removeu as pregas vocais da jovem, e só então deixou o apartamento, levando consigo um inusitado souvenir.

O resto era automático - a amiga chegaria do trabalho e encontraria o corpo, ligaria para a polícia, que encontraria o bilhete e ligaria para Cliff. Sem se preocupar com as câmeras que tinha desligado previamente, saiu tranquilamente pelos corredores do prédio, e pensou em uma frase de efeito idiota como "que comece o jogo", mas apenas soltou mais uma gargalhada.

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