Capítulo Cinco Parte 1

O Detetive
2 meses atrás

- Você está péssimo, Clifford! - ele imaginou a sua mãe dizendo, enquanto via a sua imagem no espelho. As grandes olheiras pareciam acentuar o que a barba mal feita tentava esconder: o rosto magro de quem não se alimenta ou dorme direito há várias semanas. Ele tinha dormido mais do que queria nessa tarde, tinha planejado ir para o serviço mais cedo para revisar o caso da jovem Sabrina Fields, mas após fazer horas-extras no turno anterior, estava absurdamente cansado.

Precisava fazer a barba, mas não tinha ânimo nenhum para isso. Ele se sentia culpado desde que descobriu que a jovem assassinada há um mês, era a menina que ele tinha salvado de um louco, onze anos atrás, em seu primeiro ano como detetive, e tinha redobrado os esforços nas investigações. Chegou a procurar Mathias Ford, no presídio onde ele cumpria prisão perpétua e também interrogou pessoas ligadas a ele, imaginando se tratar de uma vingança, mesmo depois de tantos anos, mas constatou que o assassinato não tinha ligação com ele.

- Foda-se a barba - ele disse, e abrindo o armário, pegou um frasco de analgésicos, de onde tirou dois comprimidos e tomou de uma vez. Os remédios vinham sendo seus melhores amigos ultimamente. Saindo do banheiro, ele pegou seu distintivo, o coldre com a arma, e se preparou para sair, mas se deparou com Laura, que entrava pela porta, trazendo duas caixas de comida chinesa.

- Você já vai trabalhar? - ela perguntou, com a expressão desapontada.

- Patt encontrou novos indícios que preciso investigar e..

- Quando eu saí esta manhã você ainda não tinha chegado em casa, Cliff - ela o interrompeu, colocando a bolsa e a comida em cima de uma mesa -, eu desmarquei alguns clientes com a esperança de que iria poder conversar com meu marido, ao menos um pouco. Trouxe até comida chinesa para termos uma refeição juntos.

- Sabe de uma coisa - ela continuou após uma pausa -, minha irmã deve estar certa, você deve estar me traindo. Ela acha que é a Amber, mas não sei, talvez seja outra pessoa, o que eu não entendo é porque não me disse que não queria se casar?

- Laura, eu te amo - ele disse, se aproximando e a abraçando sem ser correspondido -, eu não esperava que essa merda toda fosse acontecer, mas eu preciso resolver isso. O Desgraçado matou aquela menina para me desafiar, e eu não posso deixar que ele mate mais alguém.

- Eu sei, Cliff - ela disse, encostando a cabeça no peito dele e começando a chorar -, eu só... me sinto sozinha. Eu me casei com você e tinha planos para nós dois. A ideia era poder começar uma família, e você sabe disso.

- Eu sei, amor, eu sei - ele disse, afastando-se um pouco para olhá-la nos olhos - Vamos fazer o seguinte: Vamos esquecer um pouco dessa merda toda, e vamos jantar. Vá tomar um banho, que eu preparo tudo aqui, e a gente janta antes de eu ir trabalhar, o que acha

- Tá bom, pode ser - ela respondeu, e após ele depositar um beijo em sua testa, saiu para o quarto. Laura estava certa em se sentir sozinha e frustrada, afinal em um mês de casados, eles devem ter transado no máximo umas sete vezes, e mesmo assim, não eram noites completas. Na maioria das vezes era um sexo corrido e malfeito, antes dele ter que correr para o trabalho. Ela merecia mais, e ele precisava dar um jeito de pegar esse assassino logo, ou a perderia.

Enquanto comiam, eles conversavam sobre o trabalho dela e sobre como as pessoas estavam frágeis ultimamente. Por ética, ela não mencionava nomes, relatava as diversas situações que os pacientes lhe apresentavam. Como psicóloga, ela não podia aconselhar, a tarefa dela era apenas ouvir e fazer as perguntas certas para que eles mesmos encontrassem o caminho, a solução, as respostas. Cada um buscava algo diferente, e ela precisava guiá-los com questionamentos, apenas. O trabalho de Hoogan também era questionar, mas no seu caso, questionava a si mesmo, debruçado sobre indícios e pistas, buscando o caminho para resolver os casos. Ele não estava fazendo as perguntas certas, por isso estava travado nas investigações.

Ao terminarem o jantar, ele foi ajudá-la a lavar as louças. O clima estava bem melhor do que antes da refeição, e inclusive começava a esquentar. Abraçando-a por trás, enquanto ela enxugava e guardava os talheres, ele depositou beijos no pescoço dela, fazendo-a estremecer assim que a sua barba mal feita tocou-lhe a pele. Levando a mão para debaixo do vestido dela, ele se surpreendeu por ela estar sem calcinha, e seguiu o caminho até a vulva, onde iniciou um movimento suave com os dedos, fazendo-a se inclinar e abrir as pernas, para facilitar o alcance.

- Isso, assim - ela sussurrou e começou a mexer os quadris, enquanto ele cadenciava os movimentos, sentindo-a cada vez mais quente e úmida. Desta vez, ele optou por não penetrá-la, apenas continuou as carícias, e embalado pelos gemidos aumentou a intensidade e velocidade, até que ela explodiu em um orgasmo tão intenso, que quase não conseguiu manter os joelhos firmes.

Pegando-a no colo, ele a levou até o quarto e a deitou suavemente na cama. Ela o puxou para um beijo quente e demorado, e começou a tirar-lhe a camisa, mas o celular, que vinha sendo o pior inimigo dela, chamou, tocando a música que ele definiu para o detetive Patt Martinez, que passou a ser seu parceiro durante o caso.

Tanto ele, quanto ela sabiam que Patt não ligaria antes do horário de trabalho, se não fosse urgente, então ele precisava atender. Colocando no viva-voz ouviram o jovem dizer, que o assassino tinha feito mais uma vítima, e passou as coordenadas para que ele o encontrasse lá. Laura apenas assentiu com a cabeça, e após depositar um beijo rápido nos lábios dela, ele saiu em disparada.

- Merda, é o Ryan! - Cliff disse, assim que entrou pela porta do apartamento. O corpo do jovem estava no meio da sala, sobre uma poça de sangue. Amber já fotografava tudo na cena, então ele se retirou, para deixá-la terminar a perícia, e foi seguido por Patt.

- Você o conhecia? - o jovem perguntou, mas ele apenas acendeu um cigarro e deu um trago - Espera aí, não vá me dizer que é outro que você salvou em um de seus casos resolvidos?

- Foi no meu segundo caso, há nove anos - ele respondeu amargamente -, ele havia sido feito de refém por um assassino em série que pagava de bom samaritano na comunidade, mas sequestrava, torturava e matava garotos de programa. Eu estourei os miolos do filho da puta, e salvei o Ryan naquele dia, mas agora eu o matei.

- Você não matou ninguém! - Patt exclamou - É exatamente isso que o filho da puta quer que você pense. Você é o detetive Clifford Hoogan, e tem uma aula sobre você e suas técnicas na academia, e é uma honra trabalhar ao seu lado. Nós vamos pegar ele, mas para isso precisamos que você pare com essa autopiedade.

- Espere um pouco - Patt fez uma pausa, como se tivesse se lembrado de algo, ou tido alguma ideia -, se estão atacando as pessoas que você salvou, na ordem em que você resolveu os casos, o assassino deve ter acesso a sua ficha de alguma forma.

- Você quer dizer que o filho da puta é alguém do departamento? - Cliff perguntou, deixando cair o cigarro e se virando para o parceiro.

- Eu não posso afirmar isso - o jovem recuou -, sou novato lá, não conheço o pessoal. Teria algum motivo para alguém fazer isso com você?

- Não tem mais, ou pelo menos eu pensei que não tinha - Hoogan disse, pensativo -, vamos tomar um café enquanto a perícia trabalha, e eu vou te contar a história.

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