2 - Algo a fazer

  Claude sabia que se ficasse parado não conseguiria nada. Então, decidiu fazer o que poucos se atrevem a fazer: visitar o rei.

  Antes disso, Claude passou em casa de seu amigo e viu um homem barbudo com roupas finas e um óculos de sol saindo de lá e entrar num carro todo luxuoso. Ele entrou em casa do amigo e deu de caras com o irmão mais velho de Gael. Urias parecia triste, com o semblante baixo.

– Como é que vai Urias? – A voz de Claude era a mesma que a de quem sente muito.

– Vou bem, sim, obrigado e você Claude? – Urias estava meio pensativo.

– Também. Gostei da vitória ontém – Claude olhou para trás e voltou a olhar para Urias – Não deixei de reparar que sairam homens estranhos e bem vestidos daqui. Há alguma novidade do Gael?

– Há. Ele está bem e isso é o mais importante. E obrigado por vires a minha luta ontém

– Só isso? – Era estranho para Claude ver Urias falar daquele jeito tão estranho.

– É isso que eles vieram cá dizer e o que querias saber – Urias falou de um jeito anormal olhando nos cantos.

– Quando será o julgamento? –  Claude já estava a desconfiar que Urias tentava matar a conversa.

– Em breve

– Em breve quando? – Claude insistiu.

– Olha Claude eu também não sei – Urias mudou o ton de voz e parecia mesmo preocupado.

– Eu sinto que estás a esconder algo – Disse Claude encarando-o – O que se passa aqui Urias? Conta-me. Talvez eu possa ajudar-te

– Claude. Você nem conseguiu ajudar a ti mesmo ontém a noite e agora vens dizer que podes ajudar a mim! Sinceramente! – Enquanto Urias desdenhava de Claude, retirou a tampa da cerveja e começou a bebê-la.

– Seja lá o que for que está acontecer aqui. Nós vamos conseguir resolver tudo

– Ahãm! E como? – Urias perguntou e depois deu um outro gole na cerveja.

– Eu vou falar com o rei – Respondeu Claude com muita firmeza.

  Urias engasgou-se. E ficou indignado com Claude.

– Você está maluco? Quer morrer hoje?

– Algo tem que ser feito quanto a isso e se não estás disposto a fazer eu faço – Claude continuou com aquele semblante firme.

– Você não sabe onde estás a se meter rapaz. Essas pessoas são muito perigosas

  A coisa aí parecia mais séria.

– E quem são essas pessoas? – Claude matou assim a conversa. Ele e Urias olhavam-se diretamente nos olhos durante alguns segundos. Urias não respondeu e Claude saiu daí. Era incrível como Claude estava tão determinado assim; sendo ele um magricelas, nada poderia fazer para travar quem quer que seja de todos aqueles que tentariam machucar os que ele ama.

  Claude andava a pé até á um certo ponto onde podia apanhar um táxi que o levaria até ao palácio. No caminho algumas pessoas que já o conheciam, no caso seus vizinhos que estavam a jogar numa quadra, o reconheceram e disseram:

– Lá está ele, o magricelas
– Agora deu vontade de bater na nobreza hein!?
– Como eu queria fazer isso também! você é o meu herói Claude – Isso quem disse foi o Lars seu outro amigo.

  No meio daquilo, um dos seus vizinhos disse:

– O teu amigo já era

  Claude, obviamente, não gostou de ouvir aquilo e virou-se para ele encarando-o com uma expressão facial muito dura. Alguns aí calaram-se, outros diziam baixinho:

– Ele não vai fazer nada, é um fraco

– O que você disse? – Claude marcou um passo para ir resolver as coisas com a pessoa que disse aquilo.

  Ele não tinha controlo sobre si mesmo porque já sofreu muito bullyng na vizinhança e na escola. Ele era gozado na vizinhança por ter o privilégio de treinar com os filhos dos ricos e ainda pertencer a classe média e pelo ton de pele diferente.

  Ele é uma mistura de pessoas de pele comum (brancos) e pessoas de pele incomum (negros). No planeta neptuno o racismo não se faz sentir tanto assim como no planeta desconhecido (terra), aqui há pessoas de todas as cores.

  "Filho de Kaduk" – Assim era chamado.

  Também por ser um rapaz muito diferente deles. Ele já estava com problemas, e naquele momento tinha que lidar com aquilo. Farto dos abusos, Claude marcou outro passo e sentiu uma mão segurar o seu braço. Era Adele chamando-lhe a razão para que ele não perdesse o controle e fizesse algo que depois se arrependeria e muito.

– Não faz isso Claude – Adele pediu.

– Eu tenho que mostrá-lo que não tenho medo dele – Disse Claude.

– Até a Adele sabe que você é um fraco – Sava continuava a provocá-lo.

– Não cita o meu nome seu animal – Adele ofendeu Sava com raiva dele.

– Uuuh – Murmuravam os outros ao lado de Sava rindo-se dele. Sava sabia que não podia fazer nada contra Adele, senão o pai dela colocava-o na prisão.

– Claude, não vês que é isso que ele quer? – Adele insistiu em adverti-lo – Vamos embora

  Claude cedeu, Adele levou-o distante daí e os dois sobiram em um táxi cinzento com riscas azuis que os levou até ao palácio que não fica assim tão distante. Enquanto isso eles conversavam:

– O que é que te deu pra agir assim? – Adele já sabia que Claude avançaria para a porrada caso ela não intervisse.

– Eu não consigo ficar parado sem fazer nada diante de certas zombarias. É inaceitável pra mim

– Você tem que aprender a controlar-se. Nem tudo precisa da tua intervenção imediata – Adele não era grande amiga de Claude mas ela procurava sempre chamá-lo a atenção. Olhando para ele disse – Você é um magricelas e fraco na briga. Com certeza, sabe-se lá quem te provocou e até o próprio Sava, não ia pegar leve e você ia apanhar uma surra tremenda

  Claude não disse nada durante alguns segundos pensando no que acabou de ouvir da parte de Adele mas depois acabou por dizer:

– Tens razão. Você acabou de me salvar de uma tareia terrível – Olhou para Adele depois de dizer aquilo. Adele fez o mesmo e depois de alguns segundos soltou um sorriso meio descontraído que contagiou Claude, era lindo os dois sorrindo juntos de algo que eles acabaram de passar. Era uma boa experiência para se contar no futuro. A paz reinava por aí. Mas por pouco tempo.

  Depois da risada, eles olharam um para o outro de uma maneira mais estranha que o normal. Uma maneira pela qual eles viajaram nos olhos um do outro explorando zonas já vistas mas não conhecidas. Um arco-íris invisível acendeu-se no rosto de Adele e Claude passou a reparar no quão bela ela era. Os olhares pareciam estranhos para eles e o condutor via tudo do retrovisor.

– Que casal lindo hein! – Com isso cada um olhou para um lado diferente meio constrangidos. Adele foi a primeira a fazer aquilo – Oh! rapaz, a tua namorada é muito bonita. Você acertou na escolha

– Obrigado senhor – Claude agradeceu.

  Adele olhou para ele com uma expressão facial que dizia: o que vem a ser isso?

  Claude olhou para ela e fez um gesto levantando os ombros e abrindo as palmas das mãos que dizia: desculpa, foi sem querer.

  Então eles voltaram a olhar para outro lado.

  A viagem parecia normal demais para eles, porque naquele dia, não estavam discutindo como sempre faziam. O normal deles era sempre discutir mas naquele dia tinha algo diferente no ar.

– Há notícias do Gael? – Adele acabou com o ar esquisito que se instalou naquele meio.

– Tudo o que sei é o que está a ser dito nos jornais. Além disso, não sei mais nada

– E como é que ele estava quando se separaram? – Adele precisava saber dessas coisas para poder informar á sua amiga que estava de castigo e não podia sair de casa.

– O problema é esse. Pelos vistos ele separou-se de mim e não eu dele, porque quando eu acordei ainda hoje ele já não estava naquela cela

– Oh meu Deus! Será que ele foi mandado para o exército?

– O quê? Porque ele seria mandado para lá? – Claude espantou-se com a notícia.

– Você não sabe da última notícia! – Adele admirou por ele não saber daquilo.

– Não – Respondeu Claude com o mesmo semblante.

– O rei está a mobilizar as tropas para proteger o reino

– Proteger o reino de quem?

– Do clã Kaduk – Respondeu o condutor, a sua voz soou milindrosa quando citou o nome.

– O clã Kaduk! Porquê? Achei que o acordo se mantinha até hoje

– Parece que já não há acordo nenhum – Adele

– Porquê?

– Aconteceu algo na floresta Kaduk. O clã diz que forasteiros violaram o acordo invadindo o seu espaço a procura do tesouro guardado pelo monstro Vorad

– Monstro Vorad! Isso é um conto. Nunca ninguém viu esse monstro, na verdade eu acho que eles estão a procura de uma desculpa para nos atacar outra vez

– O problema não é só esse. É que eles perderam soldados nesse tal acontecimento. Pelos vistos, aproxima-se aí uma guerra – Relatou o condutor.

– Deve ser por isso que temos tantos homens formados em artes marciais. Para guerreiar pelos outros – Claude lamentou.

– Chegamos – Disse o homem que conduzia – O preço é 38 vales

– 38 Vales?! – Reclamaram os dois admirados pelo preço alto.

– Ei! Vocês podem até ser um lindo casal. Mas o vosso amor não vai sustentar a minha família. Passem cá os 38 vales que a vida está dura em todo lado

– Eu só tenho 18 vales – Claude sussurrou para Adele

– Deixa que eu pago – Adele tirou 38 vales e entregou para o condutor reclamando quanto ao preço alto estipulado por ele.

– Isso é um roubo – Gritou ela ao sair do veículo que não tinha pnéus, pois os carros deste planeta não necessitam de pnéus. Eles utilizam um combustível que lhes possibilita pairar a cerca de menos de um metro do chão.

  Claude abriu um pequeno sorriso pelo facto de Adele discutir com o condutor de uma forma louca, pois não se percebia nada do que eles diziam.

– Parece que não sou o único a precisar de terapia para se controlar – Disse Claude

  Adele virou-se e disse ao Claude – Cala a boca – Claude calou-se e quando Adele avançou ele riu baixinho.

– Eu consigo te ouvir – Reclamou ela e lá iam eles ao grande e glorioso Castelo do rei de Kaya.

  O castelo era lindo demais para ser verdade para eles. Eles já cá estiveram algumas vezes, mas sempre que retornavam para visitar o rei deparavam-se com outra mudança no castelo. Mudanças no jardim, estátuas por aí e por aqui. Inovavam tudo na medida que o tempo passava porque eles tinham uma tecnologia muito avançada. Era sempre tudo muito lindo.

  O local tinha tudo feito na perfeição, desde os aparelhos do quintal, os muros, até aos próprios castelos desenvolvidos com alta tecnologia. Tudo lá era silencioso como se tivesse monges a viverem aí. As pessoas de lá além de serem ricas, eram também muito bem comportadas.

  O castelo em si só é um conjunto de sete edifícios largos, grandes e muito bem feitos pela maneira como estão organizados e conectados. O principal é o do meio onde se encontra a sala do rei e onde as pessoas mais importantes de todo o reino viviam (A família real). Os sete edifícios que formavam o castelo inteiro, quando eram vistos de cima formavam o simbolo do reino de Salém.

Na sala de espera...

  Claude e Adele chegaram numa hora boa, porque as pessoas que iam conversar com o rei naquele dia eram poucas e não demora muito para eles serem atendidos. No corredor em que eles estavam, dois homens passaram perto de Claude, mas por trás de uma parede feita de algumas chapas que se abriam e fechavam por causa da entrada e saída do ar, diziam baixinho:

– Acredito que o rei vai perguntar sobre a operação – Disse um deles.

– Ele não vai perguntar nada se não acreditar que ela existiu. Não acha?! – Respondeu o outro

– E como podemos limpar tudo?

– Não se preocupe. Karov já está a cuidar de tudo

– E o monstro?

– Silêncio. Não podemos falar de tudo isso aqui, vamos agora, o rei precisa de nós

  Quem eram aqueles homens? O que é essa operação? Bem, pelos vistos era algo secreto do governo por isso não adiantava Claude intrometer-se. Também não seria uma loucura dizer que Claude estava a ficar louco porque ele realmente era louco (Muito brincalhão) os dias de estresse é que o colocaram estressado. Também, quem não ficaria estressado com um problema desses! Ter o amigo sumido e as pessoas que o prenderam dizerem que ele está num local em que não está?

  Era a vez deles. Foram chamados para ir ter com o rei e fazer o pedido. Eles levantaram-se e se prontificaram para entrar na sala do rei.

  Claude, acompanhado pela bela Adele, respirou fundo. É agora ou nunca – pensou ele. Os dois olharam um para o outro, fazendo um sinal positivo com a cabeça, a porta abriu-se e eles marcharam em direção à sala do rei.


                       A Cvy 🌷

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