1 - O diário de um diário
Claude acordou numa cela sem o seu melhor amigo e soube que o seu pai veio busca-lo. Claude olhou para a cela toda e não acreditou que o seu amigo não estava mais aí.
Num instante ele chegava a pensar que Gael tinha evaporado. É estranho Gael sair sem avisa-lo, não fazia o estilo do seu amigo. A não ser para brincar com ele como de costume.
Ele foi ter com o seu pai e deu-lhe um forte abraço por comparecer naquele local onde muitos, embora merecessem, não gostariam de estar.
– Obrigado por vir me buscar pai – Agradeceu ao seu pai que estava sempre disposto a ajuda-lo.
– Vamos pra casa meu filho – Seu pai estava preocupado.
– Espera, o senhor viu o Gael? – Perguntou, curioso sobre o paradeiro do amigo. Seu pai abanou a cabeça negando, então ele parou um policial e perguntou – Me desculpa ... mas o senhor viu o Gael?
– Quem é o Gael? – Perguntou o policial.
– O jovem que estava comigo naquela cela – Explicou o jovem apontando com o dedo indicador a cela em que estava.
– O meu turno começa as 6h e já são 8h. Pelos vistos ele saiu antes de mim – Explicou o policial.
– O senhor pode dizer quem veio buscá-lo? – Claude aproximou-se do policial e olhou direitamente nos olhos dele.
– Deixa ver aqui na ficha – Alguns segundos depois explanou – Ah! infelizmente aqui não aparece o nome da pessoa. Não sei como deixaram escapar isso mas a pessoa que tirou o seu amigo da cela não se identificou.
– Ok, muito obrigado senhor e bom trabalho. Vamos filho – Disse Sirilo depois de ver o rosto do filho ficando estranho porque estava desiludido.
– Obrigado, e bom dia pra vocês também – Despediu-se o policial.
Naquela bela manhã, a cidade estava ao rubro com as maravilhosas notícias do torneio. As pessoas falavam de Sabet, Rackon, Deijah, Gudask e Urias que era a promessa do torneio. Sem esquecer as outras três lutadoras que são: A Giza, "Dirya Sexta" (porque ela faz parte da 6° geração das Diryas) e por fim temos a polémica e aterrorizadora 'Dorka Moeva'. A mulher que até homens temem enfrentá-la, pois isso é considerado um suicídio. As pessoas não se cansavam de falar sobre quem iria lutar contra quem na próxima fase. Havia uns que defendiam Moeva e outros a Deijah por vencer o torneio do ano passado. O mais popular era Gudask que é promovido por homens que têm muito dinheiro e bastante influência na cidade (Mafiosos que são membros do governo).
Já no carro de seu pai em andamento, Claude continuou calado e pensativo olhando para a janela. Eles andavam pela grande e bela cidade de Kaya. Nos ecrãs da cidade via-se a notícia de que ele e Gael foram detidos por baterem no filho do governador. Mas no noticiário só diziam que ele estava detido a espera de julgamento. Aí a curiosidade de Claude aumentou ainda mais.
– Porque eles noticiam isso sem saber onde ele está?
– Querem manter as aparências – Disse Sirilo. Pensativo, como se fosse o pôr-do-sol em pleno verão, já sabia do que estava a acontecer.
– Sobre o quê? – Claude perguntou. O seu pai olha para ele por alguns segundos e Claude faz o mesmo daí seguiram viajem sem dizer nada.
Chegando em casa eles tiveram uma conversa muito séria sobre o sucedido.
– O que eu tenho te falado sobre lutar e principalmente contra o filho do governador? – Seu pai estava decepcionado com a situação.
– Pai eu sinto muito por tudo isso, me arrependo de ter te desobedecido, mas o Clever está sempre a fazer algo para nos irritar e eu não consigo me controlar quando ele faz isso. Eu quero agarra-lo e ...
– Filho, sabe quantas vezes e quantas pessoas eu já quis agarrar e fazer o que sei lá que queres fazer com o Clever?
– Não, na verdade não sei – Respondeu o filho sentado numa cadeira olhando para o chão.
– Olha aqui Claude. É normal quereres defender-se em certa situação, mas ...
– Defender-me?! – Retrucou – Eu nem sequer mexi um dedo, o Clever me deu um murro no abdômen e o Gael teve que defender-me. Eu não fiz nada.
– Vê-se logo que querias ter feito algo – Sirilo concentrando-lhe olhos nos olhos.
– E muito – Respondeu o filho fazendo o mesmo.
Dorkassa (escola de artes marciais), dias atrás ...
– Lá na escola de artes marciais o clima é sempre o mesmo. É sempre o Clever a ser tratado como se fosse o ... o ... bem na verdade ele é filho de alguém importante e recebe demasiadas regalias e a que mais odeio é quando ele escolhe e usa pessoas fracas e desfavorecidas para se exibir perante todos. Uma vez ele quis fazer isso e chamou-me para defronta-lo, eu não quis mas o treinador foi guiado pela voz do Clever e como sempre, ele teve que obedecer e obrigou-me a lutar. Tentei me defender como pude só que ele é muito forte, deu-me uma surra bem na frente de todos. Muitas miúdas aí só se limitavam a olhar pra mim. Foi completamente vergonhoso. O único que se importou em levantar-me do tapete foi o Gael.
De volta à conversa...
Depois de Sirilo ouvir o que o filho lhe tivera dito, ele sentiu-se mal. Não disse nada durante alguns segundos e o silêncio instalou-se.
– Isso é mau! – Exclamou Sirilo – Eu lamento isso ter acontecido contigo, principalmente por eu não ter estado lá para te defender quando mais precisaste meu filho.
– O que eu mais quero nesse momento é acabar com todos eles – Claude mostrava um semblante raivoso, seu pai continuou a observa-lo.
– Claude. Houve um tempo – contou-lhe o seu pai, num ton calmo e conselheiro – que eu era alguém assim como tu. Era fraco e zombado por isso. Sempre que me provocassem eu tentava revidar e apanhava ainda mais. Tinha um temperamento tão mau que comecei a treinar artes marciais. Eu vinguei-me de todos eles. Vinguei-me e bem. A partir daí, todos que se aproveitavam de mim nem sequer conseguiam encarar-me. As ruas respeitavam-me.
– Eras o super Valenciano deles! – Para vocês, caros leitores, as pessoas desse planeta não chamam ele de Neptuno tal como chamam os terráqueos, mas sim de "Valência".
– Sim. Eu era mesmo muito bom em bater nas pessoas. Só que isso custou-me caro e muita gente sofreu com isso.
– O que houve? – Claude estava curioso.
– Um dia desses eu estava em uma festa com os meus amigos no lago do Polvo. Me disseram que o meu irmão menor estava a lutar com alguém. Eu saí de onde estava e fui até lá, nem quis saber ao certo o que se passava. Eu cheguei e dei uma surra na pessoa que lutava contra o meu irmão.
O senhor Sirilo parou de falar e olhou para o outro lado, pensativo e melancólico.
– Naquele momento, nós saímos bem, alguns até acharam engraçado e aplaudiram o que eu tinha feito. Mas lá no fundo eu sabia que tinha algo de errado aí.
– Como?
– O jeito como o jovem olhava pra mim. Eu vi sede de justiça nele e não sabia o que estava por vir. Horas depois eu soube que a culpa da confusão ter acontecido era do meu irmão. Eu falava com ele lá na nossa rua, ele falava que por ser seu irmão eu tinha o dever de protegê-lo mesmo assim estando certo ou errado. Quando de repente surgiu um grupo de jovens e... – O senhor Sirilo lacrimeja – ... e foi assim que perdi o meu irmão.
O ambiente é de tristeza, frio e dor.
– Eu não falo essas coisas só para tentar mostrar que sou um bom pai. Nessa vida temos de proteger o que amamos. E eu amo-te muito – Essa parte foi muito profunda, Sirilo levantou –Não te vou pôr de castigo, só não faças nada que me desagrade. Ok?
O pai de Claude saiu e deixou-o a pensar. Claude pensa na forma como o seu pai age. Ai como ele queria ser assim! Ele refletiu e concordou com o seu pai de que a violência não é o melhor caminho. Sua irmã menor aparece e ele bate um pequeno papo com a pequena Saori. Menina de oito anos, pele branca, olhos azuis, cabelos castanhos e compridos. Menina fofa e super extrovertida.
Depois de alguns minutos ele foi para o seu quarto que ficava no andar de cima tomou um banho e deitou-se na sua cama dormindo durante um pouco mais de uma hora.
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– Abre olhos Claude. Aqui Claude – Uma voz o chamava. Claude olhava de um lado para outro no meio daquele nevoeiro intenso a procura da dona da voz que ecoava por todos os cantos, parecia ser uma voz femenina.
– Finalmente te achei – Era uma mulher vindo em seu cavalo de guerra, vestida como uma grande guerreira com uma hélice na mão direita conduzindo o cavalo com a mão esquerda.
– Quem é você? – Sua voz ecoou também por todo o espaço em que estava. Espaço esse que parecia ser em lugar nenhum. Seu corpo parecia ter vontade própria e ele não o controlava.
– Você não sabe ainda? – A mulher que vinha até ele desceu do seu cavalo e encostou nele ficando a um palmo de distância.
– Saber de quê? O que você quer de mim?
– Eu estou indo até você... meu filho – A mulher abriu um pequeno sorriso de nada enquanto tocava-lhe a buchecha, deixando-o como se estivesse drogado e ele apagou.
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Claude acordou sentindo-se como se tivesse percorrido vários quilômetros a pé e estava com muita fome. Ao lavar o rosto, ele ainda pôde ver a marca da mão daquela mulher no seu rosto. Era como se ele fosse realmente tocado por ela. Ele não sabe como, mas isso não o preocupou nem um pouco. No entanto, ele pegou algo para comer e beber, deitou-se no sofá, ligou a Tv e começou a comer e beber como se não fizesse isso há dezenas de dias. Ele viu o rei a falar sobre algo parecido com uma lenda que incluia as profundezas da floresta Kaduk e um monstro de nome Vorad, um grande mito nessa cidade. Ao ver aquilo, Claude lembrou-se que Sael é amigo de seu pai desde a infância e podia fazer algo quanto ao caso do Gael.
Então ele saiu de casa minutos depois e dirigiu-se ao palácio.
A Cvy 🌷
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