Capítulo Trinta: Um Par para Harry
NOTAS DA AUTORA
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O início de dezembro trouxe chuva e neve granulada a Hogwarts, e, por conta disso, os alunos eram cada vez menos vistos ao lado de fora do Castelo.
Durante todo aquele mês, o assunto mais comentado estava sendo o Baile de Inverno e tudo que tinha relação com ele. Aqui e ali, meninas davam risadinhas quando os garotos passavam; já estes, pareciam não saber muito como tomar uma atitude e convidar alguém para o Baile.
Em uma manhã de quarta-feira, ouviu Daphne dizer a Pansy que Cedric Diggory havia convidado Cho Chang, a quintanista da Corvinal, para ir com ele ao Baile de Inverno.
"E ela aceitou, é claro. Quem não aceitaria?", concluíra Daphne.
— Bom, boa sorte para Cho — retrucara Pansy. — As garotas vão pegar pesado. Talvez agora elas esqueçam a Potter.
E Pansy estava certa; à medida que se espalhava a fofoca de que o campeão de Hogwarts Cedric Diggory havia convidado a tímida Cho Chang para o Baile de Inverno, diversas garotas entraram em surto.
"Quando é que as garotas vão entender que precisamos nos unir, e não brigar, especialmente por causa de um menino?", reclamara Sollaria para Hermione, mais tarde na Biblioteca, enquanto ajudava a amiga com uma pesquisa para o F.A.L.E.
"É por causa desse tipo de coisa que não contei a ninguém que vou com Viktor Krum ao Baile", dissera a nascida-trouxa com um suspiro.
Mais tarde, à mesa da Grifinória, Fred e George apareceram atrás de onde Harry, Sollaria, Hermione e Rony estavam jantando, ambos parecendo frustrados com alguma coisa.
— Apesar de nossos planos não terem dado certo... obrigado por emprestar Pitchitinho, Rony. Até que você não é tão inútil — disse Fred, esfregando a cabeça do irmão.
— Ah, vai se ferrar — reclamou Rony, passando as mãos no cabelo depressa.
— Mas e aí — disse Fred, sentando-se ao lado de Sollaria e ignorando prontamente o irmão — sobre o que estavam falando?
— Rony estava tentando descobrir com quem Hermione vai ao Baile — contou Sollaria, brincando com os talheres.
De repente, Rony olhou chocado de Hermione para Sollaria.
— Você contou para ela, mas não nos contou?
Hermione deu de ombros e disse:
— Você caçoaria de mim.
Prevendo que Rony insistiria no assunto, Harry se dirigiu aos gêmeos e disse:
— Deixa eles pra lá, com quem vocês vão?
Inesperadamente, George ficou todo risonho.
— Vou com Angelina Johnson, acabei de convidá-la. Fred vai com Alícia Spinnet, não é, Fred?
— Vou. — Eles deram um high-five, animados. — E vocês dois, com quem vão?
Ele indicou Rony e Harry com a cabeça.
— Não temos par ainda.
George fez uma careta, como se a situação fosse feia.
— Ih, é melhor se apressarem. Se não... — Ele fez um sinal que Sollaria entendeu como "já era".
Durante a sobremesa, Rony disse:
— Sabe, George está certo. A gente devia começar a se mexer, sabe... convidar alguém. Ele tem razão. Não queremos acabar com um par de trasgos.
Hermione deixou escapar uma exclamação de indignação, ao passo que Sollaria revirou os olhos.
– Com licença... um par do quê? — perguntou Hermione.
– Bom... sabe – respondeu Rony, encolhendo os ombros –, eu prefiro ir sozinho do que com... com uma versão feminina de Neville, digamos.
Harry parecia distante; apenas meneou a cabeça.
– Neville é uma graça — defendeu-o Sollaria. — E, para a sua informação, ele já tem um par!
– Deixe para lá, Sollaria – disse Hermione, encrespando. – Ele claramente é o tipo que vai levar a garota mais bonita que aceitá-lo, mesmo que ela seja completamente intragável.
– Hum... é, é por aí – disse Rony.
– Com licença – retorquiu Hermione, e saiu em direção à porta do Salão Principal.
Sollaria olhou para ele com irritação, levantando-se também.
— Você é um babaca às vezes, sabia? Espero que nenhuma garota bonita esteja disponível pra você. Eu, com certeza, não estaria!
Ainda que aborrecida com o comentário de Rony, Sollaria não se permitiu tirar um tempo para espairecer; vendo que logo daria a hora de seu encontro semanal com o professor Snape, desceu até as masmorras e bateu à porta da sala.
— Entre, senhorita Potter.
Respirou fundo, preparando-se para mais algumas horas de dor e ansiedade; e então abriu a porta.
— Boa noite, professor Snape.
Ele não a cumprimentou, apenas gesticulou para que ela fechasse a porta.
— Temos muito trabalho a fazer, senhorita Potter. — Ele batucou a superfície da mesa de forma impaciente, analisando o rosto da garota em sua frente. — Você já sabe como isso funciona... Deverá me bloquear de sua mente, impedir que eu consiga ver seus pensamentos.
— Sim, senhor.
Ele se levantou e a conduziu até o meio da sala, onde ficaram de frente um para o outro.
Não importava quantas vezes ele a avisasse, quantas vezes empunhasse a varinha e fizesse a contagem regressiva, Sollaria jamais se sentia preparada para o que vinha em seguida:
— Legilimens!
Ela tentara; jurava que estava tentando. Mas Snape era muito mais capacitado e mais forte que ela, e, naquele momento, as barreiras mentais de Sollaria pareciam feitas de uma cortina de fumaça, de modo que ele as ultrapassou com facilidade.
— "Querido Diário" — disse ele, ao visualizá-la no frio dormitório, sob as cobertas, escrevendo sobre seus sentimentos mais profundos — , que bonitinho... tal qual uma garotinha. Concentre-se!
Ela respirou fundo, projetando uma névoa escura em sua mente.
— Eu não tenho medo da escuridão, senhorita Potter, posso caminhar por entre as sombras tranquilamente — disse ele após mais algumas falhas tentativas. — O Lorde das Trevas não terá dificuldade em atravessá-las, tampouco. Com esse péssimo desempenho, ele vai aniquilá-la em um piscar de olhos. Esvazie a mente. Controle suas emoções. Eu já disse na aula passada que...
— Eu... — ela ofegou —...eu estou tentando...
— Não está tentando o suficiente! Legilimens!
Ela se viu novamente na Torre de Astronomia, em uma de suas idas noturnas com Draco para refletir. Estava pensando nele mais uma vez; mais um pouco, e Snape poderia até descobrir que ela...
Não.
Ela forçou-se a pensar em outra coisa, a pensar no vazio, no nada, na escuridão. Uma risada curta e grave e fria pôde ser ouvida nos recônditos de sua mente.
— Uma alternativa fraca. A esperança de uma tola, se pensa que o Lorde das Trevas não conseguiria desfazer estas... sombras medíocres.
Sollaria gemeu, angustiada, enquanto afastava gotículas de suor da testa.
— Por que... Por que estamos fazendo isso? Por que eu preciso passar por isso? Por que preciso aprender Oclumência? — indagou ela pela milésima vez desde que entrara em Hogwarts.
Snape crispou os lábios.
— Se Dumbledore não lhe contou ainda, não cabe a mim dizer nada. — É claro que ele tinha um propósito com tudo aquilo. Então, ela estava sendo usada como parte de alguma coisa grande. — Vamos de novo, e, desta vez, me impeça de entrar em sua mente. Você deve criar escudos sólidos e inquebráveis, Potter, se quer se manter protegida.
Eu estou tentando... Eu estou tentando... Era o que dizia para si mesma.
Respirou fundo mais uma vez e, erguendo a cabeça, tentou mais uma vez.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
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Aquela estava sendo uma longa noite, e tudo o que ela mais queria era poder se enrolar no cobertor e não sair da cama até o dia seguinte. No entanto, ainda teria Astronomia à meia-noite, então precisava se manter sã e acordada até lá, mesmo que contra a sua vontade.
Embora estivesse cansada e sentindo-se abatida, no momento em que chegou à sala comunal, todo esse sentimento se dissipou quando ouviu uma melodia suave e melancólica preencher o ambiente.
Sollaria olhou em volta e viu quem a tocava. No centro da sala, Astória Evangeline Greengrass tocava a música em um violino com paixão e habilidade. Estava tão imersa, que nem percebeu quando Sollaria se aproximou, ouvindo-a com admiração.
Ela não sabia que Astória tocava violino. Como podia estar tão alheia ao seu redor, deste jeito? Ginny estava sentada no chão, aos pés da amiga, montando um quebra-cabeça enquanto balançava de leve o corpo, ao som da música.
Sollaria não conseguiu decifrar que som era aquele, mas a beleza da melodia a deixou emocionada. Quando a música terminou, Astória finalmente percebeu a presença dela e sorriu.
— Uau, Astória. — Sollaria aplaudiu, ainda emocionada pela beleza da música que acabou de ouvir. — Não sabia que você tocava violino, e ainda por cima tão bem assim.
Ela se encolheu em sua cadeira de rodas.
— Me deu vontade de tocar um pouco.
Sollaria se sentou ao lado de Ginny.
— O que era isso que você estava tocando?
— Uma música de "O Lago dos Cisnes", é um balé de Piotr Ilitch Tchaikovski. É o meu favorito. Eu tocava esta música todas as manhãs desde quando Daphne veio para Hogwarts.
Sollaria não soube o que falar. Não sabia qual era o significado de "O Lago dos Cisnes", muito menos o que isso queria dizer para Astória. Portanto, não disse nada; apenas sorriu.
— Você toca maravilhosamente bem. Pelo visto, gosta de artes, ou estou enganada? Soube por Daphne que também gosta de escrever.
As bochechas pálidas de Astória adquiriram um tom rosado, e ela segurou o violino um pouco mais perto de si.
— É, eu gosto mesmo.
Ginny, que antes estava em silêncio, se virou para a amiga e disse:
— Você nunca me contou isso! Sobre o que você escreve?
Astória deu de ombros, e olhou ao redor, para as outras pessoas no Salão Comunal, algumas presas em pensamentos, outras, jogando conversa fora próximas à lareira.
— As pessoas não me dão muita atenção — declarou. — Para elas, sou invisível, na maioria das vezes. E isso é bom. Me permite observá-las com mais clareza, do tipo: "Quem você é quando pensa que ninguém está olhando?". Eu escrevo sobre isso. Sobre essas pessoas. Sobre... tudo. Mas são apenas pensamentos. Não pretendo compartilhar com ninguém.
Um aviso — uma recusa. Não adiantava perguntar; aquela era uma parte de Astória que talvez ela não estivesse preparada para dividir.
— Astória está sendo toda humilde. Com certeza, ela escreve super bem. Você sabia que, além de violino, ela sabe tocar piano? — contou Ginny, enquanto organizava algumas peças do quebra-cabeça na mesinha. — Toque aquela música para Sollaria, Tori.
Eu bem que apreciaria um pouco de música, pensou Sollaria.
As três caminharam até a câmara maior, onde havia um piano de madeira no canto. Após afastarem o banco para que Astória conseguisse tocar, Ginny e Sollaria se sentaram ao lado dela e esperaram enquanto ela se preparava.
A melodia que Astória tocava agora era uma mistura de notas suaves e graves, que se alternam em um ritmo lento e constante. A música começou com uma sequência de notas graves, que eram tocadas em um tom suave e melancólico. À medida que progredia, as notas graves foram sendo substituídas por notas mais agudas, tocadas em um tom mais alto e animado.
A sensação que Sollaria teve era a de que estava flutuando. Fechou os olhos, na tentativa de se conectar com a melodia, e esquecer-se verdadeiramente, mesmo que por alguns minutos, das tribulações do dia a dia.
Como uma espécie de lampejo, veio-lhe à memória o rosto de seus pais, de Sirius e de Remus, cujos rostos há meses ela não via. Lembrou-se de casa, do aroma familiar de terra molhada — de como, durante o verão, tudo parecia mais fácil, mais feliz; pensou na época em que achava que os problemas e as cobranças intermináveis teriam fim. Como tudo aquilo parecia tão distante agora...
"It's beautiful how this deep normality settles down over me...", cantarolou Astória baixinho, logo tornando a ficar em silêncio.
Logo as notas finais pairaram no ar. Cada acorde sutilmente se desvanecia — como as últimas páginas de um livro sendo fechadas.
Os olhos de Sollaria se encheram de lágrimas.
— Isso foi...
— Melancólico — murmurou Astória, sem encará-la.
— Pode ser. — Ela deu um sorriso fraco. — Mas também foi muito bonito... Acho que eu estava mesmo precisando de um pouco de distração.
Astória sorriu.
— A música tem esse poder sobre a gente, mesmo. — Ela se virou para Ginny. — Agora que já toquei, podemos voltar ao quebra-cabeça?
As duas olharam para Sollaria.
— Você vem?
— Não, obrigada. Eu tenho aula de Astronomia já já. Tenho que ir atrás de...
— Draco — completaram as duas ao mesmo tempo.
Sollaria corou até as orelhas.
Não era bem aquilo que ela ia dizer, mas, mesmo assim, pegou-se pensando se estava tão óbvio que...
Ela não terminou a frase, mesmo que estivesse falando consigo mesma. Não conseguia nem mesmo repetir aquilo para si mesma.
As duas tiveram a bondade de não dar risadinhas, embora os olhos de Ginny tivessem se estreitado levemente.
— Hum... Eu... Eu vou indo, então.
Quando ela se levantou e se virou para ir embora, no entanto, deu de cara com Draco, que segurava Nyx contra o peito.
— Aí está você. Eu estava te procurando. — Ele coçou a cabeça. — Me disseram que Potter está lá fora, e ele quer conversar com você.
Sollaria sentiu-se subitamente trazida de volta para o presente, esquecendo-se da paz e tranquilidade que a música lhe trouxera. Pegou-se pensando se por acaso havia acontecido alguma coisa, para que Harry tivesse descido até as masmorras àquela hora da noite.
Pediu licença aos amigos e saiu da sala comunal, procurando pelo irmão.
— Harry?
— Finalmente!
Ele estava encostado na parede oposta, parecendo inquieto.
— Você precisa me ajudar. Eu preciso de um par para o Baile e não sei o que fazer.
Ela colocou a mão na cintura.
— Ah, era isso? Pela hora, eu achava que seria algo mais sério! — reclamou ela.
— Isso é sério! Eu não sei o que fazer! Me ajude, Sollaria — implorou Harry, passando a mão nervosamente pelos cabelos. — Até Neville tem um par, e quando eu fui chamar Parvati, ela disse que já havia prometido ir com outra pessoa. O que eu vou fazer?
— Tá, relaxa, vamos pensar em algo, beleza?
Sollaria mordiscou o lábio inferior, pensativa.
— Hum... Tem alguém em mente que você gostaria de convidar?
Harry enrijeceu, as bochechas adquirindo um tom rosado sob as luzes fracas das masmorras.
— Tem, eu sei que tem. — Ela o cutucou no ombro, provocando-o. Vendo que ele não cederia, suspirou. — Por que você não aceita uma das várias garotas que sei que te convidaram?
Harry estremeceu.
— Todas eram assustadoras. Se fosse para levar alguém, eu queria levar Cho Chang, ela é bonita e parece legal, mas Diggory já a convidou, e...
Uma ideia surgiu na mente de Sollaria.
— Você poderia levar Ginny.
Harry gemeu.
— Sem ofensas, mas isso não seria estranho e constrangedor em um nível absurdo?
— Por que seria? Ela te esqueceu. — Certo, era mentira, mas uma mentirinha inofensiva. Ele estava desesperado, e Ginny com certeza adoraria ir com Harry ao Baile.
Harry andou de um lado para o outro, pensativo, e, por fim, disse:
— Tudo bem. Se você diz que ela já deixou a paixonite dela por mim de lado, então amanhã eu vou convidá-la.
Ele inspirou e expirou.
— O.k. Certo. Eu posso fazer isso. Só espero que Rony não me mate.
Sollaria fez um gesto de indiferença com as mãos.
— Não esquenta: se ele te matar, eu mato ele.
Alguns minutos depois, enquanto dava a senha para o Salão Comunal ("Audácia"), Sollaria pensou em toda aquela situação, e em como esperava que Ginny de fato tivesse aprendido a disfarçar a paixonite dela por Harry.
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— Você não sabe o que acabou de acontecer.
Sollaria ergueu os olhos.
Estava escrevendo em seu diário sobre os acontecimentos da noite passada quando, do nada, Ginny apareceu na sua frente e se sentou no sofá mais perto.
A sala comunal estava quase vazia, porque a maior parte dos alunos havia ido tomar café da manhã; naquele dia, no entanto, Sollaria não estava sentindo vontade de interagir com ninguém, então decidiu ficar um pouco sozinha para recarregar as energias.
— Sim? — murmurou Sollaria, enquanto inconscientemente escrevia "DM" diversas vezes no canto da página do diário.
— Harry me convidou para o Baile! — Ginny suspirou, os olhos castanhos cintilando. — Eu nem sei o que pensar.
— Achei que tivesse me dito que havia deixado Harry no passado. — Ela ergueu os olhos para a irmã mais nova, uma sobrancelha erguida.
Ginny corou.
— É claro, mas...
— Estou vendo. — Sollaria cutucou a irmã, provocando. — Olha, Ginny, vê se disfarça. Você sabe como Harry é. Além disso... Meninos são idiotas. Acho que ele nem pensa nesse tipo de coisa, sabe? Então não tenha esperanças de nada. Eu sei que é difícil e eu não quero parecer dura, mas...
Ginny ficou de pé.
— Eu sei, eu sei. — Ela revirou os olhos. — Ele não me vê como nada além da irmã mais nova do melhor amigo.
Sollaria fechou o diário e se levantou, passando os braços ao redor da irmã mais nova.
— Desculpe, Ginny. Eu não queria ser estraga-prazeres. Sei que tem uma quedinha por ele, mas é que... — Ela suspirou. — Eu não quero que você se machuque, é só isso.
— Eu já sei, Sol. Está tudo bem, de verdade. Eu estou me sentindo ótima, mesmo assim.
O sorriso que dera à irmã mais velha, no entanto, não chegava aos olhos.
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