Capítulo Trinta e Três: Em Busca de Respostas
— POV Draco Malfoy —
Capítulo Bônus
No momento em que Sollaria entrou na sala de Runas Antigas, Draco estava ocupado revisando as respostas da lição que a professora Babbling havia passado na semana passada.
Por uma fração de segundo, Sollaria ficou parada diante da porta, a mochila pendendo de forma desleixada sobre o ombro, como se parecesse em dúvida sobre como proceder.
A professora fez um gesto para que ela se sentasse. Sollaria tratou de murmurar um pedido de desculpas pelo pequeno atraso, apressando-se a tomar o lugar ao lado de Draco.
Ela não o cumprimentou, o que era estranho, porque ela sempre lhe dava "bom-dia", não importavam as circunstâncias. Daquela vez, no entanto, Sollaria apenas se jogou na cadeira e cruzou os braços sobre a mesa, escondendo o rosto neles.
Draco não pôde deixar de se questionar se, possivelmente, os acontecimentos da noite anterior teriam algo a ver com a mudança no comportamento e no humor da melhor amiga.
Melhor amiga...
Só de pensar na palavra, o estômago de Draco pareceu embrulhar-se de inquietação.
Depois que Sollaria lhe contou como se sentia, ele havia dito que queria ser mais do que apenas amigo dela, mas ela não dissera com todas as letras que também queria, e, naquela manhã quando se viram brevemente antes da primeira aula, ela parecia agitada e mal o encarava nos olhos... Será que havia sido tudo um engano? Será que ele imaginara tudo aquilo, a declaração, o beijo?
O fato de Sollaria ter virado o rosto para o lado em que ele se encontrava, de modo que seus olhares se cruzaram, foi o que o tirou de seus pensamentos e o trouxe de volta ao presente.
Ela cruzara as mãos por baixo da cadeira; Draco sabia muito bem que ela fazia aquilo quando ficava inquieta. Se estivessem na sala comunal, ela provavelmente estaria deitada no chão com os pés sobre o sofá, ou, talvez, organizando os livros nas prateleiras, pois aquilo a ajudava a colocar os pensamentos no lugar.
Ele a imitou, deitando-se sobre a mesa, e arriscou colocar a mecha que caía sobre os olhos dela atrás da orelha.
A poucos metros de distância, a professora Babbling escrevia no quadro uma lista de palavras a serem traduzidas ainda naquela manhã, mas Draco estava ocupado demais contando cada uma das sardinhas no nariz de Sollaria para se importar com a aula.
O canto dos lábios rosados de Sollaria se curvaram em um pequeno sorriso, e seus olhos se fecharam quando a mão de Draco tocou a dela sob a mesa.
Ele quase deixou escapar um suspiro aliviado. Aquela pequena reação por parte de Sollaria assegurava que, de certo modo, as coisas estavam bem entre eles.
Os olhos dela se abriram, e suas sobrancelhas se franziram de um jeito como se ela perguntasse o que ele estaria fazendo, por qual motivo ele a encarava.
Draco sabia exatamente o que aquela expressão significava, porque era a mesma expressão que ela fazia ao perguntar para ele todos os dias se havia algo de errado ou alguma coisa no rosto dela para que ele estivesse a encarando tanto.
E Draco sempre respondia a mesma coisa: não havia nada de errado. Ele só gostava de secretamente admirar cada detalhe na beleza de Sollaria, e, quase sempre, esquecia de desviar o olhar ou disfarçar, para não parecer que estava fazendo precisamente aquilo que adorava fazer.
Ele fez um breve movimento com a cabeça, para que ela deixasse isso para lá. Com isso, ela soltou a mão dele e voltou à posição inicial, virando o rosto para o outro lado.
Draco não conseguia entender muito bem o que deveria fazer a seguir. Após os acontecimentos da noite anterior, passara alguns minutos acordado, revirando-se na cama, pensando em como seria na manhã seguinte e nos próximos dias: será que poderia segurar as mãos de Sollaria nos corredores? Beijá-la quando a visse? Abraçá-la simplesmente porque queria? Ou nada teria mudado entre eles?
Queria perguntar a Sollaria se estavam na mesma página quanto ao relacionamento deles, mas ela não parecia estar aberta a conversas naquele momento. Indagou-se se teria que esperar alguns dias até tocar no assunto, ou, pior, se seria melhor dar espaço para ela, o que na opinião de Draco era péssimo, porque a companhia dela era sua favorita no mundo todo.
E se eu apressar as coisas e acabar afastando-a de vez?, perguntou a si mesmo pela milésima vez. Por outro lado, e se eu esperar demais e ela pensar que não me importo?
Talvez, pensou ele, o jeito é esperar ela decidir se quer se afastar ou fingir que nada aconteceu. E depois de alguns dias, se ela não falar nada, eu vou.
Aquela era uma péssima ideia, ele tinha bastante consciência daquilo. Por ele, já teria puxado Sollaria para uma sala de aula vazia e esclarecido exatamente o que seria da relação deles. Mas por ela... Ele olhou para Sollaria, que estava deitada sobre a mesa, e suspirou.
Conhecendo-a, sabia que ela tinha um tempo muito mais longo para absorver todas as coisas que aconteciam a ela.
Ah, Potter, pensou, deslizando o corpo contra a cadeira, você ainda vai me enlouquecer.
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