Capítulo Três: Compras no Beco Diagonal
NOTAS DA AUTORA
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Bill e Charlie, os irmãos Weasley mais velhos, chegaram à casa no fim da manhã seguinte e foram recebidos com um café da manhã especial feito por Molly, Ginny e Sollaria.
- Então, as cartas de Hogwarts já chegaram? - inquiriu Charlie, parecendo curioso, enquanto ajudava Sollaria a retirar as sobras da mesa após o café. - Mamãe e papai por acaso já contaram alguma novidade, ou...?
Ela sorriu.
- Eu já estou sabendo, Charlie. Draco me contou. - Deu de ombros. - Mas os outros não sabem, vou guardar o segredo. E sim, as cartas já chegaram. Pretendemos ir depois do almoço ao Beco Diagonal, e confesso que estou... hum... curiosa para saber como vai ser esse tal Baile.
Bill, que estava organizando os pratos na pia, virou para Sollaria com um sorrisinho cínico.
- E minha irmãzinha por acaso já tem algum pretendente em mente para acompanhá-la ao Baile?
Ela cruzou os braços diante do peito e revirou os olhos, como se aquilo os impedisse de vê-la corar.
Não era cedo demais para importunarem-na com aquele assunto?
- O que te faz pensar que eu te contaria se tivesse um pretendente? Para que ficasse zombando de mim?
Bill fingiu uma expressão ofendida.
- Sollaria, eu nunca, jamais revelaria a ninguém algum segredo seu ou faria algo para te deixar ofendida ou constrangida. Isso os gêmeos já fazem por todos nós.
Ela bufou. Sim, era verdade. Fred e George não estavam nem aí para o fato de serem inconvenientes e enxeridos.
- Você pode até estar certo, mas.... Bem, eu sinto em lhe informar que não tenho nada para compartilhar com vocês. Bom dia.
E saiu dali o mais rápido que pôde. Nem mesmo ela compreendeu por quê havia ficado tão constrangida com a pergunta do irmão.
Afastando os pensamentos, confusa, decidiu que sua mochila merecia uma revisão de itens; partiriam para a Copa naquela madrugada, então tudo tinha que estar perfeito.
Sentiu o estômago dar uma cambalhota engraçada (a qual ela atribuiu ao fato de estar com saudades do melhor amigo), ao se lembrar de que Draco estaria no mesmo camarote que ela.
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Depois do almoço, conforme o combinado, todos foram ao Beco Diagonal. Percy precisava de penas novas, Charlie desejava passar na loja de artigos para Quadribol e Bill queria visitar Gringotes, o banco dos bruxos.
- Primeiro, vamos comprar os materiais. Depois, podemos ver as vestes. O que acham? - sugeriu Molly.
Assim que saíram da Floreios e Borrões, a última loja em que precisavam passar antes de irem em busca das vestes e sapatos, Ginny teve uma ideia que todos adoraram.
- Poderíamos tomar um sorvete antes? Está bem quente.
- Eu vou encontrar Penélope - avisou Percy, dando um beijo no topo da cabeça das irmãs mais novas e um beijo na bochecha da mãe. - Vejo vocês em casa!
E saiu.
A mãe deu um sorrisinho sem graça para a filha.
- Hum, podem ir vocês, queridos. Eu vou - suas bochechas adquiriram um tom rosado, que se espalhou pelo rosto todo - dar uma olhada em alguns brechós antes e encontro vocês lá.
Fred e George acabaram preferindo entrar na loja de logros e brincadeiras, então apenas os jovens quartanistas, Bill, Charlie e Ginny seguiram para a sorveteria.
Harry, Hermione e Rony iam na frente, conversando baixinho. Hermione deixou escapar um resmungo de desprezo, ao passo que Harry empurrava Rony para o lado e dava uma risada.
Sollaria sentiu uma pontada no coração ao perceber que estava sendo deixada de fora da conversa, mas pelo menos tinha Ginny, Bill e Charlie ali com ela, embora estivessem investidos em uma conversa sobre dragões que não a interessava muito.
Tentando ignorar tudo aquilo, virou-se para os mais velhos e sorriu, vestindo a máscara de felicidade plena de sempre.
- Sabe - começou Sollaria, abraçando Bill e Charlie, um de cada lado -, é muito bom ter vocês dois aqui com a gente.
Bill, o mais velho, esfregou o topo da cabeça de Sollaria, bagunçando a cabeleira ruiva dela.
- Eu senti a sua falta, maninha.
Eles haviam chegado à sorveteria, que estava um pouco abarrotada de gente.
Sollaria olhou ao redor. Não parecia haver lugares disponíveis para sete pessoas.
- Vocês podem ficar na fila enquanto eu e Bill pegamos os nossos lugares. O que acham? Você já sabe o que queremos, não é, Sol? Banana com chocolate para mim, e...
- Pistache para o Bill, eu sei - completou ela com ternura na voz.
O Trio de Ouro estava discutindo sobre qual sabor iam escolher, alheio a todas as outras pessoas ao redor. Ginny tagarelava sobre como estava ansiosa para ver Astória no dia seguinte, mas Sollaria não estava prestando atenção, pois algo chamara a sua atenção - e toda a alegria que sentia pela presença dos irmãos mais velhos e pela iminência de assistir a Final da Copa Mundial de Quadribol esvaiu-se quando parou à fila.
- Draco Malfoy? - A atendente leu em uma etiqueta.
Sollaria se virou imediatamente, procurando o amigo com os olhos, apenas para vê-lo caminhar em direção ao balcão de mãos dadas com uma garota de longos cabelos castanhos e olhos azuis, a qual usava um laço preso ao cabelo e um vestido verde-claro colado que realçava suas curvas. Sollaria reparou que ela usava maquiagem e tinha as longas unhas pintadas de vermelho. Era tão bonita...
Ela se lembrava vagamente daquela menina como sendo uma quintanista da Corvinal, Roselyn Greenbriar. A corvina vivia assistindo aos treinos de Quadribol da Lufa-Lufa e da Sonserina, sempre com um livro debaixo dos braços.
Roselyn caminhava em direção ao balcão com um sorriso nos lábios que iluminava seu belo rosto angelical.
Draco nem ao menos notou Sollaria, que estava parada ao lado dele no balcão junto de Ginny e os três grifinórios.
- Obrigado - disse ele, oferecendo o sorvete à bela garota, que beijou a ponta do nariz dele com doçura em agradecimento.
Sollaria não se conteve e ergueu as sobrancelhas, muitíssimo surpresa, ainda que aborrecida por ter sido completamente ignorada por Draco.
Ela deveria dizer alguma coisa? Chamar por ele?
Não. Ele parece muito ocupado.
Como Draco não lhe contou que estava namorando Roselyn Greenbriar?
- Senhorita? - chamou a atendente do outro lado do balcão, acenando em sua direção. Harry deu um cutucão em sua costela e ela piscou várias vezes, voltando sua atenção ao presente.
Ela forçou um sorriso que expôs seus dentes ligeiramente tortos, mas então se lembrou do que estava fazendo e selou os lábios imediatamente.
- Ah, sim. É...
Depois de fazer os pedidos e pegar todos os sorvetes, eles se sentaram do lado de fora da sorveteria, na calçada, porque não havia lugares o suficiente.
Graças a Deus, pensou ela com amargura.
Estava chateada demais com Draco por ter omitido aquilo e por tê-la ignorado. Ele mandara uma carta para ela recentemente - por que não mencionara nada? Não deveriam ser melhores amigos? Como ele deixara uma coisa tão grande de fora?
Ela se sentiu muito solitária de repente.
- Mamãe, essas vestes são ridículas! - reclamou Rony meia hora depois, em um brechó decrépito em uma ruela vazia do Beco. - Prefiro ficar pelado a usar uma coisa dessas.
De fato, era cheia de babados e a cor não favorecia o tom de pele ou a cor dos olhos do garoto de cabelos flamejantes.
A mãe revirou os olhos, corando fortemente.
- Ótimo, ande nu. Essa é a única coisa pela qual posso pagar.
Bufando, Rony tirou o colarinho de babados (horrendo) e entrou no provador, murmurando impropérios.
Do lado de fora, Sollaria virou-se para a mãe e sugeriu:
- Mamãe, eu tive uma ótima ideia. Deixe que este seja o meu presente de Natal adiantado para Rony. Eu posso comprar um conjunto de vestes bem bonitas - que favoreçam o tom de pele dele - na Madame Malkin! Tenho certeza de que ele ficará muito contente e de que vai parar de perturbar a senhora.
A senhora Weasley ofereceu-lhe um sorriso terno e pegou seu rosto nas mãos.
- Você é muito boa para o próprio bem, minha amada filha.
Ela foi até o provador, enfiou a cara lá dentro (fazendo com que Rony desse um grito) e disse ao filho que Sollaria tivera uma ideia que talvez o agradasse.
Imaginou que fosse uma sugestão genial e muito conveniente, pois a manteria ocupada o suficiente para não pensar na cena da sorveteria.
Quando entraram na loja da Madame Malkin, Harry e Rony foram atendidos imediatamente por ela, ao passo que uma funcionária da loja se dirigiu às meninas com um sorriso simpático.
— Em que posso ajudá-las?
Hermione sorriu de volta e disse:
— Estamos só dando uma olhada nas vestes a rigor, obrigada.
Depois de um tempo, ela comentou:
— Por que é que todas as vestes do Mundo Bruxo parecem que saíram da Idade Média, hein?
Sollaria deu de ombros.
— A moda no Mundo Bruxo não acompanha a moda trouxa. Confesso que, às vezes, eu acho que prefiro usar blusas e saias a usar túnicas e capas, se bem que estas são bem mais confortáveis...
Depois de um tempo, Hermione soltou uma exclamação ao bater os olhos em uma bela túnica verde-escura.
— É esta, meninas — exclamou Hermione após alguns minutos, ao sair do provador, já vestida.
A túnica caiu perfeitamente bem em Hermione, que havia amarrado uma fita em torno da cintura. Ela logo depois passou uma capa também verde-escura por cima dos ombros, e olhou-se no espelho.
— Bem... não é ruim.
A mulher que a atendia mostrou um par de sandálias de salto alto de cor marfim que combinava perfeitamente.
Hermione parecia um pouco desajeitada andando com aquelas sandálias, mas, pensou Sollaria, provavelmente ela própria também pareceria se não praticasse um pouco nas horas vagas.
— Você ficou muito bonita, Hermione — elogiou Ginny, parecendo um pouco abatida.
Terceiranistas não poderiam ir ao Baile de Inverno — pelo menos Sollaria imaginava que se tratava disso —, a menos que fossem convidados por um aluno mais velho.
— Ei, Ginny, você deveria escolher vestes para você. Vai que Neville te convida? Vocês são grandes amigos, não são?
Ela pareceu um pouco distante de repente.
— É... Somos mesmo.
Hermione saiu do provador, tentando desfazer o nó ao redor da cintura, e sorriu maliciosamente.
— Bem, a não ser que ela esteja esperando que outra pessoa a convide, hein?
Sollaria lançou um olhar discreto na direção da mais nova; sabia que aquele era um tópico sensível para Ginny, que nunca superara realmente a quedinha que tinha por Harry, embora tentasse parecer mais tranquila quando ele estava por perto, e menos como uma... fã obcecada (como diziam Fred e George).
Para a surpresa de Sollaria, Ginny deu uma risada.
— Eu não dou a mínima, sinceramente — declarou com o queixo erguido.
Dando de ombros, Hermione voltou para dentro do provador e deixou as duas sonserinas em meio a um silêncio desconfortável.
— Eu falei sério quando disse que deveria escolher um conjunto — murmurou Sollaria.
— Não preciso ser mais um peso para mamãe, Sollaria.
Sollaria engoliu em seco.
Ginny pensava que era um peso?
Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso e passou o polegar carinhosamente pela bochecha da mais nova.
— Está tudo bem, Ginny. Eu quero dar as vestes para você. Escolha o que quiser.
Enquanto Ginny pensava em algo para escolher, Sollaria foi atrás de outras araras. Não precisou de muito tempo para encontrar a túnica perfeita: a vendedora estava colocando-a na vitrine.
— Ei, com licença. Eu gostaria de prová-la. Posso?
Quando se olhou no espelho, quase pensou em si mesma como uma garota bonita. Era a túnica mais linda que já vira na vida.
As mangas iam até os pulsos e o decote era sutil, mas não deixava de valorizar o busto. Parecia vestir perfeitamente em seu corpo, tamanha era a delicadeza do tecido. Ela era de um azul tão escuro quanto o céu noturno, e a capa que a acompanhava tinha detalhes brilhantes intrincados que a fazia até mesmo parecer salpicada de estrelas.
A vendedora chamou por ela.
— Eu trouxe uma presilha e umas sandálias para completar o visual. Como eu acho que o detalhe é a capa, acho que um sapato discreto é o mais apropriado.
Ela mostrou um par de sandálias de salto alto off-white de tira única. Não importava se ele era muito alto ou muito baixo, Sollaria sabia que teria de praticar muito antes do grande dia.
A presilha era delicada e de brilhantes discretos. Dependendo do penteado que fizesse, serviria perfeitamente.
- Você está linda, querida. Todos os olhos estarão sobre você no grande Baile.
Sollaria forçou algo que parecia uma risada educada.
Com certeza, ela falava aquilo para todas as clientes.
Hermione, que já havia pagado pela compra dela, apareceu no corredor do vestuário e avisou:
- Eu estou lá fora com Harry e Rony, tudo bem? Harry já comprou o conjunto dele e a vendedora separou as vestes de Rony para você, Sol.
- Certo! - gritou ela de volta enquanto vestia a blusa.
Ginny ainda estava no provador, parada diante do espelho. Parecia surpresa com o que via.
Ela usava um vestido verde escuro de alças finas que era justo até a cintura e um pouco rodado embaixo. Os detalhes pareciam ser pequenas ramificações de folhas, que iam desde o decote, que era reto, até quase o meio da saia, que terminava pouco abaixo do joelho. Nos pés, ela usava uma sandália de salto baixo de cor nude.
- Uau, Ginny! Você está incrível. É esse o escolhido?
- A-Acho que sim.
Ela pôs a cabeça para fora e gritou:
- Hum... Vamos levar esse também!
Perto das quatro horas, todos se encontraram no lugar combinado e voltaram para A Toca por meio da Rede de Flú.
Molly Weasley deu um grito quando atravessou a sala de estar e viu Sirius Black lendo um livro de bolso no sofá.
- Sirius! O que está fazendo aqui?
Ele trocou um olhar com Sollaria, que largou as sacolas no chão e adiantou-se.
- Nós... combinamos isso há alguns dias, mamãe. Temos um compromisso marcado. É... É algo muito importante para mim.
A mulher colocou carinhosamente uma mecha dos longos cabelos de Sollaria atrás da orelha.
- Você gostaria de me contar o que é ou aonde vão?
Sollaria fitou os próprios pés, desconcertada, aquele mesmo sentimento de invasão percorrendo seu corpo.
- Não, eu acho que não.
A mãe umedeceu os lábios, abatida.
- Tudo bem. Vejo você no jantar?
Sollaria acenou com a cabeça, andou até Sirius, que aguardava com o braço estendido, e esperou, observando os olhares curiosos de seus irmãos. Esquivou-se do olhar de Harry e fechou os olhos no momento em que sentiu seu estômago revirar, uma estranha sensação de um gancho puxando seu umbigo por dentro invadindo-a.
Quando abriu os olhos novamente, estavam diante de uma construção interditada.
Sirius olhou para ela com algo que lhe pareceu muito com complacência.
- Você tem certeza de que quer fazer isso?
Ela acenou com a cabeça, porque de repente parecia incapaz de falar.
- Tudo bem, então. - Sirius estendeu-lhe a mão.
Juntos, os dois entraram no Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos.
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