Capítulo Seis: O Acampamento
NOTAS DA AUTORA
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Depois de caminharem por um bom tempo, quando o Sol já estava nascendo, eles encontraram Amos Diggory e seu filho, Cedric Diggory, que cumprimentou educadamente todos eles. Os oito pegariam a mesma chave de portal, então fariam aquela parte do trajeto juntos. Ela pensava que Sirius e Remus estariam com eles, mas, infelizmente, enganou-se. Assim como os irmãos mais velhos, eles aparatariam até o local, embora apenas quando o jogo estivesse para começar, pois Sirius realmente queria evitar contato com os bruxos do Ministério - e bruxos curiosos e animados demais - antes da Copa.
- Sollaria! Como está sendo as suas férias de verão? Praticando muito Quadribol, imagino? - perguntou o lufano, cordialmente, tentando puxar assunto.
Ela suspirou, dramatizando.
- Não tanto quanto eu gostaria, Diggory. E você?
Ele olhou para o céu, distraído.
- Ah, é meio difícil praticar Quadribol nas férias, considerando que sou filho único. Mas eu fiquei me exercitando todos os dias, para não perder o jeito.
Sollaria deu um sorrisinho sem graça enquanto observava o lufano. Ela pensava ser impossível, mas Cedric Diggory parecia ainda mais atraente do que da última vez que o vira. Os cabelos castanhos do rapaz pareciam dourados em virtude da luz solar (que agora incomodava os olhos), e os lábios finos eram avermelhados, contrastando com a pele clara, o que tornava Cedric ainda mais belo.
Ela não pôde deixar de notar que os braços dele pareciam mais firmes, definidos.
Bom, era óbvio que os exercícios estavam dando um resultado satisfatório.
Sollaria olhou para frente quando percebeu que estava encarando-o por muito tempo.
O que ela estava fazendo? O que dera nela?
- Já comprou suas vestes a rigor? - Ela tentou desviar os pensamentos da aparência do rapaz.
Quando Cedric fez menção de responder, no entanto, o pai dele, Amos Diggory, interrompeu-os, passando o braço pelas costas do rapaz e dando tapinhas no ombro de Sollaria.
- Ora, Ced, não sabia que era amigo de Sollaria Potter!
O sextanista pareceu um pouco tímido de repente.
- Sim, pai, treinamos juntos.
O homem pareceu surpreso.
- Pensei que fosse da Sonserina, senhorita Potter.
Ela começou a brincar com o anel que usava, um pouco nervosa.
- Hum, sim. Eu sou apanhadora, como Ced. Mas dividimos o horário do treino... metade do Campo fica para a Sonserina, e a outra metade, para a Lufa-Lufa. Achamos que seria mais justo assim - disse a última parte um pouco baixo demais, olhando para os lados a fim de evitar que corasse.
Amos Diggory deu tapinhas no ombro do filho.
- Que bom que tem boas amizades, filho. Arthur estava me contando sobre como a senhorita é inteligente, senhorita Potter. E é muito bonita também - ele olhou para Ced, que agora corava levemente -, não acha, filho?
- Sim, Sollaria é uma garota muito bonita, pai, obrigado por constatar - murmurou o rapaz.
Sollaria deu um sorriso constrangido, desejando intensamente que o amigo do pai saísse de perto deles.
Ouviu risadinhas vindas do outro lado, e então percebeu que Fred e George escutavam tudo.
Assim que Amos saiu, Cedric murmurou:
- Desculpe por isso. Meu pai está tentando me juntar com alguém o mais rápido possível. Acha que só porque começou a namorar minha mãe durante o sexto ano e se casou com ela, isso também vai acontecer comigo. Devo confessar que acho um pouco irritante.
Sollaria ergueu uma das sobrancelhas.
- Imagino que seja, mas você não quer se casar um dia? Constituir uma família?
Ele chutou uma pedrinha no chão, parecendo pensativo.
- É claro que sim, mas não acho que isso precisa acontecer tão cedo. Quer dizer... Quando eu me formar, terei apenas dezoito anos! Tenho muito tempo pela frente, e eu acho que gostaria de iniciar uma carreira como curandeiro antes de pensar em construir uma família.
Sollaria deu um soquinho em seu braço, um sorriso formando-se em seu rosto.
- Quanta maturidade, Ced. É bom que pense em tudo isso. Todos temos bastante tempo pela frente para tomar decisões em seu devido momento.
- Ou quando estivermos preparados para tomá-las. - Ele devolveu o soquinho.
Eles passaram um tempo em silêncio, concentrados cada um em seus próprios pensamentos. A única coisa que ouviam era o som das folhas secas se partindo e das pedrinhas rolando quando passavam por cima delas, e o burburinho de várias pessoas conversando ao mesmo tempo.
Ginny, Rony e Harry estavam agora discutindo sobre quem venceria a Final.
Fred interveio, sendo acompanhado por George.
- Não, não. Acho que Krum captura o pomo, mas a Irlanda vence.
Cedric riu.
- É um palpite curioso, mas um pouco improvável, não acha?
- Pois eu acho que é bem provável de acontecer, sim - retrucou George em defesa do irmão. A amargura em sua voz revelava que talvez ele não tivesse superado a derrota da Grifinória para a Lufa-Lufa.
Sollaria cutucou George na costela, repreendendo-o, mas ele apenas mostrou o dedo do meio, passando por ela.
- Ignore os dois. São uns bebezões idiotas. Não superaram aquela derrota até hoje. E você é mais bonito que eles, Fred e George não suportam isso.
Cedric deixou escapar uma risadinha.
- Então eu sou bonito, é?
Sollaria revirou os olhos e empurrou-o um pouco forte demais, fazendo com que ele risse ainda mais alto.
- Cale a boca, Diggory, você sabe muito bem que é.
Depois de muito andarem, finalmente chegaram a um morro e pegaram uma Chave de Portal na forma de uma bota velha.
Sollaria teve mais uma vez aquela sensação de que um gancho invisível a puxava pela parte de dentro de seu umbigo e sentiu o chão abaixo de seus pés sumir. Um frio passou pela sua barriga e, quando ela viu que ia bater contra o chão, apoiou-se de joelhos, caindo de quatro na grama.
Caminharam um pouco mais e, assim que terminaram de fazer toda a checagem com o trouxa que guardava a entrada do acampamento onde ficariam, foram liberados para adentrar o local. Viram de tudo lá dentro: uma criança brincava com a varinha dos pais, que provavelmente estavam dormindo, e fazia um caramujo aumentar cada vez mais de tamanho; um grupo de jovens de outra nacionalidade, que usavam longas capas roxas e falavam um idioma desconhecido, jogava bola de um para o outro, mas sem encostar as mãos no objeto: faziam com que ela flutuasse sem a ajuda de uma varinha.
Ouviu Amos orientar Arthur Weasley, dizendo que não deveriam fazer mágicas na região por se tratar de uma área habitada por trouxas - ou seja, tudo que viram era totalmente contra o regulamento. Era óbvio que quase ninguém estava dando a mínima para o Estatuto Internacional de Sigilo em Magia.
- Bem, acho que nos despedimos aqui. Até a hora do jogo. - Com um beijo na bochecha de Sollaria e um aceno para os demais, Cedric se afastou com o pai para que procurassem a própria barraca.
Assim que os dois foram embora, os gêmeos, Ginny, Harry, Hermione e Rony começaram a fazer barulhos irritantes de beijos.
- Ora, calem a boca, todos vocês. - Mas ela sorria quando dissera isso, o que apenas fez com que todos rissem e continuassem a provocá-la.
O senhor Weasley, que estava ocupado conversando com um bruxo do Ministério até um segundo atrás, virou-se para eles, bateu palmas duas vezes para chamar a atenção de todos e disse:
- Muito bem, meninos. Como podem ver, aqui está bem cheio, então preciso que prestem bastante atenção e andem sempre juntos. Se encontrarem algum colega, sempre avise para algum dos irmãos ou, de preferência, para mim.
Ele olhou nos olhos de cada um, esperando uma confirmação.
- Mais uma coisa. - Fez uma pausa. - Não sei se ouviram, mas Amos reforçou para mim a orientação dada pelo Ministério. Não podemos fazer magia aqui, pois se trata de uma área trouxa. Eu ficaria muito feliz se meus próprios filhos pudessem dar um bom exemplo.
- Mas papai, olhe em volta, ninguém está realmente obedecendo essa regra - objetou Rony.
- Não importa. Eles estão errados. Você prefere seguir o mau ou o bom exemplo?
Sollaria ouviu o garoto murmurar, embora imaginasse que o pai não tivesse prestado atenção:
- Prefiro seguir o exemplo mais divertido.
Eles continuaram andando, e Sollaria notou que Rony tinha um ponto: não era todo mundo que estava ligando para as regras; parecia que as famílias queriam competir sobre qual barraca era a mais suntuosa. Com certeza, a que parecia um pequeno castelo e que tinha pavões albinos na entrada ganharia a imaginária disputa.
A ruiva apertou os olhos em desconfiança para aquela barraca. Pavões albinos, sensação de imposição de poder... aquela só poderia ser a barraca dos Malfoy. Não demorou muito, e Draco apareceu do lado de fora, olhando para os lados.
Para a infelicidade de Sollaria, eles tinham que passar justamente ao lado da barraca dos Malfoy, e então ela ouviu uma mulher loira muito bonita - que só poderia ser a mãe dele, Narcissa Malfoy - dizer:
- Deixe isso para lá, querido. - Ela depositou um beijo na testa do filho. - Você vai poder vê-la na hora do jogo.
Quando ele se desvencilhou da mãe, no entanto, seus olhos encontraram justamente os de Sollaria, como se algo os direcionassem automaticamente a ela.
Sem alternativa, ela retribuiu sem emoção o aceno que ele dera, e então acelerou o passo para acompanhar Ginny e Hermione.
Sabia muito bem que as duas haviam presenciado a cena desconfortável entre os dois amigos, assim como os outros garotos, mas, milagrosamente, todos fingiram não ter visto nada e continuaram em silêncio até o resto da caminhada.
Hermione ajeitou a dupatta sobre a cabeça, abanando-se.
- Espero que estejamos chegando - murmurou a garota, passando a mão pela testa para afastar o suor.
Sollaria desconfiava que a amiga só fizera o comentário para que ela não sentisse que o que acabara de acontecer fora algo um tanto constrangedor.
À frente, Arthur parecia animado.
- Sempre os mesmos - a voz do pai chamou a atenção de Sollaria, que prontamente engavetou os pensamentos e decidiu prestar atenção ao que o homem falava -, não conseguimos deixar de nos exibir quando nos reunimos. Ah, lá está, olhem, aquela é a nossa.
Em uma área livre na orla da floresta um pouco afastada do resto do acampamento, havia com um pequeno letreiro enfiado no chão em que se lia "Weezly".
Quando o senhor Weasley se virou para os garotos, Sollaria passou a mão pelo letreiro, alterando magicamente os dizeres para "Weasley" sem que o pai visse.
- Não podíamos ter ganhado um lugar melhor! - exclamou o senhor Weasley feliz. - O campo preparado para as partidas é logo do outro lado da floresta, estamos o mais perto que poderíamos estar. - Ele descarregou a mochila dos ombros. - Certo - disse excitado -, rigorosamente falando, nada de mágicas, não quando estamos no mundo dos trouxas em tão grande número. Vamos armar estas barracas à mão! Não deve ser muito difícil... Os trouxas fazem isso o tempo todo... tome, Harry, por onde você acha que devo começar?
O garoto, que estava conversando distraído com Ginny e Hermione, virou a cabeça rapidamente ao ouvir o senhor Weasley chamando por ele.
- Hum... Eu nunca acampei na vida, mas acho que podemos ler as instruções. O senhor tem um manual, não é?
O homem corou levemente.
- É... Não. Sirius me entregou elas assim. Ele fez a gentileza de nos emprestar as barracas. Ele e Remus vão se hospedar conosco, é claro. Talvez ele tivesse suposto que eu fosse usar magia para montá-las. - Ele corou levemente, e então procurou Hermione com os olhos. - Você poderia nos ajudar?
Enquanto os três tentavam descobrir como distribuir os paus da barraca e erguer a tenda de forma apropriada, Sollaria passou os olhos pelas outras barracas ao redor.
Todos haviam obviamente usado magia para montar as barracas; uma delas tinha até mesmo jardim e um bebedouro para passarinhos!
Fred e George avisaram-na que iriam atrás de Lee Jordan, um colega da Grifinória que haviam visto por aí, e Ginny foi com eles, pois esperava encontrar Luna Lovegood no meio do caminho. Entrementes, Sollaria e Rony esperavam - um pouco perdidos - enquanto Harry e Hermione tentavam, com dificuldade, ajudar o senhor Weasley a montar a barraca.
Decidida e levemente impaciente, Sollaria gesticulou com o máximo de discrição que pode enquanto sussurrava um encantamento. Ela esperava que desse certo, mas, se não funcionasse, o máximo que aconteceria era ter que ajeitar tudo manualmente.
Com o ruído de uma barraca montando-se sozinha, Arthur Weasley ergueu a cabeça e olhou aborrecido para os dois filhos.
- Qual dos três fez isso?
Um ploc foi ouvido, e uma outra barraca - tão grande quanto a primeira - montou-se sozinha.
Rony virou-se para Sollaria, que piscava os olhos inocentemente.
O senhor Weasley fechou a cara.
- Ora, vamos, papai. Eu aposto que o senhor Diggory usou magia para montar a tenda deles, e todos ao nosso redor também usaram, isso é óbvio.
Ele não parecia muito contente, muito menos convencido.
- Por Deus, papai, os Malfoy até mesmo trouxeram pavões.
- É, relaxe. - Rony fez um gesto despreocupado com a mão, animado que não precisara fazer esforço algum.
Ele tirou o óculos e esfregou a ponta do nariz, suspirando profundamente.
- Certo. Tudo bem. Mas sem magia a partir de agora, por favor!
Sollaria abriu um sorriso convencido.
- Vamos, vamos entrando. - Ele fez sinal para que o seguissem. - A barraca de vocês é a outra, meninas, mas vocês podem ficar conosco aqui até o horário de dormir, é claro.
Harry e Hermione trocaram um olhar preocupado e observavam confusos enquanto o senhor Weasley e Rony engatinhavam para dentro da barraca.
Sollaria cutucou Harry, curiosa.
- O que houve?
- Somos um grupo de onze pessoas - apontou ele.
- Aham. O que é que tem? - Ela inclinou a cabeça, genuinamente sem compreender a preocupação do irmão.
- Não vamos caber nessas duas barracas - observou Hermione com os olhos ligeiramente arregalados.
Ah.
Sollaria olhou de um para o outro e, então deu uma gargalhada.
- Espera, vocês...? - Ela riu tanto que teve um acesso de tosse. - Vocês nunca viram uma barraca antes?
Hermione franziu o cenho, cruzando os braços.
- É claro que já, mas isso é matemática básica. Não vamos caber todos lá dentro.
Sollaria olhou por cima do ombro.
- Ah, fiquem tranquilos. Essas barracas pertenceram ao Sirius, são de ótima qualidade e devem ser bem espaçosas. Vamos, você deveria entrar e escolher sua cama logo, Harry, antes que Rony ou George roubem a beliche de cima.
Harry engasgou, arregalando os olhos.
- Cama?
Assim que entraram, Hermione e Harry soltaram exclamações.
- Barracas trouxas não são assim, Sollaria. Dá para morar aqui dentro!
A garota se impressionou.
- Ah, não? Como são, então?
- Pequenas tanto como se vê pelo lado de fora.
Ela mordeu os lábios, pensativa.
- Uau, os trouxas vivem de um jeito engraçado, não acham?
A barraca parecia ter a decoração de uma mansão clássica e aristocrática. Era completa, com cinco suítes, um banheiro, sala de estar, cozinha, uma lavanderia e uma despensa. Ela tinha um leve cheiro de carpete úmido e naftalina, mas nada que um aromatizador de ambientes não resolvesse.
- Isso é mais do que suficiente - disse o pai de Sollaria, secando a careca com um lenço e espiando as camas que havia em um dos quartos. - A família de Sirius era um pouco exagerada, não?
O homem apanhou uma chaleira empoeirada e espiou dentro.
- Vamos precisar de água...
- Tem uma torneira assinalada no mapa que o trouxa nos deu na entrada do acampamento - disse Rony. - Fica do outro lado do campo.
- Bom, então por que você, Harry, Sollaria e Hermione não vão apanhar um pouco de água... - o bruxo entregou aos garotos a chaleira e duas caçarolas - ...e eu vou apanhar lenha para fazer uma fogueira?
- Mas temos um forno - lembrou Rony -, por que não podemos...?
- Filho, segurança antitrouxa! - disse o senhor Weasley, o rosto brilhando de expectativa. - Quando os trouxas de verdade acampam, eles cozinham em fogueiras ao ar livre, já os vi fazendo isso!
- Papai, mas ninguém vai espiar aqui dentro, e... - mas Sollaria se calou ao perceber que o pai parecia animado demais com a ideia de viver como um trouxa por um dia para lhe dar ouvidos, então ela apenas desistiu.
Depois de uma rápida visita à barraca das garotas, que era muito parecida com a dos rapazes, embora a mobília fosse diferente, os quatro atravessaram o acampamento levando as vasilhas.
Com o sol de fora e a névoa se dissipando, eles puderam ver a cidade de lona que se estendia para todas as direções. Caminharam lentamente entre as fileiras de barracas, observando com interesse a variedade de pessoas que agora acordavam e saíam de suas barracas.
Aqui e ali, bruxos e bruxas adultos saíam das barracas e começavam a preparar o café da manhã. Alguns, lançando olhares furtivos para os lados, conjuravam fogueiras com as varinhas; outros acendiam fósforos com ar de dúvida, como se tivessem certeza de que aquilo não ia funcionar. Três bruxos africanos conversavam sentados, trajando longas vestes brancas, enquanto assavam uma carne que parecia coelho sobre uma fogueira púrpura berrante; um grupo de bruxas americanas de meia- idade fofocava alegremente sob a bandeira estrelada que elas haviam estendido entre as barracas, na qual se lia Instituto das Bruxas de Salém.
- Hum... são os meus olhos ou tudo ficou verde? - perguntou Rony de repente.
Não eram os olhos de Rony. Os garotos tinham entrado em uma área em que as barracas estavam cobertas por uma camada de trevos, dando a impressão de que morrotes de formas estranhas haviam brotado da terra. Viam-se rostos sorridentes nas barracas com a aba da entrada erguida. Então, às costas, os garotos ouviram alguém gritar seus nomes.
- Harry! Rony! Hermione!
Era Seamus Finnigan, um colega quartanista dos três grifinórios. Estava sentado diante de uma barraca coberta de trevos, em companhia de uma mulher de cabelos louro-claros que só podia ser sua mãe e com Dean Thomas, também da Grifinória.
Sollaria deu um aceno constrangido, um pouco atrás do irmão gêmeo.
- Gostaram da decoração? - perguntou Seamus sorrindo, quando Harry, Rony e Hermione se aproximaram para cumprimentá-los. - O Ministério não está nada feliz.
- E por que não deveríamos mostrar nossas cores? - perguntou a senhora Finnigan, aproximando-se deles. - Vocês deviam ver o que os búlgaros penduraram nas barracas deles.
- Ah, é - mentiu Rony. - Realmente.
- E então, de onde vão assistir ao jogo? - indagou a mulher. - Aceitam uma xícara de chá?
Sollaria forçou uma tosse, constrangida. Queria ir embora dali o quanto antes, ainda mais quando percebeu o olhar fixo de Dean Thomas nela.
Seamus notou-a apenas naquele momento. Harry saiu da frente de Sollaria e ela acenou mais uma vez, um pouco desconfortável.
O garoto analisou-a de cima a baixo, fitou por um segundo a mais do que o necessário o decote de Sollaria e teve a cara de pau de encará-la nos olhos e sorrir. Por que os garotos de repente se tornaram uns idiotas?
Ela ergueu uma das sobrancelhas, os olhos gélidos quando disse:
- Oi, Seamus.
- Oi, Sollaria. - Seamus Finnigan corou levemente ao compreender que ela havia notado o olhar dele.
Dean, que agora se aproximava, forçou uma tosse e sorriu, olhando de Seamus para Sollaria.
Hermione e Sollaria trocaram um olhar irritado.
A água para o senhor Weasley, sussurrou Sollaria na mente de Harry.
Harry franziu o cenho na direção da irmã, ergueu uma das bacias e, desconcertado, comentou:
- Hum, acho que vamos ter que recusar o chá, senhora Finnigan. Temos que encher de água esses baldes para o senhor Weasley.
Depois de se despedirem e se afastarem, Hermione xingou alto.
- Hermione! - Rony olhou para ela com uma expressão de choque. Nunca havia visto a amiga dizer um palavrão antes.
- O que está acontecendo? - perguntou Harry para a amiga.
Sollaria revirou os olhos.
Como Harry conseguia ser tão lento às vezes?
- Vocês não viram o jeito que os dois energúmenos estavam olhando para Sollaria? - Hermione se virou para os amigos, surpresa. - Até eu fiquei desconfortável.
Harry e Rony trocaram um olhar.
- Que jeito?
Bufando, revirou os olhos e disse:
- Eles estavam olhando para os peitos dela, seus idiotas.
Harry virou o rosto, sem graça, ao passo que o rosto de Rony adquiria um tom avermelhado.
- B-Bem, Sol, você não pode culpá-los - começou Rony. - É normal que eles fiquem chocados com o quanto você mudou. - Ele se virou para Harry e deu um sorriso malicioso. - Como a Caroline Grayson.
Harry e ele deram um high-five.
Hermione puxou Sollaria pelo braço e caminhou com ela adiante.
- Deixa isso pra lá, os dois são muito tontos para entender o quanto isso é horrível.
Eles seguiram o caminho - Sollaria e Hermione ainda irritada com os dois paspalhos -, perguntando-se o que será que os búlgaros haviam pendurado nas barracas deles.
Harry apontou para uma grande área de barracas mais adiante, onde a bandeira da Bulgária, vermelha, verde e branca, tremulava à brisa.
- Vamos ver o que eles penduraram?
As barracas não estavam enfeitadas com plantas, mas cada uma exibia o mesmo pôster, um pôster com o rosto de um jovem rapaz meio sério, com sobrancelhas negras bem marcadas e cabelos raspados. Sollaria se perguntou se Viktor Krum, o astro do Quadribol que estava na foto, ainda estaria estudando e, se sim, se frequentava o Instituto Durmstrang.
Enquanto se aproximavam da barraca mais próxima para olhar o pôster mais de perto, Krum sorriu e piscou para a câmera, parecendo mais jovial do que instantes antes.
- Krum - disse Rony em voz baixa.
- Quê? - perguntou Hermione.
- Krum! - repetiu Rony. - Viktor Krum, o apanhador búlgaro!
- Ele parece metido - comentou Hermione, olhando para os muitos Krums que piscavam e
franziam a testa para eles.
- Metido? - Rony olhou para o céu. - Quem se importa? Ele é incrível! E é bem moço, também. Tem uns dezoito anos, por aí. É um gênio, espere até ver hoje à noite.
- Ele é bonito. - Sollaria deixou escapar um suspiro. - É diferente da beleza dos rapazes que temos em Hogwarts.
Harry observava a foto também, pensativo. De repente, ele olhou para os dois lados, puxou a irmã pela mão, pigarreou e disse:
- Hum... Vamos, temos que pegar água para o senhor Weasley.
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Já havia uma pequena fila à torneira no canto do acampamento. Harry e Rony entraram logo atrás de dois homens que discutiam acaloradamente. Um deles era um bruxo muito velho que usava uma longa camisola florida. O outro, também de idade, era visivelmente um bruxo do Ministério; este segurava calças listradas e quase chorava de exasperação.
- Vista as calças, Archibald, seja bonzinho, você não pode andar por aí vestido assim, o trouxa no portão já está ficando desconfiado... - O senhor que trabalhava no Ministério passou a mão paciente e carinhosamente pelos braços do outro.
- Comprei isso numa loja de trouxas - defendeu-se o velho bruxo, teimando. - Os trouxas usam isso.
- Mulheres trouxas usam isso, Archie, não os homens, eles usam isto aqui - disse o bruxo do
Ministério mostrando as calças listradas.
- Não vou vestir isso - retrucou o velho bruxo indignado. - Gosto de sentir uma brisa saudável nas minhas partes, obrigado.
Hermione foi tomada por um tal acesso de riso, nessa hora, que precisou sair da fila e só voltou
depois que Archibald tinha se abastecido de água e fora embora.
Caminhando mais devagar agora, por causa do peso da água, os garotos tornaram a atravessar o acampamento. Aqui e ali, eles viam rostos mais familiares: outros alunos de Hogwarts com as famílias. Oliver Wood, o ex-capitão do Time de Quadribol da Grifinória, que terminara os estudos em Hogwarts, arrastou o garoto até a barraca dos pais para apresentá-lo, e lhe contou cheio de excitação que acabara de entrar para o time de reserva do Puddlemere United.
Depois os garotos foram saudados por Ernie Macmillan, um quartanista da Lufa-Lufa, e, mais adiante, viram Cho Chang, uma garota muito bonita que jogava como apanhadora no time da Corvinal. Ela acenou e sorriu para Harry, que derramou um bocado de água na roupa ao retribuir o aceno.
Visivelmente com a intenção de impedir Rony de caçoar do que por outro motivo, Harry apontou depressa para um enorme grupo de adolescentes que ele nunca vira antes.
- De onde você acha que eles são? - perguntou Harry. - Eles não frequentam Hogwarts, frequentam?
- Devem frequentar alguma escola estrangeira - sugeriu Rony. - Sei que há outras, mas nunca encontrei ninguém que estudasse nelas. Bill teve uma correspondente em uma escola no Brasil... isto foi há anos... e ele quis ir para lá numa viagem de intercâmbio, mas mamãe e papai não tiveram dinheiro para bancar a viagem. A moça ficou toda ofendida quando ele disse que não ia e mandou para ele um chapéu enfeitiçado. As orelhas dele murcharam.
Sollaria riu.
- Eu me lembro diss... Ah, droga, Roselyn e Draco estão aqui! Espero que eles não me vejam. - Ela virou o rosto, andando o mais depressa que pôde na direção oposta sem derramar água.
- O que foi? - perguntou Hermione, e os garotos viraram para ver do que - ou melhor, de quem -, Sollaria estava fugindo.
Ela havia visto Draco Malfoy, que estava sentado ao lado de Roselyn Greenbriar em cadeiras de bronzeamento diante de uma barraca ricamente decorada com um belo jardim de flores.
Havia até mesmo beija-flores voando ao redor do jardim, deixando tudo com uma aparência imaculada e perfeita demais.
Draco parecia estar rindo de algo que Roselyn dissera, e então pôs a mão no joelho dela.
- Ora, francamente, Sollaria - irritou-se Hermione, andando apressada atrás da amiga. - Por que você está agindo como uma idiota?
Sollaria pôs o balde no chão.
- Eu não estou agindo como uma idiota! Eu só não sei se estou preparada para conhecer Roselyn. Não sei se estou preparada para uma namorada de Draco assumindo o meu posto de melhor amiga. E se ele... - Ela colocou a mão no rosto, arregalando os olhos só de pensar na possibilidade... - E se ela tentar impedir Draco de ser meu amigo?
- Ele te deu presentes, isso significa que ele não te esqueceu - lembrou Harry.
Sollaria inclinou-se para pegar o balde pela alça e lançou um olhar impaciente para o irmão.
- Isso não muda nada. - Ela olhou para baixo, sentindo-se muito exposta de repente. - Ele é o meu melhor amigo. Eu só não quero perdê-lo, e...
Sollaria olhou para os três grifinórios, que a escutavam com expressões confusas no rosto. É claro que eles não entendiam como ela sentia. Por que é que ela estava falando sem parar mesmo?
Ela balançou a cabeça e piscou sem parar, forçando um sorriso logo em seguida.
- Vocês têm razão. Estou sendo estúpida. Vamos, vamos voltar. Papai deve estar preocupado.
Contudo, quando fizeram questão de voltar a caminhar, uma voz conhecida chamou-a.
- Ei, Potter! - Ela se virou, e viu Theodore Nott, um colega da Sonserina, caminhar em sua direção.
Ela colocou o balde no chão e cumprimentou Nott com um beijo na bochecha.
- Como está, Sollaria? Lendo muito durante as férias? - Ele depois acenou educadamente para Harry, Hermione e Rony, o último apenas grunhindo em resposta (Hermione deu um tapa na nuca dele). - Parece que ficou dentro do quarto as férias inteiras.
Ela riu.
- Não pude treinar Quadribol tanto quanto eu gostaria. - Ela deu um soquinho no braço do garoto. - Você, por outro lado, me parece bem bronzeado. Para onde foi desta vez?
Ele pôs as mãos nos quadris, parecendo achar graça de alguma coisa.
- Eu e minha família fomos para o nordeste brasileiro. As praias são ótimas, mas lá eles usam umas vestes de banho muito esquisitas. Estou com um bronzeado ridículo da cintura para baixo. Pareço um frango. Malfoy vai encher o meu saco por pelo menos um mês até essa porcaria desaparecer...
Sollaria gargalhou junto com ele, dando tapinhas em seu ombro.
- Ah, Theo, você é uma figura. - Ela balançou a cabeça lentamente e deu um suspiro. - Bem, agora temos que levar esses baldes até a nossa barraca, pois meu pai está esperando e acho que já demoramos demais... Mas, pelo visto, estaremos no mesmo camarote, então nos veremos mais tarde!
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Assim que chegaram às barracas da família Weasley, George ergueu os braços acima da cabeça e exclamou dramaticamente:
- Finalmente! Vocês demoraram um século.
- É que encontramos alguns conhecidos - disse Sollaria, pousando as vasilhas de água. - Vocês ainda não acenderam a fogueira?
- Papai está se divertindo com os fósforos - disse Fred, que enfiava algo nos bolsos (Sollaria desconfiava se tratar de alguma de suas invenções).
Arthur Weasley não estava tendo o menor sucesso em acender a fogueira, mas não era por falta de tentativas. Fósforos partidos coalhavam o chão ao seu redor, mas ele parecia estar se divertindo como nunca.
- Opa! - exclamou ele, ao conseguir acender um fósforo, mas largou-o na mesma hora no chão, surpreso.
Discretamente, Sollaria acendeu uma pequena chama na cabeça do fósforo e, quando o pai o jogou no meio dos galhos que havia recolhido na floresta, ela fez com que o fogo aumentasse com um gesto discreto da mão.
- Maravilha! - Ele bateu palmas, empolgado e orgulhoso de si mesmo.
Hermione lançou a Sollaria um olhar repreendedor, para o qual a sonserina deu de ombros.
O pai de Sollaria se levantou, alegre, e disse:
- Bem, vai levar no mínimo mais uma hora até ela esquentar o suficiente para cozinhar alguma coisa. Pelo menos, tem muito o que ver por aí enquanto esperamos.
Uns cinco minutos depois, Harry voltou com o balde, parecendo um pouco distraído. Rony ainda parecia emburrado pelo fato de Harry ter um amigo que não fosse ele, embora o Potter nem estivesse prestando atenção.
A barraca deles estava armada ao longo de uma espécie de rua de acesso ao campo de quadribol, por onde funcionários do Ministério corriam para cima e para baixo, cumprimentando cordialmente o senhor Weasley ao passar.
O senhor Weasley fazia comentários contínuos, principalmente para benefício de Harry e Hermione; seus próprios filhos já conheciam bastante o Ministério para se interessar.
- Aquele era Cuthbert Mockridge, chefe da Seção de Ligação com os Duendes... - Sollaria ouviu o pai murmurar. Ela virou o rosto, decidindo-se por pegar um livro para ler enquanto aproveitava o sol. Theo estava certo. Com um pouco de sorte e protetor solar, talvez ela pudesse perder um pouco da palidez e adquirir um leve tom bronzeado. -...e aqueles outros são Bode e Croaker... são dois Inomináveis...
- São o quê?
- Do Departamento de Mistérios. Ultrassecretos... Não tenho a menor ideia do que fazem.
Finalmente, a fogueira ficou pronta e eles já haviam começado a preparar salsichas com ovos quando Bill, Charlie e Percy saíram caminhando da floresta para se reunirem à família.
- Acabei de aparatar, papai, e não senti enjoo nem uma vez! Acho que essa é a primeira aparatação a longa distância que não passo mal - disse Percy em voz alta, parecendo empolgado. - Opa, almoço!
Já haviam comido metade das salsichas com ovos quando o patriarca da família Weasley se levantou de um salto, acenando e sorrindo para um homem que vinha em sua direção.
- Ah-ah! - exclamou ele. - O homem do momento! Ludo!
Ludo Bagman era um homem pouco discreto - usava longas vestes de quadribol com grandes listras horizontais amarelas e pretas, e uma enorme estampa de uma vespa tomava todo o seu peito. Era um pouco rechonchudo e o nariz era achatado; os redondos olhos azuis, os cabelos louros curtos e a pele rosada o faziam parecer um menino de escola que crescera demais.
- Olá, pessoal! - exclamou Bagman alegremente. Andava como se tivesse molas nas solas dos pés; era visível que estava num estado de extrema excitação.
"Arthur, meu velho", ofegou ele, ao chegar à fogueira, "que dia, hein? Será que podíamos ter desejado um tempo mais perfeito? Uma noite sem nuvens... e quase nenhum problema na programação... quase nada para eu fazer!"
Por trás dele, um grupo de bruxos do Ministério, de cara exausta, passou apressado, apontando para a evidência distante de algum tipo de fogueira mágica que disparava faíscas violetas a seis metros de altura.
Percy adiantou-se rapidamente com a mão estendida.
- Ah... sim - disse seu pai, sorrindo -, este é o meu filho, Percy, começou a trabalhar no Ministério agora, e este é Fred, não, George, desculpe, esse é o Fred... Bill, Charlie, Rony... minhas filhas, Ginny e Sollaria... e os amigos de Rony, Hermione Granger e Harry Potter.
De maneira discretíssima, Bagman olhou uma segunda vez ao ouvir os nomes de Sollaria e Harry, e seus olhos deram uma espiada na cicatriz na testa do garoto.
- Pessoal - continuou seu pai -, este é Ludo Bagman, vocês sabem quem ele é, e é graças a
ele que temos entradas tão boas. - Ele olhou para Bagman e sorriu. - Sirius só conseguiu todos esses ingressos bem em cima da hora porque Ludo conseguiu segurá-los para nós.
Bagman abriu um sorriso de lado a lado do rosto e fez um gesto com a mão significando que não fora nada.
- Muito obrigada, senhor Bagman - agradeceu Sollaria, estendendo a mão para o homem.
- Ah, sim, você deve ser a famosa Menina-Que-Ressuscitou, hein? - Sollaria deu um sorriso amarelo, nada impressionada com a falsa surpresa dele em vê-la. Não era como se ele não tivesse olhado uma segunda vez para ela quando o pai dissera seu nome. - Soube que fez história no Time da Sonserina. Fico muito feliz, sabe? Eu fui da Sonserina em meus tempos de Hogwarts.
Ela piscou algumas vezes, deixando escapar uma sutil exclamação de surpresa.
- Quer arriscar uma apostinha no jogo, Arthur? - perguntou ele ansioso, sacudindo, ao que
parecia, um bocado de ouro nos bolsos das vestes amarelas e pretas. - Já aceitei a aposta de Roddy Pontner de que a Bulgária vai marcar primeiro, ofereci a ele uma boa vantagem, levando em conta que os três jogadores avançados da Irlanda são os mais fortes que já vi em anos, e a pequena Agatha Timms apostou meia cota da fazenda de enguias de que a partida vai durar uma semana.
- Não, obrigado. - Bagman virou-se então para os outros, os olhos brilhando de expectativa. - Eles são um pouco jovens demais para andar jogando. Molly não gostaria...
- Nós apostamos trinta e sete galeões, quinze sicles e três nuques - disse Fred, ao mesmo tempo em que ele e George juntavam rapidamente todo o dinheiro que tinham - que a Irlanda ganha, mas Viktor Krum captura o pomo. Ah, e damos uma varinha falsa de lambujem.
O rosto de Bagman iluminou-se de excitação ao receber a varinha das mãos de Fred e, quando ela deu um cacarejo e se transformou em uma galinha de borracha, o homem caiu na gargalhada.
- Excelente! Não vejo uma varinha tão convincente há anos! Eu pagaria cinco galeões por uma dessas!
- Meninos - disse o pai entre dentes -, não quero vocês jogando... isto é tudo que economizaram... sua mãe...
Mas eles não estavam mais escutando.
Arthur Weasley ficou olhando sem ação enquanto Ludo Bagman puxava um caderninho e uma pena e começava a anotar os nomes dos gêmeos.
Depois de Ludo, o chefe de Percy, o senhor Crouch, fez uma breve visita à barraca dos Weasley com o objetivo de contatar Bagman com urgência a respeito de problemas com o Ministro da Bulgária.
Pelo resto da tarde, ficaram ao redor da fogueira, ouvindo as histórias do senhor Weasley sobre seus tempos de escola.
"Se a mãe de vocês descobre que eu lhes contei isso..."
A atmosfera de excitação foi-se adensando como uma nuvem palpável sobre o acampamento à medida que a tarde avançava.
Assim que anoiteceu, todos começaram a se preparar para a partida - ambulantes aparatavam a cada metro, trazendo bandejas e empurrando carrinhos cheios de extraordinárias mercadorias. Havia rosetas luminosas - verdes para a Irlanda, vermelhas para a Bulgária - que gritavam os nomes dos jogadores, chapéus verdes cônicos enfeitados com trevos dançantes, echarpes búlgaras adornadas com leões que rugiam de verdade, bandeiras dos dois países que tocavam os hinos nacionais quando eram agitadas; havia miniaturas de Firebolts, que realmente voavam, e figurinhas colecionáveis dos jogadores famosos, que andavam se exibindo nas palmas das mãos.
- Guardei o meu dinheiro o verão todo para o dia de hoje - disse Rony a Harry, quando os três saíram caminhando entre os vendedores comprando lembranças.
- Rony, não vá gastar seu dinheiro com bobagens - aconselhou Sollaria, enganchando o braço ao do irmão.
Ele bufou, revirando os olhos.
- Sollaria, é o Viktor Krum, eu preciso ter lembranças deste momento histórico, você sabe disso.
Pelo resto da noite até a partida, ela decidiu que não diria mais nada a respeito dos gastos do irmão. Todas as lembrancinhas que ele estava comprando não valeriam um nuque em qualquer outro dia, mas apenas porque estavam na Copa, os ambulantes arranjavam um jeito de extorquir dinheiro das pessoas.
Embora Rony já tivesse comprado um chapéu com trevos dançantes e uma grande roseta verde, comprou também uma figurinha de Viktor Krum, o apanhador búlgaro. O brinquedo andava para a frente e para trás na mão do garoto, amarrando a cara para a roseta verde acima.
- Uau, olha só para isso! - exclamou Harry, correndo até uma espécie de barraca atulhada de onióculos.
- São onióculos - disse o vendedor. - Você pode rever o lance... passar ele em câmara lenta... e ver uma retrospectiva lance a lance, se precisar. Pechincha: dez galeões um.
Sollaria aproximou-se da bancada de pagamento, curiosa. Ela ganhou a atenção imediata do jovem vendedor.
- Posso ver?
O rapaz rapidamente lhe entregou um daqueles, olhando para ela com expectativa.
- Hum... Legal. Vou levar. Quantos você disse que custa, mesmo? Sete galeões? - Ela piscou os olhos e sorriu, fingindo uma expressão confusa. - Desculpe, acho que não prestei atenção quando disse...
Ele riu, embora ela não tivesse dito nada engraçado, e se inclinou sobre o balcão, analisando Sollaria de cima a baixo.
- Dez galeões. - Ela fez um biquinho, decepcionada. - Mas pra você, princesa, eu faço pela metade do preço.
O rosto de Sollaria se iluminou, e ela logo pegou cinco galeões dentro de sua mochila e colocou sobre a mesa.
- Ah, obrigada. É muito gentil da sua parte.
Enquanto isso, Hermione, Harry e Rony olhavam para ela com expressões de choque ao passo que cada um dos três tinha de se submeter a pagar o valor total (embora Harry tivesse pagado pelos onióculos dos outros dois).
- Eu não acredito que você conseguiu comprar esses onióculos pela metade do preço - reclamou Rony enquanto passavam pelas outras barracas.
Ela deu de ombros.
- Bem, eu não precisei fazer nada, na verdade. Não sei porque é que você está resmungando até agora. Mas ainda bem que garotos tendem a ser muito sem noção quando se trata de uma garota. Eu é que não vou pagar pelo preço de uma varinha em um negócio que eu vou usar uma vez na vida.
Ela enganchou o braço no de Harry desta vez.
- Achei que você ficasse incomodada quando os garotos olham para você daquele jeito.
Ela riu.
- E eu fico. Mas eu não ia mandar ele pastar naquele momento se eu podia ganhar alguma coisa com aquilo. E eu ganhei, não ganhei? Cinco galeões de desconto.
Eles pararam em frente a uma barraca que vendia pizzas, uma espécie de massa trouxa, para jantar antes da partida.
- Sabe, às vezes eu me esqueço que você é da Sonserina - comentou Hermione enquanto olhava o cardápio. - Ah, esse sabor é o melhor. Marguerita. É de tomate, queijo e manjericão.
Todos trocaram olhares, tentando chegar a um acordo.
- Você gosta desse, Harry?
Harry deu de ombros.
- Eu nunca comi pizza. Os Dursley nunca deixaram.
Hermione arregalou os olhos e colocou a mão sobre a boca.
Rony e Sollaria, que cresceram na comunidade bruxa, olhavam de um para o outro sem compreender qual seria a gravidade da situação.
- Mas... Mas... É pizza!
Ele deu de ombros mais uma vez.
- Meus tios são uns babacas. Eu sempre tinha que ficar com as sobras. O máximo que eu comi de uma pizza foram as bordas queimadas delas que Dudley deixava no prato.
Ao ouvir aquilo, Sollaria ferveu de raiva. Ainda não conseguia acreditar nos horrores que o irmão tivera que passar vivendo com aqueles trouxas, enquanto ela tivera uma infância relativamente feliz (apesar do pequeno detalhe de ter sido submetida à poções e enganada por dez longos anos de sua vida).
Depois que pegaram cada um uma super fatia de pizza, decidiram voltar às barracas enquanto apreciavam a deliciosa culinária trouxa.
Bill, Charlie e Ginny usavam rosetas verdes, e o pai deles carregava uma bandeira da Irlanda. Fred e George não haviam saído da barraca, pois haviam apostado todo o dinheiro com Bagman, e Percy estava parado diante de uma barraca ali perto, conversando animadamente com um ex-colega de Hogwarts.
Sollaria aproximou-se de Ginny e entregou-lhe um pedaço de pizza de chocolate que havia pedido "para viagem". Aquele era um conceito trouxa de pedir algo em um restaurante para comer em casa, explicara Hermione - muito conveniente, para dizer o mínimo.
- Comprei nas tendas comerciais. Não sei se é bom, mas espero que goste.
- Ah, na minha opinião, é bom. Acho que é o sabor de pizza doce de que mais gosto - comentou Hermione enquanto tirava a dupatta da cabeça e colocava-a entre as dobras dos braços, dando ao visual um ar mais elegante. - Às vezes, sinto falta de comer pizza! Pena que não tem no mundo bruxo.
Harry se espreguiçou.
- Agora eu sei por quê Dudley comia uns seis pedaços de uma vez... É muito bom. Queria ter tido a oportunidade de experimentar antes.
Sollaria, sentindo pena do irmão, passou os braços ao redor dos ombros dele e encostou suas cabeças uma na outra.
- Eu sinto muito por isso, Harry.
Ele segurou a mão da irmã de modo desajeitado. Harry não era acostumado com demonstrações de afeto.
- Está tudo bem, Sollaria. Já estou acostumado.
Ela se soltou dele e encarou-o, chocada.
- Não, não está tudo bem, eles deviam...
Mas sua fala foi interrompida pela batida de um gongo, grave e ensurdecedora, que vinha de algum lugar além da floresta. Concomitantemente, lanternas verdes e vermelhas se acenderam entre as árvores, iluminando o caminho até o Campo.
- Está na hora! - exclamou o senhor Weasley, parecendo tão excitado quanto os garotos. - Andem logo, vamos!
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