Capítulo Dois: Sollaria Conta um Segredo a Sirius e Remus
NOTAS DA AUTORA
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Aquele sonho atormentara Sollaria durante várias noites, a começar por aquela em que ela completaria seus catorze anos.
Infelizmente, ninguém que lhe era especial poderia ir à Toca para parabenizá-la pessoalmente; Remus estava se recuperando de uma lua cheia, enquanto Sirius ainda lidava com questões ministeriais. Harry, por outro lado, não tinha problemas de saúde ou burocracia que o impediam de ir - os adultos eram os responsáveis por proibirem os gêmeos de se verem no dia do aniversário deles. Dumbledore recomendara que Harry ficasse especificamente até às cinco horas da tarde do dia doze de agosto na Rua dos Alfeneiros, onde morava com os tios trouxas, mas, como sempre, nunca explicou o porquê a nenhum deles.
Entrementes, Sollaria trocava cartas com aqueles que lhe faziam falta. Sirius e Remus prometeram visitá-la n'A Toca no dia em que Harry chegasse, para que Monstro, o elfo doméstico da Mansão Black, pudesse tirar um tempo para limpar a casa em paz enquanto estivessem fora. Já Harry contava as horas para ver tanto a irmã quanto os amigos, uma vez que Hermione chegaria dois dias antes dele à Toca e teria muito mais tempo de colocar a conversa em dia com os Weasley do que ele.
Sollaria esperava mesmo que pudesse ter um momento cara a cara com Sirius e Remus antes da Final da Copa de Quadribol. Não apenas para agradecê-los por todas as lembranças compartilhadas por cartas e pelos vários presentes que Sirius estava comprando em nome dos dois para compensar os treze anos de atraso de ambos, mas também para dividir com as únicas duas pessoas que ela sentia que poderiam compreendê-la naquele momento - sem que ficassem aterrorizadas - o fato de ela ter tido, mais uma vez, visões alarmantes, embora, desta fez, para seu puro choque, aquela se tratasse de uma visão do presente. Era evidente que não poderia ser algo do passado; a notícia de Bertha Jorkins começara a correr apenas recentemente no Ministério.
Mesmo sem ter tido visto Remus ou Sirius por quase um mês, Sollaria continuava mantendo contato com ambos através das cartas, o único meio de comunicação que poderiam utilizar já que o estoque de Pó de Flú deles estava acabando e teriam que economizar para quando fossem buscar Harry na casa dos tios.
Sollaria ainda se lembrava da primeira carta que enviara desde que soubera de toda a verdade:
"Caro Sirius (e Remus),
Espero que esteja tudo bem. Por aqui, está tudo mais do mesmo: ando lendo livros, jogando Quadribol com meus irmãos ou ajudando minha mãe na cozinha. Percy não participa de nem um, nem outro: entrou para o Ministério e agora fica trancafiado no quarto, trabalhando o dia todo em relatórios.
Ah! Não vou dizer que nada mudou... Ficar longe dos dementadores tem me feito bem, mas, quer saber, chega de falar de mim. Como vocês estão por aí? Fiquei muito feliz em saber que Remus agora está morando na Mansão Black com você. Assim, nenhum dos dois fica sozinho!
Como estão as papeladas do Ministério? Espero que toda essa burocracia chegue ao fim logo.
Por que você e Remus não vêm à Toca para o meu aniversário no dia 31 de julho? Daí vocês poderiam me contar boas histórias dos seus tempos de Escola, como como meus pais se conheceram, e tal.
Preciso ir agora, minha mãe mandou eu ir atrás da minha gatinha; parece que ela está querendo correr atrás das galinhas de novo.
Com carinho,
Sollaria Hyacinth Potter"
Outra pessoa com quem Sollaria sentia falta de conversar frequentemente era, é claro, Draco Malfoy. Mas, por mais incrível que pudesse parecer, em vários momentos Sollaria se pegou pensando em seus outros colegas da Sonserina, como Astória, que apesar de ser amiga de Ginny, sempre mencionava Sollaria nas cartas que as duas trocavam e lhe desejava bem. Em agradecimento, Sollaria enviou cartas para a garota também.
Astória estava passando as férias na Grécia com a família, e enviou uma foto dela e de Daphne se abraçando enquanto a mais nova se esticava para trás na cadeira de rodas para alcançar os ombros da irmã. Junto com a foto, Astória enviou uma carta desejando um feliz aniversário para Sollaria e, é claro, para Harry também.
Havia uma pequena montanha de presentes perto de sua cama quando acordou no dia trinta e um de julho. Astória havia lhe enviado um livro sobre mitologia grega e um vestido verde menta com fios de amarrar no ombro.
É um vestido interessante, observou Sollaria enquanto o vestia diante do espelho. Apesar de que, em sua opinião, marcava muito seu corpo em lugares que ela não tinha certeza se gostaria de que fossem marcados.
- Ei, isso são presentes de aniversário? - exclamou Ginny, animada, abrindo a caixa seguinte. - Ah, esse vestido ficou ótimo em você. Valoriza o corpo lindo que as vestes escolares gostam de fazê-la se esquecer de que tem.
Sollaria puxou delicadamente a pequena caixa das mãos da irmã apenas para descobrir que vinha de Neville Longbottom, um amigo de Ginny da Grifinória.
Era um espelho que realmente ajudava a pessoa a se maquiar? Aquilo era fantástico, especialmente porque ela poderia praticar com os produtos de beleza que Sirius havia dado a ela.
Caixas e mais caixas de cosméticos e roupas trouxas diferenciadas e acessórios e discos de vinil chegavam n'A Toca desde o início das férias, desta vez com a assinatura de Sirius, alegando querer compensar uma década de ausência. Enquanto isso, Remus lhe enviava livros e mais livros sobre Magia Avançada, porque talvez ela tivesse comentado algo sobre achar aquele tópico muitíssimo interessante, e agora o homem não parava de lhe bombardear com livros didáticos.
- Neville é uma pessoa adorável, não acha? - Sollaria sorriu ao se lembrar do garoto loiro desajeitado. Ele era uma ótima dupla em Transfiguração, apesar de um pouco inseguro. - Ele é... diferente dos outros garotos do nosso ano. Parece ser sensível. E é muito educado! Acho que vou me sentar com ele em Transfiguração de novo.
Elas passaram para o presente de Hermione - um retrato (que não se mexia) dos três grifinórios e de Sollaria na Sala Comunal da Grifinória.
A garota passou a mão pela foto, saudosa.
Em breve, estariam todos juntos mais uma vez...
- De quem é isso aqui? - indagou Ginny, afastando-a de seus pensamentos, enquanto tirava Nyx de cima de uma caixa preta com uma fita igualmente escura.
Sollaria deu de ombros.
- De Draco, provavelmente.
E era, de fato.
Dentro da caixa, havia um vestido preto curto e justo (com muito recorte e decote e pouco tecido, na opinião de Sollaria), luvas pretas e sapatos de salto alto também pretos.
Ela franziu o cenho.
- Que presente mais específico e aleatório - comentou, procurando algum bilhete dentro da caixa. - Ah, aqui.
"Feliz aniversário, Cenourinha,
Bem, teremos muitas festas esse ano, sem contar o Baile. Eu estava passeando pelas ruas trouxas de Paris com minha prima (sim, eu sei, ruas trouxas de Paris e eu não combinamos, mas era uma rua chique em Paris), e lembrei imediatamente de você quando vi essa composição na vitrine. Essas luvas vão ficar ótimas com a pulseira que eu te dei, não?
Saudades,
Malfoy
PS: Nos vemos na Copa?"
Ginny, que estava lendo por cima de seu ombro, indagou:
- Baile? Que Baile?
Sollaria deu de ombros mais uma vez.
- Não faço ideia... Vou mandar uma carta perguntando sobre isso depois.
A noite de seu aniversário foi incrível como sempre, apesar de, é claro, não ter sido a mesma sem a presença de Harry, Remus, Sirius e seus dois irmãos mais velhos, Bill e Charlie, que quase nunca viajavam para a Inglaterra.
Os dias foram se passando, até que finalmente a noite em que buscariam Harry chegou. Convencera os pais de comemorarem o aniversário de Ginny (que havia sido no dia anterior), Sollaria e Harry mais uma vez já que Sirius e Remus estariam chegando também.
Hermione, que chegara dois dias antes, estava ajudando a senhora Weasley a fazer a cobertura de um bolo, enquanto Sollaria abria uma carta de Sirius e Draco à mesa da cozinha.
A de Sirius havia chegado atrasada, obviamente. Era apenas uma confirmação de que chegariam às dezoito. Havia uma observação de Remus embaixo, perguntando se deveriam levar alguma coisa.
A de Draco era mais extensa.
"Cara Pimentinha,
Sollaria riu.
Draco inventava pelo menos cem apelidos aleatórios para ela por ano, o que ela passou a achar mais cômico e adorável do que realmente irritante.
"Que Baile?", é sério? Isso quer dizer que você não está sabendo de nada, então? Ora, é claro que não. Mas eu vou lhe contar, então: teremos um Baile de Inverno em Hogwarts com direito a jantar, dança, vestes a rigor e tudo! E não se preocupe, Florzinha, Draco Malfoy é muito caridoso e fará o favor de acompanhá-la ao Baile para que não tenha que pagar o mico de ir sozinha.
Ela ergueu as sobrancelhas.
Como se ela desse a mínima sobre ir sozinha ou não!
E então você me pergunta: por que teremos um Baile, meu querido príncipe lindo?
Sollaria riu. Ela nunca o chamara assim - e duvidava que havia garotas que de fato falavam daquela forma.
E eu respondo: porque, minha cara Tortinha de Abóbora, Hogwarts terá a honra de sediar o Torneio Tribruxo. Imagino que você já saiba o que isso significa."
Ignorando o novo apelido ridículo, Sollaria abaixou a carta e ficou pensativa.
Como assim Hogwarts sediaria o Torneio Tribruxo? E por que ninguém da sua família lhe contara nada a respeito daquilo?
Seu coração bateu forte.
Será que era sobre aquilo que Voldemort e Pettigrew falavam em sua visão?
- Solzinho, minha querida. - Ela ergueu a cabeça quando ouviu a voz da mãe. - Por que não vai colocando as mesas e as cadeiras lá fora com Ginny?
Ela enfiou as cartas nas vestes de qualquer jeito e apressou-se em obedecer a mãe. O tempo estava bom, constatou ela momentos depois, quando passou pela porta da cozinha arrastando duas mesas de montar.
Ao voltar para a cozinha a fim de buscar as cadeiras, olhou para o relógio na parede. Já passavam das cinco e meia - por que os garotos (Sollaria decidiu ficar para fazer companhia para Ginny e Hermione) e o pai dela ainda não haviam voltado?
Quando ia abrir a boca para reclamar, no entanto, ouviu-se um estampido vindo da sala de estar, e uma risada ecoou por todo o primeiro piso da casa.
Depois, outro ruído de alguém saindo da lareira, e mais outro. Confusa, Sollaria deu de cara com Fred, George e Rony, que agora ajudavam um Harry assustado a sair da lareira.
- O que houve? - indagou a ruiva, os olhos arregalados indo de um para o outro.
A figura de Arthur Weasley se materializou na lareira, vermelha como um tomate e muitíssimo irritada com os garotos.
- Isso não foi engraçado, meninos! Aquele garoto estava quase inconsciente quando os pais me deixaram entrar em ação!
Enquanto tirava a capa de viagem de cima dos ombros do pai, Sollaria repetiu a pergunta, esperando por uma resposta esclarecedora.
- Ora, seus irmãos... Eles pregaram uma peça naquele seu primo trouxa. O garoto ficou roxo, a língua inchada...
Ah, é claro. Os gêmeos vinham aprontando coisas engraçadas no quarto deles; aparentemente, pretendiam montar uma loja de logros e brincadeiras, e estavam fazendo... testes com seus produtos.
Para o azar de Dudley Dursley, ele havia sido escolhido como cobaia.
Ouviu Harry murmurar algo como "bem feito", mas, quando ele viu a expressão chocada no rosto da irmã, logo desviou o olhar e andou apressado para a cozinha.
Um pio veio da janela: Hedwig, a adorável e sentimental coruja de Harry, havia chegado, fazendo com que se lembrasse da carta de Draco.
Ela correu para o quarto e rabiscou uma resposta para o amigo, garantindo-lhe que não haveria necessidade de ficar preso a ela; Sollaria não achava que teria problema em ir sozinha se ele quisesse convidar alguma garota, mas, se ele precisasse de uma companhia amiga, ela ficaria mais do que contente em acompanhá-lo ao Baile de Inverno.
Por sorte, conseguiu com muito jeitinho que Percy emprestasse sua coruja, Hermes, e tudo que precisou fazer foi prometer auxiliá-lo com seus deveres ministeriais. Percy havia terminado sua educação em Hogwarts ainda no início daquele verão, e graças a Merlin, havia conseguido um estágio no Ministério. Sollaria estava muito feliz pelo irmão, afinal, era o sonho dele ingressar em uma carreira política. Infelizmente, ela parecia ser a única realmente feliz por ele. Nenhum dos outros parecia levá-lo a sério, o que ela tinha certeza que magoava muitíssimo o irmão mais velho.
Ela ficou um pouco no quarto de Percy, tentando interagir com ele e saber um pouco mais sobre seus planos para o futuro. Enquanto isso, Nyx, a gata de Sollaria, apareceu e enroscou-se no colo do rapaz.
Algum tempo depois, Remus e Sirius finalmente chegaram. Quando ouviu Harry exclamar o nome do padrinho, Sollaria ergueu-se da cama de um salto, deu um beijo no topo da cabeça do irmão mais velho e saiu correndo escada a baixo, sorridente.
- Sirius! Remus! - Ela abraçou cada um como se não os vissem havia anos.
E, de fato, era a sensação que tinha, ainda mais ao observar Sirius, que não parecia nada com a pessoa que conhecera no fim do ano letivo anterior. Se antes os cabelos dele batiam nos cotovelos, agora estavam bem curtos, mas não curto demais, de modo que uma franja caía indecentemente sobre os olhos acinzentados dele. Os dentes outrora amarelados agora eram brancos e bem tratados, e ele havia ganhado um pouco de peso. Parecia quase saudável, embora os horrores sofridos em Azkaban ainda estivessem refletidos em seu olhar.
Remus parecia mais velho do que realmente era, e tinha a aparência cansada também, embora estivesse usando roupas novas (Sollaria desconfiava que Sirius o obrigara a aceitar alguns presentes também) que lhe davam um ar mais feliz e bem cuidado.
- Estou tão feliz que conseguiram vir... Venham, vamos todos lá para fora. - Ela olhou para o irmão gêmeo, sinalizando com a cabeça. - Harry, receba os dois enquanto eu verifico os biscoitos.
Sirius franziu o cenho.
- Biscoitos? Achei que íamos comer bolo.
Rony, que estava ajudando Hermione com a louça, disse:
- Ah, e vamos. Mas você logo vai descobrir que Sollaria adora cozinhar, e ela sempre arranja uma desculpa para fazer isso. Está feliz? Coma biscoitos! Está triste? Não se preocupe, ela vai assar biscoitos pra você. Ou um bolo, quem sabe.
Sollaria abraçou o próprio corpo, as bochechas adquirindo um forte tom avermelhado.
A noite foi muito divertida; depois do jantar, brincaram de mímica, um jogo trouxa que Hermione e Remus ensinaram aos demais, até tarde da noite enquanto comiam biscoitos e tomavam leite quente.
Foi apenas quando Remus olhou para o relógio de pulso e deixou escapar uma exclamação, reclamando da hora, que Sollaria saltou do sofá e olhou de Remus para Sirius, gaguejando.
- Esperem! E-Eu preciso falar com vocês. - Sirius olhou ao redor, uma expressão confusa no rosto. - Em particular. Podemos ir lá para fora?
Os dois trocaram um olhar antes de seguirem Sollaria porta afora. Assim que se certificou de que ninguém poderia ouvi-la, deixou escapar um suspiro e, com as mãos sobre o rosto, disse, a voz abafada:
- Eu... Eu tenho algo para dizer. É que eu... hum...
- Ah, eles crescem tão rápido... Você está tentando nos dizer que gosta de garotas? - Tentou adivinhar Sirius, parecendo muito animado.
Remus e Sollaria olharam para ele como se uma segunda cabeça surgisse de seu pescoço.
Como ele poderia agir com tanta tranquilidade em momentos obviamente sérios?
- Não que eu saiba. - Aquilo acabou soando mais como uma pergunta do que como uma afirmação, embora ela tivesse um sorriso no rosto por achar graça na situação. De fato, Sollaria jamais havia parado para pensar naquilo.
Sirius fez um gesto despreoupado com a mão e abraçou-a pelos ombros.
- Tudo bem, nessa idade eu também não sabia que eu não gostava só de garotas.
Sollaria olhou instintivamente para Remus e ergueu as sobrancelhas, como se esperasse por uma reação, mas o padrinho estava ocupado esfregando a ponte do nariz, parecendo incrédulo.
- Vá direto ao assunto, por favor - murmurou o Lupin finalmente.
Sollaria piscou, esquecendo-se por um momento do que gostaria de falar.
- Ah, é. Hum... É que eu... Eu tenho... Eu tenho tido visões. - Ela arrastou os pés timidamente no gramado, ciente que os dois a olhavam com puro choque. - Do futuro e do passado, e, aparentemente, do presente também.
- Desde quando? - inquiriu Remus. - E por que está nos contando isso só agora?
- Por que nunca mencionou isso antes?
Sollaria olhou de um para o outro, sentindo-se encurralada de repente. Ela abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu.
Como ela poderia explicar que não se sentia confortável em revelar aquelas coisas a ninguém? Que preferia guardar tudo para ela, porque já tinha sido demais ter de compartilhar tudo com Dumbledore e Snape contra a própria vontade?
- E-Eu estou com medo. - Sua voz não era nada além de um sussurro. Ela ouviu ruídos secos, os quais muito provavelmente pertenciam aos gnomos que viviam no jardim. De repente, sentiu-se muito exposta. - Eu não sei o que fazer. Nada do que eu já Vi pareceu tão alarmante quanto isso. Eu só... Eu só fiquei preocupada. E eu não posso simplesmente contar essas coisas por carta. Envolve muita coisa que não tenho como provar.
Remus tinha uma expressão impassível no rosto.
- Tudo bem, Sol. Não quisemos te pressionar. Só queremos que saiba que pode contar conosco. O que é que você Viu desta vez? E o que te faz crer que não seja apenas um sonho?
Ela mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para um ponto atrás da cabeça do padrinho quando replicou:
- Porque eu já havia Visto aquele local antes. E tudo que estava sendo falado... - Ela ficou em silêncio. - Vejam, acho que Harry corre perigo.
E então ela se pôs a contar sobre o "sonho" que tivera. Sirius repentinamente adquiriu uma postura séria, interrompendo-a.
- Espere aí... Isso se parece exatamente com um sonho que Harry teve, que inclusive fez ele acordar com dor na cicatriz. Ele não te falou nada a respeito? Contatei Dumbledore imediatamente, porque me pareceu sério.
Sollaria balançou a cabeça em negação, sentindo-se um pouco traída. Por que Harry não havia lhe contado que a cicatriz doera? Ou que tivera um sonho com Voldemort?
Vendo a expressão de surpresa no rosto de Sollaria, Sirius apressou-se em dizer:
- Talvez ele tenha contado só pra mim, ou estivesse esperando o momento certo de contar a você e aos outros.
- É... Não importa - mentiu ela. - Eu só achei que vocês precisavam saber disso. Bertha Jorkins está morta, e alguma coisa horrível vai acontecer em Hogwarts este ano, e eu não acho que ele estava se referindo ao Torneio Tribruxo.
Sirius, que tinha os olhos focados em algum ponto na escuridão, de repente encarou Sollaria com as sobrancelhas erguidas, parecendo surpreso.
- Você sabe sobre o Torneio?
Ela deu de ombros.
- Malfoy me contou.
- Droga, aquele idiota estragou a surpresa - reclamou o Black, cruzando os braços e fazendo bico.
Remus revirou os olhos.
- Não tinha como ele saber que queríamos que fosse uma surpresa, Padfoot. - Ele se virou com o dedo apontado na direção de Sollaria. - Não conte nada aos outros. Molly e Arthur ficariam realmente chateados.
Sollaria estalou os dedos diante dos dois.
- Oi? Vocês estão perdendo o foco! Vocês-Sabem-Quem planejando algo? Bertha Jorkins assassinada? O Ministério sem ter ideia de nada? Harry correndo perigo? E como esse Torneio é um momento superconveniente para que algo muito perigoso aconteça e consigam fazer parecer ser um acidente?
- Droga, Sollaria... - murmurou Sirius baixinho, pensativo. - Eu não sei o que tudo isso quer dizer. Digo... O que Voldemort realmente planeja?
Sollaria sentiu o corpo todo arrepiar, embora o tempo estivesse muito quente e abafado.
- Precisamos contar a Dumbledore que Sollaria também teve a mesma visão - declarou Remus. Bem, aquilo parecia óbvio a Sollaria, embora ela tivesse planejado esperar pelo início do ano letivo. Não sabia se poderia simplesmente mandar uma carta para o diretor! Seria estranho, não seria? O fato de Remus ter começado a andar de um lado para o outro a tirou de seus pensamentos, causando-lhe certa inquietação. - Eu tenho uma pergunta.
Sollaria fez um gesto com a mão, indicando que ele prosseguisse.
- Por que e como você teve a mesma visão que Harry, embora ele jamais tivesse dito nada a respeito de outras visões... As suas visões?
Aquela era uma pergunta valendo um milhão de galeões, não era?
Sollaria jamais havia parado para pensar naquilo, mas, ainda assim, refletindo naquele momento, não sabia a resposta para aquela indagação.
- Harry já teve alguma outra visão antes? - questionou Sollaria, curiosa.
Remus olhou dela para Sirius, que respondeu:
- Não que eu saiba.
- Por quê?
- Porque eu sempre tive as minhas visões. E elas não exatamente eram sobre Você-Sabe-Quem como as de Harry. Eram mais sobre coisas do meu passado. Teve uma vez que eu Vi quando um trasgo ia entrar em Hogwarts, mas eu não sabia que era uma visão até a coisa toda acontecer.
Sirius encarava Sollaria como se ela tivesse dito que nunca ouvira Bohemian Rhapsody na vida.
- O que você quer dizer com tudo isso? - interrogou Remus, tentando não parecer chocado.
Sollaria deixou os braços caírem ao lado do corpo.
- Quero dizer que é estranho que a primeira visão de Harry tenha sido sobre algo que acontecia no exato momento em que ele estava adormecido. Ainda mais sendo sobre Vocês-Sabem-Quem.
Remus coçou o queixo, trocando um olhar com Sirius.
- Você acha que...
Qualquer que fosse a questão que seria levantada por Sirius foi interrompida pela voz da mãe de Sollaria, que abriu a janela da cozinha exigindo que entrassem logo, pois estava ficando muito tarde.
Remus olhou de um para o outro, como se dissesse "Temos muito o que conversar sobre isso ainda", e começou a andar de volta em direção à casa, Sirius em seu encalço.
Entretanto, Sollaria, que estava paralisada enquanto mil pensamentos inundavam sua mente de uma vez, de repente exclamou:
- Esperem!
Os dois bruxos se viraram para ela ao mesmo tempo. Ela correu até eles e parou, um pouco ofegante, olhando para o padrinho e para o ex-prisioneiro por um segundo a mais enquanto refletia se deveria perguntar sobre uma história que tanto a inquietava.
- Quem são os meus padrinhos que estão internados no St. Mungus?
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