Capítulo Dezesseis: Sete Minutos no Paraíso
NOTAS DA AUTORA
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Uma garota de cabelo roxo e franjinha anunciou:
- Quentin, você pergunta. Marilyn, você responde.
Quentin era um dos rapazes que estavam ao lado de Cedric quando Sollaria chegou com as bebidas apenas alguns minutos antes. Ele era alto e tinha um rosto angelical.
O sorriso malicioso que ele deu imediatamente fez com que a beleza que Sollaria vira no rosto dele se desvanecesse.
- Verdade - declarou Marilyn antes que Quentin pudesse fazer a pergunta, um longo cacho loiro bem definido caindo sobre os olhos azuis.
Um rapaz cochichou algo no ouvido de Quentin, que deu uma risadinha.
- É verdade que você fica com garotas?
Os rapazes na roda imediatamente começaram a dar risadinhas e fazer comentários idiotas.
Marilyn, quem quer que fosse, tinha a admiração de Sollaria. Ela não pareceu nem um pouco abalada ao responder, a voz suave, que sim, ela ficava com garotas.
Algumas provocações depois, a garota de cabelo roxo tornou a girar a garrafa. Tiveram muitas revelações ácidas, outras quentes e outras bem... chocantes. Houve alguns beijos, algumas pessoas se despindo e outras virando goles e mais goles de bebida alcoólica antes de enfim a garrafa girar mais uma vez e cair em Cedric.
- Eaton, você pergunta. Diggory responde.
Eaton era um rapaz de pele negra e feições muito bonitas. O rosto dele parecia pertencer a um dos deuses dos livros de mitologia que Sollaria lera no passado. Os olhos escuros dele se fixaram nela por um momento antes de se voltarem para Cedric.
- Verdade ou desafio?
- Desafio. - Cedric tomou mais um pouco de Whisky, como se não estivesse preocupado com o que quer que o rapaz impusesse a ele.
Um amplo sorriso surgiu no rosto de Eaton.
- Eu te desafio a passar sete minutos no Paraíso... com Sollaria Potter.
O sangue de Sollaria congelou, seu coração batendo mais rápido do que o normal.
Ela sabia o que aquilo significava - sete minutos no Paraíso...
A sala comunal começou a girar (ou era apenas a sua visão que estava embaçando?), e ela se sentiu tonta devido ao excesso de bebida e ao nervosismo.
Cedric olhava para ela como se fizesse uma pergunta, mas ela apenas ergueu uma das sobrancelhas - um desafio.
Ele sorriu, ficou de pé e estendeu-lhe a mão, oferecendo ajuda. Todos que participavam da brincadeira imediatamente começaram a comemorar, assoviar e dizer palavras de incentivo a Cedric.
Diggory a conduziu pela mão até o banheiro da sala comunal, e ela tinha plena consciência de que todos que estavam jogando com eles os seguiam com olhares de expectativa.
A garota de cabelo roxo vinha atrás deles. Ela pegou a chave, apagou a luz do banheiro e os trancou do lado de dentro.
Sollaria conseguia ver os pés dela do outro lado pelo espaço mínimo que havia entre o chão e a porta.
Ela deu um suspiro, encostada contra a porta.
- Bem, se é assim que eu terei o meu primeiro beijo, que seja com alguém de quem eu gosto.
Sollaria podia ver os contornos de Cedric, que se aproximava e encostava-se contra a porta ao lado dela.
- Você só pode estar de brincadeira.
Ela virou o rosto para ele, embora não pudesse enxergá-lo.
- O que foi?
- É que... - ele deu uma risada baixa, quase como se estivesse inconsciente de que o fizera -...é difícil de acreditar que você nunca beijou ninguém. Logo você.
Um vinco se formou entre as sobrancelhas de Sollaria.
- Não entendi - verbalizou ela.
Ela o observou enquanto ele passava a mão, desajeitado, pelo cabelo e dava mais uma risada nervosa.
- Caramba, Potter. Quero dizer... Você já se olhou no espelho? Se você soubesse quantos caras já vieram atrás de mim perguntar de você só esta noite...
O rosto de Sollaria ardeu como se estivesse pegando fogo. De repente, parecia que estavam envoltos em chamas, tamanho era o calor que agora emanava de seu corpo.
Ela inclinou a cabeça, tentando parecer despreocupada.
- Ah, é?
Ela cruzou as mãos atrás das costas, uma tentativa falha de tentar impedir que tremessem. Suas pernas pareciam gelatina; será que Cedric conseguia notar o nervosismo que ela desesperadamente tentava mascarar?
Os dois ficaram em silêncio por um momento.
- Não precisamos fazer isso se não quiser - sussurrou Cedric, sempre um cavalheiro.
Sollaria deixou escapar um som áspero de incredulidade do fundo de sua garganta, deu um último gole em seu Whisky de Fogo e disse:
- Ora, ora. Cedric Bonitinho Diggory vai amarelar.
Talvez fosse a curiosidade, a atração física não admitida que sentia por Cedric Diggory ou apenas o efeito do álcool em seu organismo, mas Sollaria Potter decidiu que não fugiria daquele desafio.
- Ora, cale a boca, Potter. - Cedric puxou-a pela cintura e pressionou os lábios nos dela, deixando-a tão surpresa que ela acabou derrubando o copo vazio no chão.
Ele a colocou contra a parede fria e apertou-a mais contra o corpo dele. Sollaria puxou-o mais para perto de si, passando uma das mãos pela parte de trás dos cabelos de Cedric.
Então aquela era a sensação de ser beijada?
Imaginava que talvez estivesse fazendo aquilo meio errado, ou apenas um pouco desajeitadamente, mas não era nada que poderia ser corrigido com o tempo e com alguma experiência, não?
Pelo menos, era o que esperava.
Os lábios de Cedric eram macios, e quando ele pediu passagem com a língua para dentro da boca dela, algo em seu interior queimou.
O corpo todo de Sollaria ardia em chamas enquanto Cedric passava as mãos pelas costas dela. Quando eles pararam de se beijar por um momento, Sollaria inclinou o pescoço apenas um centímetro - um convite. Um convite que Cedric aceitou imediatamente, causando em Sollaria todas as sensações possíveis que poderiam ser intensificadas pela adrenalina que sentia, pela música que vibrava por todo o seu corpo e pelo Whisky de Fogo que obnubilava seus sentidos.
Ela não sabia quanto tempo haviam ficado ali, mas, quando a garota de cabelo roxo abriu a porta em um rompante e acendeu as luzes, Sollaria viu pelo reflexo do rosto que suas bochechas haviam adquirido um tom rosado e suas pupilas estavam dilatadas.
Foi apenas depois que saíram do banheiro que Sollaria ficou consciente do que havia acabado de acontecer.
Ela havia dado seu primeiro beijo.
Ela não era mais uma criança. Não se sentia mais como uma, pelo menos. Havia tido sua primeira experiência física com alguém, e não havia achado ruim (e ela esperava que não tivesse sido horrível para Cedric).
Sollaria olhou para os rostos daqueles sentados ao redor da garrafa e lembrou-se do que Cedric dissera no banheiro.
Se você soubesse quantos caras já vieram atrás de mim perguntar de você só esta noite...
Os lábios dela se curvaram minimamente de prazer. Talvez fosse ruim para o ego, mas o que ela poderia fazer?
Só por uma noite, ela queria poder agir como uma adolescente idiota que não tinha nenhuma outra preocupação além de não ser pega nos corredores na hora de voltar para o dormitório.
Ela se virou para Cedric, um pouco aérea.
- Acho que vou tomar uma água.
Ela se encostou contra a parede com um copo cheio nas mãos, apenas observando os alunos em diferentes graus de embriaguez.
Achava que talvez não quisesse voltar a jogar aquele jogo estúpido. Estava entorpecida demais pelas sensações que embaralhavam seus pensamentos para fazer qualquer coisa naquele momento além de ficar encostada à parede e observar as pessoas em volta.
Fred e George aproximaram-se dela com expressões alegres demais para se afirmar que estavam sóbrios.
Ela comprimiu os lábios, já prevendo o que viria a seguir.
- Então é verdade, Sollaria?
- Você beijou Diggory? Em um banheiro?
- Eu esperava algo diferente vindo de você. Sei lá. Algum sonserino loiro, muito rico, família esquisita... Algo com mais... classe, sabe?
Pelo visto, ele ainda não havia perdoado a derrota da Grifinória. Quando é que ia superar?
Ela olhou de um para o outro e depois para a frente, não muito surpresa sobre como as notícias corriam rápido demais por ali.
- Ora, George, Sollaria foi criada como uma Weasley. Uma coisa que não temos é classe.
Sollaria deixou escapar um suspiro entediado.
- Vocês viram Harry por aí?
Fred pegou um Chicle de Baba e Bola do bolso e enfiou na boca, dando de ombros. George, que enchia mais um copo de Campbells' Whisky, disse:
- Acho que ele foi embora faz um tempo. Não parecia lá muito animado.
Sollaria olhou de um lado para o outro.
Onde estariam Theo, Draco e Blaise? Será que já haviam ido embora?
Imaginava se Draco teria ficado sabendo sobre ela e Cedric, se havia se importado ou não.
Balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Por que estava pensando aquilo? Por que ele deveria se importar?
Ela se forçou a prestar atenção à sua volta para deixar de pensar em Draco e em Cedric.
You Spin Me Round começara a tocar.
Sollaria olhou para os dois irmãos, o rosto iluminando-se ao ouvir o início da música. Seria uma maneira perfeita de se distrair das coisas malucas que passavam por sua mente naquele momento.
- Querem dançar comigo? Eu amo essa música.
______
Havia sido uma ótima noite. Sollaria estivera consciente de suas ações e de seus pensamentos o tempo todo; dançara e cantara com seus irmãos e Cedric, que se juntara a eles em algum momento, passando a mão pela cintura de Sollaria e erguendo o copo de Whisky de Fogo sobre a cabeça. Ele parecia um pouco embriagado, talvez muito mais que os gêmeos Weasley.
Por volta da meia-noite e meia, depois que Fred e George já haviam desaparecido com outros grifinórios, Sollaria e Cedric ficaram juntos na pista de dança, cantando a plenos pulmões What is Love, a música do momento e que tocava o tempo todo na Rede Radiofônica Bruxa.
Ela havia voltado a beber, devagar e em pequenas quantidades, assim que percebera que estava completamente sã novamente. Ainda que estivesse bebendo, no entanto, mantinha a atenção toda em Cedric, que parecia animado e despreocupado demais para estar, de algum modo, sóbrio.
I Was Made For Lovin' You tocava agora, o que mudara completamente o clima na pista de dança.
Apesar de ser do gênero rock, a letra transmitia paixão e devoção - e uma emoção intensa, que poderia ser capaz de desequilibrar os sentidos de uma pessoa que se deixasse levar pelas sensações que aquela música emanava.
Uma pessoa como Cedric Diggory, que não estava exatamente em seu juízo perfeito naquele momento.
Sollaria havia pegado a mão do amigo e balançava-a de um lado para o outro, olhos nos olhos, ambos rindo sem parar.
Uma garota inocente e inexperiente - era isso que Sollaria Potter era. Ela não sabia o que era um olhar desprovido de sobriedade, de razão e consciência - um olhar de evidente desejo e admiração.
Cedric puxou-a pela cintura, unindo seus corpos um ao outro. Ela podia sentir uma das mãos dele em suas costas, a testa levemente suada encostada à sua.
Sollaria podia sentir o hálito quente de Cedric, que parecia pensar por um momento se deveria ou não fazer o que planejava.
- Cedric - sussurrou ela, apesar da tensão pungente entre eles. - Você não está pensando direito.
- Poderíamos fingir apenas por uma noite - replicou ele baixinho, os lábios a centímetros dos dela. Sollaria conseguia senti-los tocando-lhe a bochecha. - Apenas por esta noite. Que não nos conhecemos. Que não somos amigos. Que não somos Cedric Diggory e Sollaria Potter. Depois de hoje, podemos fingir que isso nunca aconteceu.
Ele era apenas um rapaz de dezesseis anos. Não sabia muito sobre a vida. Não sabia em que estava se metendo e em que saia justa estava colocando os dois naquele momento.
Em breve, no dia dezessete de outubro, faria dezessete anos. Seria, então, um pouco velho demais para Sollaria, não seria? Seriam três anos de diferença separando-os. Ela havia acabado de passar ela experiência de seu primeiro beijo. Havia acabado de entrar na fase da adolescência, enquanto ele já estava no fim dela, a um passo de se tornar uma pessoa maior de idade.
Aquilo - ela e Cedric - não poderia dar certo. Ela não estava preparada para se colocar em uma situação como aquela. Não estava preparada para se entregar por inteiro a uma pessoa, mesmo que a pessoa em questão fosse Cedric Diggory. Ela não gostava dele... Não daquela maneira.
Mas poderia aprender a amá-lo, pensou.
Seria muito fácil amar Cedric Diggory.
Ela passou o polegar pela bochecha dele.
- Por favor - sussurrou ele.
Ela podia sentir o cheiro de Whisky de Fogo no hálito dele, e ela sabia que eles tinham gosto do álcool e de chiclete de morango, porque já havia provado deles.
E havia gostado.
Apenas por aquela noite...
- E nunca mais falaremos disso - completou ela, também em um sussurro.
Ela pressionou os lábios contra os dele, permitindo-se apreciar a sensação de seus corpos colados um no outro, a forma como a mão dele passeava por seu corpo enquanto a outra se perdia em seus cabelos. Os lábios dele eram macios e o beijo era gentil, mas intenso.
Sollaria Potter era como um livro que Cedric Diggory estava desesperado para ler. Aquele beijo não estava se parecendo em nada com o beijo que deram no escuro do banheiro, com Sollaria nervosa embaixo de Cedric. Antes, parecia que Cedric queria oferecer a ela algo doce e gentil em um campo ainda inexplorado por ela. Agora, ele parecia querer explorá-la de alguma forma.
Ela não sabia se estava gostando daquilo.
Depois de um tempo, quando enfim se separaram, ela pareceu compreender o que estava motivando Cedric a agir daquela forma. Percebeu, ao olhar no fundo dos olhos do rapaz e facilmente ultrapassar as barreiras desprotegidas da mente dele, que não, ele não exatamente queria que aquilo desse certo. Ele não a queria. Não queria Sollaria Potter.
Cedric Diggory apenas estava perdido. Tinha um coração partido e precisava de alguém para consertá-lo para ele.
Ela não poderia ser esta pessoa. Não quando o coração dela própria também estava estilhaçado, e ela ainda estava juntando seus cacos.
Ela poderia ser um ombro amigo. Poderia apoiá-lo... Mas ela não poderia ser a pessoa que ele precisava. Ela não poderia dar seu coração para Cedric, porque apesar de a pessoa certa ainda não ter-lhe reivindicado, ela simplesmente sabia - sabia que o coração dela não era de Cedric para que ele pudesse chamá-lo de seu.
- Eu não posso preencher o seu vazio dessa forma, Ced. - Ela encostou a testa na dele e entrelaçou as mãos dos dois uma na outra. - Sou sua amiga. Posso lhe oferecer meu ombro, mas não posso lhe entregar meu coração dessa forma. Eu não sou a pessoa certa para isso e você sabe.
Ele abaixou a cabeça, como se compreendesse parcialmente. Ele não estava sendo razoável, e Sollaria tinha consciência disso; o cheiro do álcool que emanava por todos os poros de Cedric pareciam querer se certificar de que ela não se esquecesse disso.
- Acho que está na hora de eu ir embora. - Ela se afastou e encarou-o nos olhos. - Você deveria... Você deveria beber bastante água e ir se deitar, Ced. Amanhã será um novo dia.
Ela beijou a bochecha dele com delicadeza e tirou o copo de bebida da mão dele, despejando todo o Whisky de Fogo no copo dela.
Sollaria conjurou água dentro do copo dele e entregou-lhe.
- Tome. É água. Beba tudo e vá se deitar, tudo bem?
Ela apertou a mão de Cedric, que ainda não havia dito nada.
- Nos vemos segunda-feira de manhã?
Deu um curto aceno para ele e, sem esperar uma resposta, saiu pelo amplo buraco circular que a levaria de volta para o porão.
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