Capítulo Dezenove: A Aula do Professor Moody
NOTAS DA AUTORA
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Sollaria segurou a mão de Draco por baixo da carteira até o momento em que o professor chegou, chutando a porta com tanta violência que ela se sobressaltou e, assustada, largou a mão do amigo.
- Podem guardar isso - rosnou o professor enquanto se apoiava na escrivaninha para se sentar. - Não vão precisar deles.
Os alunos guardaram seus exemplares de As Forças das Trevas: um Guia para Sua Proteção, todos obviamente excitados para o que viria a seguir.
Moody apanhou a folha de chamada, sacudiu sua longa juba de cabelos grisalhos para afastá-los do rosto contorcido e marcado, e começou a chamar os nomes, seu olho normal percorrendo a lista e o olho mágico girando, fixando-se em cada aluno quando ele respondia.
- Certo, então - concluiu ele, quando a última pessoa confirmara presença. - Tenho uma carta do professor Lupin sobre esta turma. Parece que vocês receberam um bom embasamento para enfrentar criaturas das trevas, estudaram bichos-papões, barretes vermelhos, hinky punks, grindylows, kappas e lobisomens, correto?
Houve um murmúrio geral de concordância.
- Mas estão atrasados, muito atrasados, em maldições - disse Moody. - Então, estou aqui para pôr vocês em dia com o que os bruxos podem fazer uns aos outros. Tenho um ano para lhes ensinar a lidar com as forças das...
- Quê, o senhor não vai ficar? - deixou escapar Rony, que estava sentado mais adiante.
Do que isso importava? Moody era claramente louco. Aquilo não era um assunto para quartanistas. Maldições eram conteúdo de N.I.E.Ms!
O olho mágico de Moody girou para se fixar em Rony; o garoto ficou extremamente apreensivo, mas, passado um instante, o professor sorriu. Rony pareceu profundamente aliviado.
- Você deve ser filho de Arthur Weasley? - disse Moody. - Seu pai me tirou de uma enrascada há alguns dias... é, vou ficar apenas este ano. Um favor especial a Dumbledore... um ano e depois volto ao sossego da minha aposentadoria.
Ele deu uma risada áspera e então juntou as palmas das mãos nodosas.
- Então... vamos direto ao assunto. Maldições. Elas têm variados graus de força e forma. Agora, segundo o Ministério da Magia, eu devo ensinar a vocês as contramaldições e parar por aí. Não devo lhes mostrar que cara têm as maldições ilegais até vocês chegarem ao sexto ano. Até lá, o Ministério acha que vocês não têm idade para lidar com elas. Mas o professor Dumbledore tem uma opinião mais favorável dos seus nervos e acha que vocês podem aprendê-las, e eu digo que quanto mais cedo souberem o que vão precisar enfrentar, melhor. Como vão se defender de uma coisa que nunca viram? Um bruxo que pretenda lançar uma maldição ilegal sobre vocês não vai avisar o que pretende. Não vai lançá-la de forma suave e educada bem na sua cara. Vocês precisam estar preparados. Precisam estar alertas e vigilantes. A senhorita deve guardar isso, senhorita Brown, enquanto eu estiver falando.
Lavender Brown levou um susto e corou. Ela estava mostrando algo à amiga por baixo da mesa. Aparentemente o olho mágico de Moody podia ver através da madeira, tão bem quanto pela nuca.
- Então... algum de vocês sabe que maldições são mais severamente punidas pelas leis da magia?
Vários braços se ergueram hesitantes, inclusive os de Rony e Hermione.
Sollaria conhecia muito bem as Maldições Imperdoáveis, as quais o professor se referia, mas ela não queria responder à pergunta. Algo incômodo parecia ter-se formado em sua garganta.
Moody apontou para Rony, embora seu olho mágico continuasse mirando Lavender Brown.
- Hum - disse Rony sem muita certeza -, meu pai me falou de uma... chama Maldição Imperius ou coisa assim?
A perna de Sollaria começou a mexer ligeiramente, como se não conseguisse se conter. A garota se sentia muito sufocada de repente.
Por que o dia estava tão quente e abafado?
Ela olhou para as janelas. Todas estavam abertas.
Ela sentiu um filete de suor descendo pela sua coluna.
- Ah, sim - disse Moody satisfeito. - Seu pai conheceria essa. Certa vez, deu ao Ministério muito trabalho, essa Maldição Imperius.
Moody se apoiou pesadamente nos pés desiguais, abriu a gaveta da escrivaninha e tirou um frasco de vidro. Três enormes aranhas pretas corriam dentro dele.
Sollaria não olhou para Rony, que detestava aranhas, para ver a reação dele. Estava muito ocupada balançou a perna por baixo da mesa para se incomodar. Draco pareceu notar sua inquietação, porque olhou para ela de soslaio antes de voltar os olhos para o professor.
Moody meteu a mão dentro do frasco, apanhou uma aranha e segurou-a na palma da mão, de modo que todos pudessem vê-la.
Apontou, então, a varinha para o inseto e murmurou "Imperio!".
A aranha saltou da mão de Moody para um fino fio de seda e começou a se balançar para a frente e para trás como se estivesse em um trapézio. Esticou as pernas rígidas e deu uma cambalhota, partindo o fio e aterrissando sobre a mesa, onde começou a plantar bananeiras em círculos. Moody agitou a varinha, e a aranha se ergueu em duas patas traseiras e saiu dançando um inconfundível sapateado.
Todos riram - todos exceto Moody, Draco e Sollaria.
Draco e Sollaria trocaram um olhar.
Não me sinto bem.
Sua voz era como um sussurro na mente de Draco, que apenas tocou seu joelho, como se tentasse reconfortá-la.
- Acharam engraçado, é? - rosnou ele. - Vocês gostariam se eu fizesse isso com vocês?
As risadas pararam quase instantaneamente.
Um arrepio percorreu a espinha de Sollaria.
- Controle total - disse o professor em voz baixa, quando a aranha se enrolou e começou a rodar sem parar. - Eu poderia fazê-la saltar pela janela, se afogar, se enfiar pela garganta de vocês abaixo... Há alguns anos, havia muitos bruxos e bruxas controlados pela Maldição Imperius - disse Moody, e ficou claro que ele estava se referindo ao tempo em que Voldemort estivera tocando o terror por aí. - Foi uma trabalheira para o Ministério separar quem estava sendo forçado a agir de quem estava agindo por vontade própria.
"A Maldição Imperius pode ser neutralizada, e vou-lhes mostrar como, mas é preciso força de caráter real e nem todos a possuem. Por isso é melhor evitar ser amaldiçoado com ela se puderem. VIGILÂNCIA CONSTANTE!", vociferou ele, e todos os alunos se assustaram.
Moody apanhou a aranha acrobata e atirou-a de volta ao frasco.
- Mais alguém conhece mais alguma? Outra maldição ilegal?
A mão de Hermione voltou a se erguer e, desta vez, a de Neville também. Algo pesou no estômago de Sollaria. Os pais de Neville, que eram padrinhos dela, estavam internados no Hospital St. Mungus porque haviam sido muito torturados com a Maldição Cruciatus, a ponto de chegarem à loucura e se tornarem incapazes de reconhecerem até mesmo a si próprios.
A única aula em que Neville normalmente voluntariava informações era a de Herbologia, que era, sem favor algum, a matéria que ele sabia melhor. O garoto pareceu surpreso com a própria ousadia.
- Qual? - perguntou Moody, seu olho mágico dando um giro completo para se fixar em Neville.
- Tem uma, a Maldição Cruciatus - disse Neville, numa voz fraca, mas clara.
Moody olhou Neville com muita atenção, desta vez com os dois olhos.
- O seu sobrenome é Longbottom? - perguntou ele, o olho mágico girando para verificar a folha de chamada.
Sollaria não gostou muito daquela pergunta. Como se quisesse esclarecer que ele sabia. Neville não precisava ser lembrado daquela tragédia toda vez que entrasse em sala de aula.
Neville confirmou, nervoso, com a cabeça, mas o professor não fez outras perguntas. Tornando a voltar sua atenção à classe, ele meteu a mão no frasco mais uma vez, apanhou outra aranha e colocou-a no tampo da escrivaninha, onde o inseto permaneceu imóvel, aparentemente demasiado assustado para se mexer.
Uma sensação ruim apoderou-se do corpo de Sollaria. O queixo dela tremeu.
Ela sabia o que iria acontecer.
Ela lançou um olhar na direção de Neville, apenas para confirmar se ele também havia previsto o que viria a seguir.
- A Maldição Cruciatus - começou Moody. - Preciso de uma maior para lhes dar uma ideia - disse ele, apontando a varinha para a aranha. - Engorgio!
A aranha inchou. Estava agora maior do que uma tarântula.
O professor tornou a erguer a varinha, apontou-a para a aranha e murmurou:
- Crucio!
Na mesma hora, as pernas da aranha se dobraram sob o corpo, ela virou de barriga para cima e começou a se contorcer horrivelmente, balançando de um lado para outro. Não emitia som algum, mas Sollaria sabia que caso tivesse voz, estaria berrando. Moody não afastou a varinha e a aranha começou a estremecer e a se debater violentamente...
Sollaria sentiu vontade de colocar o almoço para fora. A garganta se fechou e ela não conseguia respirar ou dizer nada, tamanha era a agonia em presenciar aquela cena, seu olhar correndo de Neville, que agora tinha as mãos firmes na beira da carteira diante dele, os nós dos dedos já brancos, para a aranha, e da aranha para o professor, cujos lábios pareciam curvar-se de leve em um sorriso estranhamente perturbador.
- Pare! - gritou Hermione finalmente, a voz soando estridente. - Não percebe o quão perturbador isso está sendo para ele?
Sollaria não precisava olhar para a amiga para saber que ela se referia não à aranha, mas a Neville. Os olhos do garoto estavam arregalados e fixos na aranha como se pudesse ver além dela, e Sollaria soube que ele estava pensando na tragédia que destruiu sua família.
Moody ergueu a varinha. As pernas da aranha se descontraíram, mas ela continuou a se contorcer.
- Reducio - murmurou Moody, e a aranha encolheu e voltou ao tamanho normal.
Ele a repôs no frasco.
- Dor - explicou o professor em voz baixa. - Não se precisa de fogo nem de facas para torturar alguém quando se é capaz de lançar a Maldição Cruciatus... ela também já foi muito popular.
"Certo... mais alguém conhece alguma outra?"
Um silêncio tenso recaiu sobre a sala de aula.
Sollaria olhou para as mãos sobre o colo, como se de repente elas tivessem se tornado muitíssimo interessantes.
Todos ali (ou pelo menos a maioria) sabiam o que aconteceria à terceira aranha.
Sollaria viu pelo canto do olho quando a mão de Hermione se ergueu pela terceira vez, tremendo levemente.
- Sim! - disse Moody olhando-a.
- Avada Kedavra - sussurrou a garota.
Ela havia previsto os vários olhares sobre si, é claro. Sobre ela e Harry, que estivera presente na noite em que os pais deles haviam sido assassinados.
Moody não pareceu perceber a atenção de todos sobre os dois.
- Ah - exclamou Moody, outro sorrisinho torcendo sua boca enviesada. Qual era o problema daquele homem? - Ah, a última e a pior. Avada Kedavra... a Maldição da Morte.
Ele enfiou a mão no frasco e, quase como se soubesse o que a esperava, a terceira aranha correu freneticamente pelo fundo do objeto, tentando fugir aos dedos de Moody, mas ele a apanhou e a colocou sobre a escrivaninha. O inseto começou a correr, desvairado, pela superfície de madeira.
Moody ergueu a varinha.
Sollaria virou o rosto para o outro lado e fechou os olhos com força, como se aquilo pudesse impedir a sensação horrível que se apossava dela de se manifestar.
- Avada Kedavra! - berrou Moody dramaticamente.
Houve um relâmpago de ofuscante luz verde e um rumorejo, como se algo vasto e invisível voasse pelo ar - instantaneamente a aranha virou de dorso, sem uma única marca, mas inconfundivelmente morta.
Moody empurrou a aranha morta para fora da mesa.
- Nada bonito - disse calmamente, preenchendo o silêncio que se instaurara. - Nada agradável. E não existe ContraMaldição. Não há como bloqueá-la. Somente uma pessoa no mundo já sobreviveu a ela, e essa pessoa está sentada bem aqui na minha frente.
Todos olharam para Harry, embora ele mantivesse o olhar fixo no quadro-negro, parecendo disposto a ignorá-los como se a lousa limpa fosse a coisa mais interessante do mundo.
Sollaria encarou o perfil do irmão gêmeo; sabia o que ele poderia estar pensando, na forma como os pais haviam morrido. É claro que ele nunca havia aberto um livro sequer sobre a história da própria família... Não seria Harry se ele tivesse feito o contrário.
- Avada Kedavra é uma maldição que exige magia poderosa para lançá-la, vocês podem apanhar as varinhas agora, apontá-las para mim, dizer as palavras e duvido que consigam sequer que o meu nariz sangre. Mas isto não importa. Não estou aqui para ensiná-los a lançá-la.
Ufa, pensou Sollaria ironicamente, refreando a vontade de revirar os olhos. Ainda bem.
"Ora, se não há uma ContraMaldição, por que estou lhes mostrando essa maldição? Porque vocês precisam conhecê-la. Vocês têm que reconhecer o pior. Vocês não querem se colocar em uma situação em que precisem enfrentála. VIGILÂNCIA CONSTANTE!", berrou ele e a turma inteira tornou a se sobressaltar.
"Agora... essas três maldições, Avada Kedavra, Imperius e Cruciatus, são conhecidas como as "Maldições Imperdoáveis". O uso de qualquer uma delas em um semelhante humano é suficiente para ganharem uma pena de prisão perpétua em Azkaban. É isso que vão ter que enfrentar. É isso que preciso lhes ensinar a combater. Vocês precisam estar preparados. Vocês precisam de armas. Mas, acima de tudo, precisam praticar uma vigilância constante, permanente. Apanhem suas penas... copiem o que vou ditar..."
Os alunos passaram o resto da aula tomando notas sobre cada uma das Maldições Imperdoáveis.
Ninguém falou até a sineta tocar - mas quando Moody os dispensou e eles saíram da sala, quase todos explodiram em um falatório irrefreável. A maioria dos alunos discutia as Maldições em tom de assombro:
"Você viu ela se contorcendo?"
"...E quando ele matou a aranha - assim!".
- Sim, foi muito fascinante mesmo ver um ser indefeso ser controlado, torturado e depois morto - comentou Sollaria friamente com Draco, com a intenção de que os garotos que estavam mais à frente ouvissem. - Às vezes me pego pensando se todos achariam legal se isso acontecesse com alguém que conhecem.
- O pessoal daqui não tem o mínimo de tato. - Draco deixou escapar um suspiro enquanto puxava a alça da mochila. - Andem logo - ralhou ele com impaciência, empurrando dois dos alunos que falavam sobre a aula em tom de assombro para que ele pudesse passar com Sollaria. - Idiotas.
Assim que desceram um lance de escada, Sollaria parou. Draco, que estava alguns degraus abaixo, virou-se para ela.
- O que foi?
Ela mordeu o lábio inferior e olhou para uma figura parada diante de uma das janelas, os olhos claros desfocados como se estivesse entorpecido.
Ah, Neville...
Ela voltou-se para Draco.
- Você deveria ir em frente. Eu já te alcanço.
Draco acenou positivamente com a cabeça e saiu.
Ela colocou a mão sobre o ombro de Neville, que deu um sobressalto.
- Desculpe. - Houve um momento de silêncio em que ela pensava no que poderia dizer. - Não vou perguntar se está tudo bem, porque é uma pergunta sem sentido. Eu sei que não está. Então - ela suspirou, e olhou para o próprio reflexo na janela -, vim te fazer companhia.
Era como se o que ela estivesse vendo de Neville fosse apenas uma casca. Ele estava ali, mas também não estava. Ele não esboçava nenhuma reação, nem mesmo um sorriso. Apenas olhava pela janela, pensativo.
Depois de algum tempo, ela ouviu um quase inaudível "obrigado". Abrira a boca para perguntar se ele precisava de alguma coisa, mas fora interrompida por Hermione, Rony e Harry, que também pareciam ter percebido o comportamento de Neville.
- Neville? - indagou Hermione, olhando do garoto para Sollaria, como se esperasse uma resposta.
A ruiva deu de ombros, como se não soubesse de nada também. Não era um segredo dela para ser compartilhado.
- Ah, alô - replicou Neville com a voz anormalmente aguda.
- Neville, você está bem?
- Ah, claro, estou ótimo - balbuciou o garoto. - Eu só não...
Mas ele se interrompeu quando ouviram às costas um som seco e metálico estranho e, ao se virarem, viram o professor Moody vindo em sua direção. Os cinco ficaram em silêncio, observando-o apreensivos, mas quando o auror falou, foi com um rosnado bem mais baixo e gentil do que tinham ouvido até então.
- Está tudo bem, filho - disse ele a Neville. - Por que não vem até a minha sala? Vamos... podemos tomar uma xícara de chá...
Neville ficou ainda mais assustado ante a perspectiva de tomar chá com Moody.
Ele não se mexeu nem falou nada.
Moody virou o olho mágico para Harry.
- Você está bem, não está, Potter? - Ele se virou para Sollaria. - E você, garota?
- Estou - responderam os dois Potter ao mesmo tempo.
Até parece que eu diria algo àquele maluco, pensou ela, ainda amargurada pela transfiguração de Draco em uma doninha.
O olho azul de Moody estremeceu de leve na órbita ao examinar Harry mais uma vez.
Então falou:
- Vocês têm que saber. Parece cruel, talvez, mas vocês têm que saber. Não adianta fingir... bom... venha, Longbottom, tenho uns livros que podem lhe interessar.
Neville olhou suplicante para os outros quatro, mas eles não disseram nada, de modo que o garoto não teve escolha senão se deixar conduzir, uma das mãos nodosas de Moody em seu ombro.
- Que foi que houve? - perguntou Rony, observando Neville e Moody virarem para outro corredor.
- Não sei - disse Hermione, parecendo pensativa. Ela se virou para Sollaria. - Você sabe de algo?
- Sei - respondeu Sollaria, porque decidiu que era melhor não mentir. - Mas não posso dizer o que é. Não é um segredo meu. Se Neville nunca contou para ninguém, acho que não cabe a mim dizer nada.
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