Capítulo Cinco: Os Preparativos para a Copa
NOTAS DA AUTORA
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Quando a mãe de Sollaria despertou-a no meio da madrugada, alegando que deveria começar a se aprontar e descer para o café a manhã, a garota apenas resmungou e virou-se para o outro lado.
- Agora, Sollaria. Ou vai perder a Copa!
A Potter bufou.
Ela queria mesmo ir ao jogo? Estava mesmo disposta a interagir com os irmãos, que haviam a desrespeitado completamente na noite anterior?
Sirius estará lá, assim como Remus, lembrou-se. Cedric, Astória... e Draco também.
- Bom dia - murmurou para Hermione em meio a um bocejo.
A morena esfregava os olhos, sentada em seu colchão aos pés da cama de Sollaria.
- Dia, Sol - replicou a grifinória com a voz rouca.
Sollaria se arrastou preguiçosamente até o banheiro, lavou o rosto e encarou o próprio reflexo no espelho.
Rindo com certa incredulidade, lembrou-se dos absurdos que lhe foram jogados na cara na noite anterior.
Por que aqueles tontos não podiam apenas... acreditar na capacidade de Draco de ser uma boa pessoa para ela? Por que tudo tinha que caminhar em direção a um possível relacionamento? Se ele gostasse mesmo dela, não teria dito algo quando tivera a chance?
Enquanto escovava os dentes, colocou o rosto para fora e notou que Ginny ainda dormia. Hermione estava procurando algo para vestir em seu malão aberto.
- Vê se acorda, Ginny. Não vai nos fazer perder a hora, ou vai? Você ainda tem que terminar de organizar as coisas que vai colocar na sua mochila!
A mais nova ergueu o pescoço, o rosto cheio de sardas amassado e com a marca do travesseiro na bochecha direita.
- Ora, Sollaria, pelas cuecas de Merlin, tenha paciência. Você nem tomou banho ainda, e Hermione pode ir antes de mim. Quando desocupar o banheiro, Mione, você me chama. - E voltou a dormir.
Sollaria saiu do banho com a toalha enrolada ao redor do corpo (Hermione entrou logo em seguida no banheiro) e procurou algo apropriado para vestir. Provavelmente tirariam fotos durante a partida e talvez no acampamento também, então decidiu que deveria ir um pouco mais arrumada.
- Vamos estar no camarote de honra. - Ela jogou algumas blusas sobre a cama para escolher melhor. Ginny fingiu não ouvir o aviso. - Vê se não vai parecendo um bicho, hein?
No fim, colocou uma calça jeans de cintura alta e pernas largas e uma blusa verde justa e curta de alças finas que pareciam combinar bem com um tênis preto desgastado que estava jogado no fundo de seu baú.
- Eu estou quase pronta, Ginny - anunciou a garota enquanto prendia a franja com elásticos transparentes no topo da cabeça, deixando alguns fiozinhos soltos na frente. - Vou só passar um gloss e um blush, e acho que estarei pronta.
Gemendo de irritação por estar sendo obrigada a acordar cedo, a mais nova lançou-lhe um olhar questionador enquanto observava o reflexo de Sollaria através do espelho.
- Desde quando você se arruma assim? Passa maquiagem?
Sollaria apenas deu um sorrisinho cínico.
Bem, haverá um Baile, refletiu. Precisava aprender alguns truques até lá.
- Diferente do que pensa - Sollaria fez uma pausa para passar gloss -, eu gosto de me arrumar, tá legal?
Ginny deu uma risada de deboche.
- Desde quando você se importa com essas coisas?
Era injusto com ela o fato de Ginny implicitamente acusá-la de não se cuidar, quando Sollaria sempre demonstrava aprender coisas novas sobre cuidados com as sobrancelhas, cabelos e unhas.
Ela parou para pensar em uma resposta apropriada.
Desde que garotas malvadas começaram a deixar comentários malvados sobre mim na porta do banheiro?
Desde que notei que praticamente todas as garotas bonitas de Hogwarts são estilosas e vaidosas?
Desde que... desde que os garotos começaram a falar sobre quem consideravam bonitas?
Não importava. Esse tipo de coisa não valia a pena ser discutido.
Sollaria passou um pouco de perfume no pescoço e então disse, um tom de advertência em sua voz:
- Não se atrase.
Enfiou o resto dos acessórios e produtos de beleza na mochila que levaria para o acampamento e saiu do quarto, deixando uma Ginny Weasley muito confusa para trás.
Quando chegou ao andar de baixo, encontrou Fred e George debruçados sobre a mesa da cozinha, parecendo sonolentos.
Assim que viram Sollaria, ambos ergueram a cabeça e encararam-na surpresos.
- Está vendo isso, George? - inquiriu Fred.
O outro colocou a mão sobre o peito e fingiu secar uma lágrima.
- Elas crescem tão rápido.
Revirando os olhos, Sollaria se sentou diante deles e olhou para as próprias unhas.
Esperava do fundo do coração que eles simplesmente deixassem o acontecido do dia anterior para trás e não o mencionassem outra vez, mas, com a sorte que tinha, ela não tinha tanta certeza de que aquilo seria possível.
Rony e Harry chegaram juntos uns cinco minutos depois, e Hermione logo em seguida, tagarelando animadamente atrás dos garotos.
Ginny foi a última a aparecer, usando uma blusa azul escura larga, calças jeans de cintura alta rasgadas nos joelhos e um tênis vermelho velho, seus cabelos cor de fogo presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça.
- Onde estão os outros, hein? - perguntou ela, sentando-se ao lado de Fred.
- Dormindo, é claro - replicou a mãe, vindo do andar superior. - Os ovos com bacon já estão prontos, crianças.
Rony xingou.
- Por que é que eles estão dormindo?
- Porque eles podem aparatar, oras - respondeu Sollaria enquanto passava as mãos pelo comprimento do cabelo distraidamente.
Todos os presentes gemeram de frustração.
- Por que será que eles não fazem uma aparatação acompanhada com a gente? Assim, não teríamos que acordar tão cedo - questionou Rony, irritado, enquanto rasgava seu bacon com uma mordida nada educada.
- Nunca tive tanta inveja de Bill, Charlie e Percy como tenho agora - dramatizou George.
- Só porque eles podem aparatar? O que tem a ver? - Harry olhava confuso de George para Sollaria, esperando uma explicação que ele sabia que a irmã daria.
Ela piscou. Às vezes, Harry era um pouco lerdo demais para o próprio bem.
- Isso quer dizer que os três irão nos encontrar mais tarde, pois vão aparatar daqui direto pra lá. Nós teremos que caminhar até uma Chave de Portal.
Ginny, que roubava um bacon do prato de Sollaria, comentou em um murmúrio entediado:
- Pelo menos vamos nos encontrar com Diggory no meio do caminho. Eu adoro ver gente bonita e educada.
O senhor Weasley desceu as escadas, ajeitando os óculos na ponta do nariz. Ele era o único que parecia verdadeiramente animado e desperto. Sentou-se em seu lugar à ponta da mesa e começou a comer os ovos que a esposa servira para ele.
Quando Molly surgiu ao lado do marido, passando as mãos carinhosamente pelo ombro dele, ela observou Fred com o cenho franzido e indagou, desconfiada:
- Fred, o que é isso saindo da barra da sua calça?
O rapaz fez uma cara inocente e disse:
- Não tenho ideia do que está falando, mamãe.
Contudo, a mulher, conhecendo o filho que tem, insistiu na história. Fred teimou até o fim, quando a mãe teve que tomar medidas drásticas. Sacando a varinha, ordenou:
- Accio! Accio! Accio!
Diversos docinhos produzidos pelos gêmeos saíam dos lugares mais inesperados; foi uma briga sem fim e, no final, Molly Weasley jogou todos os produtos dos filhos fora. Estes, por sua vez, saíram sem se despedir da mãe.
Antes de atravessar o portal da cozinha, foi a vez de implicar com Sollaria.
- Sollaria, querida, vá colocar um sutiã.
Sollaria olhou para baixo.
- Ah, mamãe, essa blusa se usa sem sutiã.
Ginny, que ouvia tudo, veio em defesa da irmã.
- É, mamãe. Estes são os anos noventa. Ninguém usa sutiã o tempo todo.
Ainda nervosa pela discussão com os gêmeos, a mãe insistiu.
- Não interessa. Haverá muitos rapazes e homens lá. Vá colocar um sutiã, ou troque essa blusa por uma mais folgada.
Aborrecida, Sollaria obedeceu. Sem precisar olhar para trás, simplesmente sabia que Ginny estava a seguindo escada a cima.
No quarto, vestiu uma camiseta azul bem larga e desbotada que Bill deixara n'A Toca da última vez que os visitara. Ao se olhar no espelho, sentiu-se desconfortável com a própria aparência.
Percebendo a expressão no rosto da mais velha, Ginny rapidamente sugeriu:
- O que acha de usar o vestido que Astória te deu? Você fica tão bonita com ele!
Sollaria inclinou a cabeça para o lado, pensativa. Enquanto tirava a blusa por cima da cabeça, decidiu que talvez Ginny estivesse certa.
A mais nova ajudou-a a amarrar as alças nos ombros e sugeriu que ela colocasse um short por baixo.
- Você sabe que é o que mamãe vai mandar você fazer.
Sollaria riu, sabendo que a irmã estava certa.
- Acho que vou levar protetor solar também, o que acha?
Antes de descer, olhou-se uma última vez no espelho. Ginny abraçou-a por trás e encostou a cabeça na parte de trás de seu ombro.
- Você é tão bonita, Sol. Quero ser como você um dia.
Os olhos de Sollaria adquiriram um brilho de emoção, o coração batendo forte com o sentimento de amor e carinho que parecia até mesmo... transbordar dentro dela. Como amava Ginny... Amava-a mais do que tudo naquele mundo.
As duas se encararam através do espelho, em silêncio.
Ginny se afastou e saiu do quarto, e então Sollaria analisou (agora realmente da última vez) sua aparência no espelho.
Sorriu para o próprio reflexo, deixando escapar uma lágrima.
Passou a mão delicadamente sobre o rosto, em um sinal de autorreconhecimento - porque agora ela entendia...
Sollaria finalmente entendia o que Ginny tentava lhe dizer - ao se encarar no espelho, encontrou a pessoa que Ginny enxergava quando olhava para ela.
E Sollaria encontrou beleza naquilo que viu.
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