Capítulo Seis: As Maldições Imperdoáveis


NOTAS DA AUTORA

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Querido Diário,

Faz um tempo que eu não escrevo para você. Mas é porque a minha vida tem sido corrida e meio monótona ao mesmo tempo. Não tive muito sobre o que escrever... Até agora.

Draco e eu tivemos uma pequena discussão. Como pedido de desculpas, ele me deu uma Firebolt. Uma Firebolt! Como poderia eu retribuir um presente desses? Ah, Diário...

Falando em Draco, você não sabe as coisas que eu li na porta do banheiro depois disso... Eis alguns exemplos:

Sollaria Potter é uma p****.

Sollaria Potter é uma oferecida!

Draco Malfoy é meu, sua vadiazinha ruiva!

Eu sinceramente tento não me importar, mas é difícil. Ando com Draco quase o tempo todo e sei que, por ele ser atraente, as garotas vão se irritar comigo, apesar de eu achar uma grande bobeira alguém chegar ao nível de dizer coisas tão baixas sobre mim.

Sollaria H. Potter
17/09/1993"

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O aniversário de catorze anos de Hermione seria em dois dias, e o presente que Sollaria encomendara para a amiga estava previsto para chegar já havia alguns dias. Era sexta-feira, e ela precisava que chegasse no máximo até aquela manhã.

Quando avistou a revoada de corujas que surgia do teto, suspirou aliviada. Uma coruja marrom e gorda pousou em sua cabeça e despejou um pacote de cor parda em seu colo. Sollaria pegou dois sicles no bolso das vestes e deu a Draco para que ele colocasse no envelope preso à perna da ave. Assim que recebeu o pagamento, ela alçou voo e sumiu.

- O que foi isso? - indagou Draco, rindo e passando a mão pelos cabelos de Sollaria para ajeitá-los.

- O presente de Hermione. - Ela fez carinho na caixa. - Agora ela tem catorze anos e finalmente pode ler livros de distopias para maiores de catorze anos.

Draco franziu o cenho.

- Por que não estou chocado com o fato de você cumprir à risca a classificação indicativa dos livros?

Sollaria deu um tapinha no ombro dele.

- Eu tenho apreço pela minha saúde mental! Acho que cada um precisa respeitar o próprio tempo.

Draco apertou a bochecha dela, ainda sorrindo.

- Você é muito certinha para o próprio bem, Sollaria Potter.

- Ainda bem então que tenho você como um ótimo exemplo de má influência, não? - Ela bebericou o cálice de suco.

O Malfoy ergueu o próprio cálice, um sorriso sacana surgindo nos lábios.

- Que livro comprou para ela, afinal?

- O Príncipe Prateado.

- Nunca ouvi falar. - Draco roubou uma batata do prato de Sollaria.

Ela fez cara feia e deu um tapa na mão dele.

- É claro que não ouviu falar, começou a vender esses dias.

Depois do café da manhã, os dois caminharam de braços dados em direção às estufas, embora Sollaria estivesse realmente desejando era ter aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Aquela era facilmente a matéria favorita de quase todos os alunos da Escola desde que o professor Lupin começara a dar aula.

Depois dos bichos-papões, eles estudaram os barretes vermelhos, criaturinhas perversas que lembravam duendes e rondavam os lugares onde houvera derramamento de sangue - masmorras de castelos e valas dos campos de batalha desertos - à espera de abater a porrete os que se perdiam. Dos barretes vermelhos eles passaram aos kappas, seres rastejantes das águas, que lembravam macacos com escamas, palmípedes cujas mãos comichavam para estrangular os banhistas desavisados que penetravam seus domínios.

Seu rendimento em quase todas as matérias estava sendo ótimo; em compensação, Aritmância era particularmente impossível. Ela estava adorando a matéria, mas era extremamente difícil. Hermione assegurara-lhe que parecia mais provável que a confusão de Sollaria se tratasse de uma má adaptação, mas que logo iria conseguir compreender a matéria.

Draco estava tendo dificuldades para entender Runas Antigas, e ela estava se dando bem na matéria. Então os dois trocavam conhecimentos sobre as matérias que cada um tinha dificuldade e tentavam se ajudar.

Os dois sonserinos passaram a maior parte da noite de sexta-feira tentando acompanhar a explicação um do outro sobre Runas e Aritmância. Depois de duas horas de estudos, Draco decidiu que precisava de um pouco de descanso e foi tomar um banho.

Sollaria afastou a cadeira de perto da mesa e encostou as costas no respaldar, suspirando.

Àquela altura, deveria estar lendo sobre Legilimência ou praticando magia sem varinha, mas, em virtude de suas pequenas "férias" das aulas particulares, não sabia o que deveria fazer.

Então, passou os olhos por toda a Sala Comunal, entediada. Alguns alunos mais velhos estavam sentados próximos à lareira, outros, perto das janelas, bebendo Whisky de Fogo e fumando charutos. Ela reconheceu Flint, o capitão do Time de Quadribol da Sonserina, e sorriu maliciosamente ao encarar o perfil do colega de equipe. Odiava o rapaz, e entrar na mente dele para treinar talvez fosse um ótimo exercício para passar o tempo.

A mente de Marcus Flint era totalmente desprotegida, fácil de se manipular. Ele estava embriagado, o que parecia facilitar o processo. Adentrando mais profundamente, descobriu que ele reprovara o terceiro ano (ela nem ao menos sabia que tinha como reprovar em Hogwarts!), que fazia aniversário em dezembro e que planejava convocar o Time para os treinos da Temporada em algum momento. Mais superficialmente, viu coisas que não queria ver. Fez uma careta e saiu depressa da mente suja de Flint.

Estava se divertindo bastante com a ideia de usar seu treinamento em pessoas ruins ou irritantes - isso não a fazia se sentir tão mal quanto invadir a mente de pessoas inocentes -, mas sua diversão logo teve fim quando Draco apareceu diante de Sollaria, tagarelando sobre algo a que ela nem mesmo prestava atenção.

Sabia que provavelmente seus olhos tinham saído de foco ao se concentrar em invadir a mente de Flint, mas talvez Draco mal notara a diferença em seu comportamento. Sollaria fechou os livros dela que estavam sobre a mesa e guardou-os na mochila. Em seguida, jogou-se no sofá mais próximo, o garoto falando sem parar atrás dela.

- Você nem está me ouvindo - resmungou Draco, colocando a cabeça no colo de Sollaria. - Mas eu estava dizendo que talvez devêssemos parar de estudar. É sexta-feira à noite.

A garota concordou com a ideia. Estava se sentindo particularmente cansada depois de passar o dia inteiro estudando e fazendo lição de casa.

Talvez fosse em virtude da exaustão, ou o que quer que fosse, mas, para a surpresa de Sollaria quando acordara no meio da madrugada, ela sonhara novamente com a mesmíssima cena em que brincava com um grande cachorro preto e seu pai, que a segurava no colo, cantando uma canção para ela. Dois anos; havia se passado dois anos desde a última vez que sonhara com aquilo. Pensava que seu cérebro a forçava a reviver aquela cena para que ela, de certa forma, entendesse que aquele era seu verdadeiro passado, mas... O que aquilo queria dizer, dois anos depois?

Eles tinham um cachorro. Aquele homem era seu pai e ela era muito amada. Enquanto se arrastava em direção ao banheiro, sentiu um desconforto absurdo com a percepção de que chamar seu pai de homem era uma coisa muito forte. Ele não parecia ter mais de vinte anos de idade, e aquilo era perturbador. Ele tinha provavelmente a idade do irmão de Sollaria, o Charlie. E, mesmo tão jovem, tão bonito, tão feliz... falecera.

Sollaria não ficou surpresa quando, no sábado à noite, Flint abordou-a para avisar que fariam testes para o Time logo cedo no domingo - algo a ver com derrotar Oliver Wood e outras baboseiras.

Então, logo na manhã seguinte, quando ainda estava um pouco escuro, Sollaria aprontou-se e caminhou pela grama gelada e úmida em direção ao campo de Quadribol.

O time continuava sendo quase mesmo do ano anterior - ela e mais um bando de rapazes horrendos e machistas -, com exceção, é claro, de Ginny Weasley, que conseguira a posição de Neil Andrews, aluno recém-formado de Hogwarts.

O treino que fizeram em seguida fora pesado; não fizeram treinos com vassouras, não ainda. Ela sabia que Flint preferia alternar entre semanas de treino de resistência e de jogos em si. Ele primeiro discursara sobre sua estratégia - a mesma de sempre, que era ser melhor, mais resistente, mais rápido e mais forte e, se precisar, trapacear - e depois obrigara todos a fazer uma série de exercícios para as pernas, abdômen, braços e, quando exigiu que fizessem agachamentos, sentiu-se extremamente desconfortável de precisar fazê-los junto com os rapazes.

Todo o tratamento especial que passara a receber no ano anterior já não lhe era mais reservado desde que os sonserinos descobriram que ela na verdade ajudou Harry a parar com os ataques, e ter que aguentar risadinhas, comentários desafiadores e arrogantes... Ela não sabia como conseguia. Mas, pelo menos, Ginny estava ali com ela, ofegante e com o rosto vermelho devido ao esforço.

Quando já era tarde o suficiente para ao menos o café da manhã ser servido, Flint autorizou que rumassem para o vestiário e depois fossem embora. Não seria surpresa alguma se o Universo mandasse uma nuvem cinza para pairar somente sobre a cabeça de Sollaria; ao final do treino, ela já estava muito estressada e com um humor insuportável.

- Você está fedendo - comentou Draco quando ela se jogou na cadeira ao lado para o café da manhã.

Ela olhou para ele com cara feia.

- Obrigada pelo comentário, Malfoy. Vou anotar na minha agenda para eu lembrar de me importar com a sua opinião.

O loiro ergueu as sobrancelhas.

- Oh, alguém está de mau humor. - Ele fingiu ficar magoado. Bebericou o cálice com água. - Acho que então nem vou falar sobre a cesta cheia de bolos e outros doces que minha mãe enviou para dividir com você.

Sollaria, que estava concentrada em picotar o pedaço de torta de frango em seu prato, virou-se com tanta rapidez que o pescoço estalou.

- B-Bolo?

- Ah-ham - disse ele lentamente. - Bolo de cenoura com cobertura de chocolate, bolo de chocolate, tortinhas de morango, bolotas gigantescas feitas de leite condensado e chocolate...

Sollaria parou de picotar a torta e exclamou, manhosa:

- Eu... Eu quero!

Draco balançou a cabeça negativamente.

- Não, não. Você não toma banho e é muito mal-humorada. Acho que vou comer tudo sozinho.

Sollaria lançou-lhe um olhar fulminante antes de voltar a atenção para o próprio prato e comer a torta de frango.

- Você é muito insuportável. Assim, você vai morrer sozinho.

Draco deu de ombros.

- Digo o mesmo.

- Há!

Draco girou o cálice nas mãos e voltou seu olhar para ela.

- Sabe... Talvez devêssemos fazer um trato. Se você não encontrar alguém até o dia em que se formar, eu me caso com você.

Sollaria olhou para o amigo. Pensava que ele estaria brincando, mas, ao notar o brilho nos olhos dele, percebeu que ele falava sério - e não conseguiu se segurar. Riu tanto que várias pessoas pararam de comer ou conversar para observá-la. Engasgou-se com a própria saliva e começou a chorar, enquanto Draco olhava para ela com a cara amarrada.

- Já acabou?

Ela secou algumas lágrimas e, ao notar a expressão do amigo, deixou escapar mais uma risada.

- Tá bom, tá bom, parei, eu juro.

- O que tem de tão hilário em se casar comigo?

- Muita coisa. - Ela bebeu um pouco de suco de laranja. - Primeiro, eu quero ter filhos, e até parece que eu vou ter filhos seus, Malfoy. Só nos seus sonhos.

- Ai - provocou Pansy Parkinson, sua colega de quarto, a qual havia acabado de se sentar diante de Sollaria e parecia estar prestando atenção à conversa.

- Segundo, a ideia absurda de pensar que euzinha não vou encontrar alguém até terminar a Escola. E terceiro, por que você só condicionou a minha situação? Você poderia muitíssimo bem não encontrar alguém.

Draco abriu um largo sorriso, parecendo saber de algo que ela não sabia.

- Impossível.

- O que é impossível?

- Eu ficar sozinho.

Ela franziu o cenho.

- Prevê o futuro agora, é?

- Não, mas eu sou Draco Malfoy. Muito lindo, muito rico, muito inteligente...

- Esqueceu de dizer "muito modesto" - provocou Sollaria.

Pansy riu, ao passo que Draco apenas fez um gesto obsceno com a mão.

- Mas Draco não está completamente errado, e você sabe disso - interveio a colega de quarto de Sollaria, mexendo distraidamente com o garfo na altura dos olhos. Ela sorria, seus olhos cintilando em provocação.

Sollaria não respondeu - não mordeu a isca -, incapaz de dizer qualquer coisa, e voltou a comer o resto de sua torta.

- O que quer dizer? - questionou ele, parecendo interessado.

- Garotas conversam. - Deu de ombros, os olhos ainda cintilando.

Sollaria não estava gostando do rumo daquela conversa. Não precisava ser lembrada das coisas que passara a ouvir desde o início do ano letivo, muito menos das coisas que tivera que presenciar. Como podia ter sido tão idiota durante todo esse tempo? Ela se sentia daquela forma, pelo menos. E ser melhor amiga de Draco Malfoy significava ter de aguentar muita coisa se ela quisesse se manter ao lado do garoto considerado o mais bonito do terceiro ano. Ela particularmente achava um exagero nomeá-lo assim. Não é como se ele fosse feio, mas... o mais bonito? Por que, de repente, as garotas davam risadinhas irritantes o tempo todo, e falavam em códigos sobre meninos? Por que escreviam coisas na porta do banheiro e, pior, coisas maldosas? E, ainda, por que atacar Sollaria por andar com Draco Malfoy, só porque ele era considerado bonito e lhe dera uma Firebolt? De novo, não é que ele fosse feio, mas...

Apertou a mão ao redor do cálice de suco - aqueles pensamentos a deixavam desconfortáveis. Não via Draco de outro modo e certamente não era naquele momento que gostaria de começar a pensar em como ele era bonito.

- Eu tenho que ir. - Levantou-se.

Draco e Pansy, que estavam conversando, olharam para ela.

- Para onde você vai? - inquiriu o loiro.

- Tomar um banho. Nos vemos mais tarde.

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O mês de outubro chegou e não trouxe nada além de frio e umidade para os terrenos de Hogwarts. Os treinos de Quadribol estavam cada vez mais pesados e Sollaria sentia constantes dores no corpo ao final de cada treino. Para a sua infelicidade, Flint mais uma vez programara treinos para todos os dias antes do café da manhã. Algo que a fazia feliz era a sensação de vitória já antecipada. Ela tinha uma Firebolt, e até mesmo Flint parecia estar menos insuportável com ela por conta disso. Em quase todos os treinos com a vassoura, ela pegava o pomo-de-ouro em menos de dez minutos.

Na primeira segunda-feira de outubro, logo após o jantar, Sollaria rumou para sua primeira aula com Dumbledore. Quando chegou à sala do diretor, ele estava escrevendo uma carta. Assim que terminou de escrevê-la, ele cruzou as mãos sob o queixo e analisou Sollaria demoradamente.

- A senhorita já ouviu falar das Maldições Imperdoáveis?

Ela acenou com a cabeça.

Como não saberia? Todos que conheciam a história da família Potter sabiam sobre as Maldições. O feitiço que matou seus pais... A terceira Maldição era a pior de todas, em sua opinião. Não... Talvez a Maldição da Tortura, a Cruciatus, fosse ainda pior. A Maldição da Morte era quase um golpe de misericórdia para aquele que fosse atingido pela Cruciatus. Sollaria tremeu levemente na cadeira só de pensar na horrível possibilidade de ser torturada.

- Em face dos últimos acontecimentos, eu acho que seria muitíssimo importante que estudássemos as três Maldições e também um feitiçozinho muito útil, porém complexo, que afugenta dementadores.

Maldições? Dementadores? Que ela soubesse, todos aqueles feitiços e maldições eram assuntos nível N.I.E.Ms... Por que ela precisava aprender sobre as Maldições tão cedo?

- Professor... Quando o senhor vai me contar qual é a razão de tudo isso? - Ela olhou para as próprias mãos, incapaz de encará-lo nos olhos. - O senhor disse que minha magia precisava ser... contida, porque eu tenho muito poder. Nós passamos o primeiro ano inteiro aprendendo a controlar minhas emoções e meus poderes. Ótimo. E agora? Por que eu... Por que eu preciso treinar mais do que todos os outros alunos? O que eu tenho de tão especial?

- O que você tem de tão especial? - Dumbledore deu uma risadinha gentil.

Tão diferente daquela risada fria que ela ouvira por trás da porta...

Sollaria arrepiou-se apenas por se lembrar.

- Sollaria, você é capaz de fazer magia com as mãos. Poucos bruxos são capazes disso na Grã-Bretanha, porque somos ensinados a canalizar a magia com a varinha. Nenhum de seus professores poderia ensiná-la isso, e você perderia a oportunidade de dominar seus poderes plenamente sem meu auxílio. Eu tinha a impressão - mas talvez eu claramente tenha me enganado -, que a senhorita quisesse adquirir vasto conhecimento sobre si mesma e seus poderes. Achei que gostaria de se tornar uma grande bruxa.

Sollaria sentiu as bochechas queimarem.

- E-Eu... É claro que eu quero! Eu não quis dar a entender que estou reclamando. Só... fiquei curiosa.

O diretor deu um sorrisinho.

- Então! - Ele bateu palma de repente, fazendo com que ela erguesse a cabeça. - Vamos ao que realmente interessa. Acho que eu deveria explicar melhor sobre cada uma antes de irmos para a parte prática.

Sollaria franziu o cenho.

- Parte prática? Eu não vou ter que...

O diretor deu outra risadinha e fez um gesto com as mãos, como se aquilo não fosse nada.

- É claro que não, Sollaria. Eu jamais faria com a senhorita torturasse, matasse ou controlasse alguém. Não... A senhorita é que vai ser controlada. Ao final da aula, vamos testar se a senhorita é capaz de resistir à Maldição Imperius.

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