Capítulo Quatro: Você É a Minha Pessoa


NOTAS DA AUTORA

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O resto da viagem de trem foi tranquila, mas começara a chover assim que chegaram a Hogsmeade. Sollaria pegou uma carruagem junto de Harry, Rony e Hermione, talvez somente para evitar o comportamento esquisito de Draco. Embora fingisse que nada havia acontecido, ela se sentira sim um pouco esquisita, ainda que não soubesse explicar o porquê, ao retornar para a cabine dos grifinórios, e isso somente se intensificou quando Harry notou que ela estava cheirando a perfume masculino... o perfume de Draco. Rony reclamou disso durante toda a viagem de carruagem até chegarem ao Hall de Entrada.

Ela se despediu dos três e escorou-se em uma parede, abriu um livro e ali ficou, esperando a professora McGonagall aparecer para conduzi-los até o Salão Principal.

Aprendera a curtir a própria companhia. Às vezes, precisava de um momento só para ela, para que pudesse pôr as ideias no lugar e entrar em contato com sua magia interior.

- Por que está aqui sozinha? - Ouviu a voz de Draco, que a afastou dos próprios pensamentos.

Ela suspirou profundamente.

- Cinco minutos. Apenas cinco minutos sozinha. - Ela queria gritar. Se não era Draco fazendo caretas esquisitas que a assustavam e se comportando de maneira estranha, era Rony reclamando em seu ouvido. Ela precisava daqueles cinco minutos. - Mas acho que foi um recorde.

Ela fechou o livro e guardou-o na bolsa. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.

- Credo. Se quiser, eu vou embora.

- Não. - Ela abriu os olhos de imediato e pegou a mão dele. - É só que... Estou com um pouco de dor de cabeça. Rony encheu minha paciência o caminho inteiro até aqui - justificou.

Draco abriu um sorriso, e ela retribuiu.

- Que bom que voltou a sorrir. É mais agradável de olhar para você quando não está com cara de quem quer me matar - brincou ele.

- Acho que é fome - continuou ela, como se ele não tivesse falado nada. - Geralmente, quando eu fico muito tempo sem comer, fico com dor de cabeça.

A professora McGonagall apareceu a fim de levá-los para o interior do Salão Principal, algo que foi recebido por Sollaria de bom grado.

Quando se sentaram à mesa da Sonserina, Sollaria encostou a cabeça no ombro de Draco e fechou os olhos. O único momento em que demonstrou alguma reação foi para aplaudir educadamente os novos primeiranistas da Sonserina, entre eles, a irmã mais nova de Daphne, Astória Greengrass.

Ao longe, podia ouvir a voz de Dumbledore dando alguns avisos. Quando a palavra "dementadores" e "estarão guardando Hogwarts" se fizeram ouvidas, Sollaria ergueu a cabeça imediatamente.

- O quê? Não pode ser...

- Merlin... Eles querem nos matar de depressão? - resmungou Draco.

Sollaria deu um tapinha leve na nuca do amigo.

- Que horror, Draco.

Depois dos avisos, que incluíam anunciar Rúbeo Hagrid como o novo professor de Trato de Criaturas Mágicas e Remus Lupin como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas ("Eu não acredito que vamos ter aula com esse cara... Olhe como ele é maltrapilho", dissera Draco com uma careta), finalmente Dumbledore deu início ao banquete de boas-vindas.

- Graças a Deus - comentou Draco com ninguém em especial enquanto observava as travessas de comida surgirem sobre a mesa. - Eu estava morrendo de fome.

Enquanto pegava um pouco de arroz e batatas, Sollaria o observava em silêncio.

- Que foi? - perguntou ele, curioso.

Estava aborrecida com o amigo pelo comentário desnecessário feito sobre o novo professor.

- Nada. - Ela se virou para o próprio prato. - É que eu estava pensando em algumas coisas.

- Certo. Tem a ver comigo?

- Tem. Tem a ver com o jeito como falou do professor Lupin.

Draco, que estava cortando um pedaço de frango, parou o que estava fazendo e fechou a cara para a amiga.

- Eu não me lembro de ter falado alguma coisa.

- Mas falou.

- Força do hábito. - Ele mordeu o pedaço de frango que estava em seu garfo com uma expressão despreocupada no rosto.

- E que hábito - sussurrou Sollaria para si mesma.

Não falou com Draco pelo resto do banquete, e ele também não tentara puxar assunto.

Passou os olhos pela mesa dos professores, e seu olhar pousou no professor Lupin. Algo nele lhe parecia muito familiar, como se já tivesse ouvido aquele nome antes... Mas era impossível; sabia que os pais nunca haviam mencionado aquela pessoa em casa. Desviou o olhar quando percebeu que ele a fitara de volta.

Procurou Harry, Rony e Hermione, sentados à mesa da Grifinória, e percebeu que eles estavam cochichando uns com os outros. Como ela queria poder participar daquelas conversas também...

Estariam eles conversando sobre a promoção de Hagrid, que era um grande amigo deles? Ou sobre o novo professor de Defesa? Ou, quem sabe, sobre Sirius Black, e as novas medidas de segurança adotadas pela Escola somente para proteger Harry do assassino...

Proteger Harry e me proteger, corrigiu ela. Sentiu um nó se formando na garganta; era estranho pensar que havia um assassino atrás dela também. Se somente tivesse mais informações sobre aquela história toda... Por que Harry - e, pelo visto, ela - era tão importante assim? O que ele teria de tão importante a ponto de um assassino cruel tentar matá-lo quando ele não era nada além de um bebezinho?

Sollaria estava se sentindo cada vez mais sufocada dentro daquele Salão. Queria poder ir para o Salão Comunal da Sonserina, ficar sozinha, tirar aquelas vestes que pareciam sufocá-la cada vez mais...

Sollaria estava com medo - medo pela própria vida, pela vida de Harry e por tudo o que eles poderiam vir a passar. Por que não poderiam ter um ano letivo normal, como todos os outros alunos?

Não percebera em que momento ela se levantara da mesa da Sonserina e caminhara até as masmorras, somente despertou de seus pensamentos quando ouviu a voz arrastada de Draco entoar:

- Basilisco.

E então ela percebeu que estava diante da parede de pedras que dava acesso ao Salão da Sonserina. Entrou sem olhar para ninguém, sem agradecer. Estava cansada e sentia uma forte dor de cabeça.

Ficou observando todos os alunos que entravam irem direto para os próprios dormitórios, e preferiu sentar-se diante da lareira como sempre fazia. Precisava de um tempo sozinha antes de entrar no quarto e ter que precisar ignorar as colegas com quem o dividia.

Estava encolhida diante da lareira somente encarando o fogo que crepitava enquanto esperava a sala comunal esvaziar-se ao seu redor. Abraçada aos seus joelhos, pensou em tudo - nos pais falecidos e em como queria ter tido mais tempo com eles, nos irmãos, em Sirius Black, que estava solto por aí, atrás do irmão e atrás dela também... Pensou nas aulas com Snape e Dumbledore, em quê eles estariam pensando para as aulas daquele ano... De quantas maneiras diferentes poderiam exaurir Sollaria até a última célula de seu corpo.

E então, para a própria surpresa, começou a chorar; um choro de tristeza e preocupação e medo e confusão. Derramou lágrimas em silêncio enquanto observava o fogo estalar, aquecendo suas pernas. Pensara inocentemente que aquele ano poderia ser normal, seguro e diferente dos anos anteriores, quando Harry - e Ginny, no segundo ano - quase morreu diversas vezes.

Sollaria mais do que tudo naquele momento gostaria de estar abraçada à mãe, pois, toda vez que sentia medo ou estava triste, era nos braços dela que se aconchegava.

Nem ao menos notara quando Draco Malfoy, irritado, aproximou-se chamando por ela, até que ele a forçou a encará-lo.

- Sinceramente, Sollaria, eu já entendi que fui um idio...

O garoto de repente pareceu desconcertado. Toda a sua irritação tangível esvaiu-se no momento em que viu o rosto de Sollaria, que estava vermelho e inchado. Ele se ajoelhou ao lado da garota e passou os braços ao redor dos ombros dela.

- Ei, ei... O que aconteceu? - perguntou baixinho.

Sollaria balançou a cabeça em negação, o que significava que não revelaria o motivo.

- Você sabe que pode confiar em mim, Sollaria... Somos melhores amigos, não somos? - Ela assentiu. - Então desembucha.

- Não é nada. - Ela abaixou os olhos para as próprias mãos, corando fortemente com a atenção. Sua voz saiu fraca. Ela precisava mesmo parecer sempre tão corajosa? Tão forte? Será que ela não podia se sentir sensível às vezes? - Só... estou com medo, tá bom? - Ela fungou. - Tem um assassino atrás do meu irmão, e... Por mais que eu não me ache importante o suficiente, vai saber o que se passa na cabeça de um maníaco que ficou doze anos preso em Azkaban, tendo toda a sanidade dele sugada pelos dementadores?

Draco não disse nada, somente sentou-se no chão e puxou Sollaria para mais perto do peito dele. Acariciou-lhe os cabelos, beijando-lhe o topo da cabeça com carinho.

- Por que não podemos ter um ano letivo normal, Draco? Por que a minha família? Por que Harry? Por que meus pais? Eu estou tão cansada... Tão cansada... E com medo...

O garoto levantou a cabeça dela delicadamente e passou os polegares sob os olhos de Sollaria, a fim de afastar as lágrimas.

- Não tenha medo... Aqui dentro, nada poderá te fazer mal, está me entendendo?

Ela assentiu devagar.

- Então diga em voz alta. Eu sou Sollaria Hyacinth Potter, e não...

- Não terei medo... - completou ela com a voz fraca.

- Isso. E, se àquele maníaco vier atrás de você, a gente chuta ele pra fora do castelo.

Sollaria deixou uma risadinha escapar.

- A gente? Mais fácil eu fazer isso, não é, Malfoy? - provocou ela. - Você é todo medroso, e tudo mais...

Ele abriu e fechou a boca, fingindo estar indignado.

- Ora, sua... - Draco beliscou (de brincadeira) o braço de Sollaria.

- Ah! Você me beliscou, foi isso mesmo, Draco Malfoy? - Ela sorriu, esticou o braço e atraiu uma almofada, jogando-a na cara do garoto.

Os dois deram início a uma guerra de almofadas, o que lhes rendeu muitas risadas. O problema foi quando o monitor apareceu e os mandou calar a boca, e então os dois deram um sorrisinho cúmplice e se jogaram nas almofadas espalhadas pelo chão.

Draco pegou a mão de Sollaria carinhosamente, fazendo com que ela o encarasse.

- Falando sério... Você não precisa sentir tudo sozinha.

Sollaria abriu um sorriso tímido.

- Eu... Eu sei - cedeu ela. Depois de um tempo em silêncio, Sollaria se virou para ele e disse: - Você é a minha pessoa, Draco. Obrigada por estar sempre aqui. E espero que você conte comigo sempre que precisar também.

Draco não disse nada, apenas retribuiu o sorriso dela e beijou-lhe a mão.

- Talvez devêssemos ir para os nossos quartos. - Ela olhou para o relógio na parede, que marcava nove horas. O banquete de boas-vindas sempre demorava um bom tempo, afinal, eram muitos avisos a serem dados e muitos alunos a serem selecionados.

- Pode ir - disse ele, sentando-se exatamente como ela estava sentada inicialmente. - Eu vou daqui a pouco.

Com um olhar cúmplice, Sollaria levantou-se, beijou o topo da cabeça de Draco (que cheirava a citrinos) e foi para o próprio quarto.

Ao se deitar na cama, pensou em como fora aquele primeiro de setembro. Pensou nas coisas que Draco lhe dissera, na forma como a abraçou e a fez se sentir melhor.

Amigos como ele eram difíceis de se encontrar, ela sabia muito bem daquilo (especialmente conhecendo as pessoas com quem dividia o quarto, pensava ela amargamente).

Mas ela tinha Draco, e ele era diferente. Ela sabia que tinha sorte em tê-lo como amigo...

Fechou os olhos, ainda pensando em Draco e, com um sorrisinho no rosto, Sollaria virou-se na cama e dormiu.

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