Capítulo Onze: Grifinória x Lufa-Lufa


NOTAS DA AUTORA

↯ Por favor, não se esqueça de deixar seu voto e seu comentário! 🌺

_______

No sábado de manhã, os espectadores já esperavam pelo início da partida nas arquibancadas com suas capas de chuva, guarda-chuvas e casacos. Alguns tinham os rostos pintados de amarelo e preto, mas a maioria exibia a cor vermelha e dourada, fosse com tinta na bochecha, ou segurando uma enorme bandeira da Grifinória.

Porque Draco insistira, Sollaria deixara que ele pintasse um coração preto e amarelo na sua bochecha antes da partida, embora ela imaginasse que assim que começasse a chover, ele escorreria.

O vento estava muitíssimo forte e o céu acizentado era apenas um prelúdio do que enfrentariam. Os aplausos e gritos dos alunos eram abafados pelos roncos de trovões que surgiam sem parar.

Começara a chover.

Como é que os jogadores enxergariam no meio daquele caos?

Havia sido um episódio muito desconfortável, pelo menos até o momento em que o placar estava trinta a zero para a Lufa-Lufa. Toda hora, Sollaria tinha medo de que alguém esbarrasse em seu braço engessado e, como não podia molhar o gesso, tinha que tomar muito cuidado e tentar cobrir completamente o corpo com a capa de chuva.

Ela não podia reclamar, é claro. A situação dos jogadores era bem pior. Os pontinhos amarelo-canário e vermelho-sangue pareciam borrões, estava muito frio e, a todo momento, um jogador esbarrava no outro.

Com o primeiro relâmpago depois de o placar se tornar quarenta a dez, ouviu-se o som do apito de Madame Hooch.

Os jogadores se agruparam na borda do campo debaixo de um grande guarda-chuva. Sollaria não conseguia enxergar muito bem o que acontecia lá embaixo, mas foi capaz de discernir a figura de Hermione, que de repente surgiu ao lado de Harry.

- O que ela está fazendo? - gritou Draco no ouvido de Sollaria.

Hermione havia pegado o óculos de Harry e dado uma batidinha com a varinha. Foi aí que Sollaria entendeu.

- O Feitiço da Impermeabilidade! Como não pensei nisso antes do início da partida?

Quando os jogadores voltaram para o ar, Harry parecia outra pessoa - confiante e ágil.

Ouviu-se novamente um trovão, acompanhando um raio bifurcado. A partida estava ficando mais perigosa a cada minuto. Harry precisava chegar ao pomo depressa...

Ele se virou, tencionando rumar para o centro do campo, mas naquele momento, outro relâmpago iluminou as arquibancadas, e Harry pareceu distrair-se de seu propósito inicial. O garoto subia mais e mais no céu com sua vassoura, até se tornar um ponto invisível no meio da chuva e das nuvens carregadas.

Todos ficaram de pé, tentando encontrá-lo. Será que havia achado o pomo?

Quando Sollaria ia dizendo aquilo para Draco Malfoy, no entanto, Lee Jordan, o locutor, anunciou para todos que Cedric Diggory apanhara o pomo. Lufa-Lufa vencera a partida.

-...bom jogo, Lufa-Lufa! Finalmente um pouco de gl... Esperem aí! O que é aquilo no céu?

Todos se viraram para onde Lee Jordan apontava. Alguma coisa caía do céu.

Alguma coisa não... Alguém.

Harry.

_____

Foi um pouco difícil de dispersar todos os alunos do Campo de Quadribol. Todos estavam curiosos para saber o que teria acontecido com Harry. Por sorte, Dumbledore conseguiu fazer com que ele caísse na grama sem se machucar, mas ainda estava desacordado. A explicação do diretor para a queda de Harry poderia ser descrita como fria, sombria e assustadora - dona do beijo mais indesejável, terrível e asqueroso do mundo. Dementadores; havia dementadores tão próximos dos alunos...

O diretor ficou furioso.

Harry foi levado para a Ala Hospitalar com certa urgência pela professora Minerva e o resto do Time da Grifinória.

Não houve comemoração. Diggory parecia revoltado, tentando entregar o pomo a Madame Hooch. Algum tempo depois, ele seguiu o resto dos rapazes em direção ao castelo. Hermione e Rony foram vistos correndo atrás do Time, tentando acompanhá-los. Theo, que estava assistindo a partida com Sollaria e Draco, também pareceu preocupado.

Sollaria precisou da ajuda de Draco para passar pelos alunos sem que esbarrassem em seu braço engessado. Dez minutos depois, ela conseguiu entrar no castelo.

- Te espero na Comunal? - indagou o loiro.

Sollaria apenas assentiu. Não conseguia dizer nada... Estava enjoada, nervosa, aflita por conta do que acontecera ao irmão gêmeo.

Quando chegou à porta da Ala Hospitalar, encontrou duas pessoas aguardando do lado de fora. Ginny e, para a sua surpresa, Cedric Diggory, ambos parecendo ansiosos.

- Fomos impedidos de entrar. O Time está lá dentro - explicou Ginny quando notou a expressão confusa de Sollaria. - Rony e Hermione também.

Ela apontou para um saco aos pés de Diggory.

- O que é isso?

O rapaz abriu o saco e Sollaria se aproximou para ver o que havia dentro. Eram restos de uma vassoura.

A vassoura de Harry.

- O professor Flitwick me alcançou no caminho até aqui - contou o lufano. - E me entregou esse saco.

Ele parecia chateado.

- Eu sinto muito, Sollaria. Eu nem sabia o que estava acontecendo... Se eu tivesse visto o Potter, eu não teria pegado o pomo, e muito menos teria comemorado assim que pousei. Eu não sabia e...

Sollaria fez um gesto com a mão boa.

- Está tudo bem, Ced. Você não sabia. Você não teve culpa.

O rapaz deu um sorrisinho mínimo e se encostou na parede ao lado da porta. Sollaria o seguiu, assim como Ginny.

- Eu pedi para a Madame Hooch anular a partida, sabe, mas ela disse que ganhamos de forma justa.

Sollaria deu um soquinho no ombro de Cedric.

- Deixa isso pra lá.

- Bem, com essa mudança, a Sonserina vai disputar com a Corvinal antes de disputar com a Grifinória - comentou Ginny, intrometendo-se na conversa. - Chang é boa, mas temos uma Firebolt. E se vencermos por mais de duzentos pontos...

Sollaria olhou de Ginny para Cedric e sorriu.

- Que vença o melhor, não é? - Ele brincou, estendendo a mão para as duas apertarem.

Os três ficaram em silêncio por mais um tempo, até que Cedric tentou puxar conversa.

- Seu braço ainda dói?

Ela olhou para o gesso branco.

- Sim, bastante. Mas não tanto quanto ontem.

- Sabe, se eu tivesse tinta comigo, gostaria de assinar o meu nome. Quando eu quebrei meu braço no terceiro ano, foi legal ter meu gesso assinado pelos meus colegas. Deixa a coisa menos chata.

Sollaria sorriu.

- Eu tenho tinta amarela e preta em bastão comigo, se quiser. Draco tinha desenhado um coração nas minhas bochechas.

Ginny fingiu tossir.

- É, eu consigo ver um pouco da mancha preta. - Ele riu, apontando para a bochecha dela. - Ótimo. Vou assinar.

Quando ele terminou de escrever, Ginny leu em voz alta.

"Um desejo de melhoras do seu segundo rival (e amigo) de Quadribol favorito ツ"

Sollaria sorriu.

- Eu também quero escrever! - exclamou Ginny, pegando a tinta da mão de Diggory.

Assim que a mais nova se afastou, Sollaria leu o que ela havia escrito.

"Melhoras para a melhor irmã do mundo! Te amo
- Ginny"

- Que lindo, Ginny. - Ela olhou para Cedric. - Você estava certo. Fica mais legal com coisas legais escritas por pessoas legais.

O rapaz riu e, quando fez menção de responder, a porta da Ala Hospitalar se abriu.

- Ele está bem - disse uma das colegas de Time de Harry. - Está acordado.

Sollaria abraçou Ginny, aliviada.

- Graças a Deus - murmurou a sonserina.

À medida que os colegas do Time foram saindo (todos fazendo cara feia para o apanhador lufano), Sollaria, Cedric e Ginny foram entrando.

- Harry! Graças a Deus, você está bem... - Sollaria se aproximou do leito do irmão.

Rony olhava feio para Cedric.

- Ei, Potter. - O mais velho se adiantou. - Vim ver como você estava e desejar melhoras.

- Obrigado. - Harry parecia meio incerto e cansado.

- Eu queria dizer também que eu não sabia que você tinha caído da vassoura quando apanhei o pomo. Eu tentei falar com a Madame Hooch, mas...

Harry fez um gesto com a mão.

- Deixe pra lá, Cedric. Já foi. Estou bem, não estou?

Ele olhou para o saco aos pés de Cedric Diggory.

- O que é isso?

Sollaria abaixou os olhos, já imaginando a reação do irmão.

- Ah, é... - Cedric pareceu um pouco sem-graça de repente. - O professor Flitwick encontrou isso aos pés do Salgueiro Lutador e me entregou. Você deve saber como aquela árvore é, não? Não gosta muito de contato... E sua vassoura foi levada contra o vento e bateu diretamente nela. Isso foi tudo que o professor conseguiu encontrar.

E mostrou o conteúdo no interior do saco.

Se é que era possível, Harry ficou ainda mais pálido. Sollaria até poderia imaginar o que se passava na cabeça do irmão.

Quadribol era a única coisa em que ele se achava bom de verdade. Era o que o aproximava daquele universo... E sua vassoura lhe foi arrancada daquela forma...

- Eu sinto muito, Potter - murmurou Diggory, deixando o saco ao lado do leito de Harry. - Eu... Eu vou indo. Deixar vocês conversarem.

Sollaria se aproximou do irmão, sendo seguida por Ginny, que mais parecia um pimentão.

- Dumbledore ficou realmente furioso - contou Ginny com a voz trêmula. - Nunca vi o diretor assim antes.

- É... - concordou Sollaria. - Ele correu para o campo quando você começou a cair, agitou a varinha e você meio que desacelerou antes de bater no chão. Depois, virou a varinha para os dementadores, expulsando-os de lá.

- Aí ele usou a magia para botar você numa padiola - continuou Rony. - Todo mundo pensou que você estava...

A voz dele foi morrendo, mas Harry aparentemente nem notou. Sollaria seguiu o olhar do irmão. Ainda estava vidrado, como quando Cedric contou da vassoura.

- Não fique assim, Harry. - Sollaria passou a mão carinhosamente pelos cabelos do irmão, inclinou-se sobre ele e depositou um beijo no topo da cabeça dele. - Ainda terão outras partidas, e você poderá escolher uma vassoura nova. Que tal uma Firebolt?

Ele amarrou a cara para ela e disse:

- Você sabe que eu não tenho um namoradinho rico ou um patrocinador para me comprar vassouras caras, Sollaria.

A garota revirou os olhos, sabendo que aquela reação era apenas devido ao ego ferido dele por perder para a Lufa-Lufa e à chateação pela vassoura derrotada. Um sorrisinho sacana surgiu em seus lábios.

- Bem, acho que está na hora de você arranjar um ou outro, não é? De qualquer forma... Melhoras pra você.

Ela deu uma batidinha na perna do garoto, olhou para a irmã mais nova e disse:

- Estou de saída. Ginny, você vem?

Quando estavam no corredor, já longe da Ala Hospitalar, Ginny indagou:

- Por que eles são sempre tão... bocós?

Sollaria deixou uma risadinha escapar.

- Acho que faz parte. Só me promete uma coisa, Ginny.

Ela parou e encarou a mais nova.

- Não se humilhe por garoto algum, nem se ele for seu irmão ou seu amigo. Não mendigue atenção. E... - ela passou a mão pelos cabelos flamejantes da Weasley -...pare de ficar toda bobinha perto do Harry. Ele é muito idiota pra você.

Ginny franziu o cenho.

- Ele é seu irmão.

Sollaria passou o braço esquerdo ao redor dos ombros da mais nova.

- Por isso mesmo eu falo isso.

_____

Assim que chegaram ao Salão Comunal da Sonserina, Sollaria e Ginny se sentaram perto da lareira para que pudessem se aquecer.

- Ainda bem que não aconteceu nada demais com Harry, não é? - comentou Ginny.

Sollaria apenas murmurou, os olhos fechados enquanto tentava refletir sobre os acontecimentos do dia.

Qual era o problema que o Universo tinha com os irmãos Potter? Quer dizer... Tinha que ser alguma dívida de uma vida passada para que eles fossem tão perseguidos daquela forma.

Um ruído muito específico de cadeiras de rodas soou em seus ouvidos e, ao se virar para olhar, viu que Astória Greengrass vinha apreensiva na direção das duas ruivas, os cabelos castanhos trançados com lacinhos verde-esmeralda na ponta.

- Sollaria! Ginny! Eu fiquei sabendo do que aconteceu com Potter... Ele está bem?

Sollaria franziu o cenho.

- Sim, ele está bem. Você não foi ao jogo?

As bochechas pálidas de Astória ganharam uma coloração rosada.

- Com o tempo assim, eu não posso sair do castelo. Minha saúde é... um pouco frágil.

A Potter deu um sorriso condescendente.

- Entendo. Bem, Harry está ótimo.

Ginny concordou com um aceno da cabeça, um olhar assombrado tomando conta de seu semblante.

- Dumbledore foi genial! Ele impediu que Harry se machucasse! Usou um feitiço que pareceu desacelerar o tempo, sabe?

Em seguida, espirrou.

Astória recuou um pouco, parecendo constrangida.

- Você deveria tomar um banho quente e trocar de roupa. Para evitar um resfriado, sabe? - Ela olhou para Sollaria, fitando o braço engessado. - Você também, Sollaria. Ei, posso assinar?

A terceiranista se levantou, caminhou até onde Astória estava para que ela pudesse escrever no gesso e entregou-lhe a tinta preta.

Quando ela olhou o que estava escrito, viu que era o nome de Astória seguido de um coraçãozinho. Perto do pulso havia pequenas estrelas desenhadas, e um sol que sorria.

- Um sol... Porque seu nome é Sollaria. Sabia que Solis é "Sol" em latim? Seu nome provavelmente deriva disso, não é?

Sollaria sorriu.

- É, é isso mesmo. Obrigada, Astória.

Seguindo o conselho da primeiranista, Sollaria e Ginny foram cada uma para seu dormitório e tomaram um banho quente. Quando terminou, Sollaria colocou um vestido branco florido com mangas levemente bufantes, algo que fazia com sentisse como as princesas dos contos de fadas trouxas que Hermione lhe contava vez ou outra.

Ao se olhar no espelho, decidiu que gostava de como estava vestida - muito mais do que quando usava suas vestes bruxas, que tinham estampas sem-graça -, e que dali em diante faria compras apenas no brechó trouxa do Beco Diagonal.

Pegou uma fita de cabelo azul-marinho, o último livro que recebera do correio (uma obra trouxa de fantasia polêmica e progressista que Hermione lhe recomendara) e então voltou para o Salão Comunal, onde encontrou Astória e pediu que ela a ajudasse com o laço.

- Potter! Potter! - Ouviu a voz arrastada de Draco chamando por ela.

Ele havia acabado de entrar na Sala; parecia ter algo a dizer, mas, de repente, parou ao vê-la.

Draco abriu a boca e fechou-a.

- Está tudo bem? - Sollaria coçou o próprio braço, de repente sentindo-se um pouco mais tímida que o normal.

Draco piscou rapidamente e então seguiu os movimentos que ela fazia, observando com atenção seu braço fraturado. Pegou-o com cuidado, lendo as coisas que estavam escritas nele.

- O que são essas coisas? "Um desejo de melhoras do seu segundo rival e amigo de Quadribol favorito"... Uma carinha tosca... Astória e Weasley... Quem é esse idiota que se intitula seu rival e amigo favorito? Eu sou o seu rival e amigo favorito.

Sollaria revirou os olhos.

- Será que todos os garotos são bobos? - Ela deu um peteleco na testa dele. - Aqui diz segundo rival de Quadribol favorito, Draco. E Cedric Diggory não é idiota. Ele foi muito gentil em tentar tornar meu infeliz estado um pouco menos aborrecedor.

Draco fez uma careta e resmungou alguma coisa que Sollaria não entendeu, então saiu andando até a outra câmara e deixou a garota plantada sozinha no meio da antesala.

- O menino endoidou de vez - murmurou ela consigo mesma antes de voltar para a poltrona diante da lareira.

Ela abriu o livro de capa roxa, passou o sumário e então leu o primeiro parágrafo.

"Havia apenas duas coisas que deixavam Caroline Goodwill aborrecida - ser interrompida enquanto lê um livro e ser contestada mesmo quando obviamente está certa.

Ah, não. Pior do que isso, era não ser ouvida, especialmente quando ela percebia que isso se dava por ser a única garota presente."

- Potter!

Ela bufou e fechou o livro.

- Cinco minutos. - Ela balançou o livro diante do rosto do amigo. - Eu só queria cinco minutos para conseguir ler meu livro em paz, pelas pernas bambas de Merlin!

Draco arrancou o livro da mão dela e colocou-o no colo.

- Pare de ser chata. Eu trouxe tintas em bastão para assinar seu gesso. - Ele pegou o braço dela e colocou sobre o joelho dele. - Agora, fique quieta enquanto eu deixo essa carinha tosca no chinelo.

Sollaria mordeu a parte interna da bochecha.

- Ai, Draco, isso não é uma competição. Cedric é legal, mas ele é apenas um colega. Ele literalmente só treina com o time dele ao mesmo tempo que eu treino com a Sonserina.

Mas Draco estava concentrado demais desenhando alguma coisa no gesso para levantar os olhos e dar atenção ao que ela dizia. Mesmo assim, ela continuou:

- Ele é apenas simpático comigo porque sabe que os garotos da Sonserina são uns idiotas que não me dão ouvidos. E podem ser um pouco... Malvados. E ele é popular, bonito e mais velho. Não sei por quê está com ciúmes logo dele. Eu jamais trocaria minha amizade com você por ele, Draco. Nós nem podemos ser considerados amigos. Já você... Você é a minha pessoa, e você sabe disso. Então, sossegue, seu tonto.

Ela tentou espiar o que ele estava desenhando, mas a cabeça dele estava tampando.

Ótimo.

Ela esperaria, então.

Alguns minutos depois, Draco levantou a cabeça e disse, os olhos cintilando:

- Pronto, eu acabei.

A primeira coisa que Sollaria quis ver foi o que ele havia escrito.

"Oi, Florzinha.

- Draco Malfoy, seu melhor
amigo e rival preferido."

Ela deixou escapar uma risadinha.

- Sabe, eu não gostava desse "Florzinha", mas só porque você gosta de me provocar com ele, eu estou passando a não odiá-lo mais, então agora você terá de me chamar de outra coisa.

- Sem chance, Florzinha. Mas, pensando bem, talvez eu ressuscite algum de seus outros apelidos. - Ele fingiu pensar. - Que tal "Princesa da Sonserina"? Ou "Estrela da Sonserina"? Não... "Herdeira de Slytherin" me parece mais imponente, não acha?

Sollaria fez um gesto obsceno.

Draco fingiu uma expressão de choque.

- Uau, como você é rebelde, fazendo esses gestos inapropriados para moças de boa família...

- Nem tente me provocar, Malfoy.

Ele ergueu as duas mãos.

- Não estou. - Uma pausa. - Princesa da Sonserina.

- Isso nem soa tão legal. Eu acho meio... brega. E é muito comprido. E inapropriado. Quer dizer, eu nem sou uma princesa de verdade. Não existem princesas no mundo bruxo, todos sabem disso. Esse apelido não faz sentido. Mas... Prefiro esse ao apelido que me davam no primeiro ano.

Draco teve a decência de corar sob o olhar julgador de Sollaria.

- Pare com isso... Eu era um idiota - murmurou ele. - E... ei, eu não acho tão brega. Acho menos ridículo que "Estrela da Sonserina" ou "Herdeira de Slytherin". Esses sim são toscos. E você é tão bonita quanto uma princesa de verdade. Então, talvez você devesse parar de ser tão chata e aceitar o apelido que lhe deram, Princesa da Sonserina. Ou prefere "Princesa", para os íntimos?

Sollaria deu um soquinho no braço do Malfoy, não conseguindo segurar uma risadinha.

- Ninguém mais me chama assim, seu bobo, e você sabe disso. E você não acha que seria meio esquisito eu sair por aí me intitulando "Princesa da Sonserina"? - Ele riu. - Pare... Você está zombando de mim.

Ela olhou para as mãos em seu colo.

Draco franziu o cenho.

- Por que eu estaria zombando de você?

Ela gesticulou com certa impaciência.

- Falando essas coisas...

- Que coisas?

Ela o encarou como se ele fosse uma criancinha que precisasse que ela repetisse tudo duas vezes.

- Que eu sou bonita. Que eu sou uma princesa. E essa história do ano passado ficou no passado. Graças a Merlin, ninguém fala mais nada... Pelo menos não na minha frente. Ou pelo menos só falam quando pensam que eu não estou ouvindo.

Draco ficou impassível.

- Primeiro, eu nunca ouvi tanta idiotice saindo da sua boca, Potter. Eu jamais zombaria de você. Se eu fiz isso no passado, é porque eu... - Draco ficou quieto de repente. Ele comprimiu os lábios, passou a mão pelos cabelos e então voltou a atenção para ela. - Eu era um idiota, tá legal? Eu te acho bonita e posso te afirmar que eu não sou o único que acha isso. E sobre isso de falarem de você... O que você quer dizer com isso? Quem está falando mal de você?

Ela se mexeu desconfortável na poltrona e abaixou o rosto.

- Vamos deixar isso pra lá. Vamos voltar a ver o seu desenho.

Ele pegou sua mão.

- Não... Fale comigo, Sollaria. Eu estou bem aqui... Eu não sei o que é que eu fiz para que não confie em mim, mas eu juro que eu estou tentando compensar todas as besteiras que eu um dia falei pra você. Me... Me desculpe se eu te magooei um dia. Eu acho que eu só... - Ele balançou a cabeça. - Não sei.

Sollaria suspirou, sentindo-se tocada pelo que ele estava falando. Talvez ela fosse mesmo uma garotinha sensível, porque pensou que seu coração fosse derreter feito manteiga quando Draco disse tantas coisas bonitas.

- Só... bobagens. De garotas enciumadas. - Ela se lembrou de um tempo atrás, quando viu algumas coisas escritas na parede do banheiro. - Você sabe... - Ela falou tão baixinho a última parte que o garoto teve que se inclinar mais para perto para que pudesse ouvi-la. - Porque eu sou sua melhor amiga.

Draco parecia não ter entendido.

- Draco. - O corpo de Sollaria parecia estar queimando de vergonha. Ele realmente a forçaria a falar aquelas coisas? - Você sabe que é muito bonito. E algumas garotas... - ela tossiu -...se sentem atraídas por você. Talvez pensem que eu estou no caminho.

Draco abriu a boca, parecendo chocado.

- Mas eu não ligo. E eu não vou tirar satisfação. Uma das coisas mais ridículas que pode acontecer, na minha opinião, é uma garota brigar com outra por conta de um menino. Não que eu fosse brigar com alguém por você nesse sentido - apressou-se ela a dizer, o rosto esquentando. - Quer dizer, todos sabem que somos apenas amigos, não é? Então, é só deixar bem claro que você está disponível, e essa besteira talvez acabe.

O garoto ainda parecia atordoado. Ficara muito quieto de repente.

Ele pegou a mão de Sollaria carinhosamente e começou a fazer círculos invisíveis em sua pele, distraído por alguma coisa.

- Se alguma... Alguma idiota botou essas ideias ridículas na sua cabeça, pode ir tirando todas elas da sua mente agora. E quer saber?

- Hum?

Ele pegou uma tinta verde e, enquanto rabiscava no gesso dela mais uma vez, disse:

- Esquece o Herdeira de Slytherin. Vou ficar te atormentando com "Princesa da Sonserina" até você enfiar nessa sua cabecinha cor de cenoura que você não é nada disso que falam de você.

Sollaria não conseguia nem mesmo encará-lo.

- A não ser que você queira que eu sofra bullying, não me chame disso nunca mais. - Ela brincou.

Então observou o desenho que ela ainda não havia visto.

Era a constelação de Draco.

-...você tem que parar de dar ouvido a tudo que te falam, sabia? Se eu soubesse que você ainda se chateava com a história do "aberração"...

Draco havia desenhado a constelação de Draco em seu gesso...

Por alguma razão, aquilo aqueceu seu coração.

- E quer saber de mais uma coisa? Acho que "Princesinha" é muito mais irritante do que "Florzinha". Mas eu gosto dos dois.

Ele a puxou pela mão boa repentinamente.

- Para onde estamos indo?

Ele a olhou como se ela tivesse falado alguma coisa muito idiota.

- Almoçar, sua boba.

Quando ela abaixou os olhos para o próprio gesso e leu o que estava escrito, pensou que poderia explodir de emoção naquele exato momento. Seu coração pareceu transbordar, e ela fez esforço para não pular no pescoço de Draco e encher aquela cara pálida dele de beijos.

Você é a estrela mais brilhante de toda a Sonserina. Nunca deixe que te digam o contrário.

Embaixo da assinatura de Cedric, havia algo escrito também.

Oi, Princesa. Seu melhor amigo lindo e incrível te deseja melhoras. Ele não aguenta mais anotar tudo em dobro.

E, embaixo da constelação de Draco, estava escrito:

Minha princesinha linda.
Você é minha pessoa favorita também.
Te amo, Cenourinha (mas não conte pra ninguém que eu te disse isso).

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top