Capítulo Nove: A Noite no Salão Principal
NOTAS DA AUTORA
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Somente no dia seguinte, um dia antes do passeio a Hogsmeade, que Sollaria tivera a oportunidade de passar mais tempo com Harry, Rony e Hermione. Era sábado de manhã, mas o dia estava nublado e fresco. Os alunos (havia semanas) já estavam usando vestes mais fechadas, pois pressentiam que um inverno rigoroso estava por vir.
Os quatro estavam caminhando pela beira do Lago, o vento batendo contra seus rostos. Alguns alunos brincavam com a Lula Gigante, dando-lhe pedaços de bolacha de água e sal.
- Eu ainda não acredito que você não vai poder ir, Harry. Eu sinto muito - disse Sollaria, colocando a mão ao redor dos ombros do irmão.
- É - concordou Hermione. - Mas é mais seguro para você aqui. Você sabe disso.
Rony resmungou.
- Ai, Mione, larga de ser chata. Deixa o cara, ele já entendeu.
- Não, Rony. Hermione pode até ter razão, mas... Qual é o sentido de me manter preso, mas deixar Sollaria ir?
Sollaria franziu o cenho.
- Não tinha pensado por esse lado. Talvez seja porque eu sou... não sei... invisível. - Ela deu de ombros, cutucando as unhas pintadas de verde escuro. - Quero dizer... Você que é o importante. Eu sou só o resto da vingança dele.
- Belas unhas - elogiou Hermione, reparando nas mãos da amiga. - Eu amei!
- Amou? Foi o elfo do Malfoy que fez, eu pintei as dos pés também! Até mostraria, mas... você sabe, as botas e tudo mais-
- Argh, ninguém liga pro seu pé - falou Rony com rispidez. - O que vamos fazer quanto ao Harry?
Sollaria amarrou a cara.
- Seu grosso.
Ele mostrou a língua.
- Muito maduro, Ronald.
- Muito maduro, Ronald - imitou ele, com a voz forçada a parecer feminina.
Os dois ficaram fazendo caretas um para o outro e imitando sem parar até que Hermione deu um tapão na nuca dos dois.
- Parem, estão parecendo duas crianças.
- Desculpe. Acho que foi um surto momentâneo. Fique muito tempo perto do Rony e você acaba sendo contagiado pelo comportamento tosco dele. - Sollaria sorriu em provocação enquanto massageava a própria nuca.
Rony ia retrucar, mas Hermione o cutucou.
Harry, por outro lado, estava muito quieto, parecendo pensativo.
- Eu já tentei de tudo, até falei com a professora McGonagall, mas... Ela disse que seria melhor assim. Mesmo depois de ter explicado a questão dos meus tios. - O garoto inspirou lentamente. - Você tem sorte, Sollaria. Você não perde absolutamente nada por ser invisível.
Ele estava parado à frente deles, de costas, como se não conseguisse encará-los. Sollaria somente podia tentar imaginar como Harry se sentia; preso contra a própria vontade em um lar abusivo, agora impedido de usufruir da pouca liberdade que tinha. Ele estava certo - Sollaria tinha muita sorte por ter tido um destino diferente do dele.
Na manhã seguinte, Sollaria desceu para tomar café da manhã com Draco, sentindo-se um pouco aborrecida. Por mais que aquele fosse o dia em que iriam a Hogsmeade, também era o dia em que seus pais foram assassinados, doze anos atrás.
- Não fique muito triste, Sollaria. Eles não iriam querer que você ficasse assim depois de doze anos. - Draco passou a mão gentilmente pelas suas costas.
Sollaria esfregou os olhos.
- Não... Não diga isso. Eu passei dez anos da minha vida achando que era um dia para se comemorar... E-Eu...
- Você não sabia. Não tinha como você saber, ué. Você estava ocupada demais tendo que viver uma vida que não era sua, tendo sido obrigada a aceitar uma identidade diferente.
Sollaria virou para olhar para o amigo e, quando fez isso, percebeu o quão próximo ele estava. Seus rostos estavam a centímetros um do outro, mas ela soube guardar a surpresa para si. Abaixou os olhos e afastou-se do amigo gentilmente.
- Você está certo. Eu não tinha culpa, acho.
Ela observou Draco encher o cálice dela com suco de laranja, e deu um sorriso fraco em agradecimento. Um tempo depois, Sollaria puxou Draco pela mão para fora do Salão e, quando percebeu que não havia ninguém por perto, passou os braços ao redor do amigo, que pareceu um pouco surpreso com a repentina demonstração de afeto.
Ela nem sabia por quê sentia tanta necessidade do toque do melhor amigo - talvez fosse pelo momento. Estava muito vulnerável ultimamente, especialmente naquele dia.
- Obrigada por ser meu melhor amigo. Eu amo você... muito.
- Eu... Eu...
Ela encostou ainda mais o rosto contra as vestes escuras do amigo, um sinal de que entendia o que ele queria dizer, apesar de não conseguir.
- Está tudo bem, Draco. Eu sei.
- Não! - retrucou ele imediatamente. Ele fez menção de se afastar, mas ela o segurou com força, fazendo com que ele relaxasse. - Quero dizer... Eu... Eu também te amo, Sollaria.
De repente, a ruiva ergueu o rosto para encará-lo, os olhos já cheios de lágrimas.
Os dois se encararam por vários segundos, ainda abraçados. Palavras não eram necessárias, e ambos tinham ciência daquilo. Draco abriu um sorriso tímido enquanto as lágrimas caíam sem parar dos olhos da garota.
Ela esfregou o rosto contra o ombro dele, sentindo o aroma daquele perfume amadeirado que lhe era tão agradável. Depois de mais alguns segundos, afastou-se dele e terminou de enxugar as lágrimas.
- Você é tão bocó que me faz sair da mesa só para te dar um abraço, então estou te abraçando por tempo suficiente para compensar a longa caminhada até aqui.
Ele riu, mas voltou a abraçá-la com força por mais um segundo antes de se soltar.
Encostou-se na parede fria próxima à porta do Salão Principal e puxou-a para perto.
- Ei... Que horas você pretende voltar de Hogsmeade? - indagou Sollaria de repente.
Porque estava tão ocupada ultimamente, sem tempo para quase nada, Sollaria decidiu que talvez fosse bom ela fazer a primeira visita a Hogsmeade com Rony e Hermione, pelo menos para passar um pouco de tempo com eles. Por conta disso, Draco iria com Theodore Nott e Blaise Zabini, seus dois outros únicos amigos mais próximos, ao vilarejo.
- Não faço ideia. Talvez no meio da tarde. Por quê?
Sollaria deu de ombros, um sorriso fraco formando-se em seus lábios.
- Só... tente não sentir muito a minha falta. - Ela passou os dedos afetuosamente pelos cabelos de Draco, a fim de ajeitá-los. Depois, começou a alisar freneticamente o tecido das vestes do amigo.
- Já estou com saudades - brincou ele, recebendo um tapinha no braço. - E não tem nada para ajeitar aí, mãe. Minhas vestes estão lisas.
- Só estou ajeitando - replicou ela carinhosamente.
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Depois de se despedir de Draco e de Harry (e prometer trazer muitos doces para o irmão), Sollaria caminhou em silêncio por uns quinze minutos em direção a Hogsmeade junto de Rony e Hermione; a vegetação ao redor da estrada tinha tons marrom-avermelhados típicos do outono. As folhas das árvores caíam sem parar no chão e estalavam a cada vez que pisavam nelas. O dia estava acizentado e ventava bastante, mas isso não impedira que centenas de alunos resolvessem passear no vilarejo vizinho.
Sollaria avistou a rua principal de Hogsmeade algum tempo depois; suas pernas pareciam pinicar, e ela sentiu as dores musculares de semanas e semanas de treino pesado. Ao seu lado, Rony e Hermione tinham a respiração ofegante, ambos apoiando-se nos joelhos.
- Vocês querem fazer uma parada rápida? - brincou Sollaria, afastando uns fios irritantes de cabelo que insistiam em atrapalhar sua vista.
Rony olhou para ela com cara feia, mas continuou caminhando.
O vilarejo estava completamente lotado de bruxos e bruxas, especialmente de estudantes de Hogwarts. As ruas eram largas o suficiente para terem a liberdade de andar sem esbarrar um no outro. As lojas estavam todas abarrotadas de alunos curiosos. Havia uma livraria no fim da rua, mas Sollaria não quis entrar - não estava com ânimo para aquilo no momento. Passaram pela Dervish & Banges (a loja de equipamentos mágicos), pelo Correio, pela Casa dos Gritos, por um bar decadente chamado Cabeça de Javali e por uma hospedagem simplória antes de darem a volta e entrarem na lotada Honeydukes, a loja de doces local.
Sollaria comprou uma sacola cheia de docinhos para ela própria, e dividira uma sacola para Harry com Hermione e Rony. Bolinhos de caldeirão, diabinhos de chocolate, chicles de baba e bola, feijõezinhos de todos os sabores, sapos de chocolate... Esperava que aquilo satisfizesse o irmão, que estava solitário no castelo.
Depois, decidiram que queriam ir para o Três Vassouras para que pudessem tomar umas cervejas. O bar estava completamente lotado de alunos, mas não havia como não reconhecer Draco Malfoy sentado em uma mesa no centro do estabelecimento, a cabeça pendendo para trás de um jeito elegante enquanto ria, a voz fria e arrastada preenchendo aquele lado do ambiente.
Na mesa ao lado da dele, duas garotas bonitas, provavelmente terceiranistas, lançavam-lhe olhares a todo momento, e davam risadinhas quando ele as encarava de volta.
Sollaria virou o rosto, não querendo presenciar aquilo. Já não bastava sentir-se pequena perto de garotas como Daphne Greengrass ou das meninas bonitas que adoravam conversar sobre garotos no banheiro - ter que assistir àquilo equivalia, por alguma razão, a uma pequena espécie de tortura.
Rony cutucara seu ombro - nem percebera quando ele e Hermione voltaram com três cervejas amanteigadas, mas lá estavam eles.
- O-Obrigada, Rony - agradeceu a ruiva em voz baixa, seguindo o grifinório até uma mesa do outro lado do bar.
Assim que se sentou e tomou o primeiro gole de sua bebida, uma onda de calor percorreu seu corpo. O bar de repente parecia extremamente quente, e ela sentiu necessidade de tirar o agasalho que usava. Hermione fez a mesma coisa, tirando também uma touca que usava na cabeça.
- Então... é a primeira vez que tomam cerveja amanteigada? - indagou Sollaria, tentando distrair a mente.
Hermione assentiu, limpando a espuma que ficara em cima dos lábios.
- É deliciosa.
- É mesmo - concordou Sollaria, porque não sabia mais o que falar.
Rony, por sua vez, parecia estar muito mais entretido em comer os doces que comprara na Honeydukes.
- Sabem, Hogsmeade é realmente muito interessante. Sinto muito por Harry, por ele não poder estar aqui com a gente - comentou Hermione.
- É - concordou Sollaria distraída.
- Bem - começou Rony com a boca cheia -, eu falei que ele poderia usar a Capa da Invisibilidade, mas você é muito chata e proibiu.
- Eu não proibi nada! - defendeu-se a morena, seus cabelos esvoaçando diante de seu rosto. - Só disse que os dementadores conseguem ver através da Capa.
Os dois continuaram a discutir, e Sollaria parou de ouvir quando o assunto já não era mais Harry poder ou não visitar Hogsmeade, e sim Bichento e Perebas.
- Pelo amor de Deus, Rony, Bichento é só um gato!
Sollaria começou a imaginar de onde Harry tirava paciência para aguentar aquelas discussões toscas entre os dois amigos. Eles nem mesmo notaram quando ela saiu e foi até o banheiro, que ficava do outro lado do estabelecimento.
- Oi, Potter - cumprimentou Daphne Greengrass enquanto lavava as mãos.
- Oi, Daphne.
Havia sido uma pequena interação, mas, ainda assim, Sollaria havia ficado extremamente surpresa por receber a atenção de Daphne, que geralmente apenas fingia que não a via.
Quando voltou para dentro do bar, o clima à mesa estava pesado. Não dissera nada, pois não queria se intrometer; sinceramente, tinha mais com o que se preocupar.
- Acho que já vi muito de Hogsmeade por hoje - murmurou Hermione depois de um tempo, olhando para o próprio copo.
- É, eu também - concordou Sollaria.
Os três pegaram as sacolas de doces e saíram pelas ruas gélidas do vilarejo. Aquele não estava sendo um dia muito animador.
- Bem... Pelo menos temos o Dia das Bruxas - comentou Rony depois de um tempo, chutando algumas folhas secas que apareciam no caminho.
Ela deu um sorrisinho mínimo para o garoto e então seguiram o resto do caminho em silêncio.
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Quando chegaram ao Castelo, foram direto para a Sala Comunal da Grifinória ("Eu não sei como vocês aguentam subir e descer o tempo todo essas mil escadas!"). Harry estava sentado diante da lareira e, quando os três apareceram, Hermione e Rony agiram como se nada tivesse acontecido entre eles.
Harry agradeceu pelos doces e contou-lhes sobre sua tarde.
- Lupin convidara você para um chá, você viu um demônio aquático e ele tomou uma poção misteriosa dada por Snape? Ele ficou louco?
- Acho que você resumiu bem a ideia da coisa, sim. - Harry deu um gole em sua bebida, parecendo apreciá-la cada vez que a ingeria.
- E o que será que tinha naquela poção? - questionou Hermione, aflita.
Harry deu de ombros.
- Sinceramente? Não sei. Mas espero que o professor Lupin esteja bem.
O banquete de Dia das Bruxas havia sido tão interessante quanto os dos dois anos anteriores, exceto pelo fato de nenhum bruxo ter infiltrado um trasgo para dentro do castelo e nenhuma gata ter aparecido petrificada. Tudo estava bem. Sollaria jantara com Harry, Rony, Hermione, Fred e George à mesa da Grifinória e, horas e horas depois, quando pensou que fosse explodir de tanto comer, levantou-se e caminhou sozinha para o salão comunal da Sonserina.
Já estava em um sono profundo quando sentiu as mãos magras de Daphne tentando chamá-la.
- Sollaria! Sollaria! Precisamos que você acorde! Ponha um roupão, pegue um travesseiro e venha logo! - sussurrou a garota, os olhos verdes cintilando na escuridão. - Pansy já está lá embaixo.
- O que aconteceu? O que aconteceu? - indagou Sollaria, ainda meio grogue. - São...
Ela procurou o despertador que ficava na mesa-de-cabeceira.
- Dez e meia da noite - apressou-se Daphne em dizer. - O diretor mandou que todos voltássemos ao Salão Principal.
Quando as duas saíram do quarto, Sollaria teve a visão das mais de centenas de alunos da Sonserina reunidos em atrapalhadas filas que os monitores-chefes tentavam organizar.
Sollaria apertou o roupão mais para perto do corpo e seguiu a companheira de quarto para a fila dos terceiranistas.
- O que vocês acham que pode ser? - Ouviu a voz de Ginny na fila ao lado.
- Sei lá, mas deve ser algo sério. Por que mais outro motivo seríamos todos chamados a essa hora para voltarmos ao Salão Principal? - questionou Astória Greengrass, enquanto mexia-se inquieta para frente e para trás com sua cadeira de rodas.
- Talvez uma festa do pijama? - arriscou uma outra segundanista de pele retinta e olhos negros assustados, tentando parecer um pouco menos nervosa.
- Não seja tonta, Anneliese - retrucou uma quintanista negra de cabelos trançados, provavelmente sua irmã, na fila do outro lado da dos segundanistas. - Algo sério deve ter acontecido.
- É, imaginem se Sirius Black tentou invadir a Escola? - exclamou Astória, os olhos cintilando.
O estômago de Sollaria pareceu afundar; não havia razão para descartar a possibilidade daquilo ser verdade, ela sabia que havia grande chance, afinal, era a chance perfeita de pegar Harry despreparado, e não pôde deixar de se sentir assustada por se encontrar no - provável - mesmo lugar que o assassino mais procurado (depois de Lorde Voldemort) na Grã-Bretanha.
Depois do que pareceu um século de espera, os monitores permitiram que cada grupo de aluno se direcionasse ao Salão em ordem decrescente. Os mais novos seriam acompanhados pelos monitores-chefes e, então, em silêncio, Sollaria e os outros alunos do terceiro ano se apressaram para seguir os demais.
O Salão estava abarrotado de alunos curiosos e assustados e sonolentos, mas havia também aqueles que pareciam completamente dispostos, como se tivessem perdido o sono.
Acostumada a ver todos os alunos em vestes pretas, Sollaria surpreendeu-se com o quanto a presença de cores vivas poderia fazer a diferença - parecia ter mais alunos ali do que o normal.
Sollaria reconheceu Cedric Diggory, o apanhador da Lufa-Lufa, conversando com Cho Chang a um canto, o que queria dizer que tanto os lufanos quanto os corvinos já estavam presentes. Viu Ginny e Astória irem ao encontro de Luna Lovegood da Corvinal e então percebeu que se sentia terrivelmente solitária.
Só faltavam os grifinórios. Além de estar sozinha, Sollaria estava se sentindo um pouco assustada no meio de tantos alunos - e nenhum rosto conhecido.
Ficou na ponta dos pés para tentar procurar por Draco. Procurou, procurou e procurou, então finalmente encontrou-o escorado a uma parede perto de onde supostamente estaria a mesa da Sonserina. Ele estava rindo de algo que Blaise havia dito, Nott ao seu lado.
Draco pareceu sentir que ela o fitava, pois encarou-a de volta e abriu um sorrisinho de lado, logo voltando sua atenção ao que quer que Blaise estivesse dizendo.
As portas centrais do Salão Principal se abriram. Ela se virou, aliviada ao observar Harry, Rony e Hermione aparecerem entre os primeiros alunos a atravessarem a porta.
- Harry! - exclamou a garota, correndo até o irmão. Ela jogou os braços ao redor do pescoço do irmão. - Fiquei preocupada... Há boatos de que Sirius Black...
- Eu estou bem, Sollaria. - Harry sorriu. - Você não acha que se um assassino tivesse me achado, eu já não estaria mais aqui?
O rosto de Sollaria ficou lívido.
- Não fale uma coisa dessas.
- Mas ele está certo - comentou Hermione. - De qualquer forma, não chegamos a ver Sirius Black.
Rony fez sinal para que Sollaria se aproximasse.
- Mas a Mulher Gorda sumiu - sussurrou ele. - Os quadros ao redor disseram que ela foi atacada por Sirius Black.
Sollaria arregalou os olhos.
- O que isso quer dizer? - indagou ela baixinho.
Os quatro apenas se encararam, incapazes de emitir qualquer som. A gravidade da situação pairava sobre eles, o temor tomando conta. Sirius Black estivera ali - muito próximo de Harry, Rony e Hermione. De Fred, George, Percy e de muitos outros alunos inocentes. Por sorte, era noite de Dia das Bruxas, e todos eles se encontravam no Salão àquela hora. Por sorte do destino, estavam a salvo.
Dumbledore subira no palanque em que costumava ficar para se dirigir aos alunos e inclinara-se sobre o púlpito.
- Silêncio - pediu ele, e, muito rapidamente, todos os alunos pararam de falar. - A escola precisará ser revistada. Alguns retratos temem ter avistado Sirius Black andando pelos corredores do sétimo andar e, para a sua segurança, convidamos todos a dormirem aqui esta noite.
Alguns alunos encaravam uns aos outros, parecendo receosos. O burburinho retornara - não era à toa que Hogwarts tinha uma fama quanto à fofoca. Sollaria nunca havia visto gente mais fofoqueira que aqueles alunos.
Observou o diretor, que havia descido do palanque e agora andava em direção a uma das portas atrás de onde ele estivera segundos antes.
- Ah, sim, vocês precisarão de...
E gesticulou, fazendo surgir no chão centenas de colchonetes felpudos e confortáveis.
- Tenham uma boa noite.
Por uns cinco minutos, tudo o que se podia ouvir era o ruído de mais de mil alunos enfiando-se em colchonetes. Depois, as milhares de vozes voltaram a ecoar pelo salão; mesmo que estivessem falando em tom baixo, mil alunos falando ao mesmo tempo fazia parecer que estava acontecendo um coro organizado.
Os três grifinórios e Sollaria arranjaram um canto perto da entrada principal e colocaram seus colchões um perto do outro, em círculo. Eles se enfiaram cada um no seu colchão, Sollaria apertando o próprio travesseiro com força.
Sollaria ouviu a voz de Percy, seu irmão mais velho, do outro lado do Salão, pedindo por silêncio. Ele devia estar orgulhoso de si mesmo; era um dos sonhos do mais velho poder se tornar monitor-chefe da Grifinória, e ele conseguira.
- Boa-noite - desejou Hermione baixinho.
Rony e Harry meramente grunhiram, mas a sonserina replicou em voz alta o cumprimento.
Olhou para o teto enfeitiçado; a noite estava bonita, apesar de cinzenta. As nuvens constituíam estranhos formatos, e Sollaria contentou-se em obsevá-los desaparecer enquanto tentava afastar a ideia de que Sirius Black havia estado no Castelo a uma curta distância dela e de Harry.
Com a sensação de que havia um nó na garganta, fechou os olhos, desejando que tudo aquilo não passasse de um sonho ruim - queria poder fingir que aquele dia jamais acontecera, que não iria sentia medo.
Em sua imaginação, ela havia ido com Draco a Hogsmeade e eles haviam se divertido. Ela voltara para o castelo, encontrara Harry, Rony e Hermione e eles contaram ao Potter tudo sobre o vilarejo. À noite, todos foram dormir em paz, cada um na sua cama, sem nenhum risco ou possibilidade de encontrar um assassino perigoso no castelo, porque ele jamais existira.
Então abriu os olhos, e ainda estava no chão do Salão Principal. Aquele era o mundo real, e não sua imaginação. Olhou para o lado e viu que Harry a encarava. Sorriu para o irmão.
Mas então percebeu que era somente o reflexo da luz, e o garoto estava adormecido.
Mesmo assim, continuou sorrindo, e caiu no sono pensando em uma vida completamente diferente tanto para ela, como para o irmão e para os falecidos pais.
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