Capítulo Doze: Sonhos Estranhos
NOTAS DA AUTORA
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Um rapaz gordinho de frios olhos azuis estava parado diante da porta de uma mansão que provavelmente já havia tido dias melhores. Ele observou por cima do ombro, como se para ver se estava sendo seguido, e não havia nada além de um gramado que precisava ser aparado e... lápides. Lápides desgastadas.
Ele sentiu um calafrio percorrer seu corpo.
Era quase como um cemitério.
Que tipo de pessoa construía um cemitério na própria propriedade?
Ele bateu à porta, que se entreabriu com um rangido sombrio.
Quando atravessou a sala, havia sumido.
Sollaria estava sentada em um sofá no Salão Comunal da Grifinória, ladeada por dois rapazes muito atraentes e descolados que pareciam estar tendo uma conversa séria.
Ela reconheceu um deles imediatamente como sendo seu pai, James Potter, provavelmente no último ano de escola. Já o outro, ela não sabia dizer quem era, embora houvesse algo de muito familiar nele.
- Eu já te falei, Sirius. Você não precisa sair lá de casa só porque vamos nos formar. Meus pais te adoram. E você pode entrar na academia de aurores comigo e Lily se estiver a fim de descolar uma grana. Nossa carta de inscrição foi aceita!
Deixou uma exclamação audível escapar, uma que se perdera nos limites de tempo e espaço e jamais fora ouvida por mais ninguém além da própria Sollaria.
Sirius Black... Aquele era Sirius Black.
Sirius Black era da Grifinória?
Sirius Black era amigo de seu pai?
E morava com ele?
Antes que pudesse tentar analisar melhor a situação, não se encontrava mais no salão comunal da Grifinória. Agora, ela estava em sua casa. Mais precisamente, em seu quarto, com uma versão de si adormecida.
Estava sonhando... Menos mal.
Contudo, Dumbledore e a senhora Weasley, sua mãe, entraram aos sussurros e se aproximaram de sua cama. O diretor ergueu a varinha em sua direção.
Ela conseguia imaginar o que significava a situação, e ela não sabia se queria presenciar aquilo. Portanto, sem pensar, mesmo sabendo que não poderia ouvir a si mesma, Sollaria aproximou-se de sua figura adormecida na cama e chacoalhou-a, implorando para que acordasse.
- Acorde! Acorde! Você precisa acordar.
Ela abriu os olhos, deixando escapar um arquejo. Quando olhou ao redor, estava no Salão Comunal da Sonserina. Havia adormecido enquanto lia seu livro.
Não havia mais ninguém ali. Apenas ela.
Ao olhar para o relógio na parede, viu que já eram seis da manhã.
Assim que se levantou da poltrona, seu corpo cobrou a noite mal dormida. Imediatamente sentiu uma dor aguda atrás do pescoço.
Resmungando, Sollaria pegou seu livro e caminhou até o dormitório escuro, pensando sobre as coisas que presenciara. Tinha muitas dúvidas a respeito do primeiro e do segundo sonho - se é que realmente eram apenas sonhos. Ela preferia pensar que sim; afinal, não conhecia nenhum rapaz gordinho que morava em uma mansão esquisita, e a ideia de Sirius Black e seu pai serem amigos era simplesmente muito absurda.
Depois de se aprontar para mais uma segunda-feira, Sollaria seguiu solitária para o Salão Principal, que estava vazio a não ser por ela e mais dois alunos da corvinal.
A única coisa positiva que o braço quebrado trouxera a ela fora o fato de que não teria aulas com Dumbledore e Snape até que se curasse completamente, mas, por outro lado, estaria impedida de treinar com o time da Sonserina.
O idiota do Flint nem mesmo pensara por aquele lado...
Ela riu sozinha ao perceber que aquilo significava um ponto para ela.
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Já estavam no período vespertino e Sollaria estava parada preguiçosamente contra a parede fria do corredor da sala de DCAT, apenas esperando pela autorização do professor para que entrassem na sala de aula. Harry estava ao seu lado, pensativo, enquanto Rony e Hermione tagarelavam sobre quem estaria por trás daquela porta naquele dia - o professor Lupin ou Snape.
Hermione se inclinou para a frente, tentando ver o interior da sala de aula.
- É o professor Lupin, está tudo bem - exclamou ela, radiante.
O professor Lupin voltara ao trabalho. Sem dúvida tinha a aparência de quem estivera doente. Suas vestes velhas estavam mais frouxas e havia olheiras escuras sob seus olhos; ainda assim, ele sorriu para os garotos que ocupavam seus lugares na classe e, em seguida, desataram a se queixar do comportamento de Snape na ausência de Lupin.
- Não é justo, ele estava só substituindo o senhor, por que passou dever de casa?
- Não sabemos nada de lobisomens...
- ... dois rolos de pergaminho!
- Vocês disseram ao professor Snape que ainda não estudamos lobisomens? - perguntou Lupin, franzindo ligeiramente a testa.
A balbúrdia tornou a encher a sala.
- Dissemos, mas ele respondeu que estávamos muito atrasados...
- ... ele não quis ouvir...
- ... dois rolos de pergaminho!
O professor Lupin sorriu ao ver a expressão indignada nos rostos dos alunos.
- Não se preocupem. Vou falar com o professor Snape. Não precisam fazer a redação.
- Ah, não! - exclamou Sollaria, muito desapontada. Ela e Neville haviam passado a tarde toda de domingo escrevendo aquele trabalho.
Tiveram uma aula muito gostosa. O professor Lupin trouxera uma caixa de vidro contendo um hinkypunk, uma criaturinha de uma perna só, que parecia feita de fiapos de fumaça, a aparência frágil e inofensiva.
- O hinkypunk atrai os viajantes para os brejos - informou o professor enquanto os garotos faziam anotações. - Vocês repararam na lanterna que ele traz pendurada na mão? Ele salta para a frente... a pessoa acompanha a luz... então...
A criatura fez um horrível barulho de sucção contra o vidro da caixa.
Quando o sinal tocou, todos caminharam lentamente para suas respectivas aulas. Enquanto a professora de Aritmância falava, Sollaria se perguntava por quê não escolhera Estudo dos Trouxas como matéria opcional - com certeza teria sido menos aborrecedor.
Quando o dia finalmente acabou, Sollaria já estava no seu limite, mas, pelo menos, lembrou-se ela, não teria que enfrentar horas de aula particular por pelo menos mais duas semanas. Madame Pomfrey dissera que ela trocaria o gesso por uma faixa apenas na sexta-feira, o que era, em parte, um alívio. Por outro lado, Sollaria não via a hora de poder escrever por conta própria e também participar dos treinos de Quadribol; apesar de odiar todos os membros de sua equipe (com exceção de Ginny), ela amava demais o esporte para deixar que aquilo a afetasse.
Ela tentava se lembrar disso sempre que Flint a aborrecia, o que acontecia pelo menos cinco vezes por semana (ou seja, todos os dias de treino). Mesmo quando ela não estava treinando, o rapaz arranjava um jeito de importuná-la. Foi o que aconteceu naquela segunda-feira, antes da sala comunal se esvaziar por completo.
Flint havia ido atrás dela para cobrá-la de restaurar o braço logo.
- Não dá - respondera ela. - Eu tenho alergia a certos ingredientes que vão nessas poções restauradoras de ossos. Poderia me matar.
E, quando ele ameaçara tirá-la do Time, ela simplesmente dissera que ele até podia tentar, mas que sabia que Snape ficaria ao lado dela naquela situação, afinal, o próximo jogo nem mesmo era contra a Sonserina. Eles teriam tempo de sobra para treiná-la.
Espumando, Flint apontara o dedo na cara dela uma última vez antes de sair batendo os pés corredor masculino adentro.
Sozinha no Salão Comunal, Sollaria esfregou os olhos, cansada. Indagou-se como havia se colocado em uma situação tão embaraçosa, tão desgastante.
Talvez fosse seu Destino passar por sucessivas situações tão estressantes, pensou dramaticamente enquanto se enrolava nas cobertas quinze minutos depois, ou talvez realmente fosse uma dívida de vidas passadas. Não havia outra alternativa.
Ela virou para o outro lado, desconfortável.
Mas, pensando bem, refletiu enquanto acariciava os pelos de Nyx, que decidira dormir com ela daquela vez, não era como se já não estivesse acostumada com tantos infortúnios àquela altura.
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O fato de a Corvinal ter sido esmagada pela Lufa-Lufa na partida de Quadribol que ocorrera no último sábado de novembro (o que surpreendera a maior parte dos alunos, mas não Sollaria, que sempre acreditara no potencial do Time e achava que o resultado foi bem-feito para quem os subestimava) e a completa recuperação de Sollaria que fora oficialmente declarada por Madame Pomfrey naquela sexta-feira fez com que o ânimo de Sollaria melhorasse consideravelmente desde o acidente com o Balaço e as primeiras aulas particulares do ano.
Mesmo a chuva gélida - que persistiria até o fim de janeiro -, que geralmente atrapalhava os treinos de Quadribol, era recebida com alegria por parte de Sollaria, pois aquilo significava tomar chocolate quente perto da lareira com Draco nas noites mais frias.
No primeiro dia de dezembro, Sollaria retomara suas aulas de Oclumência com o professor Snape, que decidira que estavam muito atrasados com seus encontro semanais.
- Você deveria estar mais adiantada, mas com o incidente com o Balaço, ainda nem sabe fechar a mente perfeitamente - reclamou ele enquanto folheava um livro de Oclumência com certa irritação.
Eles repetiram os passos daquelas primeiras aulas do início do ano letivo: técnicas de esvaziar a mente, depois tentar expulsar Snape, que tentaria invadi-la.
Foram três longas horas de tortura e crises de ansiedade, mas, pelo menos, ao fim da aula, Sollaria já era capaz de neutralizar os próprios pensamentos sem muita dificuldade.
A parte mais complicada era tentar relaxar quando era constantemente exigido dela que se mantivesse atenta ao seu redor. Quer dizer... Havia um assassino à solta, e ele estava atrás dela e de seu irmão. Como ela deveria relaxar?
Era mentira. Aquela não era a parte mais complicada.
Tentar expulsar Snape de sua mente exigira um esforço quase físico da parte dela. Verbalizar ou exigir por pensamento que ele desse o fora dali não era de muita serventia, conforme ela descobrira ao fim da aula.
"Você precisa querer me impedir de ver sua mente", dissera Snape pela milésima vez.
Sollaria não sabia se estava conseguindo captar a mensagem, então, antes que ele desistisse de lhe ensinar e a mandasse catar coquinhos, ela sugeriu:
- Por que o senhor não deixa eu tentar entrar na sua mente, e então me bloqueia? Para que eu entenda o que deve acontecer. E a sensação...
Apesar de tentar esconder, Sollaria sabia que Snape havia ficado impressionado com a sugestão. Nem mesmo ele havia pensado naquilo e, ao fim da aula, ela pelo menos compreendia agora o que de fato deveria acontecer (e pensava ser meio impossível, mas ela tentava se convencer de que conseguiria).
Quando chegara ao Salão Comunal, dez minutos após o toque de recolher, tinha gotículas de suor em sua testa e em suas costas, embora aquela fosse a parte mais fria do castelo e eles estivessem debaixo do Lago.
Como era quarta-feira, a maioria dos alunos terceiranistas ainda estava acordada, porque teriam Astronomia à meia-noite.
Tudo que Sollaria queria era tomar um chocolate quente e ir dormir, mas a professora Sinistra e sua aula insuportavelmente complicada esperavam por ela na Torre mais alta de Hogwarts.
Como de costume, Draco estava esperando por ela no sofá da antecâmara, folheando um livro sobre Genealogia Bruxa.
- Ah, aí está você - comentou ele. - Você demorou desta vez.
Ela pegou uma almofada, colocou sobre o colo dele e deitou com a cabeça ali, fechando os olhos.
- Tudo bem? - Ele parecia um pouco incerto.
Sollaria apenas pegou uma das mãos de Draco e indicou que ele a passasse pelos seus cabelos, acariciando-os.
- Qual história quer ouvir hoje? - murmurou ele carinhosamente enquanto colocava uma mecha dos cabelos acobreados de Sollaria atrás da orelha dela.
- Pode ser sobre o rapto de Perséfone - disse ela baixinho, procurando a outra mão dele para segurar.
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