Capítulo Dezoito: A Passagem Secreta no Salgueiro Lutador


NOTAS DA AUTORA

↯ Por favor, não se esqueça de deixar seu voto e seu comentário! 🌺

↯ Eu gostaria de adiantar que este e os capítulos seguintes terão bastante cenas retiradas dos livros, especialmente porque são muito importantes para o plot. Por isso, peço perdão, já que sempre tento não fazer algo "copia e cola". Saliento que é importante ler mesmo assim, porque eu fiz várias alterações. Boa leitura!

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A euforia da Grifinória por ter finalmente ganhado a Taça de Quadribol durou pelo menos uma semana, para a infelicidade dos sonserinos.

Quando Sollaria passava, alguns grifinórios ainda a provocavam, pois pareciam não desconfiar de que aquilo não era mais engraçado ou necessário - toda a tensão que sentiram antes do jogo passara.

Os treinos de Quadribol haviam sido interrompidos, é claro, após a última partida pela Taça das Casas. Mesmo assim, Sollaria e Ginny às vezes combinavam de apostar corrida com suas vassouras ao fim do dia ou simplesmente marcavam de treinar três vezes por semana a fim de não perderem o foco para os treinos do ano seguinte.

Ainda que não tivesse as práticas obrigatórias de Quadribol todas as manhãs, Sollaria tinha muito o que fazer com a aproximação dos exames de final de ano letivo. O professor Snape e a professora McGonagall estavam colocando muita pressão nos alunos no que se referia à parte prática de suas matérias.

Posto isso, Sollaria e Draco podiam ser vistos estudando antes e depois de todas as refeições, e também aos finais de semana.

Eles trocavam seus questionários para que um corrigisse o do outro e passavam as últimas horas do dia fazendo testes orais para memorizar as respostas.

Quando Sollaria não estava estudando com Draco ou treinando com Ginny, estava ocupada treinando com Dumbledore às segundas e com Snape às quartas-feiras.

Uma noite, Sollaria havia conseguido conjurar um patrono mal formado, um filete de luz prateada pouco duradouro, mas, ainda assim, o diretor dissera que era um avanço.

Algumas aulas depois, Sollaria finalmente conseguiu pensar em uma lembrança feliz o suficiente para conjurar um patrono de verdade - pelo menos, era o que ela esperava.

Não era de fato uma lembrança; era mais um misto de sentimentos. Ela não pensou em um único acontecimento, mas sim em uma pessoa - Draco Lucius Malfoy, e em como ela se sentia na presença do melhor amigo.

Pensou em todas as vezes que ele a fez sorrir, em todas as vezes que gargalharam juntos, trocaram olhares cúmplices e passaram horas estudando. Em todos os momentos em que ficavam de bobeira sob as estrelas, e também nos presentes que ele lhe dera. Pensara em como Draco a lembrava de livros - suas histórias eram tão imprevisíveis quanto, mas, no final, sempre a surpreendiam de certa forma. Sempre ficariam em sua memória - e sempre arrancariam um sorriso dela, independente de qual assunto fosse. Os livros faziam com que ela se sentisse amada, ouvida e protegida... assim como Draco.

Draco era o seu melhor amigo no mundo todo, a pessoa que enxugava suas lágrimas e lhe dava apoio quando se sentia só.

Draco era o raio de sol que despontava com a aurora depois de uma noite fria e escura e sombria.

Draco era a sua luz.

Era seu melhor amigo.

Era sua pessoa favorita no mundo todo.

Pessoa; Draco Malfoy era sua pessoa.

Ela deixou todo aquele sentimento de amor puro e infinito e belo transbordar dentro de si. Invocou sua magia... que dançava em seu íntimo, nas profundezas de sua mente e em suas veias.

Sollaria sentiu quando aconteceu; parecia uma energia muito forte, um comichão percorrendo o braço direito até a ponta da varinha...

Foi quando uma bela corça prateada apareceu, pairando diante de si, a cabeça baixa em cumprimento.

Como se já se conhecessem há muito tempo.

À medida que junho se aproximava, os dias foram desanuviando e se tornando quentes, e só o que as pessoas tinham vontade de fazer era passear pela propriedade e se largar no gramado com vários litros de suco de abóbora gelado do lado, e talvez jogar uma partida descontraída de bexigas ou apreciar a lula gigantesca nadar, sonhadora, pela superfície do lago.

Mas isso não era possível. Os exames estavam às portas e em lugar de se demorarem pelos jardins, os alunos tinham de permanecer no castelo, e tentar obrigar o cérebro a se concentrar em meio aos sopros mornos de verão que entravam pelas janelas.

Até mesmo Fred e George tinham sido vistos estudando; estavam em vésperas de fazer o exame de N.O.M.s (Níveis Ordinários em Magia).

Percy, por sua vez, estava se preparando para os exames de N.I.E.M.s (Níveis Incrivelmente Exaustivos em Magia), o diploma mais avançado que Hogwarts oferecia. Como Percy tinha esperança de ingressar no Ministério da Magia, precisava de notas muito altas. Por isso, a cada dia ficava mais nervoso, e gritava com os alunos que atrapalhavam seus estudos na Biblioteca ou no Salão Comunal da Grifinória.

A única pessoa que parecia mais ansiosa do que Percy era Hermione, a terceiranista que cursava o maior número de matérias.

A semana dos exames começou e um silêncio anormal se abateu sobre o castelo. Os alunos do terceiro ano saíram do exame de Transfiguração na hora do almoço, na segunda-feira, cansados e pálidos, comparando respostas e lamentando a dificuldade das tarefas propostas, que incluíra transformar um bule de chá em um cágado (Hermione irritou os colegas ao comentar que seu cágado parecia mais uma tartaruga, o que era uma preocupação mínima diante das preocupações dos demais).

- O meu tinha um bico no lugar do rabo, que pesadelo...

- Era para os cágados soltarem vapor?

- No final, o meu continuava com uma pintura de salgueiro estampada no casco, vocês acham que vou perder pontos por isso?

Depois de um almoço apressado, os garotos voltaram direto para cima para fazer o exame de Feitiços. Depois do jantar, Sollaria e Draco decidiram revisar Aritmancia, Runas Antigas, Poções e Astronomia uma última vez antes dos exames.

A única coisa boa que o início das provas trouxe foi o fato de Sollaria ter podido se livrar das aulas extras com Dumbledore e com o professor Snape até o próximo ano letivo, afinal, na última quarta-feira, ela conseguira bloqueá-lo de sua mente por completo e, na segunda, executara um patrono corpóreo depois de muito, muito treino.

Na manhã de terça-feira, Sollaria, Draco e Hermione ficaram na fila para entrar na sala de avaliação de Runas Antigas e, depois, para entrar na de Aritmancia.

O exame de Poções foi durante a tarde e foi um sucesso - pelo menos era o que Sollaria esperava. Assim que saiu da sala de exame, verificou nos livros se sua Poção para Confundir estava conforme as descrições e, para a sua alegria e pelo que se lembrava, haviam ficado bem parecidas.

Depois veio o exame de Astronomia à meia-noite, na torre mais alta do castelo; História da Magia na quarta-feira de manhã. Na quarta- feira à tarde foi a vez de Herbologia, nas estufas, sob um sol de cozinhar os miolos; depois voltaram mais uma vez à sala comunal, com as nucas queimadas, imaginando que no dia seguinte, àquela hora, os exames finalmente teriam terminado. Sollaria esperava conseguir passar pelo menos com setenta porcento nessas três matérias, apesar de ser um pouco complicado.

O último exame, na quinta-feira pela manhã, foi Defesa Contra as Artes das Trevas. O professor Lupin preparara o exame mais incomum que eles já tinham feito; uma espécie de corrida de obstáculos ao ar livre, debaixo de sol, em que tinham que atravessar um lago fundo o suficiente para se remar, onde havia um grindylow; em seguida, uma série de crateras cheias de barretes vermelhos, depois um trecho de pântano, desconsiderando as informações enganosas dadas por um hinkypunk, e, por fim, subir em um velho tronco e enfrentar um novo bicho-papão.

- Excelente, Sollaria - murmurou Lupin quando ela desceu do tronco, limpando a testa suada. - Nota máxima.

Sem dirigir uma palavra ao padrinho, ela apenas sorriu e, apertando a varinha na mão direita, saiu andando apressada em direção ao castelo.

Precisava de um banho e, depois, de um longo descanso antes do almoço. Talvez almoçasse com Rony, Harry e Hermione. Estava curiosa para saber sobre como haviam ido nos exames, especialmente Hermione.

- Você sabia que o bicho-papão de Hermione é ela levando bomba em todas as matérias? - contou Rony durante o almoço, dando risadinhas.

Hermione fez cara feia para o amigo.

- Esqueçam isso, eu tenho algo para contar a vocês - disse Harry alarmado, inclinando-se na direção da irmã e dos amigos. - Durante o exame de Adivinhação, a professora Trelawney parecia esquisita... Não, Rony, mais esquisita do que ela já é... A voz dela ficou grossa e rouca, e os olhos, desfocados. Ela começou a dizer... coisas... Sobre o servo de Voldemort se reunir a ele hoje à noite... E ele... retornar...

Os três ouvintes se arrepiaram ao ouvir o nome de Lorde Voldemort.

- E você acha que ela estava falando sério? - começou Rony, ansioso.

- Quem brincaria com uma coisa dessas? - interrompeu Sollaria.

Nenhum dos três respondeu; pareciam tensos de repente.

- Vocês não acham que seja sério, acham? - indagou Hermione, risonha.

Harry coçou a nuca.

- Eu espero que seja mesmo apenas uma brincadeira de muito mau gosto dela.

Ao fim do almoço, Harry recebeu uma coruja de Hagrid, convidando-os para um chá depois do jantar.

- Ei, Sollaria, o que acha de nos acompanhar dessa vez? Você pode conhecer o Bicuço!

Sollaria franziu o cenho.

- Bicuço?

- É o hipogrifo do Hagrid.

- Mas... Mas vocês não acham perigoso? E se formos pegos?

- Hagrid bem buscar a gente, e vamos levar a Capa, é claro - explicou Harry.

- E não vamos ficar até tarde! - Hermione lançou um olhar de aviso aos dois garotos.

Sollaria pensou por um momento.

- Tudo bem - replicou ela, animando-se.

Ela nunca havia visto um hipogrifo de verdade antes. Deviam ser realmente fascinantes.

Sollaria, porém, logo descobriria que aquela noite lhe reservava muito mais do que apenas um chá da tarde com o professor de seu irmão e uma besta admirável.

Após o jantar, encontraram-se com Hagrid no Saguão de Entrada. Ele pareceu surpreso com a presença de Sollaria, mas foi muito receptivo com ela.

A cabana de Hagrid era pequena, bem suja e desorganizada. Havia várias gaiolas de bichos aqui e ali e, bem sobre a cama, um enorme hipogrifo estava adormecido.

Pessoas normais tinham sapos de estimação, corujas, gatos ou cachorros. Não um hipogrifo. Mas, sendo Hagrid, ela não esperava nada diferente. Ele tentara criar um dragão em sua cabana de madeira uma vez.

O chá estava muito doce e aguado, e os biscoitos que Hagrid oferecera estavam duros e esfarelando muito, mas, mesmo assim, por educação, Sollaria agradeceria e elogiaria Hagrid pela ótima recepção.

Hermione se ofereceu para ferver o leite e, quando apanhou a garrafa de leite para encher a leiteira, ela soltou um grito.

- Rony!... Eu não acredito... é o Perebas!

O queixo de Rony caiu.

- Do que é que você está falando?

Hermione levou a leiteira até a mesa e virou-a de boca para baixo. Com um guincho frenético, e muita correria para voltar para dentro da jarra, Perebas, o rato, deslizou para cima da mesa.

- Perebas! - exclamou Sollaria sem entender.

- Perebas, que é que você está fazendo aqui? - Rony agarrou o rato que se debatia e segurou-o próximo à luz.

Perebas estava com uma aparência horrível. Mais magro que nunca, perdera grandes tufos de pelos que deixaram pelado seu corpo, o rato se contorcia nas mãos de Rony como se estivesse desesperado para se soltar.

- Tudo bem, Perebas! - tranquilizou-o Rony. - Não tem gatos! Não tem nada aqui para te machucar!

Perebas se jogou sobre a mesa, fazendo com que a leiteira voasse para o chão, espatifando-se. Bicuço, o hipogrifo, fez um barulho alto na cama, irritado por ter sido acordado. Um relógio antigo próximo à porta soou, indicando que já eram oito horas da noite.

- Ó, vejam, acho que deveriam ir embora. É perigoso para vocês ficarem aqui até tarde. Vamos, depressa, ou se meterão em encrenca!

O sol ia se pondo depressa agora; o céu se tornara cinzento, sem nuvens, e tinto de púrpura, mais para oeste havia uma claridade vermelho-rubi.

Os quatro se despediram de Hagrid e de Bicuço e saíram correndo pelo terro de Hogwarts. Haviam decidido se enfiar sob a Capa da Invisibilidade apenas quando chegassem perto o suficiente do castelo, pois era difícil de andar com mais três pessoas quando se vestia tal artefato.

Rony de repente parou muito quieto.

- Ah, por favor, Rony - começou Sollaria.

- É o Perebas... ele não quer... parar...

Rony se curvou, tentando segurar Perebas no bolso, mas o rato estava ficando furioso; guinchava feito louco, virava e se debatia, tentando ferrar os dentes nas mãos de Rony.

- Perebas, sou eu, seu idiota, sou eu, o Rony.

- Ah, Rony, por favor, vamos andando, você ouviu Hagrid! - murmurou Hermione.

- OK... Perebas, fique quieto...

Eles avançaram mais um pouco, mas Rony parou novamente.

- Não consigo segurar ele... Perebas, cala a boca.

O rato guinchava alucinado.

- Rony, talvez seja melhor tentarmos acalmá-lo com um pouco mais de cuidado, ele parece assustado - sugeriu Sollaria, preocupada. - Deixe-me fazer carinho nele, e...

- Deixa pra lá, Sol. Vamos logo - disse Rony, cujos dentes davam a impressão de estar batendo.

A claridade ia desaparecendo depressa agora. Quando chegaram à área ajardinada, a escuridão desceu, como por encanto, a toda volta. Como garantia, colocaram a Capa da Invisibilidade ali mesmo.

- Perebas, fica quieto - sibilou Rony, apertando a mão contra o peito. O rato se debatia, enlouquecido. Rony parou de repente, tentando empurrálo para o fundo do bolso. - Que é que há com você, seu rato burro? Fica parado aí... AI! Ele me mordeu!

- Rony, fica quieto! - cochichou Hermione com urgência.

- Ele não quer... ficar... parado...

Perebas estava visivelmente aterrorizado. Contorcia-se com todas as suas forças, tentando se desvencilhar da mão de Rony.

- Que é que há com ele?

Então, os outros viram.

Parado um pouco ao longe, estava o gato alaranjado de Hermione.

- Bichento! - gemeu Hermione. - Não, vai embora, Bichento! Vai embora!

Mas o gato se aproximava sempre mais...

- Perebas... NÃO!

Tarde demais - o rato escorregou por entre os dedos apertados de Rony, bateu no chão e fugiu precipitadamente. De um salto, Bichento saiu em seu encalço, e antes que Sollaria, Harry ou Hermione pudessem detê-lo, Rony retirou a Capa e se arremessou pela escuridão.

- Rony! - gemeu Sollaria.

Os três correram atrás do amigo, mas era impossível correr com desenvoltura com a capa por cima; arrancaram-na e ela ficou voando para trás como uma bandeira, quando saíram desabalados atrás de Rony; ouviram os passos dele à frente e seus gritos para Bichento.

- Fique longe dele... fique longe... Perebas, volta aqui...

Ouviu-se um baque sonoro.

- Te peguei! Dá o fora, seu gato fedorento...

O amigo estava esparramado no chão, mas Perebas já estava de volta ao bolso; Rony apertava com as duas mãos um calombo trepidante.

- Rony... vamos... volta para baixo da capa... - ofegou Hermione. - Você ouviu Hagrid...

Mas antes que pudessem se cobrir outra vez, antes que pudessem ao menos recuperar o fôlego, eles ouviram o ruído macio de patas gigantescas. Algo estava saltando da escuridão em sua direção - um enorme cão negro de olhos claros.

Harry até tentou pegar a varinha, mas tarde demais - o cão investira dando um enorme salto, e suas patas dianteiras atingiram o garoto no peito; Harry caiu para trás num redemoinho de pelos.

Sollaria mal conseguia ver o que estava acontecendo, mas era capaz de distinguir sons de luta. De repente, um barulho seco foi ouvido, e ela ouviu Harry arfar.

- Lumus! - sussurrou Harry e ela ao mesmo tempo.

A luz produzida pelas varinhas mostrou-lhe um grosso tronco de árvore; tinham corrido atrás de Perebas até a sombra do Salgueiro Lutador, cujos ramos estalavam como se estivessem sendo açoitados por um forte vento, avançavam e recuavam para impedir os garotos de se aproximarem.

E ali, na base do tronco, o cão arrastava Rony para dentro de um grande buraco entre as raízes - o garoto lutava furiosamente, mas sua cabeça e seu tronco foram desaparecendo de vista...

- Rony! - gritou Harry, tentando segui-lo, mas um pesado galho chicoteou ameaçadoramente o ar e ele foi forçado a recuar.

- Immobilus! - gritou Sollaria, apontando para a árvore, que ficou imóvel.

Agora estava visível apenas uma das pernas de Rony, que ele enganchara em torno de uma raiz na tentativa de impedir o cão de arrastá-lo mais para o fundo da terra - mas um estampido terrível cortou o ar feito um tiro; a perna de Rony se partiu e um instante depois, seu pé desaparecera de vista.

- Gente, temos que procurar ajuda... - gritou Hermione; ela também sangrava; o salgueiro a cortara na altura dos ombros.

- Não! Aquela coisa é bastante grande para comer Rony; não temos tempo...

- Harry, nunca vamos conseguir entrar sem ajuda...

- Se aquele cão pôde entrar, nós também podemos - ofegou Harry, aproximando-se mais e mais da árvore.

- Ah, socorro, socorro - murmurava freneticamente Hermione, dançando no mesmo lugar -, por favor...

Bichento, o gato de Hermione, reapareceu, dando um miado alto, e entrou em um buraco perto das raízes.

- Bichento! - exclamou Hermione.

Sollaria apertou o braço de Harry, apreensiva.

- Como...?

- Ele é amigo daquele cão, já os vi juntos antes - revelou Harry. - Vamos... e mantenham as varinhas em mãos...

Escorregaram por uma descida de terra até o leito de um túnel muito baixo. Bichento ia mais adiante, os olhos faiscando à luz da varinha de Harry, Sollaria e Hermione.

- Aonde é que foi o Rony? - sussurrou Hermione com terror na voz.

- Por ali - respondeu Harry, caminhando, curvado, atrás de Bichento.

- Onde é que vai dar esse túnel? - perguntou Sollaria, ofegante.

- Eu não sei... Está marcado no Mapa do Maroto, mas Fred e George disseram que ninguém nunca tinha entrado. Ele continua para fora do mapa, mas parecia que ia em direção a Hogsmeade...

A passagem parecia não ter fim. Sollaria só conseguia pensar em Rony e no que aquele cão enorme poderia ter feito com ele.

O túnel começou a subir e, em vez do gato, viram um espaço mal iluminado por meio de uma pequena abertura.

Eles pararam, procurando recuperar o fôlego, depois avançaram cautelosamente, erguendo as varinhas para ver o que havia além.

Era um quarto, muito desarrumado e poeirento. O papel descascava das paredes; havia manchas por todo o chão; cada móvel estava quebrado como se alguém o tivesse atacado. As janelas estavam vedadas com tábuas.

Sollaria agarrou o braço de Hermione, aflita e com medo.

Harry saiu pelo buraco, olhando para todos os lado, mas o quarto estava deserto.

- Harry, Sollaria - cochichou Hermione -, acho que estamos na Casa dos Gritos.

Ela olhou a toda volta. Seus olhos se detiveram em uma cadeira de madeira, próxima. Havia grande pedaços partidos; uma das pernas fora inteiramente arrancada.

- Fantasmas não fazem isso - comentou Harry lentamente à frente.

Naquele momento, ouviram um rangido no alto. Alguma coisa se mexera no andar de cima. Os três olharam para o teto.

O mais silenciosamente que puderam, saíram para o corredor e subiram uma escada desmantelada. Tudo estava coberto por uma espessa camada de poeira, exceto o chão, onde uma larga faixa brilhante fora aparentemente limpa por uma coisa arrastada para o primeiro andar.

Eles chegaram ao patamar escuro.

- Nox - sussurraram ao mesmo tempo, e as luzes nas pontas de suas varinhas se apagaram.

Havia apenas uma porta aberta. Ao se esgueirarem nessa direção, ouviram um movimento atrás da porta; um gemido baixo e em seguida um ronronar alto e grave. Eles trocaram um último olhar e um último aceno de cabeça.

A varinha empunhada com firmeza à frente, Harry escancarou a porta com um chute. Em uma imponente cama de colunas, com cortinas empoeiradas, encontrava-se Bichento, que ronronou alto ao vê-los. No chão ao lado do gato, agarrando a perna estendida num ângulo estranho, encontrava-se Rony.

Harry, Sollaria e Hermione correram até ele.

- Rony... você está bem?

- Onde está o cão?

- Não é um cão - gemeu Rony. Seus dentes rilhavam de dor. - Harry, Sollaria... Isso é uma armadilha...

- O quê?

- Ele é o cão... ele é um animago...

Rony olhava fixamente por cima do ombro de Harry, que se virou depressa. Com um estalo, um homem nas sombras fechou a porta do quarto.

Uma massa de cabelos imundos e embaraçados caíam até seus cotovelos. Se seus olhos não estivessem brilhando em órbitas fundas e escuras, ele poderia ser tomado por um cadáver. A pele macilenta estava tão esticada sobre os ossos do rosto, que ele lembrava uma caveira. Os dentes amarelos estavam arreganhados num sorriso.

Era Sirius Black.

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