Capítulo Dezesseis: O Feitiço do Patrono
NOTAS DA AUTORA
↯ Por favor, não se esqueça de deixar seu voto e seu comentário! 🌺
_______
Harry havia dito a Sollaria que sabia que Hermione tivera a melhor das intenções, mas, então, por que, de repente, estava ignorando a amiga?
- Harry, é apenas uma vassoura. Um bem material. Não é como se nunca mais fosse ter ela de volta - disse ela dois dias depois, enquanto os dois e Rony andavam ao redor do Lago Negro.
- Você diz isso porque tem a sua própria Firebolt - resmungou ele.
Ela franziu o cenho.
- Digo isso porque acredito que a amizade de Hermione é muito mais importante do que uma vassoura.
Rony interveio a favor de Harry.
- Ela é uma intrometida! - Ele parecia furioso. - O que ela fez é um crime! Desmontar uma vassoura de quinhentos galeões... E aquele gato horroroso dela, que vive perseguindo Perebas...
Sollaria parou de ouvir. Não aguentava mais ouvir as reclamações de Rony sobre Bichento, que era apenas um animal indefeso.
Os dias se passaram, e Sollaria decidiu que preferia ficar sozinha ou na companhia de Hermione, que se refugiara solitária na biblioteca. Ela sabia que a amiga precisava mais dela do que os dois idiotas, então foi isso que ela fez.
Às vezes, convidava Hermione para ficar com ela no Salão Comunal da Sonserina, mas a amiga rejeitava a ideia obstinadamente.
Pouco depois do Ano-Novo, os alunos que haviam ido para casa voltaram para Hogwarts, e a paz de Sollaria chegara ao fim.
Assim que Draco apareceu arrastando seu malão, ele gritara o nome de Sollaria - que estava lendo um livro com Nyx no colo diante da lareira - e ela fora correndo até ele para abraçá-lo (ainda não tinha ninguém no salão comunal). Quando ele se ausentava daquela maneira, Sollaria percebia o quanto a presença dele lhe fazia falta; ainda mais naquele feriado, o qual ela passara quase que sozinha, a saudades que sentia do melhor amigo era quase insuportável.
No momento em que a viu, sem nenhuma saudação ou cerimônia, Flint a abordou com seus grunhidos habituais para avisá-la de que teriam treino logo na manhã seguinte.
E, para terminar, recebera uma carta de Dumbledore avisando que suas aulas particulares com ele e Snape retornariam ainda naquela semana.
Que agradável.
Na manhã seguinte, a primeira aula fora História da Magia com a Lufa-Lufa. Ela achou o momento muito apropriado para começar o primeiro volume do conjunto de livros que Hermione havia lhe dado, enquanto Draco anotava tudo ao seu lado.
A segunda aula foi bem menos divertida: Herbologia com a Corvinal. Com aquele frio intenso de janeiro, as paredes das estufas estavam congelando, então, ao fim da aula, Sollaria já não sentia a ponta de seu nariz e estava com as bochechas coradas de frio.
Depois do jantar, Sollaria se arrastou lentamente para o escritório de Dumbledore no sétimo andar. A única coisa que a animava era que já não estavam mais trabalhando com as Maldições Imperdoáveis - começariam o Feitiço do Patrono.
- O feitiço que vou lhe ensinar faz parte da magia muito avançada, Sollaria, muito acima do Nível Normal de Bruxaria. É chamado de Feitiço do Patrono.
Ela apenas balançou a cabeça, esperando que ele continuasse.
- Quando funciona corretamente, ele conjura um Patrono, que é uma espécie de antidementador, um guardião que age como um escudo entre você e o dementador. É um tipo de energia positiva, uma projeção da própria coisa de que o dementador se alimenta: esperança, felicidade, desejo de sobrevivência...
Sollaria pegou-se pensando se pessoas infelizes poderiam ser capazes de conjurar um patrono, então.
- Hum... E como se conjura?
- Com uma fórmula mágica, que só fará efeito se você estiver concentrado, com todas as suas forças, em uma única lembrança muito feliz.
Ela tinha algumas boas lembranças de sua infância... Mas então se lembrou de que todas aquelas que envolviam magia - ou seja, quase todas as suas memórias - haviam sido modificadas ou roubadas dela.
Sollaria sentiu um arrepio percorrer a espinha, e então sentou-se mais ereta em seu costumeiro assento diante da escrivaninha do diretor.
Preferia pensar em uma lembrança pós-Hogwarts, mas qual poderia, remotamente, ser a mais feliz, logo ela, que vivia momentos deprimentes e, em sua maioria, desesperadores?
- Certo - disse, procurando lembrar o mais exatamente possível de quando Draco escrevera coisas bonitas no gesso que ela usara no braço algumas semanas atrás.
- A fórmula é a seguinte - Dumbledore ergueu o indicador para ganhar a atenção de Sollaria. - Expecto Patronum!
- Expecto Patronum - repetiu ela em voz baixa -, Expecto Patronum.
- Está se concentrando com todas as forças em sua lembrança feliz?
Ele se levantou, e fez sinal para que ela o seguisse até o meio da sala.
- Ah... estou - respondeu Sollaria, forçando depressa seu pensamento a retornar àquele momento em específico. Ela deixou escapar um longo suspiro e ergueu a varinha. - Expecto Patronum.
Nada.
- Expecto Patronum...
Nada de novo.
Foi apenas na sétima tentativa que algo realmente aconteceu. Alguma coisa se projetou subitamente da ponta de sua varinha; parecia um fiapo de gás prateado.
Sollaria sorriu, olhando para o diretor em busca de aprovação.
- Muito bem - aprovou Dumbledore sorrindo. - Certo, então, está pronto para experimentar com um dementador?
O sorriso de Sollaria vacilou um pouco.
Um dementador de verdade?
- E-Estou - replicou ela, segurando sua varinha com firmeza. Tentou manter o pensamento em Draco e em suas palavras adoráveis, mas alguma coisa não parava de interferir... Ela ficaria realmente próxima de um dementador.
E se ele chegasse perto o suficiente e desse um beijo nela?
Dumbledore abriu a porta de sua sala e permitiu que um dementador entrasse. Imediatamente, a temperatura pareceu despencar uns dez graus e as luzes em volta da sala piscaram e se apagaram.
Saía uma fumacinha branca da boca de Sollaria. Ela apertou ainda mais a varinha quando a figura encapuzada ergueu uma de suas mãos reluzentes, cobertas de cascas de feridas, em sua direção. Ele parecia cada vez mais perto de Sollaria, a respiração profunda...
- Expecto Patronum! - bradou ela. - Expecto Patronum!
Mas nada parecia acontecer.
Seu coração estava acelerado, e ela estava entrando em pânico.
Tentou manter o pensamento feliz em sua mente, mas era difícil quando aquela figura assustadora estava em sua presença.
- Expecto Patronum! Expecto...
A sala e o dementador foram se dissolvendo...
E tudo ficou escuro de repente.
Quando recuperou os sentidos, estava deitada de costas no chão, as luzes da sala acesas mais uma vez.
- O que houve? - murmurou ela com a voz fraca.
- Você perdeu os sentidos por alguns minutos - contou o diretor, agachado ao lado dela. - Como está se sentindo?
Ela se forçou a se levantar, sentindo-se um pouco tonta.
- B-Bem, eu acho.
Ela olhou ao redor, procurando pelo dementador. Dumbledore lhe lançou um olhar indulgente.
- Eu o mandei embora. Você estava congelando. Acho que talvez devêssemos tentar com um bicho-papão ao invés de um dementador de verdade.
Quanto a isso ela concordava com ele.
- E tallvez você queira escolher outra lembrança, uma lembrança feliz, quero dizer, para se concentrar... Essa primeira parece que não foi bastante forte...
Ela murchou; aquela era uma de suas lembranças mais felizes.
Custou a pensar em uma melhor, mas, talvez...
- Estou pronta.
Contudo, Dumbledore ergueu uma das mãos.
- Acho que forcei seus limites hoje, Sollaria. Você deveria descansar. Enquanto isso, pense em lembranças felizes e pratique o movimento com a varinha.
______
Corvinal jogou contra Sonserina uma semana depois do início do semestre. Sonserina ganhou, mas foi uma vitória apertada (pelo menos, a festa que tiveram na Comunal depois valeu a pena). Por conta disso, Harry e Rony saudaram-na ao fim do jogo com sorrisinhos vitoriosos; se a Grifinória vencesse a Corvinal, poderiam conseguir pelo menos o segundo lugar.
Sollaria quisera perguntar a Harry, na semana seguinte à disputa, se ele ainda queria se vangloriar para cima dela, provocando-a. Agora que havia uma chance de Grifinória não sair da disputa, Oliver Wood, o capitão do Time, aumentou o treino de Quadribol para cinco vezes por semana; na sexta-feira à noite, Harry parecia muito cansado.
- Só não estou pior que Hermione - murmurara o garoto, e Sollaria se virara para olhar para a amiga, que estava sentada a um canto da sala comunal, rodeada de livros, dicionários, tabelas e anotações; ela pouco falava com os colegas e respondia mal quando era interrompida.
Sollaria secretamente pensava que Hermione parecia à beira de um colapso.
Janeiro transitou para fevereiro imperceptivelmente, sem alteração no frio extremo que fazia. As aulas com Dumbledore não iam muito bem, mas estavam indo melhor do que quando haviam tentado com um dementador de verdade.
Com o falso dementador, Sollaria tivera bem mais controle de suas emoções - não temia correr perigo, já que ele não era real -, mas o Feitiço do Patrono ainda era extremamente complexo de se conjurar. Até o início de fevereiro, o máximo que ela havia conseguido fora produzir um vulto indistinto e prateado, muito fraco para afugentar o falso dementador.
Mesmo assim, ela não desistiria. Dumbledore dizia com frequência que ela estava fazendo progresso, mas deveria tentar se concentrar mais em um único pensamento feliz - o mais feliz possível.
Já com Snape, a situação estava bem menos pior. Ela havia conseguido dominar a arte de se esvaziar a mente, e agora passara a expulsar o professor da mente dela com extrema facilidade depois da ideia que tivera. O próximo passo era bloqueá-lo totalmente e, assim, ela teria enfim dominado a Oclumência básica. Mas ela ainda tinha muito a aprender...
Até o Dia dos Namorados, Sollaria só conseguia pensar em como precisava de uma boa semana de férias de tudo - da Escola, dos professores, até mesmo dos amigos. Rony e Hermione haviam brigado na semana anterior quando o garoto encontrou sangue em seu lençol, e Perebas, seu rato de estimação, desaparecera, o que deu a entender que o roedor fora comido por Bichento, o gato de Hermione.
Parecia o fim da amizade entre Rony e Hermione. Estavam tão zangados um com o outro que Sollaria preferia manter distância da Torre da Grifinória até que se resolvessem.
Rony estava enfurecido porque Hermione nunca levara a sério as tentativas de Bichento para devorar Perebas, não se dera o trabalho de vigiá-lo de perto e continuava a fingir que o gato era inocente, sugerindo que Rony procurasse Perebas embaixo das camas dos garotos. Por sua vez, Hermione insistia ferozmente que Rony não tinha provas de que Bichento devorara Perebas, que os pelos que ele encontrara talvez estivessem no dormitório desde o Natal, e que o garoto alimentara preconceitos contra o gato desde que Bichento aterrissara na cabeça dele na Animais Mágicos.
Harry confidenciara a Sollaria que tinha certeza de que Bichento comera Perebas, e ela até considerou isso, visto que era a natureza do felino (embora Sollaria realmente pensasse que Rony não tinha indicações concretas que comprovassem sua acusação), mas, quando o garoto tentou mostrar a Hermione que todas as "evidências" que tinham apontavam naquela direção, a morena zangara-se com ele também.
- Tudo bem, fique do lado do Rony, eu sabia que você ia fazer isso! - disse ela com voz aguda. - Primeiro a Firebolt, agora Perebas, tudo é minha culpa, não é? Então me deixe em paz, Harry, tenho muito trabalho a fazer.
Rony estava realmente sofrendo muito com a perda do rato, mas Sollaria não aguentava mais vê-lo choramingar como se fosse ele a vítima da situação, então se frustrou com ele também.
E, para piorar, Harry havia recuperado sua Firebolt, o que significava que o Time da Grifinória estava irritantemente confiante demais.
Durante o café da manhã do dia em que ocorreria a partida entre Corvinal e Grifinória, todos os alunos à mesa da Sonserina tinham os rostos pintados de azul e um marrom que remetia ao bronze. Draco havia mais uma vez feito corações nas bochechas de Sollaria e, quando os irmãos (que jogavam pela Grifinória) a viram, lançaram-lhe olhares ofendidíssimos.
- Tem certeza de que você sabe montar nessa vassoura, Potter? - disse a voz arrastada e fria de Draco Malfoy, que caminhava de braços dados com Sollaria em direção ao Campo de Quadribol no momento em que encontraram Harry, Rony, Hermione e o resto do Time.
Sollaria apertou de leve o braço do amigo.
- Acho que sim - disse Harry, descontraído.
- Tem muitas características especiais, não é? - disse o Malfoy, um sorrisinho surgindo em seus lábios. - Pena que não venha com um paraquedas, para o caso de você chegar muito perto de um dementador.
Sollaria cutucou-o na costela, repreendendo-o.
- Pena que a que você tem em casa não pode fazer muito por você, Draco - retrucou Harry, olhando para o loiro e depois demorando-se um segundo a mais em Sollaria. - Como te fornecer a reciprocidade dos sentimentos de Você-Sabe-Quem.
Ninguém pareceu entender de início, até que um músculo no queixo de Malfoy tremeu, ele puxou Sollaria pela mão e eles seguiram em frente, enquanto os outros rapazes davam risadinhas.
- O que foi aquilo? - indagou Sollaria, apreciando a paisagem enquanto não chegavam no estádio.
O tempo não poderia estar mais diferente do que o do dia da partida com Lufa-Lufa. Fazia um dia claro e frio com uma levíssima brisa; desta vez não haveria problemas de visibilidade ou com os dementadores, como bem sabia que Dumbledore cuidara do problema.
Às onze horas, os jogadores já estavam em campo. Os capitães Roger Davies e Oliver Wood apertaram as mãos, e então o apito soou. A partida começara.
"Foi dado início à partida, e a grande novidade é a Firebolt que Harry Potter está montando pelo time da Grifinória. Segundo a Qual Vassoura?, a Firebolt será a montaria escolhida pelos times nacionais para o Campeonato Mundial deste ano..."
- Jordan, você se importa de nos dizer o que está acontecendo no campo? - interrompeu-o a voz da professora McGonagall.
- Certo, professora, eu só estava situando os ouvintes...
"A Firebolt, aliás, tem um freio automático e..."
- Jordan!
"OK, OK, Grifinória tem a posse da goles, Katie Bell da Grifinória está voando em direção à baliza..."
Harry era seguido de perto por Cho Chang, a apanhadora da Corvinal, em sua busca pelo pomo-de-ouro, e parecia realmente muito frustrado por conta disso.
De repente, Harry deu um mergulho; Cho percebeu o seu movimento e disparou atrás dele. Teria ele avistado o pomo?
Então um balaço, arremessado por um dos batedores da Corvinal, quase o pegou, e Harry pareceu perder o provável pomo-de-ouro.
Houve um grande "ooooooh" de desapontamento da torcida da Grifinória, mas muitos aplausos da Corvinal para o seu batedor.
"Grifinória lidera por oitenta pontos a zero, e olhe só o desempenho daquela
Firebolt! Potter agora está realmente mostrando o que ela é capaz de fazer, vejam como muda de direção - a Comet de Chang simplesmente não é páreo para ela, o balanceamento preciso da Firebolt é visível nesses longos..."
- JORDAN! VOCÊ ESTÁ GANHANDO PARA ANUNCIAR FIREBOLTS? VOLTE A IRRADIAR O JOGO!
Corvinal começou a jogar na retranca; já tinha marcado três gols, o que deixava Grifinória apenas cinquenta pontos à frente - se Cho apanhasse o pomo antes dele, Corvinal ganharia a partida. Harry reduziu a altitude, evitando por um triz um artilheiro da Corvinal, e então acelerou de uma vez, os olhos fixos em um ponto específico.
Ele apontou a vassoura para o alto e logo chegou a sessenta metros sobre o campo. Cho Chang o seguia de perto - ela resolvera marcá-lo em vez de procurar o pomo sozinha.
Harry mergulhou outra vez, e Cho tentou acompanhá-lo; ele desfez o mergulho abruptamente; Cho continuou a descida veloz; ele subiu mais uma vez, como uma bala, e acelerou; a muitos metros abaixo, Cho fez o mesmo. Ele foi reduzindo a distância, se aproximando mais do pomo a cada segundo... então...
Estendeu a mão e conseguiu fechar os dedos sobre o pequeno pomo que se debatia.
Soou o apito de Madame Hooch.
Grifinória vencera.
Ao lado de Sollaria, Draco bufou enquanto ela dava aplausos educados em respeito aos irmãos que jogavam.
- Bem... Acho que vai ter uma festa no Salão Comunal da Grifinória. - Ela olhou para Draco de soslaio, para saber a reação dele, enquanto caminhavam de volta para o castelo.
Ele tinha a cara amarrada.
- Vá em frente. Pode ir. Não nascemos grudados.
Sollaria revirou os olhos, um sorriso satisfeito brotando em seus lábios naturalmente rosados.
- Não, eu acho que eu não quero ir. Só queria ver o que você ia falar. Rony e Hermione estão em um pé de guerra e, com essa vitória da Grifinória, todos eles estarão simplesmente impossíveis. - Ela enroscou o braço no dele e o encarou, os olhos cintilando. - Acho que prefiro passar o resto do dia com você.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top