Capítulo Vinte e Cinco: O Esqueleto Dela Jazerá na Câmara para Sempre
NOTAS DA AUTORA
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Naquela noite, Sollaria tivera um sonho incomum. Via a cena de cima, observando Harry folhear o diário de Tom Riddle, enquanto ouvia alguém sussurrar em seu ouvido:
"É o diário... Cuidado com o diário. Ele mente."
- Tome cuidado, Harry! - tentava alertar, mas ele parecia não a ouvir.
Ela estendeu a mão para alcançá-lo, mas ele parecia estar cada vez mais longe. Uma risada fria soou em seu ouvido.
Sollaria acordou, ofegante, pressionando as mãos sobre o peito.
Tome cuidado com o diário. Ele mente.
Aquela frase ficara gravada em sua mente durante todo o primeiro período do dia. Precisava notificar Harry e Rony do sonho que tivera, mas com os professores na cola deles, era muito difícil.
Foi somente durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas que ela conseguiu chamar a atenção dos dois e mandar um bilhete.
"Eu tive um sonho hoje. Alguém tentava me alertar sobre o diário. Dizia que ele está mentindo."
Rony pegou o bilhete, leu, e o passou para Harry, que escreveu alguma coisa no verso.
"Fomos ver a aranha gigante de Hagrid ontem. Ele é inocente. O monstro está dentro do castelo, mas Aragog, a aranha, não me disse o que era. Só disse que a menina foi encontrada em um banheiro, e pensamos que é a Murta-Que-Geme. Fique atenta, a qualquer momento hoje nós iremos atrás dela."
Eu sabia que estava certa, pensou satisfeita consigo mesma enquanto amassava o papelzinho e o fazia pegar fogo.
Ao fim da aula, a oportunidade de irem atrás de Murta-Que-Geme apareceu. O professor deveria levar os grifinórios para a aula de História da Magia e os sonserinos para a aula de Feitiços, mas ele não parecia acreditar que precisavam de tantos cuidados assim.
Lockhart, que tantas vezes os tranquilizara dizendo que o perigo passara, para em seguida provar-se o contrário, agora estava inteiramente convencido de que nem valia a pena levá-los em segurança pelos corredores.
- Marquem minhas palavras - disse, contornando um canto com os alunos. - As primeiras palavras que aqueles coitados petrificados vão dizer serão "Foi Hagrid". Francamente, estou pasmo que a professora McGonagall continue achando que todas essas medidas de segurança são necessárias.
- Concordo, professor - disse Harry, fazendo Rony derrubar os livros de surpresa. Sollaria ergueu uma sobrancelha.
- Obrigado, Harry - disse Lockhart, gentilmente, enquanto esperavam uma longa fila de alunos da Lufa-Lufa passar. - Quero dizer, nós, professores, já temos muito o que fazer sem ter que acompanhar alunos às aulas e ficar de guarda a noite inteira...
- Tem razão, professor - disse Sollaria com a voz macia. - O senhor é muito ocupado, deveria usar esse tempo para descansar para a próxima aula. Por que o senhor não nos deixa aqui? Só temos mais um corredor pela frente...
- Sabe, Potter, acho que vou fazer isso. Preciso preparar a minha próxima aula...
E se afastou depressa.
- Preparar a aula - Rony caçoou quando o professor se foi. - É mais provável que vá é enrolar os cabelos.
Os três deixaram o resto dos colegas da Grifinória e da Sonserina seguirem em frente, dispararam por uma passagem lateral e correram para o banheiro da Murta-Que-Geme. Mas quando estavam se parabenizando pela jogada genial...
- Senhor e senhorita Potter! Weasley! Que é que os senhores estão fazendo?
Era a professora McGonagall, e sua boca parecia um fio de linha de tão fina.
- Íamos... íamos... - gaguejou Rony. - Íamos... ver...
- Estávamos indo ver Hermione, professora - interrompeu Sollaria com certo pesar.
Os três olharam para ela.
"Não a vemos há séculos, professora", continuou Harry depressa, "e pensamos em entrar sem sermos vistos na ala hospitalar, sabe, e contar a ela que as mandrágoras já estão quase prontas e... para não se preocupar..."
A professora McGonagall olhou fixo para ele e por um instante Sollaria achou que ela iria gritar com eles, mas, quando falou, tinha a voz estranhamente rouca.
- Claro - disse, e Sollaria viu uma lágrima brilhar nos seus olhos de contas. - Claro, compreendo que isto tenha sido mais duro para os amigos dos que foram... compreendo bem. Está bem, Potter, é claro que os senhores podem ir visitar a senhorita Granger. Vou informar ao professor Binns e ao professor Flitwick aonde foram. Digam a Madame Pomfrey que têm a minha permissão.
Sollaria, Harry e Rony se afastaram, mal ousando acreditar que tinham evitado uma detenção. Quando dobraram o canto do corredor, ouviram distintamente a professora assoar o nariz.
- Essa - disse Rony entusiasmado - foi a melhor história que você já inventou.
Não havia escolha agora senão ir à ala hospitalar e dizer à Madame Pomfrey que tinham permissão da professora McGonagall para visitar Hermione. Madame Pomfrey os deixou entrar, com relutância.
- Não tem sentido conversar com uma pessoa petrificada - disse ela, e os garotos tiveram que admitir que estava certa, depois de se sentarem ao lado de Hermione.
Era evidente que ela nem imaginava que tinha visitas, e que tanto fazia dizerem ao armário de cabeceira para não se preocupar, tal era o bem que a conversa poderia produzir.
- Mas eu me pergunto se ela terá visto o atacante - disse Rony, contemplando com tristeza o rosto rígido de Hermione. - Porque se ele chegou sem ser visto, ninguém nunca vai saber...
Mas Harry não estava olhando para o rosto de Hermione. Estava mais interessado na mão direita da amiga. Estava fechada por cima das cobertas e ao chegar mais perto ele viu que havia um pedaço de papel amarrotado dentro dela.
- Harry...? O que está fazendo? - indagou Sollaria baixinho. - Em quê está pensando?
Verificando antes se Madame Pomfrey andava por perto, ele apontou o papel.
- Tente tirar - cochichou Rony, mudando a posição da cadeira de modo a esconder Harry da vista de Madame Pomfrey.
Não foi nada fácil. A mão de Hermione segurava o papel com tanta força que Harry teve certeza de que ia rasgá-lo. Enquanto Rony vigiava ele puxou e torceu e, finalmente, depois de alguns minutos tensos, o papel saiu.
Era uma página rasgada de um livro muito velho da biblioteca. Harry alisou-a ansioso, e Rony e Sollaria se curvaram mais para ler também.
Das muitas feras e monstros medonhos que vagam pela nossa terra não há nenhum mais curioso ou mortal do que o basilisco, também conhecido como rei das serpentes. Esta cobra, que pode alcançar um tamanho gigantesco e viver centenas de anos, nasce de um ovo de galinha, chocado por uma rã.
Seus métodos de matar são os mais espantosos, pois além das presas letais e venenosas, o basilisco tem um olhar mortífero, e todos que são fixados pelos seus olhos sofrem morte instantânea. As aranhas fogem do basilisco, pois é seu inimigo mortal, e o basilisco foge apenas do canto do galo, que lhe é fatal.
E, no pé da página, uma única palavra fora escrita numa caligrafia que reconheceram ser da amiga.
Canos.
Era como se alguém tivesse acabado de acender uma luz em seu cérebro.
- Pelas cuecas de coraçõezinhos de Merlin... Como eu fui burra! Era óbvio... Tão estupidamente óbvio...
- É isso - sussurrou Harry, também entendendo. - Isso é a resposta. O monstro na Câmara é um basilisco, uma cobra gigantesca! É por isso que andei ouvindo a voz por todo lado, e ninguém mais ouvia. É porque entendo a língua das cobras...
Harry ergueu os olhos para as camas à sua volta.
- O basilisco mata as pessoas com o olhar. Mas ninguém morreu, porque ninguém o encarou. Colin viu o bicho através da lente da máquina fotográfica. O basilisco queimou o filme que havia dentro, mas Colin só ficou petrificado. Justin... Justin deve ter visto o basilisco através do Nick Quase-Sem-Cabeça! Nick recebeu todo o impacto, mas não podia morrer novamente... e Mione e aquela monitora da Corvinal foram encontradas com um espelho ao lado delas. Mione acabara de perceber que o monstro era um basilisco. Aposto o que vocês quiserem que ela preveniu a primeira pessoa que encontrou para antes de virar um canto, primeiro olhar o outro lado com um espelho! E aquela garota tirou o espelho da mochila... e...
O queixo de Rony caíra.
- E Madame Nora? - perguntou, ansioso.
Harry ficou pensativo.
- A água... - disse lentamente. - A inundação do banheiro da Murta-Que-Geme. Aposto
como Madame Nora só viu o reflexo...
Harry examinou a página que tinha na mão, pressuroso.
- "...O canto do galo... lhe é letal!" - leu ele em voz alta. - Os galos de Hagrid foram mortos! O Herdeiro de Slytherin não queria nenhum perto do castelo quando a Câmara fosse aberta! "As aranhas fogem do basilisco!" Tudo se encaixa!
- Mas como é que o basilisco anda circulando pelo castelo? - perguntou Rony. - Uma cobra gigantesca... Alguém a teria visto...
Sollaria apontou para a palavra que Hermione escrevera no pé da página.
- Canos. Canos... Rony, ela está usando os canos - murmurou ela atordoada. - Harry tem ouvido aquela voz dentro das paredes...
Rony agarrou de repente o braço de Harry.
- A entrada para a Câmara Secreta! - disse com a voz rouca. - E se for um banheiro? E se for o...
- Banheiro da Murta-Que-Geme! - completou Harry.
Os dois ficaram sentados ali, teorizando, enquanto Sollaria sentia o sangue sumir de seu rosto. Ela precisou se sentar, de tão chocada que ficara com tudo que descobriram.
- Isto significa - disse Harry - que não devo ser o único a falar a língua das cobras na escola. O Herdeiro de Slytherin deve ser outro que fala também. É assim que ele controla o basilisco.
- Que vamos fazer? - perguntou Rony, cujos olhos faiscavam.
- Vamos direto à professora McGonagall, é claro - murmurou Sollaria.
- Vamos à sala dos professores - disse Harry, ficando de pé de um salto. - Ela vai para lá dentro de dez minutos. Já está quase na hora do intervalo.
Eles correram para baixo. Não querendo ser encontrados perambulando por outro corredor, foram diretamente à sala dos professores, ainda deserta. Era um aposento amplo, as paredes forradas com painéis de madeira, as cadeiras de madeira escura. Harry e Rony ficaram andando de um lado para o outro, excitados demais para se sentar, enquanto Sollaria puxava uma cadeira para se sentar.
Mas a sineta do intervalo jamais tocou.
Em vez disso, ecoando pelos corredores, ouviram a voz da professora McGonagall, magicamente amplificada.
"Todos os alunos voltem imediatamente aos dormitórios de suas casas. Todos os professores voltem à sala de professores. Imediatamente, por favor."
Harry virou-se para encará-los.
- Não outro ataque! Não agora!
- Que vamos fazer? - disse Rony horrorizado. - Voltar ao dormitório?
- Não - disse Harry, olhando à sua volta. Havia um tipo feio de guardaroupa à sua esquerda, onde guardavam as capas dos professores. - Ali dentro. Vamos ouvir o que foi. Depois podemos contar o que descobrimos.
Os três se espremeram dentro do armário, escutando o barulho de centenas de pessoas andando no andar de cima e a porta da sala de professores se abrir e bater. Do meio das dobras mofadas das capas, observaram os professores chegarem um a um. Alguns pareciam intrigados, outros completamente apavorados. Então chegou a professora McGonagall.
- Aconteceu - disse ela na sala silenciosa. - Uma aluna foi levada pelo monstro. Para a Câmara.
O professor Flitwick deixou escapar um grito fino. A professora Sprout tampou a boca com as mãos. Snape agarrou com muita força o espaldar de uma cadeira e perguntou:
- Como você pode ter certeza?
- O Herdeiro de Slytherin - disse a professora muito pálida - deixou outra mensagem. Logo abaixo da primeira. "O esqueleto dela jazerá na Câmara para sempre."
O professora Flitwick rompeu em lágrimas.
- Quem foi? - perguntou Madame Hooch, que afundara, com os joelhos bambos, numa cadeira. - Que aluna?
- Ginny Weasley - respondeu McGonagall.
Sollaria pensou que fosse vomitar, de tão nauseada que ficara. Sentiu tudo e nada ao mesmo tempo; parecia que o tempo tinha parado, mas ela sentia seu coração bater forte no peito. Estava se sentindo sufocada, precisava sair dali, precisava...
- Teremos que mandar todos os alunos para casa amanhã - continuou ela. - Isto é o fim de Hogwarts. Dumbledore sempre disse...
A porta da sala de professores bateu outra vez. Por um momento delirante, Sollaria teve certeza de que seria Dumbledore. Mas era Lockhart e ele sorria.
- Lamento muito, cochilei, que foi que perdi?
O professor Snape se adiantou.
- O homem de que precisávamos! Em pessoa! Uma menina foi sequestrada pelo monstro, Lockhart. Levada para a Câmara Secreta. Chegou finalmente a sua vez.
Lockhart ficou lívido.
- Isto mesmo, Gilderoy - disse a professora Sprout. - Você não estava dizendo ainda ontem à noite que sempre soube onde era a entrada da Câmara Secreta?
- Eu... bem, eu... - gaguejou Lockhart.
- É, você não me disse que tinha certeza do que havia dentro dela? - falou o professor Flitwick.
- D-disse? Não me lembro...
- Pois eu me lembro de você dizendo que lamentava não ter tido uma chance de enfrentar o monstro antes de Hagrid ser preso - continuou Snape. - Você não disse que o caso todo foi mal conduzido e que deviam ter-lhe dado carta branca desde o começo?
Lockhart contemplou os rostos duros dos colegas à sua volta.
- Eu... eu realmente nunca... vocês devem ter entendido mal...
- Vamos deixar o problema em suas mãos, então, Gilderoy - disse a professora McGonagall. - Hoje à noite será uma ocasião excelente para resolvê-lo. Vamos providenciar para que todos estejam fora do seu caminho. Você terá oportunidade de cuidar do monstro sozinho. Enfim, terá carta branca.
Lockhart olhou desesperado para os lados, mas ninguém veio em seu socorro. Ele não parecia mais bonitão, nem de longe. Seu lábio tremia e na ausência do sorriso costumeiro, cheio de dentes, seu queixo parecia pequeno e fraco.
- M-muito bem - disse. - Estarei... estarei em minha sala me... me preparando.
E saiu.
- Muito bem - disse a professora McGonagall, cujas narinas tremiam -, com isso o tiramos do caminho. Os diretores das casas devem ir informar os alunos do que aconteceu. Digam que o Expresso de Hogwarts os levará para casa logo de manhã. Os demais, por favor, certifiquem- se de que nenhum aluno fique fora dos dormitórios.
Os professores se levantaram e saíram, um por um.
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