Capítulo Treze: O Segundo Ataque


NOTAS DA AUTORA

↯ Por favor, não se esqueça de deixar seu voto e seu comentário! 🌻

________

Ao acordar na manhã seguinte com a notícia de que Colin Creevey havia sido petrificado, toda a chateação de Sollaria para com os irmãos evaporou-se, dando espaço para uma estranha preocupação que agora tomava conta de seu peito. Mais uma vez, Harry estava por perto quando os ataques aconteceram. Durante todo o dia, pensamentos delirantes de que, talvez, por alguma razão, os ataques visassem atingir seu irmão, preencheram sua mente. Quando isso acontecia, ela logo tentava se lembrar de que Harry era mestiço, portanto nada poderia acontecer com ele.

Era o que ela esperava, é claro.

Estava quase chegando à Ala Hospitalar quando um dos quadros na parede parou-a e disse:

- Ah, ele não está mais aí.

Frustrada, Sollaria deu meia-volta, decidindo que deveria procurar Hermione na biblioteca.

- Sollaria! - A voz de Percy soou atrás dela.

Ela parou para cumprimentá-lo.

- Ah, oi, Percy! - Ela sorriu para o irmão mais velho, que retribuiu. Se ele estava prestes a dar uma bronca nela, voltou atrás, pois sua expressão geralmente séria desanuviou-se em um sorriso calmo que ele geralmente reservava a Sollaria. Ela deu um abraço no mais velho. - Senti sua falta. Mal o vejo por aí. Os outros não estão muito contentes comigo.

Ele passou a mão pelos cabelos dela.

- Por causa da vitória de ontem?

Ela acenou com a cabeça ao soltá-lo.

- Eles podem ser bem infantis na maior parte do tempo, você sabe disso. - Ele revirou os olhos. Como se tivesse se lembrado do que queria com ela, disse: - Olha... Você não deveria estar andando sozinha pelo castelo. É perigoso, ainda mais depois de aquele garotinho ter sido petrificado. Vamos, eu vou acompanhá-la até o seu Salão Comunal.

Sollaria ergueu as sobrancelhas.

- E é seguro para você andar sozinho pelo Castelo?

- Eu sou monitor. Se algo acontecesse comigo, aconteceria enquanto faço meu trabalho. - Ele parecia orgulhoso de si mesmo. - E eu sou sangue-puro, o monstro não vai me pegar.

Sollaria bufou.

- Eu estava atrás de Hermione, Rony e Harry. Queria saber se ele já está melhor.

- Espero que eles não estejam com ideias absurdas na cabeça. Se Rony for pego naquele banheiro de novo...

O banheiro, é claro! Como não pensara naquilo antes? Precisava se livrar de Percy imediatamente.

Quando chegaram ao segundo andar, Sollaria disse:

- Ei, Perce, você não precisa fazer todo esse caminho comigo. Eu consigo me arranjar a partir daqui, eu conheço um atalho. Além do mais, eu realmente preciso dar uma passadinha no banheiro antes de ir para as masmorras. Acho que tomei muito suco de laranja no café da manhã.

Os olhos de Percy perscrutaram-na demoradamente por trás dos óculos de aro de tartaruga, até que, por fim, ele disse:

- Tudo bem. Apenas porque eu confio em você, hein? Tome cuidado...

Quando ele se afastou e ela virou o corredor, esperou um tempo até poder correr para o lado oposto, a consciência pesada por quebrar a confiança de Percy.

Quando entrou no banheiro da Murta-Que-Geme, ouviu os três grifinórios conversando em voz baixa.

- A Câmara Secreta já foi aberta antes?! - exclamou Hermione.

- Isso esclarece tudo. Lucius Malfoy deve ter aberto a Câmara quando...

Com o barulho da porta, eles ficaram quietos imediatamente, a tensão perceptível no ar. Até que ela disse, a voz ecoando pela ampla câmara:

- Sou só eu.

Harry foi até a porta para espiar.

- Sollaria? O que está fazendo aqui?

Ela deu de ombros.

- Vim ver se você estava bem, é claro.

- Estou ótimo.

- Espero que não estejam irritados com o acontecimento de ontem. Espero que possamos deixar isso para trás.

- Está tudo bem, Sol. Eu queria te pedir desculpas. Acho que foi só um choque... Nunca tínhamos perdido uma partida antes. Não uma em que eu estivesse presente. E eu... Eu fui muito rude com você sem motivo algum. Não devíamos ter descontado em você. Desculpe.

Os dois trocaram um sorriso.

Ela foi até o box de porta aberta e encontrou Hermione e Rony apertados lá dentro, uma fumacinha saindo pela parte superior do cubículo.

- Vejo que estão ocupados!

- Achei que estivesse aproveitando a vitória - comentou Rony amargamente.

Ela mexeu na manga das vestes.

- Ah, acredite, eu já aproveitei muito ontem. Fizemos uma festa e tanto.

- Não sabia que a Sonserina fazia festas - falou Harry distraidamente. - Você nunca comentou.

- É que, até ontem, eu nunca tinha ido em nenhuma - explicou. - Primeiranistas e segundanistas são proibidos de participar das festas.

- Que absurdo!

- Faz parte da hierarquia - Deu de ombros. - Aprendi a me adequar aos costumes sonserinos com o tempo, e não me importo mais em segui-los.

Os três se entreolharam de um jeito que sempre a incomodava, e ela se esforçou para não se sentir deslocada. Querendo mudar de assunto, inquiriu:

- Então quer dizer que a Câmara Secreta já foi aberta antes?

- Sim! E foi Dobby quem fechou a barreira em King's Cross e botou aquele Balaço para me perseguir! Disse que estava tentando nos proteger.

- Nos proteger?

Harry coçou o topo da cabeça.

- Ele não entrou em detalhes. Mas disse que não colocou um Balaço atrás de você porque sabia que você seria capaz de se proteger muito mais do que eu. E disse algo também sobre eu ser a pessoa de quem realmente estão atrás. Você seria só uma consequência.

- Ele falou também que há uma trama acontecendo em Hogwarts esse ano - completou Rony.

Sollaria virou a cabeça.

- Consequência? Uma trama?

- Talvez seja por você ser uma Potter, não é? Os seguidores de Voldemort que ainda estão por aí poderiam querer terminar o trabalho sujo do mestre deles.

Rony e Sollaria estremeceram ao ouvir o nome dele.

- Então vocês acham que Você-Sabe-Quem está envolvido nisso?

- Achamos que sim. - Harry coçou o queixo, pensativo.

Sollaria indicou a poção com o queixo.

- Mas então, quais são os planos?

- Hermione acha que até o Natal a poção fica pronta.

Sollaria deu uma risada que mais pareceu um chiado.

- Certo. E vocês pensam que conseguem enganá-lo e se passar por sonserinos? - Ela cruzou os braços. - Vocês não sabem se comportar como sonserinos, e Malfoy não é burro.

Rony pôs a mão sobre o peito em um gesto dramático.

- Estamos trabalhando como elfos aqui, pensando em todo o plano! E não é muito difícil se passar por sonserinos, ainda mais se estes são Crabbe, Goyle e Pansy Parkinson. É só apontar e grunhir como um trasgo, e Hermione pode torcer o nariz como se tivesse bosta debaixo dele.

Sollaria ergueu as duas sobrancelhas, refletindo se valera a pena mentir para Percy apenas para se estressar com Rony.

- Hermione é quem está fazendo todo o trabalho. E vocês vão se dar mal. Draco mal fala com Crabbe e Goyle desde que Theo, Blaise e eu viramos amigos dele. E o que é que ele vai falar para Pansy Parkinson? Ela o acha irritante, e eles mal andam juntos porque ele está quase sempre comigo. Vocês definitivamente estão perdendo o tempo de vocês.

Harry balançou a cabeça.

- Bem, você está enganada.

- Nós os vimos juntos por tempo suficiente este ano para considerarmos nos passar por eles - disse Hermione.

- Você não é a única amiga de Malfoy, Sollaria. Aceite logo - murmurou Rony. - Ele tem amigos tão detestáveis quanto ele.

Sollaria sentiu o estômago afundar, ao passo que seu rosto pegava fogo. Sabia que Rony estava certo. Com os outros, Draco não era uma pessoa muito legal, mas já havia tido essa discussão com o garoto. Draco tinha "uma imagem a manter", de acordo com ele próprio. E ela compreendia, é claro, mas seria tão bom se essa imagem fosse boa, e não detestável...

- Eles não são amigos de Draco - retrucou ela impacientemente. - Se eles andam juntos, é pelas aparências. Mas vocês estão certos, é claro. Eu é que não vou me intrometer. Não é problema meu se não me ouvem. E quando quebrarem a cara, eu serei a primeira a dizer que os avisou.

_____

Na segunda-feira, o professor Snape passou pela mesa da Sonserina no café da manhã com a lista de inscrição para quem ficaria em Hogwarts no Natal, e tanto ela quanto Draco prontamente anotaram seus nomes.

- Meus pais vão para Veneza em um passeio - Draco fez uma careta de nojo ao falar - romântico, de acordo com minha mãe. Então eu tenho que ficar em Hogwarts. E você?

Ela abaixou os olhos.

- Harry não tem escolha, e todos os meus irmãos preferiram ficar esse ano, então eu também tenho que ficar.

Enquanto os dois pareciam ansiosos para o Natal ("O que você quer ganhar de Natal, Potter?", era a pergunta que Draco mais fizera para Sollaria naquele dia), o resto da Escola parecia ansioso para voltar para casa.

Com o ataque ao primeiranista da Grifinória, Colin Creevey, o clima de preocupação quanto à Câmara Secreta - que desaparecera com a euforia sobre a aproximação do jogo de sábado - voltou a pairar sobre Hogwarts.

Muitos alunos pareciam em dúvida sobre em que acreditar: Harry era ou não era o Herdeiro de Slytherin? Alguns defendiam a ideia de que não, ele não era, afinal, estava na Ala Hospitalar quando tudo aconteceu. Outros acreditavam que ele havia sim mandado o monstro de Slytherin petrificar o nascido-trouxa, alegando que sabiam que Harry não gostava muito do garoto, que vivia para aborrecê-lo.

Após o jantar daquela noite, Sollaria bateu à porta da sala do diretor e esperou que fosse autorizada por ele para enfim abrir a porta.

- Você me parece um pouco distante hoje, Sollaria - apontou Albus Dumbledore com um olhar sereno em sua direção.

Ela se mexeu na cadeira, sentindo-se desconfortável. Não queria se abrir com Dumbledore, mas, como não havia mais ninguém com quem dividir aquilo, murmurou:

- Estão acusando Harry mais uma vez. Tudo porque, duas vezes seguidas, ele estava no lugar errado, na hora errada.

- São apenas boatos. Não há provas de que ele fez isso. Ele é inocente até que se prove o contrário. Fique tranquila, Harry não será condenado. Agora...

Ele diminuiu a intensidade da luz na sala.

- Vou lhe ensinar dois feitiços de proteção nestas duas semanas. O primeiro é Cave Inimicum e o segundo é Partis Temporus. Ambos são feitiços de nível além dos N.I.E.Ms. Não são nem ensinados na Escola.

- Então por que eu estou aprendendo agora?

Dumbledore olhou para ela com o que parecia ser pena.

- Digamos que é para o seu próprio bem.

Ela cruzou as mãos sobre o colo, ansiosa.

- Professor, eu sei que há uma trama acontecendo em Hogwarts. Sei que Harry está em perigo. Por que é que não treinam ele?

O diretor permaneceu sereno.

- Você deveria saber que Harry e você não têm a mesma quantidade de poder. Não conte isso a ele... Mas você tem muito mais poder do que ele. E isso pode ser perigoso para a senhorita. Precisamos ajudá-la para que não aconteça episódios como os do ano passado.

Ela abaixou os olhos, lembrando-se de como se sentia indefesa e perdida no ano anterior, sem conhecer a própria magia. Descontrolava-se facilmente, não sabia a extensão de seu poder... E, querendo ela ou não, Dumbledore e o professor Snape a ajudaram.

- Tudo bem - disse ela com a voz fraca.

Ela logo descobriu que Cave Inimicum era um feitiço de proteção que cria uma espécie de escudo invisível que impede que os inimigos vejam, ouçam ou até mesmo sintam o cheiro de quem está protegido pela barreira mágica. Um feitiço muito interessante, mas ela não entendia em que momento utilizaria aquele feitiço tendo somente doze anos.

Quando Dumbledore lhe ensinara o feitiço Protego, havia tido certa dificuldade em dominá-lo. Comparado a Cave Inimicum, o feitiço pareceu-lhe agora muito fácil, no entanto.

Eles sempre praticavam com as varinhas primeiro, e somente quando Sollaria dominava cem porcento o feitiço, é que partiam para o treino mais avançado (sem varinha).

- Nem com a varinha eu estou dando conta! - lamentou ela após a quinta tentativa, quando o diretor alegou ainda conseguir enxergar a silhueta dela.

- Você precisa se concentrar no feitiço e na sua vontade de realizá-lo. E precisa estar calma. Depois de um tempo, lançá-lo parecerá automático para a senhorita.

Frustrada, Sollaria tentou acalmar-se, a fim de buscar sua força interior. Era um daqueles exercícios que Dumbledore lhe ensinara no ano anterior, e ela tentava se lembrar deles toda vez que se irritava, se estressava ou ficava muito nervosa ou ansiosa.

- Você precisa ser mais persistente, Sollaria. E acreditar mais em si mesma. Se você não acreditar que consegue, quem vai?

Com um suspiro pesado, ela fechou os olhos e disse:

- Tudo bem. O senhor está certo. Vamos tentar de novo. E de novo e de novo e de novo. Até eu conseguir.

Ela empunhou a varinha e, então, pôs-se a tentar.

_____

Uma senhora miúda e encurvada, de cabelos brancos e olhos claros (ou ela tinha cataratas?) que Sollaria jamais vira na vida segurava um bebê de ralos cabelos cor de fogo no colo enquanto cantava uma música para ele baixinho, andando de um lado para o outro na ampla sala de estar já familiar para Sollaria.

Estava em casa. Não n'A Toca, onde passara a maior parte de sua vida.

Estava em Godric's Hollow.

O bebê que ela via era ela, mas quem poderia ser a senhora? Olhando melhor para ela, a garota percebeu que o rosto lhe era conhecido, só não sabia de onde.

Sollaria teve que se aproximar para ouvir o que a mulher idosa estaria falando.

A senhora já havia parado de cantar. Agora, sussurrava algo ao ouvido do bebê.

-...porque você é Sollaria Potter, um dos Filhos do Amanhecer, nascida com a aurora, junto dos primeiros raios de sol, para nos salvar. Você será grande um dia, Raio de Sol. - Ela acariciou o rosto do bebê com um dos longos dedos. - Que o poder e a grandeza do Destino estejam com você, criança. Ele tem grandes planos pra você.

Ele tem grandes planos pra você.

Ele tem grandes planos pra você.

Ele tem grandes planos pra você.

Sollaria abriu os olhos quando o despertador tocou.

Definitivamente, aquilo não havia sido um sonho.

De repente, sentiu como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros. Por que tudo parecia acontecer com ela e com o irmão? O que esperavam deles? Eram apenas crianças - aquilo simplesmente não era justo com eles...

Bem, se ela estava ou não mal com o que acabara de ver, não importava. Ela tinha treino de Quadribol, aulas o dia todo e mais estudo durante a noite. Não tinha tempo para sentir ou pensar em nada. Olhou para o relógio - seis da manhã. Abriu a cortina e foi até a janela encantada. Estava muito frio do lado de fora.

Devidamente vestida para o clima frio de dezembro, Sollaria pegou sua vassoura e desceu até o campo de Quadribol.

Por sorte, não estava nevando, mas o vento era cortante; mal tinha saído do castelo, e ela já não conseguia sentir a ponta do nariz.

Quando o gramado e as arquibancadas apareceram em seu campo de visão, notou que havia uma aglomeração de alunos usando amarelo canário e outros usando verde-escuro no meio do gramado.

Aproximou-se do jogador mais próximo e perguntou o que estava acontecendo. Para a sua surpresa, quem lhe respondeu foi o Capitão da Lufa-Lufa, o quartanista Cedric Diggory.

- O que está havendo, Potter - ele desviou o olhar de Flint para Sollaria e, de repente, ela sentiu as pernas enfraquecerem de uma forma que jamais havia acontecido antes -, é que o campo não é só dos sonserinos ou dos grifinórios. Nós gostariamos de treinar também.

- Não é problema nosso se vocês foram lerdos e não reservaram os melhores horários com antecedência - grunhiu Goyle, um dos batedores da Sonserina.

- É injusto vocês treinarem todos os dias por duas horas. Deixaram apenas o final de semana para nós. Davies também não está muito contente. Eles estão treinando apenas sábado e domingo à noite.

Roger Davies era o Capitão do Time de Quadribol da Corvinal, que era muito bom, na verdade. Eles eram bons estrategistas, o que era um problema para a Sonserina, que tinha um Capitão burro e agressivo.

- Poderíamos dividir o Campo, então - sugeriu Sollaria baixinho.

- Cale a boca, Potter - rosnou Flint. - Deixe que os caras pensem.

Cedric fechou a cara imediatamente, assim como as garotas do Time da Lufa-Lufa atrás dele.

- Deixe a garota falar. Você não é dono do Time. Snape pode facilmente substituí-lo, sabia?

O garoto ofereceu um sorriso para Sollaria, que retribuiu, agradecida, sentindo o rosto todo esquentar.

- Eu sei como lidar com o meu time, Diggory. Não preciso que você fique tentando bancar o bom moço.

- Você não é o dono do time, Flint. E acho que podemos dividir o Campo. Ele é bem grande para todos nós, de qualquer forma. Fique tranquilo, não iremos roubar suas... táticas. Nós da Lufa-Lufa não compactuamos com agressividade e trapaça.

Sollaria queria dizer "eu também não, eu também não!", mas já havia causado alvoroço demais.

Cedric e Flint ficaram em um bate-boca sem fim, até que Andrews, apoiado por Sollaria e Pucey, disse que perderiam muito mais tempo discutindo se não começassem a treinar logo, e o melhor jeito era dividindo o Campo com os lufanos para evitar mais problemas. Diggory e Sollaria trocaram um rápido olhar depois de Flint, relutante porém estranhamente rápido demais, ter concordado com a sugestão de Andrews - a mesma que Sollaria sugerira um tempinho atrás.

Depois de toda aquela briga, Flint decidira que treinariam no gramado. Os sonserinos soltaram um gemido de frustração - o capitão pegava pesado nos treinos de gramado; os exercícios que faziam diariamente eram tão eficientes, que Sollaria já conseguia notar certas mudanças em seu corpo. Ela se sentia mais forte, mais resistente. Podia odiar Marcus Flint o quanto fosse, mas naquilo ele estava certo em persistir.

Lançou um rápido olhar para o outro lado do campo, onde os lufanos treinavam. Eles pareciam estar fazendo exercícios de aquecimento, embora diferentes dos que Flint os mandava fazer. Quando um segundanista da Lufa-Lufa encontrou o olhar dela e sorriu, ela virou o rosto imediatamente, corando até a raiz dos cabelos.

Já eram sete e quarenta e cinco da manhã quando praticavam o passe de bola. Sollaria havia sido instruída a correr ao redor do gramado.

"Você precisa treinar velocidade e resistência, Potter, agora vá!", dissera Flint.

Enquanto passava pelo lado da Lufa-Lufa do gramado, surpreendeu-se ao ouvir o quanto Diggory dava palavras de incentivo aos seus jogadores. A cada passo bem sucedido, eles recebiam elogios. Não era uma surpresa que Diggory fizesse aquilo, mas era chocante para ela ver o quanto as pessoas eram diferentes. Aquilo era uma coisa que Flint jamais faria, ainda mais por ela. Ela esperava que o próximo Capitão do Time da Sonserina fosse melhor do que ele - em todos os sentidos.

Ao final do treino, Sollaria preferiu voltar para o Salão Comunal e se aprontar para a aula. Estava absurdamente frio do lado de fora; com aquele clima, temia pegar um resfriado.

No Salão Principal, uma onda de sussurros e risadinhas circulava à mesa da Sonserina. Draco logo explicou o que estava acontecendo.

- Zabini viu Longbottom comprando um cebolão verde e fedido de um setimanista da Sonserina antes do café - contou ele, rindo sem se conter.

Ah, é. Sollaria havia se esquecido daquele fato. O ataque a Colin Creevey instaurou entre os alunos uma onda de pânico grande o suficiente para que eles começassem a comercializar artefatos mágicos que, juravam os vendedores, eram eficientes contra o monstro de Slytherin. O terror era tão grande em cima daquilo, que os primeiranistas agora andavam apenas em grupos. Ginny, que tinha várias aulas com Colin, parecia arrasada. Na manhã após o ataque, ela se encontrava quieta, pálida e trêmula. Sollaria apenas beijou sua cabeça e deu-lhe um abraço reconfortante, esperando que o choque passasse para a pequena Weasley.

Sollaria revirou os olhos e continuou brincando com as batatas assadas em seu prato.

- E o que é que tem?

Draco bufou, aborrecido por ela não ter achado graça.

- Longbottom é um puro-sangue. Tem que ser muito idiota para gastar o dinheiro dele em colares e cebolões que nem funcionam de verdade, ainda mais sendo um puro-sangue. O bicho não vai pegar ele.

- Talvez pegue quando veja que é um imbecil - brincou Vincent Crabbe do outro lado da mesa. - Ele é uma vergonha para os Sagrados Vinte e Oito.

- Neville é um garoto legal - defendeu-o Sollaria. - Se dessem uma chance...

- Ele é uma aberração, até ele sabe disso. - Riu-se Gregory Goyle ao lado de Crabbe.

Sollaria sentiu o sangue ferver.

- Neville não é uma aberração! Ele é apenas tímido e inseguro, pois pessoas como você o atormentam a pensar assim.

Crabbe revirou os olhos, ao passo que Goyle fazia uma careta.

- Blá, blá, blá, Potter - grunhiu Crabbe. - Por que não pega suas coisas e vai se juntar a ele então, na mesa dos fracassados?

Sollaria apoiou os cotovelos sobre a mesa, o olhar frio encontrando os de Crabbe. Ele teria o que merecia, se não agora, futuramente. Mas a ruiva precisava ser melhor do que ele, ou seria mesmo vista como uma fracassada. E ela sabia que, para sobreviver à Sonserina, precisava escolher suas batalhas.

E ela estava decidida a vencer aquela.

- Grande fracassada a Herdeira de Slytherin, não é? - Silêncio percorreu aquela região da mesa quando Sollaria proferiu tais palavras. - E você, Crabbe, o que tem de tão importante? Porque, pra mim, você não é nada.

Draco, que estava ao lado dela, sorriu, parecendo satisfeito. Pansy ergueu os olhos lentamente, não conseguindo conter uma risadinha baixa. Daphne, do outro lado da mesa, olhou para ela com surpresa. Os amigos de Draco, que estavam de frente para ele, cochichavam baixinho entre si, oferecendo amplos sorrisos a Sollaria. Alguns outros alunos que estavam um pouco mais adiante olhavam para ela como se ela de fato fosse a Herdeira de Slytherin.

Ó, céus...

Agora sim, aquilo seria levado adiante.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top