Capítulo Sete: Sangue-Ruim


NOTAS DA AUTORA

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Outubro chegou, espalhando, pelos jardins, uma friagem úmida que entrava pelo castelo. Os alunos passavam menos tempo do lado de fora, e mais tempo dentro de seus salões comunais.

Mas o tempo frio não significava que Flint ou Wood, o capitão do time da Grifinória, suspenderiam os treinos de Quadribol (ela vira inúmeras vezes Harry voltar ensopado dos treinos noturnos). Agora Sollaria entendia as reclamações de Harry quanto à exaustão; Flint pegava muito pesado nos treinos - o time fazia agachamentos, corridas, abdominais, polichinelos e levantamento de peso, além dos usuais treinos em suas vassouras (a senhora Weasley enviara a Cleansweep 5 de Sollaria por correio-coruja) -, e exigia que os seus jogadores cuidassem da alimentação.

Para o primeiro treino de Quadribol, Flint mandara um elfo doméstico acordá-la bem cedo no primeiro sábado de outubro. Quando ela olhou no relógio, eram sete e meia da manhã — o dia ainda estava amanhecendo.

"Talvez o teste já comece em acordar antes de amanhecer totalmente", reclamou ela consigo mesma, tentando fazer o mínimo de barulho para não acordar as colegas de quarto enquanto se arrumava para a prática de Quadribol.

Os outros jogadores do time da Sonserina já estavam no vestiário quando ela chegou, todos com os olhos inchados e os cabelos despenteados.

— Até que enfim, Potter, por que demorou? — perguntou Flint, impaciente. — Agora, eu queria ter uma conversinha com vocês antes de irmos para o campo. Fiquei sabendo que Wood está com um planejamento para esse ano, e não podemos arriscar de perder para aquele idiota. Por isso, precisamos treinar mais, por mais tempo e mais pesado. Alguma pergunta?

Ninguém se atreveu de fazer pergunta alguma.

— Ótimo.

Quando Sollaria entrou em campo, viu Draco, Theo e Blaise sentados nas arquibancadas comendo torradas que haviam trazido do Salão Principal.

— Vocês ainda não acabaram? — gritou Theo surpreso.

Ela fez um sinal negativo com a cabeça: nem sequer haviam começado! Mas qualquer irritação que Sollaria havia tido em relação à demora a iniciar o treino se dissipara no minuto em que vira os três nas arquibancadas: eles haviam ido assisti-la treinar...

Mas ela nem chegou a treinar. Nenhum deles, na verdade, porque logo deram de cara com os os grifinórios vindo do outro lado do Campo.

— Ah, não. Não, não e não.

— Flint! — berrou Wood para o capitão da Sonserina. — Está na hora do nosso treino! Levantamos especialmente para isso! Pode ir dando o fora!

Mas Marcus Flint tinha uma expressão de trasgo astucioso quando respondeu:

— Tem bastante espaço para todos nós, Wood.

As garotas do time da Grifinória tinham se aproximado também. Só havia uma garota no time da Sonserina, mas Sollaria não queria fazer o joguinho deles de ficarem ombro a ombro, com ar de desdém, encarando um ao outro.

— Mas eu reservei o campo! — disse Wood, praticamente cuspindo de raiva. — Eu reservei!

— Ah, mas tenho um papel aqui assinado pelo Professor Snape.

"Eu, professor Snape, dei ao time da Sonserina permissão para praticar hoje no campo de Quadribol, face á necessidade de treinarem o sua nova apanhadora."

— Vocês têm uma nova apanhadora? — perguntou Wood, distraído. — Onde?

E por trás dos seis jogadores grandalhões surgiu diante deles uma sétima, menor, com um sorriso um tanto sem-graça. Era ela, Sollaria!

— Sollaria?! — perguntou Fred, em choque.

Ela abaixou os olhos, sentindo-se observada.

— Isso mesmo, eu consegui a vaga para ser apanhadora. Não é o máximo?

Fred não respondeu.

— Ah, olha ali — disse Flint. — Uma invasão de campo.

Rony e Hermione vinham atravessando o gramado para ver o que estava acontecendo.

— Que é que está havendo? — perguntou Rony a Harry. — Por que vocês não estão jogando? E que é que Sollaria está fazendo aqui?

Olhava para Sollaria, reparando nas vestes de Quadribol com as cores da Sonserina que a garota usava.

— Sou a nova apanhadora da Sonserina — respondeu Sollaria com paciência.

— Você... Você o quê? — indagou Hermione, surpresa. — Como?

Antes que pudesse dizer alguma coisa, Flint cortou-a:

— Como ousa dizer alguma coisa na presença de membros dos Sagrados Vinte e Oito, sua sujeitinha imunda de sangue-ruim?

Houve um tumulto instantâneo em seguida às suas palavras. Crabbe e Goyle tiveram que mergulhar na frente de Flint para impedir que Fred e George se atirassem contra ele. Uma das garotas da Grifinória gritou com voz aguda:

— Como é que você se atreve! — e Rony mergulhou a mão nas vestes, puxou a varinha e gritou:

— Você vai me pagar! — e apontou a varinha, furioso, para a cara de Flint.

Um estrondo muito forte ecoou pelo estádio, e um jorro de luz verde saiu da ponta oposta da varinha de Rony, atingiu-o na barriga e o atirou de costas na grama.

À essa altura, Draco, Theo e Blaise já haviam se aproximado para tentar entender o que estava acontecendo, mas Sollaria preferiu ir checar como estava o irmão postiço.

— Rony! Rony! Você está bem? — gritou ela.

Rony abriu a boca para falar, mas não saiu nada. Em vez disso, ele soltou um alto arroto e várias lesmas caíram de sua boca para o colo.

O time da Sonserina ficou paralisado de tanto rir. Flint, dobrado pela cintura, tentava se apoiar na vassoura nova. Goyle caíra de quatro, dando murros no chão. Draco, ao fundo, não conseguiu deixar de rir. Os alunos da Grifinória agrupavam-se em torno de Rony, que não parava de arrotar lesmas enormes. Ninguém parecia querer tocar nele, com exceção de Sollaria.

— É melhor levarmos o Rony para a casa de Hagrid, é mais perto — disse Harry a Sollaria e Hermione, que fizeram menção de segurar Rony pelo braço, uma de cada lado.

Mas logo Flint se aproximou, detendo Sollaria.

— Se você der um passo para fora desse Campo, Potter, você está fora.

Sollaria não pôde fazer nada senão observar enquanto Harry e Hermione se afastavam com Rony, e os jogadores da Grifinória se dispersavam, indo embora.

— Tudo certo, então. — Flint bateu as mãos uma na outra, fazendo ecoar um barulho abafado. Ele soava como se nada demais tivesse acontecido. — Vamos ao treino!

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