Capítulo Quinze: O Dia em que Harry Descobriu que É Ofidioglota
NOTAS DA AUTORA
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Sollaria esperava que Harry se afastasse e deixasse algum dos dois professores tomar as devidas providências, porém, para a sua surpresa, o garoto andou lentamente até a cobra e sibilou coisas ininteligíveis - ele estava falando a língua das cobras! Harry era ofidioglota! E, pior, nem fazia ideia do que estava acontecendo. Quando observou o olhar do irmão para Finch-Fletchley, soube que ele estava esperando receber agradecimentos, mas o que o lufano parecia era, na verade, zangado e muitíssimo apavorado.
Sollaria não culpava Justin, é claro. Ele não era capaz de entrar na mente de Harry Potter e descobrir que o garoto não tivera intenção alguma de açular a cobra na direção dele, muito menos sabia o grifinório de que era capaz de falar com as cobras.
Os murmúrios aumentaram gradualmente à medida que os alunos comentavam detalhadamente o que haviam acabado de presenciar para o resto do Salão.
Harry estava em apuros, e ela não fazia ideia de como ajudá-lo a sair daquela situação.
- De que é que você acha que está brincando? - gritou Justin de repente, e antes que Harry pudesse responder alguma coisa, ele virou-lhe as costas e saiu do salão enfurecido.
Snape se adiantou, acenou a varinha e a cobra desapareceu com uma pequena baforada de fumaça preta. Snape, também, olhou Harry de modo inesperado: era um olhar astuto e calculista e Harry pareceu não ter gostado. Sollaria puxou o irmão pelas vestes para que saísse do centro do palco, e então o garoto desceu e foi até onde Rony, ela e Hermione se encontravam, todos os três muito silenciosos.
- Vamos - disse ao ouvido de Harry. - Mexa-se, vamos...
Sollaria guiou-o para fora do salão, Hermione e Rony corriam para acompanhá-los. Quando atravessaram o portal, as pessoas de cada lado recuaram como se tivessem medo de apanhar uma doença. Harry não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, e nenhum dos outros três explicaram nada até terem arrastado o amigo até um armário de vassouras velho e empoeirado.
Depois de Rony ter trancado a porta atrás dele, perguntou:
- Você é um ofidioglota. Por que não nos contou?
- Eu sou o quê? - perguntou Harry.
Sollaria bateu com a mão na testa.
- Ele não faz ideia, Rony...
- Um ofidioglota! - disse Rony. - Você é capaz de falar com as cobras!
- Eu sei. Quero dizer, é a segunda vez que faço isso. Uma vez no zoológico açulei, por acaso, uma jiboia contra o meu primo Duda, uma longa história... ela estava me contando que nunca tinha estado no Brasil e eu meio que a soltei sem querer, isso foi antes de saber que era bruxo...
- Uma jiboia contou a você que nunca tinha ido ao Brasil? - repetiu Rony baixinho.
- Isso não importa! - sussurrou Hermione esbaforida.
- E daí? Aposto que um monte de gente aqui pode fazer isso!
- Ah, não. - Sollaria murmurou, inquieta. - De jeito nenhum. Isto não é um dom muito comum. Harry, isto não é legal. E é estranho que somente você possa falar com as cobras. Eu não entendi absolutamente nada do que você estava falando... Ou seja, não sou ofidioglota também. Não corre em nossas veias.
- O que não é legal? - disse Harry começando a ficar com muita raiva. - Qual é o problema com todo mundo? Escuta aqui, se eu não tivesse dito àquela cobra para não atacar Justin...
- Ah, então foi isso que você disse? - exclamou Sollaria.
- O que você quer dizer com isso? - Harry olhou de um para o outro. - Vocês estavam lá, vocês me ouviram...
- Ouvimos você falar esquisito - disse Rony. - Língua de cobra. Você podia ter dito qualquer coisa, não admira que o Justin tenha entrado em pânico, parecia que você estava convencendo a cobra a fazer alguma coisa, deu arrepios, sabe...
Harry ficou de boca aberta.
- Eu falei uma língua diferente? Mas... eu não percebi, como posso falar uma língua sem saber que posso falá-la?
Rony sacudiu a cabeça. Tanto ele quanto Hermione faziam cara de enterro. Sollaria ainda encarava Harry, que não parecia não entender o que havia de tão horrível na situação.
- Querem me dizer o que há de errado em impedir uma enorme cobra de arrancar a cabeça do Justin? Que diferença faz como foi que eu fiz isso, desde que o Justin não precise se associar ao clube dos Caçadores Sem Cabeça?
Sollaria não conseguiu conter um sorrisinho.
- Faz diferença, sim - disse Hermione, falando, afinal, num tom abafado -, porque a capacidade de falar com cobras foi o dom que tornou Salazar Slytherin famoso. É por isso que o símbolo da Sonserina é uma serpente.
O sorriso de Sollaria sumiu. Hermione era ótima em puxar o pé das pessoas e trazê-las para a realidade.
- Exatamente - confirmou Rony. - E agora a escola inteira vai pensar que vocês realmente são tetra-tetra-tetra-tetranetos dele ou coisa parecida...
- Mas não somos - exclamou Harry, entrando em pânico. - Sollaria mesma disse. Ela não sabe falar a língua das cobras! Não é ofidioglota.
- Vocês vão achar difícil provar isso - falou Hermione com cuidado. - Ele viveu há mil anos; pelo que se sabe, vocês podiam muito bem ser descendentes dele.
- Talvez a coisa pule gerações, ou só apareça em garotos - sugeriu Rony incerto. - Mas isso é só especulação, e o pessoal daqui adora especular sobre coisas que eles não sabem. Isso vai dar o que falar...
- Não é como se a Escola toda já não cogitasse essa hipótese - comentou Sollaria, observando uma aranha passear pela prateleira atrás de Rony. Ela decidiu não contar que o bicho estava passando bem perto da cabeça dele.
Harry parecia arrasado, inconsolável.
- Ei, Harry - Sollaria passou a mão pelo braço do irmão carinhosamente -, vai ficar tudo bem. Você precisa enfrentar isso de cabeça erguida, e logo, logo, tudo se resolverá. Nós estaremos aqui com você para qualquer fim. Agora... Talvez devêssemos sair daqui e esperar até a aula de Astronomia junto à lareira da Grifinória.
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A neve que começara a cair durante a noite se transformara em uma nevasca tão densa que Flint cancelou o treino de Quadribol, o que resultara em mais duas horas de sono para Sollaria. À mesa da Sonserina, muitos lançavam olhares nada discretos em sua direção, causando-lhe muito aborrecimento.
- Malfoy, você tem algo a dizer? - entoou ela após perceber que o garoto não parava de olhar para ela do outro lado da mesa.
Vários rostos se viraram em sua direção ao dizer aquilo. Ginny, que estava sentada ao seu lado, pareceu se encolher no assento, tímida com os olhares sobre elas.
- E então? - continuou ela. - Vai me dizer alguma coisa ou não?
Ele apenas se levantou da mesa sem dizer uma única palavra. Se os dois já estavam se estranhando no dia anterior, agora tudo parecia pior. Draco não parecia querer nem mesmo estar no mesmo ambiente que Sollaria.
Ela apenas deu de ombros e continuou seu café da manhã normalmente, enquanto por dentro seu coração se partia em mil pedacinhos. Não gostava de brigas, ainda mais quando eram com alguém por quem ela tinha muito apreço. Mas ela estava simplesmente exausta de tudo aquilo, especialmente porque ela não havia dormido muito bem na última noite - sonhara mais uma vez com aquela familiar e cruel e sombria risada que atormentara vários de seus sonhos no ano letivo anterior.
Foi apenas na última aula do dia, a de Transfiguração, enquanto McGonagall pedia que ela demonstrasse mais uma vez como havia transformado seu abacaxi em sapato, que ela descobriu o que realmente havia acontecido para deixar Draco chateado.
- Vamos, Malfoy, me conte o que foi que eu fiz dessa vez para que você desse aquele chilique no café da manhã - comentou ela.
- Primeiro, não foi um chilique. Eu apenas não quis olhar na sua cara. Você é uma... traidora!
Ela deixou uma risada carregada de escárnio escapar.
- E por que eu sou uma traidora, posso saber?
Draco não respondeu de imediato.
- Isso é sobre Diggory de novo? Ou é sobre a sua ceninha de ontem à noite?
- Eu não dou à mínima para o que Potter faz ou deixa de fazer, Sollaria - Draco não a encarava enquanto se esforçava para transformar seu abacaxi.
Ela deu um muxoxo de impaciência.
- Ah, sim, então sua tentativa de tentar expor Harry - e automaticamente me expor - não tem nada a ver com o seu ódio e sua constante perseguição por ele? - Draco não respondeu. - Então tudo isso é por causa de Cedric?
- Pontos para a florzinha! - exclamou ele com fingida empolgação. - Você está... confraternizando com nossos rivais! Grifinórios e lufanos... E ainda com um mais velho. Ele vai se aproveitar da sua inocência, tudo porque você acha ele bonitinho e fica toda vermelha e dando risadinhas e...
- Quer parar de fazer suposições sem sentido e me escutar? Eu não gosto de Diggory dessa forma! Eu não gosto de ninguém dessa forma. Tenho apenas doze anos! Agora, quer parar de agir como um idiota e voltar a ser o meu melhor amigo? Sinto a falta dele. Se você fosse realmente inteligente como eu pensava que era, saberia que eu estou muito mais preocupada com todo o problema envolvendo meu irmão do que com um garoto mais velho de outra Casa! - Houve uma pausa, em que Sollaria murmurou. - Eu não dou a mínima para ele, Malfoy. Agora, quer parar de idiotice?
Quando o garoto abrira a boca para responder, no entanto, fora interrompido por uma gritaria do lado de fora da sala de aula.
"ATAQUE! ATAQUE! MAIS UM ATAQUE! NEM MORTAL NEM FANTASMA ESTÃO SEGUROS! SALVEM SUAS VIDAS! ATAAAAAQUE!"
Era Pirraça, o poltergeist. Todos os alunos se entreolharam. Draco e Sollaria deixaram de lado suas diferenças por um tempo, a fim de espiar do lado de fora. Abriram a porta da sala de aula e puseram as cabeças para fora para espiar, assim como vários outros alunos de outras salas de aula.
A cena que viram foi horrível: Justin Finch-Fletchley, o do Clube de Duelos, encontrava-se petrificado no chão no meio do segundo andar, e o fantasma de Grifinória, Nick Quase-Sem-Cabeça (que odiava ser chamado assim), estava flutuando também petrificado logo ao lado. Durante vários minutos, a cena era de tal confusão que Justin correu o risco de ser esmagado - porque os alunos começaram a sair das salas para verem melhor -, e as pessoas não paravam de passar através de Nick Quase-Sem-Cabeça. Para o horror de Sollaria, Harry estava na cena do ataque às duas vítimas.
Em meio aos murmúrios, os professores de cada sala berravam pedindo calma. A professora McGonagall usou a varinha para produzir um alto estampido e restaurar o silêncio, e mandou todos de volta para as salas de aula. Nem bem o corredor se esvaziara um pouco quando um garoto da Lufa-Lufa chegou ofegante à cena.
- Apanhado na cena do crime! - berrou ele, o rosto lívido, apontando dramaticamente para Harry.
- Ah, cale a boca, seu idiota! - mandou Sollaria friamente. - Quem você pensa que é para acusar injustamente o meu irmão?
- Agora já chega, Macmillan! - disse a professora McGonagall rispidamente para o garoto.
Justin foi levado para a ala hospitalar pelo professor Flitwick e a professora Sinistra, do departamento de Astronomia, mas ninguém sabia o que fazer com Nick Quase-Sem-Cabeça. Por fim, a professora McGonagall conjurou um grande leque de ar, e entregou-o ao garoto da Lufa-Lufa que acusara Harry com instruções para abanar o fantasma até o andar de cima. Ele obedeceu e abanou Nick como se fosse um aerofólio silencioso.
Assim, Harry e a professora ficaram a sós. Sollaria aproximou-se de Harry, não se importando se perderia alguma aula ou se pareceria suspeita. Apenas sabia que precisava estar ao lado do irmão.
- Por aqui, Potter - falou ela.
- Professora - disse Harry depressa -, eu juro que não...
- Isto não está mais em minhas mãos, Potter - interrompeu ela secamente. - E você, senhorita Potter... - ela olhou para Sollaria de cima a baixo. - Volte para a sala de aula. - A garota abriu a boca para contestar. - Isso é uma ordem.
Sollaria ficou parada no meio do corredor do segundo andar enquanto observava os dois se afastarem escada acima.
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