Capítulo Nove: A Princesa da Sonserina


NOTAS DA AUTORA

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No dia seguinte, a Sala Comunal da Sonserina estava lotada de alunos cochichando em grupos. Quando Sollaria apareceu na antessala com Nyx no colo, várias cabeças viraram para ela, deixando-a desconcertada.

Quanto mais ela caminhava, mais as pessoas abriam espaço para ela passar, umas com olhares horrorizados, outras, quase que com reverência.

Procurou a cabeça loira de Draco no meio do mar de alunos, sem sucesso. Tentou avistar Ginny também, mas era domingo, e ela conhecia bem o suficiente a irmã para saber que ela não acordaria tão cedo.

Os olhares continuaram, deixando-a cada vez mais desconfortável. Teve vontade de gritar, mas obviamente não faria isso. Curiosa, fez a única coisa que passou pela mente dela naquele momento.

"É ela. A irmã do Potter!"

"Será que ela sabe dizer onde fica a Câmara Secreta?"

"Se o irmão dela abriu a Câmara, isso faz dela herdeira de Slytherin também?"

"Eu nunca mais vou ficar no caminho dela..."

Em seu colo, Nyx chiou para uma quartanista de tranças nagô que sussurrava alguma coisa no ouvido de uma amiga e olhava diretamente para Sollaria. A ruiva deixou a gata no chão, revirou os olhos para a quartanista e caminhou em direção à saída. Precisava de sair dali o mais rápido possível, mas, o mais importante, precisava de conversar com Harry urgentemente.

- Petrificada? A gata não morreu? - indagou ela cinco minutos mais tarde para Harry, quando o encontrou junto de Rony e Hermione no Hall de Entrada (eles estavam indo para a cabana de Hagrid, mas ela os impediu), e eles a atualizaram de tudo.

Ele fez que "não" com a cabeça.

- Espero que isso não seja um grande problema - disse Rony; ele parecia pálido.

- Dumbledore disse que a Professora Sprout vai resolver isso - explicou Hermione. - Tem um tônico com mandrágoras que despertará Madame Nora. Mas isso não importa agora.

Ela olhou feio para uma parede repleta de quadros, como se eles fossem a razão de algo ter dado errado no seu dia.

- Não? - Rony ergueu as sobrancelhas.

- Com todos aqueles livros de Lockhart, eu não consegui colocar meu exemplar de "Hogwarts, uma História" no meu malão. E quando eu fui hoje na biblioteca, todos os exemplares haviam sido retirados!

- Que conveniente! - exclamou Sollaria sarcasticamente.

- Parece até que não querem que saibamos nada a respeito...

- E qual é o problema? Você sabe o livro de cor - murmurou Rony com impaciência.

Hermione redirecionou o olhar feio para ele.

- Não sei, não. Não consigo me lembrar exatamente do que o livro diz sobre a Câmara Secreta. Quer dizer, o monstro foi especificado? Será que não há pistas de onde se encontra a tal Câmara nas entrelinhas? Tudo isso deve ser analisado minuciosamente, e...

- Seu sofrimento acabou, Mione. Eu sei sobre a lenda - interrompeu Rony sem rodeios.

Ela e Harry arregalaram os olhos, surpresos.

- Sabe?

Rony e Sollaria deram de ombros.

- Qualquer sangue-puro cujos pais se importaram em falar sobre Hogwarts em casa já ouviu falar da lenda da Câmara Secreta - justificou Sollaria com displicência.

- É, isso é super importante para a história de Hogwarts - declarou o ruivo. - Quer dizer, a rivalidade entre Godric Gryffindor e Salazar Slytherin vem daí, eu acho. Slytherin foi embora e tudo mais.

- Só que a história foi contada tantas vezes que ninguém sabe direito o que é a verdadeira lenda e o que foi inventado.

Hermione pareceu murchar. Vendo a reação dela, Sollaria apressou-se em acrescentar:

- Mas eu li sobre ela várias vezes ano passado, não se preocupe. Eu sei ela de cor.

- Bem, então desembucha! Eu detesto não entender do que estão falando - incentivou Harry levantando os braços.

Sollaria balançou a cabeça e puxou os três para um canto, não sem antes verificar se estavam sozinhos e criar uma bolha de proteção sonora ao redor deles.

Hermione olhou para ela de boca aberta.

- Como...?

- Aprendi em um livro - mentiu ela depressa. Não podia dizer que havia aprendido aquele truque com Dumbledore, não quando ela não sabia dos planos dele para ela. - Ouçam, isso é sério.

E pôs-se a contar sobre as coisas que ouvira no Salão Comunal da Sonserina e sobre o comportamento dos colegas diante dela.

Os três pareceram chocados.

- Os sonserinos também acham que Harry abriu a Câmara Secreta? - indagou Hermione horrorizada.

- E pior, alguns secretamente apreciam o que ele fez. Pensam que eu e Harry somos os herdeiros de Slytherin.

Rony ficou verde.

- M-Mas Harry é da Grifinória.

Harry estava extremamente quieto. Parecia querer dizer alguma coisa. Sollaria olhou para ele, curiosa, e então soube.

Harry escolheu ir para a Grifinória.

Era para ele ter sido da Sonserina, assim como ela.

Sangue na parede... Vozes invisíveis... E agora aquilo.

Rony e Hermione já discutiam sobre alguma coisa qualquer, como sempre, mas a única coisa em que Sollaria conseguia pensar era que ela e o irmão estavam extremamente ferrados.

- Ah, Harry...

______

Durante alguns dias, a Escola não conseguia falar de outra coisa a não ser do ataque à gata de Filch, que parecia ter reunido mais ódio contra os alunos do que o aceitável. O zelador tentara dar uma detenção a Draco por ter passado com Nyx no colo perto dele, alegando que o Malfoy estava "tentando provocá-lo" e, quando o garoto dissera que não dava a mínima para a existência de Filch ou para a morte da gata dele, o velho funcionário surtou e tentou algemar Draco a um corvino que passava.

A algazarra que aquilo proporcionara rendeu um puxão de orelha em Draco e uma ameaça dele para Filch. Sollaria agarrou Nyx (que chiava e tentava unhar o zelador) e puxou o amigo para o outro lado enquanto ele e Filch ainda berravam ofensas um para o outro.

- Você vai mesmo contar para o seu pai? - indagou Sollaria, rindo, quando os dois seguiram para os jardins.

- Claro que não - replicou o garoto, que alisava as vestes e fazia cara feia para a ruiva. - Esse velho é apenas um maluco desembestado. Não vale o meu tempo, nem o do meu pai.

Pelo resto daquela semana, o zelador se mostrara impossível de se lidar. Gritara tanto com duas primeiranistas lufanas que elas chegaram à histeria; três vezes tentara impingir detenções a quem passasse pelo "local do crime" (onde a gata fora petrificada) pelos motivos mais toscos, como "respirar fazendo barulho" e "parecer feliz demais".

Fora quando ele gritara com Ginny por "agir de forma estranhamente suspeita" (Sollaria deixara a pequena Weasley passear com Nyx no colo àquela tarde, pois Ginny andava infeliz e perturbarda desde que Madame Nora fora petrificada, afinal, ela adorava gatos) que a Potter perdeu a cabeça com Filch e, sem que ele pudesse provar, colocou fogo no traseiro dele. Ele tentara pegar Ginny pelos ombros, mas a professora Sprout passara bem na hora e intervira em favor das duas garotas.

O ataque não perturbara somente Ginny e os outros sonserinos. Rony lhe contara, aos sussurros, que vinha percebendo um comportamento estranho vindo dos colegas grifinórios em relação a Harry. Depois relatou que mesmo Justin Finch-Fletchley da Lufa-Lufa, que geralmente era muito amigável com Harry, fugira dele e não aparecera para a aula de Herbologia outro dia.

Todos pareciam pensar que ele era, de fato, herdeiro de Slytherin. Tudo piorara na segunda-feira da última semana de novembro, quando, após uma aula de História da Magia da Grifinória, os segundanistas passaram a discutir qual seria o possível monstro escondido na Câmara e como Harry, que era um aluno mediano, seria capaz de controlá-lo.

Sollaria também estava sendo bastante comentada na Escola. Não porque pensavam que ela havia aberto a Câmara Secreta - ela estava no salão comunal na hora que aconteceu -, mas porque ela era poderosa, e agora muitos sonserinos passaram a respeitá-la como "Herdeira de Slytherin". É claro que havia aqueles que a temiam (por medo de ela estar, de alguma forma, ajudando Harry), especialmente os primeiranistas, mas a maioria esmagadora que não gostava dela por ser uma Potter (e mestiça e uma Weasley por consideração) parara de xingá-la de aberração (o episódio da janela do ano anterior não havia sido totalmente esquecido, e o caso da gata também não o seria tão cedo) nos corredores e passara a reverenciá-la. Mesmo Crabbe e Goyle ou Pansy e Daphne, que eram indiferentes e de quem Sollaria preferia manter distância (ela tendia a acordar e dormir antes das garotas para evitá-las), aparentemente não tinham mais nada para falar da ruiva.

Até nos treinos de Quadribol não era mais tratada cem porcento do tempo como uma criancinha birrenta. Flint e os outros garotos ainda eram muito sexistas e a tratavam como inferior a eles, mas agora não a ignoravam ou a viam como uma barata nojenta. Depois de um treino particularmente bem sucedido na última quinta-feira do mês, todos foram para as tendas tomar banho e trocar de roupa antes do café da manhã e, pela primeira vez na vida, Sollaria interagira com os colegas de Time. Neil Andrews, o novo artilheiro, contara uma piada particularmente engraçada sobre um goleiro bêbado que corria em uma vassoura desembestada quando todos entraram para o banho.

Enquanto lavava os cabelos e cantarolava, Sollaria sorriu. Geralmente, sentia-se desconfortável ali, sempre com medo de os rapazes abusarem dela de alguma forma ou a intimidarem por ser uma garota e por ser mais nova, mas lá estava ela, tomando banho pela primeira vez desde que entrara no time com uma estranha sensação de liberdade.

- Então quer dizer que agora você é a Princesa da Sonserina? - A voz de Draco soou esganiçada do outro lado da cortina do banheiro.

Sollaria arregalou os olhos, protetoramente passando os braços ao redor do corpo (mesmo que ele não pudesse vê-la).

- Draco - exclamou ela. - O que está fazendo aqui? São oito da manhã, por Merlin.

- Vim vê-la, oras. Queria ver se a Herdeira de Slytherin era boa mesmo.

Ele havia acordado às seis da manhã apenas para vê-la jogar Quadribol? Piscou várias vezes. Não estava acostumada a uma prova de amizade daquelas.

- Como pode perceber, estou ocupada. E você não pode entrar aqui!

Ele deu uma risada desdenhosa, e então Sollaria compreendeu que havia outras pessoas no recinto.

- Eu sou Draco Malfoy, eu posso fazer o que eu quiser.

Ela não respondeu. O único som claramente distinguível era o da água batendo no chão enquanto ela terminava de enxaguar os cabelos. Do outro lado da tenda, os rapazes pareciam achar alguma coisa particularmente engraçada.

Não conseguiu entender do que falavam, porque tinha água em seu ouvido, então gritou para o amigo, porque ele havia dito algo que a deixara curiosa:

- Malfoy? Ainda está aí?

- Estou.

- O que quer dizer com "Princesa da Sonserina"?

- É como estão te chamando, oras.

Ela colocou a cabeça para fora, tomando cuidado para não revelar nada além disso enquanto tapava o corpo com a cortina de banho. Sua expressão era de puro choque.

- Como é que é?

As bochechas de Malfoy adquiriram um tom levemente rosado. Ele piscou várias vezes e desviou o olhar do rosto de Sollaria.

- Os caras do Time. - Indicou os rapazes do outro lado, que hora ou outra lançavam olhares para onde estavam. - Eles que falaram isso. Aparentemente, eu não sou o primeiro que tento falar com você hoje.

Sollaria franziu o cenho, então fechou a cortina e desligou o chuveiro.

- Olha, sinceramente...

Ela podia ouvir a respiração de Draco do outro lado da cortina. Quando ela saiu (já vestida e com a toalha na cabeça), foi direto até a própria mochila e pegou uma escova de cabelo.

- Você tem que admitir que isso é bem legal, Sollaria - murmurou o loiro. - E o apelido combina com você.

Ela sentiu o rosto corar. Não se virou para ele.

- Não acha?

Ela suspirou.

- Ah, é mesmo? - indagou ela sem muito interesse enquanto desembaraçava os cabelos. - Agora você acha que combina comigo? A essa altura no ano passado você estava se referindo a mim como "pobretona feia". Não sei se existem muitas princesas feias. As dos contos de fadas trouxas são bem bonitas.

Draco a virou com certa agressividade na direção dele.

- Esquece isso, tá legal? Eu era um idiota.

Ela ergueu uma das sobrancelhas, um sorrisinho surgindo em seus lábios.

- Era?

Draco revirou os olhos e a empurrou.

- Ah, cale essa boca.

Ela mostrou a língua para ele e continuou a pentear os cabelos.

- Bem, é muito melhor ser chamada de "Princesa da Sonserina" do que ser chamada de aberração, se realmente quer saber. Mas isso não é importante. Vamos logo, ou perderemos a aula do Binns, e hoje tem entrega daquele trabalho sobre o Congresso Medieval dos Bruxos Europeus. Se chegarmos atrasados, vamos perder pontos, e então não vai ser de "Princesa da Sonserina" que eles vão me chamar.

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