Capítulo Doze: O Balaço Enfeitiçado
NOTAS DA AUTORA
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Sollaria havia voado em uma vassoura várias vezes até então, mas a sensação nunca se equipararia àquela que ela sentira no momento em que o jogo tivera início. O vento gélido congelava suas orelhas, e a ponta de seu nariz já não podia ser sentida. O frio estava de matar, mas, mesmo assim, a visão que tinha dos terrenos da escola do ponto onde estava, a adrenalina que percorria seu corpo e a força dos batimentos cardíacos que faziam seu peito arder tornavam aquela experiência única. Era a primeira vez que estaria competindo - uma competição séria. A honra da Sonserina e a honra de Sollaria Hyacinth Potter estavam em jogo, e ela sabia que precisava de ganhar pelo menos aquela primeira partida. Senão, Flint iria encontrar setenta maneiras diferentes de matá-la dolorosamente, talvez em questão de cinco minutos depois do final do jogo.
Um vulto vermelho que passou ao seu lado quase derrubando-a da vassoura a tirou de seus pensamentos. Sollaria piscou, e então se virou, apenas para ver que se tratava de Harry, parecendo muito embasbacado com alguma coisa. Ele aumentou a velocidade da própria vassoura e a todo momento olhava para trás como se temesse que algo estivesse em seu encalço.
- Tudo bem aí, Harry? - indagou ela em altas vozes, mas o garoto já se afastava.
Dando de ombros, a garota voltou a voar na direção oposta em busca do pomo-de-ouro. Ela só precisava ser mais rápida que Harry...
A garota mal conseguia ouvir o que o irradiador, Lee Jordan, dizia, ou mesmo o que os outros jogadores faziam. Olhou para o placar uma única vez, e estava constando quarenta a zero para a Sonserina. Abriu um largo sorriso - eles estavam na dianteira...
Seu sorriso foi substituído por uma expressão preocupada no momento em que ouviu um estrondo vindo de dentro da estrutura das arquibancadas. Os alunos que estavam nos primeiros andares daquele lado do estádio berraram em desespero. Como se surgisse do nada, Harry apareceu por detrás de uma das arquibancadas, quase sendo atingido por um balaço.
George conseguiu rebater a bola para longe, esta quase atingindo Adrian Pucey, um dos artilheiros da Sonserina. Os eventos seguintes Sollaria não presenciou; ao ver que Harry estava entre eles, e não sumido por aí, Sollaria voltou a procurar a pequena e veloz bolinha cor de ouro, mas ela não estava em lugar nenhum. Sobrevoou as arquibancadas da Sonserina, ao som de aplausos e assovios, e até mesmo as do time adversário (ficou feliz ao notar que Cedric Diggory, o apanhador e Capitão do Time da Lufa-Lufa, estava na área neutra das arquibancadas), mas o pomo-de-ouro aparentemente não queria ser encontrado.
Foi quando estava tão próxima dos aros da Grifinória que podia ouvir Oliver Wood resmungar que Sollaria quase recebera um balaço na cabeça (mas ela desviou a tempo), e conseguiu ver que o balaço havia sido desviado em sua direção por Fred. Pálida de susto, ouviu o irmão mais velho berrar um pedido de desculpas antes de ele próprio quase cair da vassoura ao ver que o balaço que rebatera estava voltando para onde ele e Harry estavam.
O ruivo parecia que tinha desaparatado dali, enquanto que Harry tivera de mergulhar depressa para evitar a pesada bola que parecia não desistir de persegui-lo.
Os batedores dos dois times e Sollaria observavam a estranha atração daquele balaço por Harry em específico. Mesmo que ele voasse em zigue-zague, a bola ia atrás dele. Fred e George tentavam, em vão, rebatê-la para longe de Harry, mas a bola simplesmente voltava com força total.
- E você por acaso está no time para agir como espectadora, Potter?! Vá procurar o pomo! - Ouviu a voz de Flint berrar a um metro de distância de onde ela estava.
Ele está certo, pensou. Estava perdendo tempo demais observando a dinâmica esquisita daquele balaço com o irmão dela.
"...e Sonserina lidera por setenta a dez...", ouviu a voz de Lee Jordan ecoando por todo o estádio. O lado verde da arquibancada ovacionava com emoção enquanto os outros alunos vaiavam.
Wood pediu tempo, e o apito de Madame Hooch paralisou o jogo. Os jogadores da Sonserina continuaram no ar, esperando, enquanto os sete adversários cochichavam no chão.
Para a tristeza de Sollaria, o pomo-de-ouro passou diante de seus olhos, como se a provocasse, mas ela sabia que não poderia estender a mão e pegá-lo. Ficou somente observando a bolinha se afastar para longe e sumir de vista.
Aproximadamente dois minutos depois, os grifinórios voltaram a montar suas vassouras e o jogo recomeçou. Os olhos de Sollaria varriam o estádio em busca da bolinha veloz, mas ela havia simplesmente desaparecido.
Bufando, a garota ruiva inclinou-se para frente a fim de ganhar velocidade. Ela já estava aflita o suficiente por não estar encontrando o pomo para ter de lidar com o humor de Flint caso ela não apanhasse a bola antes de Harry, e o Capitão do Time agora mantinha os olhos grudados na garota como se ela precisasse ser monitorada. Realmente tentada a esquivar-se de possíveis sermões, Sollaria obrigou-se a tentar não se preocupar com o irmão gêmeo.
Era impossível, porém, ignorar certas situações, como quando Harry teve de fazer uma volta tosca que fez parecer que ele estava treinando para um número de dança. Isso está sendo uma vergonha, lamentou-se antes de piscar várias vezes e optar por aderir uma postura decisiva.
Harry não estava em posição de procurar o pomo com aquele balaço errante no encalço, e talvez aquela fosse a hora de Sollaria brilhar.
Aproveitando-se da distração do irmão, a garota tentou ganhar mais velocidade e sobrevoou pela enésima vez o estádio em busca da bolinha. Passou por cima dos grifinórios, que a vaiavam, e por incrível que pudesse ter parecido para ela, naquele momento, a atitude infantil a motivou, deu-lhe energias. E foi então que ela viu, bem sobre a cabecinha loira que ela poderia ter reconhecido a um raio de quilômetros: o pomo estava sobre a cabeça de Draco Malfoy, na arquibancada mais alta do lado da Sonserina. Com todo o impulso e toda a vontade dentro de seu ser, Sollaria impulsionou-se, ganhando mais velocidade, mas Harry parecia estar notando seus movimentos, pois, dois segundos depois, ela viu pelo canto do olho que ele - e o balaço errante - estava atrás dela.
- Vai embora, Harry, você vai colocar a vida deles em risco! - berrou ela por cima dos gritos dos estudantes embaixo dos dois.
Mas o garoto estava determinado a ficar ombro a ombro - ou melhor, joelho a joelho - com ela, e não descansou até que os dois estivessem muito perto da bolinha. O objeto dourado já havia mudado de direção, indo para perto dos aros da Sonserina, mas os dois a tinham na mira, e agora todos acompanhavam aquela guerra silenciosa pela bolinha - e todos queriam saber qual seria o irmão a ter a glória da vitória.
Sollaria esticou a mão, mas Harry empurrou-a com o ombro, fazendo com que ela perdesse o objeto alado, o qual estava a milímetros de distância. A bolinha ganhou mais velocidade, o que exigia que os dois também o fizessem. Desta vez foi Harry quem esticou a mão para alcançá-la, mas a garota foi mais rápida e empurrou-o com força para longe.
Sollaria lançou um rápido olhar para trás; onde estava o balaço? Ele não estava atrás de Harry e, se ele ainda voava em linha reta, é porque não havia percebido aquilo, e a bola poderia vir de qualquer direção a qualquer momento. Temendo que viesse pelos lados, a garota ganhou mais altitude e inclinou-se para baixo, pretendendo agarrar a bolinha por cima, nem que atingisse o chão e quebrasse o nariz na tentativa.
Harry não teve a mesma percepção.
Os dois esticaram as mãos, o rabo-de-cavalo de Sollaria caindo por cima de sua cabeça, atrapalhando-a. Mas ela não se importou. A única coisa que lhe era importante naquele momento era capturar o pomo. Estava tão perto...
Harry arfou, cansado. Sollaria mantinha a respiração presa, e seu rosto já estava roxo de aflição. Só mais um pouquinho...
Os dedos dos dois tocaram a bolinha por um milésimo de segundo até que, de repente, o balaço cortou o ar e um barulho de algo se quebrando foi ouvido. Urrando de dor, Harry inconscientemente deu brecha para que Sollaria agarrasse sozinha o pomo-de-ouro com toda a força do seu ser.
Sollaria Hyacinth Potter estava em êxtase; nunca havia experimentado tamanha adrenalina antes em toda a sua vida, e a sensação era maravilhosa. Parecia estar nas nuvens, agarrando a bolinha com os nós dos dedos já brancos. Pousou no chão ao lado de onde Madame Hooch estava para lhe entregar o pomo, o qual ela recebeu com um sorriso no rosto.
E foi somente quando pôs os pés na grama lamacenta, que a realidade chocou-se contra a sua mente. Ela estava em um jogo de Quadribol. Ela vencera a partida. A Sonserina vencera a partida... E agora ela se dava conta dos gritos, dos berros, das bandeiras, dos alunos e também de Lee Jordan, que contava o placar a todos aos berros, porque a gritaria que vinha da arquibancada da Sonserina impedia qualquer pessoa de ouvir o que ele dizia.
"...e eu lamento em informar que Sonserina venceu por duzentos e quarenta a cinquenta. Bem, agora sabemos o que esperar de Sollaria Potter, que, apesar de estar na Sonserina, tem o fogo e a garra da Grifinória e o sangue de James Potter nas veias..."
Os jogadores da Sonserina desceram para onde ela estava, e ela viu Draco curiosamente aparecer em seu campo de visão. Ela tivera a impressão de que ele correra até onde ela estava, porque era humanamente impossível descer da altura onde ele estava até o gramado em menos de cinco minutos.
- Muito bem, Potter - elogiou um dos artilheiros, estendendo a mão para ela.
- Nada mal, Potter... Você, milagrosamente, não me decepcionou. - Flint ergueu as sobrancelhas com desprezo ao pronunciar "milagrosamente". Se ele estava tentando humilhá-la, reduzi-la, falhara miseravelmente. Nada naquele momento poderia entristecê-la.
Sollaria meramente sorriu, um sorriso arrogante, antes de se virar para Draco, que vinha acompanhado de Theo e Blaise. Foi surpreendida com um abraço apertado, mas ela logo correspondeu.
- Você foi incrível, Potter. - Ele ofereceu um sorriso, as bochechas rosadas muito provavelmente pelos passos rápidos dados até o meio do campo.
- Obrigada, Malfoy. - Ela deu um beijo na bochecha do melhor amigo e voltou a encará-lo.
- Parabéns, Sollaria! Você é demais - exclamou Theo, dando-lhe um soquinho no braço.
- É! - concordou Blaise, dando-lhe um high-five.
- Obrigada, meninos, vocês é que são! Hum, se quiserem, podem ir na frente, eu... - lançou um olhar para onde um grupo de grifinórios se aglomerava ao redor de Harry, que estava caído no chão -...eu preciso ir checar o Harry!
Se Draco ficou aborrecido, não demonstrou. Ele somente olhou friamente para ela e crispou os lábios em um meio sorriso. Fez sinal com a cabeça para que os meninos o seguissem e se afastaram.
- É claro. Vá em frente.
A ruiva correu até onde o irmão estava e abriu passagem por entre Fred, George, Rony e outros garotos do time da Grifinória. Agachados ao lado de Harry no chão estavam Hermione e, para a sua surpresa, o professor Gilderoy Lockhart.
- O que está acontecendo aqui? - perguntou Sollaria para George.
Mas ele não respondeu.
Com impaciência, perguntou para Fred.
- Fred, o que houve? - Mas ele não respondeu tampouco. - Ora, isso é muito infantil da parte de vocês! Vocês tinham que saber separar família de time de Quadri...
- Ah, agora você está falando com a gente? - indagou Rony, a voz carregada de sarcasmo.
- Harry está machucado, seu...
Sua fala foi interrompida por um clarão amarelo vindo da varinha de Lockhart, a qual estava apontada para o braço de Harry. Onde estiveram os ossos do braço direito dele, agora havia somente carne e pele, algo que parecia muito com uma gelatina.
- O que o senhor fez?! - exclamou Harry, exasperado.
- Ah - disse Lockhart. - É, às vezes isso pode acontecer. Mas o importante é que os ossos não estão mais fraturados. Isto é o que se precisa ter em mente.
- Ossos fraturados?! Nem há mais ossos aí para início de conversa! - rosnou Rony, embasbacado.
- Então, Harry, vá, dê uma chegada na ala hospitalar, ah, senhorita Potter, senhorita Granger, podem acompanhá-lo? E Madame Pomfrey poderá... hum... dar um jeito nisso. - E foi embora, ignorando completamente o comentário de Rony.
- Merlin, quanta incompetência... - gemeu Sollaria, tentando ajudar Harry a se levantar.
Depois de conseguirem enfim levar Harry até a Ala Hospitalar e colocá-lo em uma maca, os Weasley, Hermione e Sollaria permaneceram ao lado do garoto por uns vinte minutos antes da Madame Pomfrey expulsá-los. Enquanto isso, Fred, George, Rony e Hermione conjecturavam sobre como poderia um balaço ter sido enfeitiçado.
- Foi a Sonserina, é claro - disse Rony previsivelmente.
Os gêmeos concordaram fervorosamente com o irmão mais novo.
- Alô, eu estou bem aqui! - sibilou Sollaria. - E eu posso afirmar que não temos nada a ver com isso. Vocês acham mesmo que eu teria concordado com uma coisa do tipo mesmo se fosse verdade? E o balaço esteve trancado na sala da Madame Hooch esse tempo todinho!
Os gêmeos pareceram levar em consideração, mas Hermione não parecia muito convencida.
- Até onde sabemos, um sonserino faz de tudo pelo próprio bem.
Ofendida, Sollaria objetou:
- Não acredito que pensam tão pouco de mim! Não acredito que pensam que eu aceitaria participar de um jogo sujo contra a vida do meu irmão!
Ela disse a última parte em voz alta, fazendo com que Hermione e Rony encolhessem os ombros.
- Não é isso, Sol... - Hermione tentou dizer cautelosamente. - Quero dizer... Você não acha que eles teriam combinado isso e escondido de você?
A sonserina olhou de um para o outro com a boca aberta em formato de "O".
- Eu não... Eu não consigo compreender por que odeiam tanto a Sonserina... Por que pensam tão pouco assim de nós... E-Eu sei que pessoas como Flint são terríveis, mas nem todos somos assim!
- E Voldemort - disse Harry de repente.
Todos ao seu redor se arrepiaram.
- Não diga o nome del...
- Você se esqueceu de dizer "Pessoas como Flint e Voldemort são terríveis..." - retrucou ele, ignorando o comentário.
- Eu sei que ele é uma pessoa horrível, Harry, do que você está...?
- Oh, pelo amor de Deus. - Ele revirou os olhos impacientemente. - Você quer saber por que odiamos tanto a Sonserina, não é? - Ela assentiu. - Pronto. Está aí o motivo. Voldemort. Voldemort é o motivo. O homem que matou os meus pais, o homem que matou tantas outras...
- Eles eram meus pais também - sussurrou Sollaria, os olhos abaixados para o chão, apertando os próprios braços embaixo das camadas de proteção contra o frio. Encarou Harry nos olhos e disse, a voz altiva agora: - Vocês parecem estar se esquecendo de que eles eram meus pais também. E agora fazer parte de uma Casa que não tem absolutamente nada a ver com a pessoa horrível que destruiu nossa família faz de mim uma pessoa igualmente horrível?
Ela buscou os olhos de Fred, George e Rony, mas eles olhavam para os dois Potter com expressões muito chocadas para serem capazes de dizer qualquer coisa.
Fred, por fim, pigarreou e disse:
- Sollaria, você sabe que não pensamos nada disso de você, por Merlin, você foi criada como uma Weasley! Nós nunca pensaríamos que você... Que você é igual a ele...
- Sério? Porque não foi o que me pareceu há cinco segundos e... - Ela percebeu que estava levantando a voz para os irmãos.
Ela nunca havia feito aquilo antes em toda a vida.
Aquela não era ela.
Ou era? Jamais conseguia compreender quando estava agindo como a verdadeira Sollaria, a Sollaria que fora drogada ou a "nova" Sollaria. Não sabia a quem aquele traço de personalidade pertencia, mas ela odiava aquilo. Odiava perceber que alteara a voz quando, há poucos anos, ela teria resolvido tudo com calma; odiava não conseguir definir a própria personalidade, o próprio caráter, porque havia momentos - como aquele - em que não se reconhecia. Odiava, odiava, odiava.
Fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo.
- Vocês têm razão. - Forçou um sorriso, somente para que pudesse sair logo dali. - Sei que não pensariam isso de mim. Acho que estou ouvindo coisas.
Virou-se de repente para o irmão acamado.
- Tenha uma boa recuperação, Harry.
E saiu, deixando um rastro de lama por onde passava.
Eu ainda ficarei mal por causa desses grifinórios, pensou ela com chateação enquanto empurrava a porta que dava para o Salão Comunal da Sonserina. Precisava de tomar um banho urgentemente, e queria muito se deitar também. Contudo, teve de forçar um sorriso diante da comemoração que tinham preparado para a vitória do Time, e ela tinha pleníssima noção, ao dar o primeiro passo para dentro da masmorra, que aquilo duraria até de madrugada.
Uma música que ela já havia escutado várias vezes no Salão Comunal estava tocando alto mais para perto da lareira. Sollaria não se surpreendeu ao ouvir vários sextanistas berrarem junto com a música quando esta atingiu a batida. Surpreendeu-se, contudo, quando Draco surgiu diante de si na entrada da masmorra com duas cervejas amanteigadas nas mãos e um largo sorriso no rosto.
- Cerveja amanteigada! - Ele entregou uma delas para Sollaria, que olhou com curiosidade para o melhor amigo e depois deu um gole. A voz dele, a garota notou, estava daquele jeito esganiçado de novo, só que muito mais evidente agora. - O que achou?
A expressão de Sollaria desanuviou-se, e ela abriu um sorriso igualmente largo.
- Então essa é a nossa primeira festa? - questionou ela, como se quisesse confirmar.
O loiro balançou a cabeça quase que freneticamente, mas a criação rígida o impedia de passar dos limites.
Diante da animação do amigo, Sollaria teve a impressão de que suas próprias angústias poderiam ser esquecidas por uma noite, afinal, os mais velhos não permitiam que as crianças de onze e doze anos participassem da festa. Aquela talvez fosse a exceção porque Sollaria - uma segundanista - havia ganhado o jogo para eles naquela manhã.
- Venha, Potter. - Ele agarrou a mão dela com a mão livre. - Você precisa ver Nott, ele provou Whisky de Fogo.
Os dois segundanistas passaram o resto da noite comendo doces da Dedosdemel enquanto observavam Nott e Zabini provarem as mais variadas bebidas alcoólicas das quais Sollaria jamais havia sido permitida nem ao menos chegar perto. Dançaram ao som de todas aquelas músicas diferenciadas e ficaram observando os alunos mais velhos fazerem... bem, coisas de alunos mais velhos no canto da Sala Comunal. Muitos alunos se aproximaram dela para cumprimentá-la ao longo da noite, chamando-a de diferentes nomes - os quais ela preferia mil vezes mais a ser chamada de aberração -, desde "ruivinha" a "Herdeira de Slytherin".
Ela não gostava muito desse último - parecia muito presunçoso (mas, pensando bem, a maioria dos sonserinos era presunçosa, e todos os apelidos também o eram) -, pois, além de tudo, lembrava-lhe da perseguição que seu irmão sofria e também do perigo em que estavam metidos.
Somente à meia-noite é que o professor Snape apareceu mandando todos irem dormir, acendeu as luzes e desligou o som. Àquela altura, os alunos de catorze a dezessete anos estavam todos muito alterados para fazer qualquer objeção, então a festa acabou naquele exato momento.
- Talvez agora que você está no time eles deixem a gente participar das comemorações - comentou Draco, dando um último gole em sua sétima cerveja amanteigada agora vazia.
Ele deu um sorrisinho na direção de Sollaria, parecendo levemente avoado, e beijou a bochecha da garota com força e intensidade surpreendentes. Ela ficou impressionada - Draco jamais havia ultrapassado os limites do próprio espaço pessoal com ela.
- Boa noite, Princesa da Sonserina. - O sotaque do garoto ficou forte ao reprimir um soluço e ele deu mais um sorriso para ela, dessa vez levemente envergonhado. - Ou seria Estrela da Sonserina? Não sei mais do que estão te chamando. São tantos nomes...
Ela revirou os olhos, dando uma risada baixa ao passo que sentia seu corpo inteiro queimar de vergonha. Não sabia se gostava de toda aquela atenção sobre si.
- Boa noite, Draco - murmurou ela enquanto o observava se afastar em direção ao corredor que levava aos dormitórios masculinos, sentindo-se de repente muito encabulada.
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