Capítulo Dois: O Dia em que Sollaria Foi para Hogwarts em um Carro Voador
NOTAS DA AUTORA
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Não demorou um dia e meio, e logo uma coruja chegou para Sollaria enquanto ela lavava a louça após o almoço.
Ela enxugou as mãos no prato de prato sobre a pia, diminuiu um pouco o som do toca-discos e pôs-se a ler a carta.
"Eu fui um idiota."
— Que belo jeito de se começar uma carta — murmurou Sollaria enquanto fazia carinho na majestosa coruja dos Malfoy.
"Você não merecia isso — a minha ausência. Eu não escrevi nada no início das férias porque temia o que quer que meus pais pudessem dizer ou fazer a respeito. Mas, para a minha surpresa, minha mãe me defendeu dos comentários do meu pai quando soube (pela mãe de Daphne Greengrass, aliás) que eu era seu amigo.
Quero dizer, minha mãe ficou bem aborrecida, mas ela faz de tudo pela minha felicidade (de acordo com ela própria) e decidiu que você ser da Sonserina e me estimular a estudar já era o suficiente para ela. Mas meu pai não gostou muito da ideia. Rolou alguns gritos. E meu pai nunca grita.
Então eu não te escrevi, porque o clima aqui em casa não está bom, não ainda. E daí fui um idiota com você na Floreios e Borrões, e eu não vou falar sobre o quanto eu me senti péssimo por isso, porque você sabe que eu não teria escrito uma carta se eu não me sentisse assim. Acho que escapou sem querer. Eu não quis fazer comentário algum que pudesse ofendê-la, Sollaria. Você é minha amiga, a única com quem realmente me importo naquela Escola. E eu fui. Um. Completo. Idiota.
Eu sei que você se incomoda, então tento não falar tudo o que penso porque eu tenho respeito por você, mas... Eu falhei com você. E eu fiquei quase um mês inteiro pensando em como escrever uma carta decente (sem êxito).
Eu sei que está magoada e preciso que saiba que eu não tinha a intenção. Não queria aborrecê-la. Por Merlin, Sollaria. Eu jamais faria nada que pudesse machucá-la. Espero que entenda. E espero que possamos nos sentar juntos no Expresso. Te vejo no dia primeiro de setembro.
Aguardando uma resposta,
DM
Ps: Eu estou mais alto que você. E você me parece... diferente? Não sei. Mas alguma coisa mudou em você. Só não sei dizer."
— Mas que bastardo infeliz! — xingou uma voz por cima do ombro dela, fazendo com que se sobressaltasse.
Virou e deu de cara com Fred, seu irmão postiço mais velho.
– Você estava lendo minha carta sem minha permissão? — Sollaria arqueou as sobrancelhas.
— Nós dois sabemos que eu estava.
Ele lançou um olhar feio para a carta na mão da mais nova e disse:
— Você percebeu que em momento algum ele de fato pediu desculpas pela forma como agiu com você?
Ela abaixou a carta e soltou um suspiro, apoiando-se no balcão da cozinha.
— É claro que eu percebi. — Mas ela conhecia Draco, e imaginava que pedir desculpas não fosse algo muito comum em sua família.
— E você vai mesmo voltar para a Escola e agir como se nada tivesse acontecido, exatamente como ele quer?
— Ora, Fred — replicou ela com indulgência —, eu não sou idiota. Nem permissiva. Eu simplesmente sei lidar com as pessoas. Eu sei das... dificuldades de Draco, e eu sei que ele teve uma criação péssima. E essa carta — ela balançou o pergaminho na altura do rosto do irmão —...essa carta é um pedido de desculpas. Do jeitinho dele. E eu tenho paciência, porque eu o entendo e sei que essa é a forma dele de se mostrar arrependido. Draco jamais admitiria ser um idiota se não estivesse absolutamente mal com o que fez.
O garoto ergueu uma das sobrancelhas.
— Você não acha que está sendo muito... como é a palavra... condescendente com ele?
Sollaria mordiscou o lábio inferior.
— Talvez eu esteja. Sei lá, Fred, eu tenho doze anos. Vou fazer muitas escolhas erradas na vida, mas espero não estar me enganando sobre esta. Draco é um bom amigo pra mim. E eu gosto dele. Acho que ele merece uma chance, e... Quem sabe? Talvez ele aprenda a pedir perdão.
Fred deu um suspiro fingido e balançou a cabeça.
— Não espere um convite para ser madrinha dos meus filhos. Você com certeza os mimaria demais e eu tenho medo de que prefiram você a mim.
Sollaria deixou uma risadinha escapar e colocou a mão no ombro dele.
— Ah, Fred... — Ela fez uma pausa dramática. — Você está completamente certo. Eles me amariam muito. Não dá para controlar... Eu sou muito legal.
Fred deu um peteleco na testa dela e ameaçou dar outro quando ela segurou a mão dele no ar.
— Mas seria impossível que prefiram a mim a você, seu idiota. Você será um pai incrível um dia. Um dia. De preferência não tão cedo.
Ele fez uma careta para ela, mas logo pegou o pergaminho novamente, pigarreou e deu um sorrisinho malicioso.
— Ah, ele logo vai saber o que há de diferente em você. Espere só até ele ver que você agora usa sutiã. — Fred riu, afastando-se em direção às escadas, enquanto Sollaria o xingava de várias coisas (o que fez com que sua mãe, que estava varrendo o gramado, gritasse seu nome completo).
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Apesar da discussão na Floreios e Borrões e da falta de cartas ao longo do mês de julho, Sollaria pensou em enviar uma resposta a Draco garantindo-lhe que o perdoava. Sabia que ele aguardava uma resposta (ele literalmente escreveu isso como despedida) e estava prestes a lhe enviar uma quando pensou melhor.
Talvez Fred esteja um pouco certo... Talvez Draco precise entender que nem tudo vem facilmente, pensou.
E não respondeu à carta.
O mês de agosto estava passando, o calor insuportável forçando-os a permanecer dentro de casa até o crepúsculo, e nada de Sollaria escrever de volta.
Sabia que seu silêncio seria como uma tortura para Malfoy, que provavelmente pensava que ela não o teria perdoado, porém era o certo a se fazer naquele caso. Somente assim ele entenderia que o que dissera não era aceitável de forma alguma, e que aquilo a magoara.
Enquanto o dia primeiro de setembro não chegava, os jovens Weasley (com exceção de Percy, que vivia enfurnado dentro do próprio quarto; Sollaria desconfiava que ele estava apaixonado) e Harry aproveitavam para jogar Quadribol até o pôr do sol no morro próximo à Toca ou Xadrez de Bruxo. Ficavam todos até a madrugada jogando cartas, Snaps Explosivos ou simplesmente conversando enquanto comiam biscoitos feitos por Sollaria. Fred e George vez ou outra faziam apresentações com Fogos Filibusteiro e outras gracinhas da Zonko's Logros e Brincadeiras, e a Potter não conseguia imaginar como tudo não poderia estar sendo mais diferente das férias do ano anterior, quando ela se encontrava miserável, abatida e melancólica.
Aquelas férias haviam sido ótimas, pois Sollaria tentava aproveitar o máximo possível de tempo junto à sua família, haja vista todos se dispersarem pela Escola ao longo do ano letivo, e ela havia tirado um tempo longe dos livros. Decidira que não leria absolutamente nada sobre Legilimência, Oclumência ou qualquer coisa relacionada aos seus poderes mágicos durante aqueles dois meses; queria poder dedicar-se por inteiro à sua família. Decidiu que poderia sofrer com suas preocupações ao longo do ano letivo — seu curto tempo com os Weasley (e Harry) vinha em primeiro lugar.
O dia primeiro de setembro finalmente chegara e, como sempre, estavam muito atrasados. Mesmo que tivessem acordados já ao nascer do sol, parecia que havia mil coisas para fazer: sua mãe corria de um lado para o outro enquanto tentava encontrar os sapatos de Ginny; a todo momento davam encontrões nas escadas muito estreitas, ora com uma torrada na mão, ora com livros debaixo dos braços, e em um desses momentos Harry acidentalmente derrubou chocolate quente nas vestes de Sollaria que, resmungando, voltou para o quarto e trocou de roupa. Seu pai quase quebrara o pescoço quando atravessarara o gramado com o malão de Ginny debaixo do braço ao tropeçar em uma galinha. Depois que saíram de casa (já no limite do horário previsto para saída), tiveram que voltar três vezes: uma para pegar a vassoura de Fred, outra para buscar a caixa de Fogos Filibusteiro de George e a última para pegar o diário de Ginny, que o esquecera em cima da mesa da cozinha.
Todos já estavam muito estressados quando chegaram na Estação de King's Cross. Hedwig batia as asas furiosamente e Nyx miava alto, irritada com a movimentação do carro. Até Hermes, a pomposa coruja de Percy, parecia aborrecida. O único animal que parecia tranquilo era Perebas, que dormia serenamente no bolso das vestes de Rony.
— Você primeiro, Percy — mandou Arthur apressadamente. O mais velho atravessou a barreira entre as plataformas nove e dez. — Fred, George, podem ir.
Assim que os dois passaram, Molly disse:
— Vamos, eu vou com Ginny e você pode carregar o malão dela, Arthur. — Ela olhou para trás. — Sollaria, Harry, Rony... Não demorem! Estaremos acomodando Ginny no trem.
Os três Weasley desapareceram.
— Pode ir primeiro, Harry — sugeriu Sollaria. — Rony, talvez seja melhor você ir por último.
Harry respirou fundo, posicionou seu carrinho entre as plataformas nove e dez e correu para o espaço entre elas. O esperado era que o garoto atravessasse, mas, por alguma razão, a passagem fora selada, e Harry tombou com o carrinho ao chocar-se contra a parede, chamando a atenção dos trouxas com o estardalhaço. Hedwig, sua coruja, também não ajudava muito; começara a piar alto, tendo sido acordada de seu sono profundo com o susto.
Rony e Sollaria correram para ajudá-lo a se levantar, preocupados.
— Harry! Harry, você está bem? — perguntou a garota, solícita.
— A passagem — disse ele com dificuldade, apertando o joelho direito com uma mão e tateando a parede com a outra —...a passagem está fechada.
— Como vamos atravessar? — inquiriu Rony em pânico.
— Acho que o mais razoável seria se enviássemos uma coruja a Snape ou McGonagall avisando o que aconteceu — sugeriu Sollaria, apreensiva.
— Eu não vou enviar carta alguma para aquele morcegão gigante — rosnou Rony imediatamente. — É capaz de ele rasgá-la em pedacinhos e fingir que nada aconteceu.
— Seus pais! Como seus pais vão voltar? — sussurrou Harry com urgência quando um trouxa passou por eles olhando com irritação para a coruja que piava alto.
— Não esquenta, eles podem aparatar e desaparatar no estacionamento, sabe? — explicou Rony despreocupado. — Desaparecer e aparecer em outro lugar em questão de segundos...
— Talvez devêssemos enviar Hedwig a McGonagall e aguardar perto do carro. — Sollaria tentou ajudar. — Assim, quando papai e mamãe voltarem, eles podem esperar com a gente.
O rosto de Harry se iluminou.
— É isso! O carro!
— Harry, você é um gênio!
Sollaria estalou os dedos na frente dos rostos maravilhados dos dois meninos.
— Garotos, foco! Espero que não estejam pensando no que eu penso que estão pensando. A resposta é clara: não! Isso nos levaria à expulsão imediatamente!
Rony gemeu.
— Sollaria, enviar Hedwig e esperar por uma resposta levaria horas. Ela teria que atravessar dois países até chegar em McGonagall.
— Mas...
— Você pode ficar e esperar por papai e mamãe. Eu e Harry vamos tomar o caminho mais rápido. — Ele empurrou o carrinho em direção ao estacionamento, e Harry seguiu atrás.
Com certa dificuldade, Sollaria empurrou seu carrinho de forma que Rony não conseguisse seguir o caminho com o dele.
— É perigoso! — exclamou ela chorosa. — Por favor, Rony, eu não quero ficar aqui sozinha no estacionamento, eu tenho medo, e...
Rony revirou os olhos.
— Ora, vamos, Sollaria, você não está sendo razoável — murmurou Harry com certa paciência.
Ela não estava sendo razoável? Não estava acreditando no que ouvia. Aquela era a coisa mais estúpida que eles já haviam proposto e o perigo que corriam não era apenas de serem expulsos de Hogwarts: poderiam ser vistos. Pensou rápido em busca de alguma solução — mas não encontrou nada.
— Por favor, meninos. Não podemos nos arriscar dessa forma — sussurrou ela, aflita.
— Espere aqui, então, e eu e Harry iremos a Hogwarts com o carro. — Rony parecia decidido.
— Ah, não... Eu tenho medo, por favor, Rony... Não me deixe sozinha aqui, não faça uma bobagem como essa! — Lágrimas começaram a rolar em suas bochechas devido ao nervosismo. — Fique, vamos esperar juntos!
Harry abriu a boca, sem saber o que dizer.
— Pare com isso, Sollaria!
Ela deixou escapar um soluço. Ah, ela já havia feito o possível para conseguir dissuadi-los: trazer à tona o fato de que poderiam ser expulsos, por exemplo. Ou falar do perigo que corriam de serem vistos... Mas nada havia adiantado até então. O que ela poderia fazer além de apelar para os sentimentos, em uma última tentativa de comovê-los?
— Por favor, Rony!
— Eu sei o que você está fazendo, sua... — ele parecia estar buscando algum insulto —...sua cobra manipuladora!
Sollaria revirou os olhos, parando de chorar no ato.
— Tá. Mané. — Ela bufou, limpando as lágrimas que caíam. — Eu tinha que tentar, não é?
— Venha com a gente, Sollaria — convidou Harry com cautela, temendo que ela abrisse outro berreiro. — Não vai acontecer nada demais. A gente vai só pegar o carro, chegar em Hogwarts em segurança e pronto, ninguém vai saber. Vai ser como se tivéssemos pegado o trem!
— Poderíamos ser vistos — sibilou.
— Vamos usar o botão que deixa invisível — retrucou Rony. — Vamos logo, Sollaria. A gente não vai mudar de ideia e você não quer ficar aqui sozinha.
Sollaria olhou de um para o outro, e depois ao redor, para a estação completamente lotada de homens, mulheres, crianças e mendigos.
— Você é quem sabe — disse Harry.
O barulho dos apitos dos trens era ensurdecedor, e talvez fosse pela estação superlotada, pela poluição sonora ou pelo calor insuportável, ou talvez pela pressão que os dois garotos faziam sobre ela, mas ela enfim cedeu, imaginando que não poderia ter cometido loucura maior.
— Tá. — Ela apontou o dedo para cada um de repente. — Mas é só porque eu não quero ficar aqui sozinha.
E então liderou-os em direção ao estacionamento.
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— Isso foi uma péssima ideia. Isso foi uma péssima ideia! — gemeu Sollaria no banco de trás.
— Quer parar de repetir isso? — mandou Rony enquanto apertava freneticamente o botão de invisibilidade. — Essa porcaria não está prestando!
— Vamos ser vistos! — sibilou Sollaria. — Até o fim da noite, estaremos na capa d'O Profeta Vespertino!
Rony bufou, tentando mais uma vez apertar o botão de invisibilidade do carro.
— Não vamos ser vistos, sua bobona, eu vou tentar subir mais para perto das nuvens. — Ele virou o volante com tudo, fazendo com que Hedwig, que estava dormindo, acordasse e soltasse um pio histérico. — Veja, logo, logo, vamos entrar na área rural, e daí é mais tranquilo.
— Por que você está surtando? Você nunca surta assim — indagou Harry olhando para ela pelo retrovisor.
Sollaria não respondeu de imediato. De fato, ela conseguia se manter razoavelmente sã em momentos de muita tensão, mas até ela tinha seu limite. Rony era um garoto de doze anos dirigindo um carro voador no meio de trouxas, enquanto era para os três estarem seguros dentro do Expresso de Hogwarts, longe do perigo e de uma provável expulsão — mas lá estavam eles.
Uma das coisas que Sollaria mais temia era que não chegassem ao destino, afinal, como Rony sabia exatamente como chegar a Hogwarts? E o que mais estava lhe deixando nervosa... Por que não haviam conseguido atravessar a barreira? Por que eles?
— Só... Não podemos ser vistos, tá bem?
— Eu estou trabalhando nisso — comentou Rony entredentes, tentando mais uma vez apertar o botão.
— Preste atenção na estrada, deixe isso pra lá. — Harry deu um tapinha na mão do amigo, que resmungou e voltou a prestar atenção na paisagem à frente.
— Ah, veja, o Expresso está ali. Sabia que estávamos no caminho certo. Rumo ao norte, então! — Ele subiu mais e mais nas nuvens. — Agora só temos que nos preocupar com os aviões.
E, do nada, os dois garotos caíram na gargalhada. Sollaria ainda estava muito nervosa para pensar naquilo como uma aventura. Odiava aventuras. Não gostava de sair de sua zona de segurança e conforto e gostava menos ainda de não saber em quê estava se metendo, mas lá estava ela, enfiada em um carro com dois grifinórios aventureiros e inconsequentes de doze anos, um rato inútil, um gato nervoso e uma coruja estressada.
O resto da viagem foi uma experiência tão ruim quanto o início, pois Sollaria começou a enjoar e Nyx já estava impaciente em sua cesta para gatos, miando alto.
Para piorar, Sollaria lembrou-se de que Draco esperava que ela pelo menos aparecesse no compartimento dele no Expresso de Hogwarts.
Pelas barbas macias e compridas de Merlin, pensou ela consigo mesma. Draco deve estar muito aborrecido comigo...
Ela passou o resto do trajeto inteiro de Londres até as Terras Altas da Escócia pensando no quanto havia sido estúpida em levar o que Fred dissera em consideração. Deveria ter respondido o amigo, deixado claro que estava chateada, mas que o perdoava, ao invés de tentar lhe dar uma lição. Afinal, quem ela era para ter esse direito? A mãe dele? Argh, quão infantil havia sido!
— Como eu fui idiota! Ele deve me odiar agora... — murmurou baixinho consigo mesma, sentindo a ansiedade tomar conta de si. Não podia perder a amizade de Draco, simplesmente não podia...
A familiar sensação de brasas sob sua pele começou a incomodá-la, mas, diferentemente do que acontecia no ano anterior, aquilo não mais seria um problema, pois já conseguia controlar mais das suas próprias emoções.
Respirar e expirar, respirar e expirar, respirar e expirar...
Sollaria tentou exercitar seu autocontrole até o momento em que avistaram Hogwarts, enquanto Harry e Rony comemoravam no banco da frente, Hedwig piava e Nyx miava cada vez mais alto.
— Bem-vindo de volta, Harry — disse Rony, a voz transbordando alívio.
— Finalmente estou em casa. — O tom afável na voz de Harry estilhaçou seu coração em mil pedacinhos. A vida com os trouxas era tão ruim assim, a ponto de ele considerar a escola o lar dele?
Não pôde mais pensar a respeito, pois uma batida forte e um estrondo infeliz tomaram sua atenção.
— Batemos em alguma coisa — sussurrou Harry.
— Jura, gênio? — Rony não conseguiu se conter.
Algo bateu mais uma vez no carro. Sollaria olhou pela janela. Estavam muito no alto — pareciam ter batido em uma espécie de árvore.
— Vamos morrer — esganiçou Rony.
— O que está acontecendo? — perguntou Harry, perdido.
Um galho de árvore muito grosso passou atravessando a janela de Rony, fazendo com que todos os ocupantes do carro soltassem uma exclamação.
Com o impacto, o carro ameaçou deslizar.
— Pare! Pare! Pare! — exclamou Rony sacando a varinha, que bateu no volante e se partiu ao meio. Harry bateu com a mão na testa. — Minha varinha! Minha var...
Outro galho bateu contra o carro, e mais outro, e mais outro, fazendo com que o carro ameaçasse cair ora para frente, ora para trás. Os bichos já se encontravam inquietos mais uma vez.
— Meninos, eu já sei que árvore é essa, é o...
— Isso não é hora para se mostrar uma sabe-tudo. — A voz de Rony soou impaciente e aterrorizada.
O rosto de Sollaria esquentou com seu orgulho ferido. Arrancou o cinto de segurança e destrancou a porta do carro.
— É o Salgueiro Lutador, seu energúmeno! Essa árvore revida tudo que atiram contra ela, ou seja...
— Nós vamos morrer esmagados! — exclamou Rony, tirando o cinto em um ato de desespero.
— Fique quieto! — mandou Harry, tentando pensar. — Nós precisamos arranjar um jeito de sair daqui, mas você tem que parar de fazer movimentos bruscos para que a árvore não se estresse, e... Meu Deus, do que é que eu estou falando?
— Nós temos que pular!
— De jeito nenhum! — opôs-se Rony.
— Peguem Nyx e Perebas, e no "três", a gente pula — concordou Harry, ignorando o comentário feito pelo amigo.
Vendo que não teria outra alternativa, Rony acabou cedendo. Em um ímpeto de coragem, os três pularam do carro a uma altura absurda. Ela acabou caindo bem em cima do braço esquerdo, mas, por sorte, talvez não estivesse quebrado.
Ficou cega de dor por uns dois segundos, antes de se lembrar que precisava correr imediatamente para longe do Salgueiro Lutador; não podia ceder naquele momento. Teve a vaga sensação de que um galho enorme ameaçava cair sobre ela e, antes que pudesse acontecer, ela já estava gritando, a mão direita acima da cabeça:
— Immobilus!
Os galhos desaceleraram, de modo que Sollaria conseguiu afastar-se consideravelmente da zona caótica do Salgueiro.
Viu de longe o carro do senhor Weasley cair e também sair de perto da árvore. Observou por de trás de uma pilastra quando o carro abriu o porta-malas, expulsou os malões e adentrou a floresta.
— A-Acho que eu machuquei o meu braço esquerdo — comentou Sollaria, sentindo a cabeça latejar de dor. — Eu... Eu não sei se estou me sentindo muito bem.
— Está tudo bem, Sollaria. Por que você não vai em frente, e nós dois ficamos para pegar os malões? — sugeriu Harry, condolente.
— Ah, o papai vai me matar... — Ouviu Rony murmurar para si mesmo enquanto ia até onde estavam os malões, ao passo que ela mesma entrava em um corredor que daria para o Salão Principal.
Com sorte, conseguiria pegar pelo menos o final da Seleção. Queria ver para qual Casa Ginny seria selecionada. No entanto, pensou ela enquanto entrava no Salão Principal alguns minutos depois, qual seria a probabilidade de ela ser selecionada para outra Casa que não a Grifinória?
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