48 - Miriam Ferreira

Os interrogatórios tinham corrido bem, não consegui tantas surpresas com as amigas de Dolores, apesar de ter lhes dado atenção especial. As histórias que elas contavam batiam, mas Dolores ainda era minha principal e única suspeita. Ou as amigas não sabiam de nada ou estavam encobrindo ela.

No dia seguinte estudei a planta da escola, decidi focar no sumiço das chaves.

Conversei com alguns funcionários da escola que estavam presentes no dia, inclusive com o professor de música, que tinha pedido demissão. Mas alguns fatores como o fato dele ser canhoto, ter quase 60 anos e ter tido um tipo de colapso mental ao ver o chão da sala sujo de sangue me fizeram não considerar a demissão como suspeita.

Consegui os horários das aulas e fiz algumas perguntas aos professores que lecionavam nas salas próximas aos locais do assassinato. Também resolvi conversar com a enfermeira, que compareceu de mal gosto a sala que eu tinha improvisado na própria escola para interrogar os funcionários.

- A senhora estava presente no horário do assassinato, certo?

- O que você acha?

- Sinto muito se interrompi alguma coisa que a senhora estava fazendo...

- Por que não estamos na delegacia?

- Porque esse é um interrogatório informal, a senhora não é suspeita. Por enquanto....

- Que bom. - Ela tirou um cigarro da bolsa e acendeu, não parecia ligar para o fato de estarmos em um local fechado. Resolvi tornar aquilo breve e não fazer nenhuma critica ao fato dela ser uma profissional da saúde incompetente.

- Quem esteve na enfermaria no dia?

- Um professor com dor de cabeça, dois alunos machucados na aula de educação física e Edith Nash.

- E esses alunos...

- Eram crianças.

- Gostaria que parasse de me interromper. E quanto a Edith Nash?

Ela era uma das meninas que eu tinha interrogado, uma colega de Classe de Charlotte.

- Ela sempre vai lá, é a menina das convulsões.

- Menina das convulsões?

- Ela é doentinha, coitada.

- Ela foi lá tendo uma convulsão?

- Não, disse que o professor a mandou para se acalmar.

- Que horas?

- Pouco antes do fim das aulas, foi a última pessoa que foi me perturbar.

- Obrigada, foi o suficiente. E sua ética revela que a senhora é uma péssima profissional da saúde.

Imediatamente fui conversar com o professor de Geografia, o último que deu aulas a Charlotte. Foi um dos primeiros funcionários com quem conversei, mas felizmente ele ainda estava no colégio tentando consolar o diretor que tinha aparentemente entrado em estado depressivo, ele ainda chorava.

- Sabe, nós vamos construir um memorial pra ela. Charlie não vai estar aqui pra ver, mas ela era uma menina tão jovem e cheia de vida. Tinha um futuro brilhante - O diretor disse.

- Com licença - Chamei o professor um pouco para o lado.

- O senhor falou que Edith tinha saído de sala, mas eu não dei muita atenção a isso. Queria saber como isso aconteceu. Ela pediu para sair?

- Ela disse que estava se sentindo mal e eu permiti que ela saísse.

- Ela deu algum sinal de que ia ter um episódio convulsivo?

- Ela estava gaguejando. Mas não notei mais nada. Não sei muito sobre a doença dela.

- Era apenas isso, obrigada.

Edith não poderia ter cometido o assassinato levando em conta suas condições físicas. Mas ela podia estar envolvida diretamente com ele, podia ter sido a pessoa que roubou as chaves e abriu a porta.

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