42 - Miriam Ferreira
Chegamos na casa da senhora Agatha as quatro da tarde. Concordamos em ir no meu carro, considerando que uma viatura seria perseguida por algum repórter maluco.
James esperou enquanto bati na porta, ensaiando o meu melhor sorriso. A polícia tinha que ter um cuidado especial com idosos.
— Boa tarde.
A senhora Sophia Agatha era uma mulher baixa, magra e usava os cabelos brancos presos em um coque quase perfeito. Seu rosto trazia uma expressão simpática e amorosa de uma mulher que havia sido responsável por muitas crianças, como a mãe de uma grande família. No caso dela essa família eram as crianças órfãs do lar para jovens desabrigados de Stacy Hills.
— Boa tarde, senhora Agatha. Eu sou...
— Sei quem a senhorita é, está em todos os jornais. Por favor, entre.
Acenei para James esperar e entrei na casa. Tinha poucos moveis, muitos porta-retratos e nenhum grão de poeira.
— Desculpe pela bagunça...
— Não tem problema. — E nem bagunça.
— A senhora aceita uma xícara de chá?
— Sim, por favor.
Eu não gostava de chá, mas ela se sentiria muito mais confortável para falar do assassinato e do passado se eu bebesse com ela. Fiquei feliz por não ter me oferecido cerveja. Enquanto ela fazia o chá olhei os porta-retratos com mais cuidado, eram fotos de crianças, provavelmente as do orfanato. Eu estava procurando Charlotte.
— Aqui está.
— Muito obrigada.
Segurei minha xícara e sentei no sofá, a senhora Agatha se acomodou em uma poltrona cor-de-rosa a minha frente.
— Eu estou aqui pela Charlotte.
— Eu sei.
Sua expressão havia ficado sombria e triste, me obriguei a dar um gole no chá.
— Então a senhora era diretora do orfanato?
— Sim, fui por vinte anos até o governo parar de mandar verba e ele fechar.
A senhora Agatha falou um pouco sobre sua formação em pedagogia e sobre como começou a trabalhar no orfanato. Deixei que ela falasse até se sentir mais a vontade para citar Charlotte.
— Charlie... Ela gostava de ser chamada assim. Dizia que Charlotte tinha uma pronúncia feia - Foi até uma estante e pegou um dos porta-retratos.
— É ela?
A foto mostrava uma menina loira com o cabelo preso em trancinhas, os olhos azuis carregavam um ar triste que não contrastavam com o sorriso infantil. Estava em pé perto de uma casinha de bonecas segurando uma barbie com uma das mãos.
— Ela tinha 8 anos, foi pouco depois dela chegar. — A senhora Agatha pegou o porta-retratos e olhou para Charlotte.
— Como Charlie chegou aos seus cuidados? — Decidi usar o nome que ela achasse mais familiar.
— Foi no mês de dezembro...
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