22 - Edith Nash

— Só precisamos ficar fora da vista de Charlie ou de algum conhecido até a Dolores voltar. — Cristina sorri.

— Isso é meio difícil.

De fato, não se passaram nem cinco minutos depois que nos separamos de Dolores, e Charlie acenou para mim e fez sinal para que eu esperasse. 

Droga.

Sorri para ela e fiquei parada no mesmo lugar, enquanto Cristina dava um jeito de sumir de vista.

— Eu estou perto, não entre em pânico. 

Não tenha uma convulsão.

E eu não ia ter, não hoje. Não podia deixar que aquilo definisse minha vida por mais nenhum dia. Eu sabia dos riscos que estava correndo quando concordei em colaborar com o plano. Mas decidi confiar em Dolores e Cristina, e acima de tudo; decidi confiar em mim. Eu não ia estragar tudo, eu não ia cair no chão me debatendo sem o controle do meu próprio corpo, não dessa vez. Minhas amigas acharam que eu era capaz, e até meu próprio pai achava que eu era capaz de sair para uma festa sem algo ruim acontecer.

Mas você acha, Edith? Acha que pode controlar isso?

Não pode. 

Saio dos meus devaneios quando vejo Charlie se aproximar, o cabelo loiro arrumado em cachos perfeitos, o vestido longo combinando com os olhos azuis.

Ela parecia um anjo.

Mas o diabo também era um anjo. 

Está gostando da festa? 

— Sim. 

— Você parece sozinha. Por que não vem comigo? Vamos nos divertir um pouco.

— Não. Eu... fiz uma amiga.

— Quem?

— Ah, eu estou esperando ela.

Charlie segura minha mão e sorri. -  Quero te apresentar a uma pessoa, vem. 

Milhões de possibilidades passam pela minha cabeça, tento me controlar pensando que Cristina ainda está ali. Afasto minha mão da dela e ando para trás, quase esbarrando na mesa de bebidas. 

— O que houve?

— Nada.

Sinto uma pontada na cabeça.

Não. Tente fazer ela falar alguma coisa, siga o plano de Dolores. Cristina pode estar gravando essa conversa

— Quem você quer que eu conheça?

— Uns amigos. 

— Onde eles estão? 

Charlie me afasta e pega um copo na mesa atrás de mim, parece estar perdendo a paciência.

— Quero te ajudar a fazer novos amigos, Edith.

— Se você me disser quem são esses novos amigos eu posso querer ir.

Charlie sorri pacientemente, Kay se aproxima dela e diz alguma coisa no seu ouvido. Quando olha para mim de novo, a expressão em seu rosto mudou. Toda pose de anjo que conservava sumiu, era como se de uma hora para outra ela tivesse se transformado em um demônio. Um demônio que queria me matar, seja lá o que Kay tivesse dito a ela. 

— O que houve? — Naquele momento, ao ouvir minha própria voz eu sabia o que ia acontecer. Sabia que ia perder. Ia perder para a epilepsia mais uma vez. 

Charlie joga o copo no chão, o barulho do vidro se quebrando chama a atenção das pessoas mais próximas. Consigo me afastar da mesa a tempo, evitando um desastre maior.

Você perdeu.

A última coisa que vejo antes de perder totalmente a consciência é Cristina tateando a bolsa a procura de algo, enquanto Dolores grita alguma coisa para Charlie. Um circulo já se formou a nossa volta, posso ver que aquelas pessoas estão adorando o show. Sinto os tremores no meu corpo ficarem mais violentos e simplesmente apago.  

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