15 - Patrícia Parker

O meu maior erro foi confiar em Edith, o meu maior erro foi confiar em alguém. Agora Dolores sabia o que tinha acontecido.

Dolores.

A mesma garota que me fez chorar escondida tantas vezes. 

Não sabia o que pensar, só queria correr daquele lugar o mais rápido que pudesse. Correr da Dolores era uma coisa que eu já tinha aprendido a fazer a muito tempo, o problema é que agora tinha que correr da Charlotte. 

Eu sabia que Dolores ia usar o que aconteceu comigo contra Charlie, de alguma forma. Só não sabia como e nem o quanto isso ia me prejudicar. 

O sinal indicando o fim das aulas tocou. Talvez não tivesse que me encontrar com ninguém se eu fosse rápida o bastante, apesar de achar que nenhuma delas iria me seguir depois do que eu disse.

Uma rua, Duas ruas....

— Patty....

Paro.

— Tá sentindo isso nas suas costas?

O cano do revolver, era a segunda vez que Charlie fazia isso. Eu não sabia se dessa vez ela ia só me ameaçar. 

— Responda — sussurra no meu ouvido.

— Estou.

— Pensei que eu não teria que fazer isso de novo, mas parece que a sua amiguinha Dolores está sabendo demais.

— Eu não contei a ela.

— Quem contou? 

Escuto o revólver destravar, fecho os olhos com força. Mas ela não seria louca de atirar em mim  no meio da rua. Ou seria? Sinto minhas mãos soarem e minha cabeça girar. 

Será que é assim que a Edith se sente quando tem uma convulsão? Quando acha que vai morrer? 

— Eu não sei, a Dolores estava viajando. Deve ter tirado as próprias conclusões quando chegou. 

— Você tem certeza que não contou para mais ninguém o que aconteceu? 

Edith.

Charlie aperta mais a arma contra as minhas costas, quase posso ver o sorriso doentio em seu rosto quando meu corpo começa a tremer. Olho para os dois lados da rua, me perguntando se alguém apareceria para chamar a ambulância. 

— Não contei para mais ninguém.

— Que bom.

Escuto a arma travar novamente, respiro um pouco aliviada mas ainda sinto ela contra as minhas costas. 

— Uma vez alguém me disse que duas pessoas só podem guardar um segredo se uma delas estiver morta.

Tenho vontade de correr, mas tenho a sensação de que arma vai ser destravada e um tiro vai atravessar a minha coluna a qualquer segundo.

— É brincadeira, sua boba — Charlie gargalha — Ninguém me disse isso, eu vi em uma série.

Charlie abaixa a arma e se afasta, não ouso sair do lugar.

— Se manda.

Ando devagar, quando tenho certeza de que saí do campo de visão dela, corro. 

— Patrícia?

- Mãe!

Abraço ela com força, depois de ter achado que nunca mais poderia fazer isso.

— Você está bem? Parece pálida...

- Estou, só...

— Só?

— Estou com fome.

— Eu e o seu pai temos um voo essa madrugada. 

— Sério? 

Não me deixe sozinha. Não me deixe sozinha. 

— Sério.

— Quando vocês voltam? 

— Daqui há dois ou três dias. 

— Claro. — Jogo minha mochila no sofá, pronta para correr para o quarto e chorar tudo o que tenho que chorar.

— Aquelas meninas ainda têm perturbado você? 

— Que meninas? Do que está falando?

— Da Dolores e sua gangue.

Como eu sinto falta da Dolores e sua "Gangue".

— Não, está tudo bem. 

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