07 - Dolores Frank
Voltei para casa e tomei um banho quente, planejando não sair da banheira enquanto não tivesse um plano para destruir Charlotte e lhe fazer pagar por toda a humilhação que me causou.
A única pista que eu tinha era Patrícia Parker e seja lá o que tivesse acontecido com ela.
Mas como eu poderia se quer falar com a garota com quem pratiquei bullying a vida inteira?
Gostando ou não, minha única esperança era Edith. Mas como conversar com a garota que eu quase tinha matado?
Eu não podia, mas Cristina sim.
Depois do almoço fui andando até sua casa.
A cada rua que dobrava a coisa ficava mais suja....Tinha ido na casa da Cristina há um ano atrás, quando me obrigaram a fazer trabalho voluntário de distribuir cestas básicas naquela região da cidade. Segurei minha bolsa com as duas mãos com medo de ser assaltada. Bati desesperada na porta.
- CRISTINA! CRISTINA!
Ela abriu a porta e bateu imediatamente na minha cara.
- O QUE FAZ AQUI DOLORES?
- Cristina abra a porta, tenho medo de ficar aqui fora.
- O QUE DIABOS VOCÊ QUER?
- Preciso conversar com você.
Olhei desesperada para os dois lados da rua, como alguém conseguia viver ali?
Dolores, não seja preconceituosa.
- Não posso falar agora.
- Pelo menos me deixe entrar, tenho medo de ficar aqui fora!
Cristina saiu, fechando a porta atrás de si. Cruzou os braços e me olhou cansada.
- O que foi?
- Tentei falar com Edith ontem, mas não deu muito certo.
- Ela teve um ataque? - Cristina suspirou.
- Sim. Olha, eu quero descobrir o que aconteceu com a Patrícia e preciso da sua ajuda.
- Isso tem a ver com se vingar de Charlotte?
- Tem.
- Tudo bem, estou dentro.
Olhei para ela confusa.
- Você sabia que a maioria das amizades começam quando duas pessoas odeiam alguém em comum?
- Eu não sou sua amiga, e nunca vou ser. Só não gosto de Charlotte.
- Não importa, preciso que venha comigo até a casa da Edith.
- Ok, primeiramente o que exatamente você fez com ela?
- Ela teve um surto no meio da rua, por minha causa e fraturou o crânio.
-Ah é mesmo? E o que exatamente você vai dizer? Desculpe senhor e senhora Nash, por quase ter matado a filha de vocês. Será que posso falar com ela agora?
- É por isso que quero que vá comigo Cristina. Se ela não quiser me receber, pelo menos temos você.
- Tem certeza que ela não morreu?
- VOCÊ VEM OU NÃO VEM? - Que ela fazia qualquer um perder a paciência, era verdade.
- Não posso, daqui a pouco tenho aula de fotografia.
- Que tipo de pessoa perde tempo na aula de fotografia?
- Eu e Kay - falou com raiva.
- Então vocês voltaram a se falar?
- Me dá 10 minutos.
Minhas estratégias não falham.
Cristina me deixou sozinha naquela rua perigosa. Todas as possibilidades desde ser assaltada, sequestrada e levar uma bala perdida, passaram pela minha cabeça. Saiu alguns minutos depois segurando a mãozinha da irmã.
- Não pode levar a menina.
- Tudo bem, vou deixar ela na casa de uma amiga.
- A garota que levou chifres é sua amiga, Cristina?
Olhei para as duas com os olhos arregalados, sem saber o que dizer. Já estava com essa fama até entre as crianças?
- Não ligue pra ela. - Cristina colocou a menina no braço, mas percebi que tinha achado um pouco de graça naquilo.
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