06 - Cristina Stevens

Dolores não entrou na sala e não encontrei ela no intervalo, imaginei que estivesse trancada no banheiro chorando, como ontem. Não me preocupei em procura-lá. Quase no fim do primeiro tempo recebi um bilhete através de Daniel, era de Kay.

Me encontre na sala de música.

Demorei um pouco para ir ate lá, perambulando pelo pátio na hora do intervalo. Quando entrei na sala de múscica Kay já estava esperando.

Ela estava tão diferente.

Você vem para a aula de fotografia hoje? - perguntei.

Eu e Kay tinhamos nos matriculado na aula extra de fotografia, no começo do ano.

Nós faziamos tudo juntas.

Não vim falar sobre a aula de fotografia Cristina.

Até seu modo de falar estava diferente.

— Sobre o quê?

— Eu estive conversando muito com Charlie.

Sentei em um dos banquinhos da sala, esperando que continuasse.

— Sobre você.

— Charlie quer me conhecer? — perguntei esperançosa.

Se Charlie me aceitasse no seu grupo de amigas tudo se resolveria, eu teria Kay de novo e não precisaria mais me preocupar com Dolores me perseguindo.

Jovens trocam de namorado o tempo todo, não é mesmo? E talvez a história que o diretor contou sobre Patrícia fosse a verdadeira. Talvez Charlie não fosse má.

Kay riu.

— Não seja idiota, porque Charlie ia querer te conhecer?

Me levantei e encarei Kay. Eu não teria coragem de bater ou insultar ela, jamais. Mas não precisava ficar sentada como uma ovelhinha.

— Qual o problema, Kay? Desde que essa garota chegou você parou de falar comigo, e agora está me tratando dessa forma. O que aconteceu?

— Charlie me fez ver como eu estava sendo idiota, Cristina.

— Porque você era idiota? Porque andava comigo?

— Não exatamente. — O tom de Kay mudou, por um momento parecia minha velha amiga.

— Diga de uma vez. O que Charlie fez com você para que abandonasse sua melhor amiga?

— Você nunca foi minha melhor amiga.

— Como assim nunca fui sua melhor amiga? Nós fazemos tudo juntas desde que entrei no colégio, você contou que conversava com Edith Nash antes de me conhecer.

— Eu conversava com você porque era minha única opção. Se não fosse você, seriam as idiotas da Nash ou da Parker. Ou então ficaria sozinha.

Aquela não era Kay, não podia ser Kay. Charlie trocou ela por um clone ou lhe fez uma lavagem cerebral.

O que está dizendo?

— É a verdade, eu só andava com você porque Dolores não me deixava entrar no grupo dela.

— Kay... Você está louca? Não pode mudar tão radicalmente em duas semanas, foi alguma coisa que eu fiz?

— Na verdade sim, gostaria que parasse de ficar me olhando. As meninas acham muito desconfortável.

— E quanto a todas as vezes que...

— POR FAVOR, PARE DE SE HUMILHAR! — Charlie entrou na sala, pondo uma mão no ombro de Kay.

— QUEM É VOCÊ E O QUE FEZ COM MINHA AMIGA?

Kay e Charlie gargalharam.

— Pode repetir isso? Quero gravar e fazer um meme. — disse Charlie.

Sai da sala se música correndo e fui até o banheiro procurar Dolores. Se ela queria destruir Charlie eu estava disposta a ajudá-la.

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