Capítulo 63
Bônus: Brian P.O.V
Assim que cheguei na empresa, fui direto para sala de Alicia. Entrei sem bater e ela me olhou assustada, enquanto tampava um lado de seu rosto com um bolsa de gelo.
— Brian?
— O que é isso ai?
— Nada. – escondeu o rosto.
— Foi a Anna não foi? – definitivamente eu estou rindo por dentro. Anna sempre me ameaça, dizendo que vai me jogar da janela e tal. Mas nunca pensei que ela partiria para cima de alguém.
— Claro que não, de onde tirou isso? – tentou disfaçar.
— Ela já me contou tudo. Eu sei que você e a Vanessa chantagearam ela! – ela me encarou. — Me diz... para que tudo isso? Para que tanta maldade?
— Porque eu te amo!
— Não Alicia, isso não é amor. Isso é loucura!
— Não é! – saiu de trás de sua mesa e veio até mim. — Brian, eu te amo mais que minha própria vida! E faria qualquer coisa para te ter de volta!
— Eu nunca fui seu! Alicia, nós ficamos uma e outra vez. Mas isso não quer dizer que eu me apaixonei por você algum dia. – ela estava começando a chorar.
— Você não ama a Anna! Você nunca amou ninguém, por que amaria um contrato? Não faz sentido!
— Eu me apaixonei pela Anna.
— E por que não por mim?
— Talvez o destino não nos queira juntos!
Pois é, agora eu acredito em destino.
— Brian, se você voltar para mim eu juro...– soluçou. — Eu juro que deixo a Anna em paz! Nunca mais a procuro!
— Se eu ficar com você, você vai deixar a Anna em paz?
— Sim! Te juro! Nunca mais vou atrás dela, não farei nenhuma maldade com ela. Nós podemos ser felizes juntos, eu posso te dar um filho.
— Ai é que está de novo! Você estaria feliz, eu não! Nada iria dar certo. Pois o amor da minha vida estaria sofrendo sem mim, e eu sem ela. E assim seriamos um poço de infelicidade e falsidade. E eu já vou ter um filho, obrigado pela oferta mas não!
— O que?
— Vou ter um filho com a Anna! – ela me olha em choque.
— Isso é um golpe!! – gritou. — Ela só quer seu dinheiro! Por que mesmo ela se casou com você? Não cai nessa!
— Alicia, entenda! Nada vai me fazer mudar de ideia, eu não te amo! – ela voltou a chorar e me abraçou.
— Não me deixe Brian por favor! Por favor! – se ajoelhou no chão implorando. Já irritado a coloquei de pé novamente a encrando.
— Para com isso, eu já perdi a minha paciência! – digo sério a fazendo me olhar. — Eu não sinto nada por você. O tempo todo você me sufocou, tentou forçar algo que nunca existiu. Eu e você não somos feitos um para o outro. Eu amo outra mulher, é com ela que eu pretendo passar toda a minha vida, é com ela que eu quero ter mais filhos. É ela, não você! Esse amor doentio que você sente por mim é uma ilusão da sua cabeça!
— Não é não, eu te amo!
— Não, você não me ama. Você ama a imagem que você inventou de mim do homem perfeito para você. Nós não temos nada a ver! – ela se afastou ainda chorando. — Você chegar ao ponto de ameaçar a Anna de morte por minha causa? Tenha um pouco mais de amor próprio.
— Por que está sendo assim comigo?
— E eu não tenho razão de estar sendo assim com você? Você invade a minha casa com a sua nova amiguinha desgraçada, chantageia e ameaça minha esposa grávida e acha que eu tenho que aplaudir e apoiar?
— Você não era assim antes de conhecer ela. – suspirei.
— Eu gostava de você Alicia, como uma boa amiga. Quando você não era tão sufocante, doentia e fixada em mim.
Um silêncio se formou no ambiente tenso e desgastante.
De repente a porta é aberta. Ou melhor, arrombada por Samantha.
— Cheguei! – exclamou e encarou Alicia. — E vou te matar! – ela simplesmente me jogou para o lado e foi para cima de Alicia. — Eu avisei e você não me ouviu! – lhe acertou uma forte bofetada. — Eu avisei, não diga que eu não avisei pois eu avisei! – lhe acertou outra forte bofetada.
— Socorro!! Sua louca!! – gritou Alicia.
— Agora você grita socorro? Deveria ter pensado nisso muito antes de tentar ir para cima da Anna! – lhe acertou outra forte bofetada. — Você não sente vergonha não? Que tipo de mulher você acha que é? Está se achando vilã de novela mexicana minha querida? – lhe puxou os cabelos.
— Chega Samantha! – digo intervindo.
— Eu vou acabar com você! – me ignorou e lhe deu outra bofetada. Puxei Samantha a tirando de cima de Alicia. — Me solta Brian! Eu ainda não terminei o serviço!
— Chega Samantha! Ok? – ajudei Alicia a se levantar e ela me abraçou. — Alicia... – me soltei dela e a encarei. — Ainda dá tempo de você ser feliz! Só que sem mim! Eu não sou o homem certo para você, entenda isso! Sei que o lance com o André foi desesperador mas você tem que esquecer ele e eu! – ela me encara.
— E esse amor que eu sinto? O que vou fazer? Simplesmente jogar no lixo? Não Brian!
— Já ouviu falar em reciclagem? – Samantha pergunta.
— Alicia, eu já disse que isso que sente por mim não é amor! É fantasia sua. Você só quer focar em outra pessoa, você só quer acreditar que ama outra pessoa para esquecer que ainda ama outra. Todo esse tempo você estava atrás de mim para esquecer o André! Criou uma fantasia de mim na sua cabeça e acreditou que eu era perfeito para ser amado. – ela abaixou a cabeça. — Você pode recomeçar. – ela me encara e volta a chorar. — Você me disse que pode voltar ser aquela Alicia, essa é a sua chance. Essa que está aqui agora, é a que você criou para esquecer o passado! – ela me encara.
— Ele sempre será o fantasma que me atormentará! A culpa de tudo isso é dele! – murmurou.
— Procure ajuda psicológica, se trate. Você realmente está precisando. – digo e ela me olha. — Se você ao menos tem um pingo de respeito pela amizade que tivemos no início, me prometa que vai fazer isso. – ela fica em silêncio.
— Acabou o teatro? Posso voltar a meter a mão na cara dela? – Samantha questiona entediada.
— Desde que conheceu Anna tudo o que tem feito é tentar atingi-la por minha causa. Acha mesmo que eu vou querer mais algum tipo de contato com você? Eu amo ela, eu faria qualquer coisa por ela. Você só tem feito mal a ela, eu ainda confiei em você. Disse a ela várias vezes que você não faria nada contra ela e ai você chega e me prova o contrário. Eu não quero mais nenhum tipo de contato com você, não te desejo nenhum mal. Eu só quero que siga a sua vida sem ter que me incluir nela! Por isso quero que me prometa, coloque um pouco a mão na sua consciência e veja tudo o que você vem perdendo por causa dessa sua falta de noção! – ela suspira ainda soluçando.
— Por que eu te prometeria?
— Você disse que o fantasma dele ainda te atormenta, se você quer se livrar dele você precisa recomeçar. Para recomeçar, você precisa me prometer. – o silêncio dominou o ambiente.
— Prometo! – ela murmurou quebrando o silêncio e me encarou.
Olhei em seus olhos e tudo que pude ver é uma mulher infeliz. Sem brilho nos olhos, sem cor, tudo preto e branco.
— Já passou um minuto! – Samantha volta a dizer.
— Uau! Agora eu sei do que Anna é capaz. – digo olhando a marca avermelhada da mão de Anna na bochecha inchada de Alicia.
— Ela tem uma mão pesada. – Alicia resmungou.
— O que? Foi a Anna quem fez essa obra de arte? Meu Deus! Tenho que dar os parabéns para ela! – Samantha diz rindo. Se aproximou de Alicia que se afastou. — Por que está arisca bebê? Ficou com medo? – riu novamente não obtendo resposta. Ficou frente a frente a Alicia. — Vai deixa-los em paz ou vou ter que partir para os tapinhas?
— Não vou mais atormentar a vida do seu irmão. Já fiz minha promessa. – Samantha a encarou.
— Olha, se acontecer qualquer coisa com a Anna ou com meu sobrinho...– se interrompeu. — Isso soa tão esquisito! Sobrinho! – revirei os olhos. — Enfim, eu vou te procurar em qualquer lugar no mundo e te garanto que irá se arrepender. Seja onde for, eu vou atrás de você!
— Eu entendi. – Alicia diz sem encarar Samantha.
— Nem pense que algum dia meu irmão será seu. Antes disso eu mato ele e jogo os restos mortais para as piranhas. – diz séria. — Mamãe não te suporta, papai só te tem aqui por conta de negócios com os seu pai e na altura em que a empresa dele se encontra, seu pai não é problema. Alexandra, ela é um anjo mas nem tão anjo. E eu, bem, você já deve saber minha opinião sobre você. Ainda devo dizer que não há lugar para você nessa família ou vou ter que desenhar?
— Não, eu já entendi!
— Faça o que ele disse a você e recomece. No coração do meu irmão, o lugar que você quer ocupar, já tem dona.
— Acho que já compreendi isso. – Alicia diz antes de soltar um suspiro.
— E sobre o contrato, apostas dos nossos pais, eu realmente espero que mantenha sua boquinha bem fechada. Não vai ser nada legal ir presa por tentativa de homicídio. Pois se não sabe, havia muitas câmeras nas redondezas. Sorte sua não ter encostado na Anna, ou pode ter certeza, eu faria toda uma nação ficar contra você! – finalizou séria.
Acho que nunca vi Samantha dessa forma em toda a minha vida. Em 18 anos da vida dela, essa é a primeira vez que a vejo tão assustadora.
— Acho que Alicia já entendeu. – digo.
— Sim, entendi. – ela diz baixo.
— Calma! – Samantha exclama. — Eu posso ter uma "conversinha" com a tal Vanessa, né? – sorriu me encarando. — Por favor Brian! Eu nunca te pedi nada.
— Nunca?
— Algumas vezes! Mas, deixa por favor. Ela também merece uns tapinhas! Não é justo a sofredora arrependida ai ficar toda estapeada e a outra não.
— Sofredora arrependida? – Alicia questiona.
— Samantha, eu não tenho mais nada a ver com você. Eu não vou mais ser responsável por você e seus atos, você já tem dezoito anos. – ela sorri.
— Sofredora me passe o endereço da vádia sua amiga! – Alicia a encara.
— É sério isso? Só Alicia não rola?
— Não, saiba que esse é só o começo!
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