Capítulo 26
— É que... é que...
—"É que, é que", o rádio travou? – o imitei – Você está falando isso a meia hora e até agora eu não tive nenhuma resposta! – cruzei os braços e o encarei.
— Eu não disse nada porque não achei que era importante.
— Não era importante? Brian ontem essa mulher atirou um carrinho de compras em cima de mim e você não acha importante me contar que vocês mantém contato dessa forma?
— Isso foi ontem!
— Exato! Você podia ter me contado ontem ou hoje de manhã.
— Não se preocupa com ela, ela não vai fazer nada.
— Quem me garante? Você? Brian ontem foi um carrinho de compras, amanhã pode ser um carro de verdade, depois de amanhã pode ser um caminhão!
— Não exagera!
— Como não exagerar? Ela está louca por você e vai fazer de tudo para ter você só para ela!
— Tá com ciúme é? – sorriu.
— Brian não estou brincando.
— Para de se preocupar com ela.
— Como não me preocupar? Ela está apaixonada! Sabe o que faz uma mulher apaixonada?
— Não!
— Exato! Então não fale o que você não sabe. – deixei a cozinha e fui para o meu quarto e bati a porta.
Como não me preocupar? A mulher parece uma psicopata e eu sou a exagerada?
Tomei um banho e me deitei. Coloquei meu fone de ouvido e aumentei o volume no último.
Música. A única coisa que me acalma. Não demorei a pegar no sono.
No dia seguinte, acordei com com o fone ainda ligado. Já eram oito horas. Percebi que a bateria estava baixa então coloquei para carregar, mas antes mandei uma mensagem para Júlia, para ela me encontrar na praia.
Tomei um banho rápido. Assim que sai, fui ao closet procurar uma roupa. Optei por uma saia florida e uma regata branca. Coloquei minhas rasteiras e peguei minha bolsinha saíndo em seguida.
Ao entrar na sala, me deparo com Brian vestido de terno e gravata comendo biscoitos.
Afastei qualquer pensamento idiota da minha cabeça e entrei na cozinha para tomar um café.
— Vai sair? – ele questiona.
— Vou. – digo somente.
— Ainda está brava por ontem?
— Eu? Claro que não! – ironizei e ele revira os olhos.
— Depois diz que quer que isso de certo. – resmungou enquanto eu tomava meu café.
— Não sou eu quem estou escondendo as coisas aqui. – lavei meu copo e sai da cozinha.
— Eu não estou escondendo nada de você!
— Sério? – me virei para encara-lo. — E ia me dizer quando sobre a Alicia? Quando ela me matasse?
— Não exagera! – revirei os
olhos.
— Eu sempre estou exagerando quando o assunto é a Alicia! Mas o carrinho que era dela simplesmente criou vida e veio atropelar justo quem? A noiva do cara que ela é apaixonada! Que coisa não?
— Anna, você está fazendo tempestade em copo de água!
— Devo estar mesmo! Tudo bem, ela é sua "Amiga" – fiz aspas – e você vai defende-la. Afinal você conhece ela a mais tempo que eu.
— Não vou mais discutir com você!
— Nem eu! Se você não quer enxergar o que está na sua frente o problema é seu! – sai e bati a porta com força.
— Quebra mesmo!! – ouvi ele gritar do lado de dentro.
Desci e fui direto para praia. Sentei na areia sentindo a pequena brisa que batia em meu rosto. Estava começando a esquentar, não estava mais tão gelado quanto eu esperava.
Me perco em pensamentos, até ser pega totalmente de surpresa:
— Passa o celular!! – alguém me puxou pelos ombros.
— Aaah! – gritei e olhei a idiota rindo ao meu lado – Júlia sua idiota!
— Tadinha! – diz ainda rindo, e se senta ao meu lado.
— Não vi a graça! – digo mal humorada.
— Tá de mal humor é? Coitada! O que foi, o principe encantado te derrubou do cavalo? – a encarei com cara de poucos amigos — Beleza, o negócio é sério. O que foi? O que aconteceu? O que ele fez com você?
— Nós brigamos.
— Motivo?
— É o seguinte...– comecei a contar tudo para ela. Logo depois de desabafos e xingamentos resolvemos andar um pouco.
— Amiga, sabe o que eu acho disso tudo? – perguntou e eu neguei. — Primeiro, que você tem que colocar essa mulher no lugar dela. Segundo, você tem que parar de ser besta e ficar tendo ataque, Brian está tentando manter uma boa relação com você. E terceiro, vocêtacomciume. – diz rapidamente, mas eu compreendo perfeitamente.
— O que? Eu com ciúmes do Brian? – soltei uma risada. — Chega, você está tomando sol de mais.
— Admite logo! Se fosse eu, eu também iria estar com ciúmes. Brian não é de se jogar fora, é compreensível sentir ciúmes.
— Julia não viaja! Eu não estou com ciúmes do Brian, até porque entramos em um acordo. Nenhum dos dois toma conta da vida do outro, se ele quiser ficar com essa Alicia ele que fique. – dei de ombros e ela me dá um tapa na cabeça em resposta – Ai?!
— Vai entregar ele de bandeja para ela?
— O Brian não é minha propriedade, ele faz o que ele quiser.
— Já reparou no homem que você tem? Anna, vocês vão passar meses juntos. Você acha que realmente vai conseguir aceitar o fato de uma mulher como essa Alicia que lhe atirou um carrinho de compras fique de rolo com o seu marido?
— Julia, entenda que o Brian não se interessa por mim assim como eu não me interesso por ele. Nossa relação é apenas um contrato, tem data para acabar.
— Já rolou beijo? – mudou bruscamente de assunto.
— Bem... já. – desvio meu olhar para o mar. – No dia do shopping, mas foi por causa dos paparazzis.
— E depois disso, rolou algum outro? – suspirei.
— No dia em que fomos no supermercado... ele me beijou. – encarei meus pés na areia enquanto ela ria.
— Você realmente tem problemas!
— Isso não quer dizer nada! Sem falar que ele não é o tipo de cara que tem um relacionamento sério, Alexandra me confirmou isso.
— Anna, você está apaixonada por ele? – me encarou.
— Claro que não!
— Então pronto, cai dentro!
— Mas é um contrato!
— Anna, esquece esse contrato! O que importa é vocês estarem felizes e satisfeitos. Ele te deixou feliz? Você deixou ele feliz? Deu para conviver? Amiga, não vai existir contrato que estrague isso. Vai negar que rola uma atração?
— Júlia, nós estávamos falando de ciúme, como já pulou para atração? Você está louca. Eu não sinto nada por ele, não quero ter relação nenhuma ok? Depois do casamento eu volto para a faculdade e esse vai ser o meu único foco durante esses seis meses. Só iremos conviver juntos fingindo ser um casal feliz e apaixonado como manda o contrato.
— Quero ver até onde vai esse fingimento todo. Quanto tempo faz mesmo que você não tem um namorado?
— Acho que desde que comecei a faculdade. – dei de ombros.
— Sim, faz um longo tempo. Sem falar que seu último namorado era um babaca. Não é atoa que você fique insegura dessa forma pelo Brian. – soltou um suspiro.
— Isso não tem nada a ver com aquilo, eu só não quero me prender a algo que não existe.
— Ao menos seja menos chata. – me empurrou de leve. — Anna, não liga para essa Alicia. Se acontecer alguma coisa com você, eu arranco os cabelos dela.
— Tudo bem.
— Tenho que ir agora, depois a gente se fala.
— Tá bom. – lhe abracei e acenei a vendo ir.
Fiquei por mais um longo tempo na praia, assim que senti o calor do sol ficar mais que te resolvi voltar para casa.
Ao chegar tomei um banho para tirar a areia do corpo. Sai e fui fazer o almoço. Rapidinho ficou pronto. Comi e depois lavei a louça. Me sentei no sofá e fiquei a tarde toda colocando matéria em dia. Um pouco mais de seis horas, Brian chega e vai direto para o quarto. Continuei no sofá. Ele volta e vai direto até a cozinha. Respiro fundo e vou até ele que está bebendo água.
— Brian... – ele não responde – Posso falar com você? – ele me encara e depois suspira.
— Não quero brigar!
— Nem eu, eu só quero pedir desculpa. Eu sei que eu exagerei com você, não tenho que te exigir nada. Eu apenas fiquei irritada pois eu detesto que escondam as coisas de mim!
— Tudo bem, eu deveria ter contado. A propósito, falei com a Alicia hoje. – me encarou.
— E dai?
— E dai que ela disse que não foi de propósito.
— E você acreditou. – afirmei.
— Quando foi que eu disse que acreditei?
— Tanto faz, chega de falar da Alicia. Falar dela não tem acrescentado nada na nossa vida além de discussão. – ele concordou e voltamos para a sala — Como foi o seu dia?
— Entediante. – suspirou.
— Comprei meu vestido ontem, não sabe o quanto eu tive que andar para procurar um que agradace Alexandra e Júlia. – ele riu.
— Alexandra é o tipo de pessoa que quer tudo perfeito. É toda romântica, não se surpreenda se tudo estiver parecendo um conto de fadas.
— Você se dá bem com ela?
— Sim, ela é como se fosse uma segunda mãe sabe? – afirmei. — Falando nisso, vi seu pai hoje.
— Como ele estava?
— Parecia radiante. – fez uma careta. — Me perguntou de você umas duas vezes.
— Por que simplesmente não ligou? – ele deu de ombros.
Continuamos a conversar como se nada tivesse acontecido.
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É maratona que vc quer @? Então toma!
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