O novo lar

O destino de Lauren talvez fosse o de ser grande conceptora, o que não se firmou por fim. Mas ora, como haveria de ir contra um grande destino? De forma muito simples, uma vez que destino não há de força contra a impulsividade de uma adolescente. Lauren teve origem em família abastada, de muitas posses, mas que nenhuma pertencia às obras do coração. A perdição foi a faculdade. Não, culpa alguma possuíam as aulas, mas as compartilhava com uma ninhada de presas imbecis. E aqui declaramos que, por presas, o predador é o pirlimpimpim.
Embora houvesse escolhido de forma tola suas amizades, e entregado-se às tentações da boêmia, seu grande pretendente era um homem respeitoso. O conhecera no carnaval, ainda que de maneira pouco usual. Lauren estava mais do que perdida, em pleno pico de overdose, à beira de um valão. Como poderia ser tão miserável? Imagina as notícias do dia seguinte: herdeira dos Medeiros é encontrada morta após grande ingestão de psicoativos. Seria de grande conspurcação, além de — claro — um lamento para a família. Um lamento duas vezes, não há outra, de forma que, além da morte, há também a vergonha da filha que possuíam. Isso não ocorreu, entretanto. Matheus teria socorrido Lauren, acordante o casal Medeiros. Não perguntais a mim como um jovem médico se perdeu por uma perdida; o que há é que ocorreu.
A pena, como falávamos pelo prenúncio da cousa toda, é da adquirida infertilidade pela parte da jovenzinha. Houve a tentativa do artificial e os inventos por parte de Matheus, no entanto o casal caía em lamento. A idade aproximou-se, até que — pelos 40 anos — Lauren estava disposta a realizar o fascínio da adoção.
A dádiva da riqueza lhes trouxe benefícios que permitiram uma melhor colocação na fila de espera, o que foi de grande emolumento. Uma vez alcançada a marca de chegada, estavam no orfanato a reparar num lindo garotinho de 6 anos, que logo seria deles.
Felipe teria sobrevivido a um incêndio, ao mesmo tempo em que perdia sua única mãe. Grande infortúnio para criança tão miúda, o que manteve os olhares do casal sobre ele. Seus corações trariam acalento para o pobre guri.
A primeira noite de Felipe ocorreu de forma perfeitamente normal. Pontualmente, às três da manhã, despertou em um grito. A imagem do rosto de sua mãe derretendo não lhe fugia à cabeça. Também não estava verdadeiramente confortável dormindo em um colchão no chão. Não demos toda culpa aos Matias e nem desrespeitemos sua hospitalidade. O fato é que tudo acontecia tão apressadamente que as mentes voavam. Algumas, em tormento eterno.
Uma vez que o processo de adoção corria na justiça, Matheus se aproveitava de seus inventos no tempo livre. Era um médico cirurgião engenhoso e trabalhava com foco na pediatria. Sonhava que, em algum futuro próximo, poderia ajeitar as queimaduras na pele de Felipe e a perna que o tornava coxo.
Quando tudo estava aceito, as coisas não iam como nos conformes. Iam perturbadoramente ruins. Felipe retornava à casa e era surpreendido com novos costumes incomuns e surpreendentes. O colchão agora estava gradeado e era exigido que usasse a coleira. Bom, ainda não ia à escola, o que tornava as coisas menos complicadas. Como chorou após a primeira surra naquele dia! Tanto lhe escorria que os lamentos tornavam-se grunhidos e gritos de horror irreconhecíveis. Alguma coisa estava tão horrenda e desalinhada que a polícia havia sido requisitada pelo vizinho. Não foi encontrado nada, no entanto.
— Sinto muitíssimo, senhor policial, mas como podes ver, não temos crianças. Apenas um cão.
— Tens razão, apenas um cão!
E a criança já não se lamentava, uma vez que os grandes inventos do médico Matheus haviam lhe tomado a voz.

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