MERCÚRIO

Paolo Vartz anda apressadamente pelo Aeroporto Internacional Gilberto Freire, ele olha para todos os lados, tentando ver o que niguem até agora conseguiu: A morte se aproximando.

O diretor de películas pornô, vai até a escada rolante, e na subida acende um cigarro. O homem caucasiano, cabelo preto, espetado, rasteiro e barba para fazer, está usando um boné marrom de uma marca de uísque famosa.

Quando, Paolo pisa no primeiro andar, assuta-se com um homem velho lhe perguntando que horas são.

Ele xinga-o com um palavrão em italiano, o culpa pelo susto e continua andando até a porta de elevador, onde não demora muito, abre-se com o diretor da Produtora Carne Fresca, entrando e subindo, mais um andar.

Paolo não consegue controlar a sensação de terror que invade seu ser... Ele continua olhando em volta e não vê nada de estranho.

O diretor sabe que foi uma maldita hora ter aceito participar desse filme... Sempre dirigiu pornô, mas um filme Snuff foi a primeira vez, não que ele se importasse com a vítima, haja vista, foi muito dinheiro que recebeu, e por causa disso, a grana compensava dirigir uma película, onde não importava quem morresse.

Ele vai até uma delicatessen e pede uma água mineral, mais um café expresso, quando é interrompido:

— O senhor poderia comprar uma comida para matar minha fome? — Paolo leva um susto, chegando a andar para trás, e o jovem pedinte, embora estivesse bem vestido, o italiano sente-se incomodado.

— Porra de aeroporto! Não vou comprar nada cacete! Some daqui. — O jovem sai assustado com a ignorância desmedida do homem. Depois de sorver o café, Paolo olha em volta. A sensação continua. Sente-se observado. Vigiado.

— Moça, — O italiano chama a atendente rispidamente. — Por favor, coloque outro café.

— Sim, o senhor deseja do mesmo? Xícara média? — A atendente pergunta educadamente.

— Se não fosse igual, já teria informado! A incompetência me cansa. — As horas vão passando, o vôo continua atrasado. Houve uma queda de energia, e a chuva começa a cair torrencialmente sobre a capital pernambucana de forma monstruosa.

Paolo, agora, acende um charuto cubano. Mas uma senhora sentada próxima a ele, sente o cheiro e começa a reclamar:

— Ei, — A senhora com seus sessenta e cinco anos, chama a atenção do italiano. — Estamos aqui! Você sabia que não é permitido fumar? Olha a placa ali!

— Se a senhora está achando ruim, por favor, se mude de lugar ou vá embora! — Paolo, joga a fumaça na direção das senhoras de cabelos brancos.

As idosas, levantam-se horrorizas com a má educação, e saem.

— É cada uma. — Paolo vai reclamando. — Povinho medíocre... Por isso essa merda, não vai pra frente. — Ele ao terminar de reclamar dá outra tragada, e faz outra olhadela em sua volta e percebe que, a movimentação no aeroporto aumentou e muito, depois que os vôos começaram a ser cancelados, devidos ao mau tempo.

O diretor levanta, afasta a mesa que está na sua frente e sai na direção do banheiro. No percurso, olha o display com os horários dos vôos que se mantiveram e os que foram cancelados.

O dele para Bariloche, continua cancelado.

Paolo entra no banheiro e deixa sua mala fora da cabine. Depois de urinar, sai e para sua surpresa, há um homem sentado sobre ela.

— Na mala só tem roupa! O que você quer?

— Eu quero você.

Armando e Charles passam correndo pela entrada principal, térreo, do aeroporto, seguindo direto para o banheiro proximo ao posto da polícia militar.

Atrás deles há dezenas de policiais os seguindo.

Quando vão se aproximando, um policial fardado sai do banheiro e vomita do lado de fora. O civil, abaixa-se depois, ficando aguaixado e sem reação fisica na face.

Os dois delegados, não entendem ainda a perturbação demostrada no rosto do agente, porém, isso muda quando entram no banheiro.

Charles freia e fica parado, olhando à monumental imagem oferecida à morte.

— Meu Deus... Como ele pode fazer isso? — Pergunta Armando, colocando sua mão direita sobre sua boca.

Charles, sente o estomago embrulhar.

— Quem o achou? — O delegado de Ipojuca, pergunta sem tirar os olhos da imagem.

— Uma serviço gerais, — O legista Fernando, aproxima-se apertando a mão de Charles. — Ela, foi socorrida. Chama-se Creuza.

— Alguém sabe o nome da vítima? — Armando vira-se para os dois legistas no banheiro. O que está próximo a cabine responde:

— O nome é Paolo Vartz. Diretor pornô e trabalha na Carne Fresca. — Explica Lúcio.

Armando aproxima-se de Paolo, que está em pé, pendurado pelas costas na porta da cabine, há um rasgo em sua barriga, como se duas mãos abrissem a carne da vitima com os dedos, de onde saia o intistino delgado esticado, envolvendo o pescoço da vitima.

Paolo, está com a lingua roxa para fora.

— Ele foi enforcado com a própria tripa. —Fernando, aponta para as marcas no pescoço.

— A vitima, não foi morta pela falta de sangue?

— Não, morreu sufocada. E pelos olhos esbugalhados, ele viu toda ação do nosso assassino. Mas, a maior dor, não foi ser enforcado, mas, ser rasgados pelos dedos do autor e ter seus fatos arracandos.

Armando, fica zonzo com a informação do legista. Ele aproxima-se mais do corpo.

— E o sangue dele foi parar aonde? — Pergunta o delegado do BOPE.

— Não sabemos, ainda. — Lúcio, ajeita sua máquina digital, para tirar mais fotos.

— Você ja olharam dentro da cabine? — É a vez do delegado de Ipojuca aproximar-se da vítima.

— Não!— Responde Fernando.

Armando olha para Charles.

— Então, com certeza as surpresas não pararam! — Armando, fala friamente e acende um cigarro, depois passa a mão na cabeça.

Charles, observa toda cena do crime.

O telefone do delegado do BOPE toca, enquanto Lúcio e Fernando começam a mexer no corpo da vítima.

— Armando falando.

— Sou eu chefe, o Juca.

— O que você tem para me falar Juca?

— As digitais na janela do apartamento do Carlos, batem com as encontradas na furadeira... Tudo indica que ele entrou pela janela. .

Armando, gira para o lado esquerdo e pede para Juca repetir a informação.

— E então, chefe... Foi isso mesmo que o senhor escutou. O cara deve ter entrado pela janela, como ele fez isso, são outros quinhentos.

— Juca, volta lá no prédio e vá até o teto, e veja se há algum resquício de como nosso homem desceu.

— Chefe, nenhuma imagem mostra ele entrando.

— E se ele entrou na mala do carro da vítima, e deixou as digitais na janela para despistar? Pode ser que ele tenha feito isso, e não podemos deixar de verificar. A única coisa é como as câmeras não o pegaram subindo?

— Nas escadas não tem câmeras! Também já verifiquei isso. — Responde Juca

— Entendi... Ótimo trabalho. Em todo caso, volte lá e veja o que estou pedindo. Não podemos desconsiderar nada.

— Armando! — Fernando grita, ele vira-se e o legista mostra a porta da cabine aberta. — Veja isso, acho que achamos o sangue da vítima.

Charles e Armando, observam os azulejos pintados com sangue vivo e nela está escrito:

O Cartel

E mais abaixo, os nomes de planetas com alguns deles riscado, parando no nome Mercúrio.

— Que porra é essa? — Armando, fixa seu olhar na parede, depois faz um sinal com a mão direita, mandando Lúcio bater fotos.

— Acho, — O delegado do BOPE, para de olhar na direção da mensagem e escuta o que Charles continua a falar: — Que nosso homem está descobrindo o que nunca pensamos existir. Uma nova facção criminosa.

Armando volta sua atenção

— Olhe, — Continua Charles. — Consegue ler o que está na parede da cabine?

— Assim, não consigo. Lúcio! Bate uma foto aqui! — Pede Armando.

O Agente aproxima-se, bate a foto, como pediu o delegado Armando, e eles distanciam a imagem um pouco da vista:

— Killing For All? O que significa? — Pergunta Armando.

— "Matando por todos". Acho, numa tradução literal.

— Mas, por que Drake chamaria atenção para isso?

— Delegado, — Fernando, chama Armando, segurando a mão direita da vítima. — Esse tem uma tatuagem: K.F.A.

— Sua pergunta foi respondida. — Sentencia Charles, abaixando para ver a tatuagem.

— A mesma dos caras no restaurante Divina Comida.

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