ACHADOS E PERDIDOS
— Essa granja está no nome de quem? — Armando, passa pela fita zebrada e pergunta ao investigador Coutinho. O local é de difícil acesso. Eles só chegaram ali, por que Drake fez a ligação do celular do Cláudio, o deixou ligado, onde a polícia pode rastrear.
— É da produtora Carne Fresca. — Responde Coutinho, que tem um metro e cinquenta de altura, cabelos pelo ombro e barba estilizada.
Armando e Charles olham para os corpos. Um está carbonizado, e o outro dilacerado.
— E quem é o dono da produtora? — Pergunta Charles, voltando a olhar para os defuntos.
— Estamos tentando saber essa informação, mas está complicado, por que todas as vezes que procuramos descobrir, mais uma morte acontece. — Reclama o investigador, apontando para os corpos.
— Mas, precisamos dessa informação. É vital, até para chegarmos nos alvo, antes dele. — Armando Fala e sai circulando pelo ambiente.
— O problema é que não sabemos o quão grande, é essa facção. A Carne Fresca, é um dos braços e o grande grupo deve ter ligações com sequestro, assassinato, roubo de carga, tráfico de órgão e por aí vai. — Coutinho, responde e sai de perto dos dois delegados, caminhando um pouco para trás.
— Verdade, você está no caminho certo. Também tivemos esses resultados nas nossas investigações, o problema acontece é por que ninguém quer falar nada. — Charles, completa a informação, abaixando-se no chão, procurando mais alguma coisa.
— Pelo visto, você vem pesquisando há tempos? — A pergunta vai direcionada para o delegado de Ipojuca.
— Sim! Eu comecei a desconfiar, quando as mulheres passaram a serem encontradas mortas com uma rosa na boca. Achei estranho... E quando puxávamos no banco de dados, eram estrangeiras, ou vindas de outros Estados. O laudo da morte, sempre era inconclusivo. São três anos, buscando uma pista que possa nos levar a algo grande, mas nada até hoje.
— Entendi, e só estamos chegando por que alguém deu com a língua nos dentes para o Charles Bronson. — O delegado do BOPE, ironiza a situação, lembrando do ator que fez um papel de um marido que sai buscando vingança contra os que mataram sua esposa e deixaram em coma sua filha, no filme Desejo de Matar.
— Armando, sei que não é o melhor caminho, e nunca vai ser... Mas, Drake está fazendo o que não podemos. Lógico que não é o certo, e nunca vai ser! Mas, agora já sabemos que essa fazenda pertence a alguém. — Charles observa o homem que está deformado pelas picadas das abelhas e mordidas das formigas.
— Um laranja! — Conclui Armando.
— Verdade, mas já é um começo. Qual foi a causa morte deles? — Charles continua olhando o primeiro cadáver, bem ao lado.
— Esse que o senhor está vendo, achamos abelhas até no pulmão dele. Ficamos sem entender, até acharmos a rainha embaixo de uma fita, presa na língua dele. — Responde Américo se benzendo.
Charles percebe um visco diferente na pele e pergunta:
— E por que as folhas estão grudadas no corpo dele assim? Com essa tonalidade diferente. Não são os inchaços provocados pelas picadas!
— Ele, levou um banho de mel silvestre.
— Como é?
— Quando o achamos, encontramos o corpo coberto de mel e de Saúvas. Por isso o porquê dessas roupas especiais que estamos usando. Para afastar as formigas, somente com fumacê, o veneno... Mas, fazendo assim, contaminaríamos toda a cena.
— Meu Deus, ser comido por formigas. — Conclui Charles.
— E não só isso, — Continua Américo, como se ainda pudesse piorar. — As abelhas são territorialistas, com a invasão das formigas pelo mel, elas entenderão que a rainha estava em perigo... Então o corpo do homem, tornou-se um campo de batalha. Ele era mordido e picado quase que ao mesmo tempo.
— Como ele tem esses conhecimentos? — Charles levanta-se. — Por que você falando assim chega a ser poético.
— Você é fã do cara delegado. — Armando, puxa outro cigarro para fumar.
— Nunca! Apenas estou seguindo as migalhas que estão sendo deixadas no caminho.
Armando gargalha.
— Se, isso — O delegado do BOPE aponta para os corpos. — São migalhas, não quero nem ver as pistas.
— Eu, preciso ir.
— Fica mais uma noite. — Pede Amélia, sentando na cama. Eles passaram o tempo todo nela.
— Não posso.
Amélia, levanta-se nua e pega uma camisa dentro do guarda-roupa.
— Entendo... Sua vingança. — Olha para baixo.
Drake fica calado. E sem dificuldades salta da cama. Veste a calça jeans.
— E quando acabar? — Ela, olha para o homem que está à sua frente se vestindo.
— Quando acabar, você vai deixar de ouvir falar de mim.
— Então, é assim?
— Sempre foi. — Drake veste sua camisa preta e vira-se olhando para a mulher que está passando as mãos no cabelo. — Amélia, — Ele senta ao lado dela, na cama, — Quando isso acabar, quem ficar vivo vai querer se vingar, e terei que viver longe daqui, escondido, fugindo.
— Então vamos fazer isso agora! — Ela segura no braço esquerdo dele.
— Você sabe que não posso. Nunca dormirei tranquilo, sabendo que os homens que mataram minha filha, estão soltos e fazendo o que sempre fizeram.
— Mas, surgirão outros no lugar dos que você vai matar.
— Os outros, já terão outros com quem se preocupar e não mais comigo. Amélia, sou um cara amaldiçoado, e as pessoas que estão ao meu lado, morrem. Sempre foi assim!
— Você não pode achar que sempre vai ser assim! Não pode acreditar nisso! — Ela o abraça.
— Pois sempre foi assim, e nunca nada mudou! Preciso ir. — Drake, beija a testa de Amélia, levanta-se. Caminha até a porta. Vira-se olhando de lado, abre e fecha a porta quando sai.
Ela fica olhando, esperando que ele voltaria, mas não é o que acontece.
Amélia sente uma dor no peito correr seu coração, a mesma dor quando perdeu seu marido.
É verdade que só ficaram juntos essa noite que passou, mas, foi a noite mais intensa que viveu.
A garçonete debruça-se sobre a mesa, coloca as mãos por dentro do cabelo, e chora, se lamentando pelo amor que se vai.
Chora, por que pôde constatar que Drake está preparado para tudo, até para morrer.
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