Capítulo Oito
Parece que acabei de levar um soco.
Não consigo me mexer. Fico parada, estática, em frente ao elevador, encarando o sujeito lá dentro, como uma boa psicopata.
Ele não nota minha presença ali de imediato, e naqueles segundos, – em que não consigo ter uma reação aceitável para qualquer ser humano com a cabeça no lugar – absorvo sua figura com avidez.
O loiro bonitão está encostado na parede do elevador, apoiando o ombro em que carrega uma bolsa carteiro de couro. A gravata pende frouxa em seu pescoço, e os primeiros botões de sua camisa estão abertos. Ele mexe concentrado no celular com uma só mão, a cabeça baixa, os cabelos, já despenteados, caindo sobre os olhos em ondas cor de mel.
Sinto as tripas se retorcerem dentro de mim e as mãos formigarem com uma sensação estranha, enquanto ouço meu coração bater nos ouvidos.
Ele levanta o olhar, aparentando confusão, e talvez um pouco de irritação, pela demora do elevador. E então me encontra ali: parada feito uma idiota.
Meu estômago afunda quando nossos olhos se encontram, e, novamente, sinto aquele arrepio delicioso descer pela minha coluna. Por um momento ele parece tão em choque quanto eu, congelado naquela mesma posição até que o apito do elevador soa e as portas começam a se fechar entre nós.
Não me orgulho em dizer que sigo tão inerte quanto no momento em que as portas se abriram. Ele, por sua vez, dá um pulo, lança-se para frente, a mão estendida segurando as portas antes que se fechem completamente.
– Vai descer? – pergunta e seu sorriso contido desencadeia um princípio de infarto em mim.
Aceno debilmente com a cabeça, pois sou incapaz de pronunciar qualquer palavra, e seus olhos brilham divertidos enquanto me espera.
Quando não me mexo, suas sobrancelhas se levantam inquisitivas e os cantos de sua boca voltam a se erguer. Caramba! Acho que estou tendo um derrame.
– Você vem? – ele tenta mais uma vez, o sorriso se abrindo de novo.
Gente, que que é isso? Acho que virei uma dessas massas trêmulas, pregada ao chão.
Tento me concentrar. Balanço a cabeça, soltando a respiração que nem sabia que estava prendendo, e então volto ao mundo real, com o rosto quente e as mãos suadas, entro no elevador, murmurando um pedido de desculpas precário.
Dispensando as minhas desculpas, ele deixa o celular de lado e encara meu perfil enquanto as portas do elevador nos selam lá dentro. Respiro fundo e mantenho minha atenção naquelas portas pra não desmaiar.
São só 9 andares, você aguenta, Cami. Não vomite nele.
– Então, você é nova aqui no Jornal? – ele puxa assunto, e sua voz reverbera pelos meus ossos. Esse cara não está facilitando a minha tarefa de não cair dura aos pés dele...
– Uhum. – faço, super articulada, ainda sem encará-lo.
– E o que está achando? – ele prossegue – Aliás, o que você faz aqui no Jornal?
Não ia dar pra escapar dessa com um grunhido. Arrisco um olhar de esguelha em sua direção e engulo em seco quando percebo suas íris tão azuis me dissecando de forma tão empenhada.
– Bem, é uma correria, né? – vômito as palavras e solto um riso nervoso – Sou designer, estou na equipe de arte, adorando apesar de tudo...
Quero dar um soco em mim mesma.
– Apesar de tudo...?
– Ah, você sabe... – digo com a voz fraca – Sempre aparece um anúncio de última hora pra atrasar a gente...
Alguém pode por favor impedir essa diarreia bucal? Por quê estou dizendo essas coisas? Esse cara pode ser o chefe da minha chefe. Ele pode ser o chefe do chefe da minha chefe! Eu posso estar na rua amanhã, mas parece que meu filtro virou geleia, assim como as cartilagens dos meus joelhos.
– Ah, é? – ele ri baixinho e aquele som faz meu coração disparar para a boca. – Então você trabalha na parte de anúncios, hein?
– Uhum. – outro grunhido – Comecei aqui há 3 semanas, então foi bem... de baixo. Faço as páginas de classificados...
Quando arrisco outro olhar em sua direção, sou surpreendida por seu sorriso largo e olhos que brilham como estrelas.
– Acho que conheço você. – ele diz e desta vez não consigo desviar o olhar.
Santa Mãe de Deus!
Como estou mais concentrada em me manter em pé do que em formar frases coerentes, permaneço calada, observando-o com curiosidade. O loiro bonitão prossegue quando percebe que não tenho habilidades coloquiais, os olhos estreitando-se em diversão.
– Acredito que tenhamos trocado alguns e-mails nas últimas semanas, Camille. – ele diz e em seguida estende a mão pra mim – Sou o Will Machado.
As portas do elevador se abrem neste momento.
E eu não sei onde enfiar a minha cara.
Alô, galere! Como estão?
Cês acreditam que eu quase esqueci de postar esse capítulo hoje? Notem pelo adiantado da hora, JUSTO ESSE PEQUENO CAPÍTULO que contém a primeira interação da nossa Cami com o Loiro Bonitão, vulgo Will Machado, vulgo o Babaca do Comercial HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHA
Aliás, o que vocês acharam desse pequeno plot twist não tão plot twist assim?? Eu bem já vi alguém aqui nos comentários fazendo essa aposta no Bolão do Edu!
Enfim, como esse capítulo é minúsculo eu volto na sexta-feira com o Nove, mas isso não quer dizer que é pra vocês afrouxarem nos comentários e votos! Não tenham medo de deixar uma estrelinha pra mim e COMENTAR ATÉ SEUS DEDOS CAÍREM! Eu morro de rir com os comentários e me sinto abraçada por vocês no meio dessa quarentena!
Beijos e até já já!
Pam Oliveira
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