Uma Companhia na Solidão

– Come. Precisa se alimentar. – estendo a mão para ela, enquanto seguro uma vasilha e ela me olha de baixo até em cima.

– Não vai me devorar depois de me engordar, vai? – ela pergunta e eu sorrio. Ela, então, pega a vasilha e começa a comer.

– Não, a menos que seja necessário. – me sento do lado dela, bebendo uma cerveja, enquanto ela come.

– Como tem sobrevivido sozinho? – ela me pergunta, com a boca cheia.

E eu sabia que por mais que ela estivesse com os irmãos – que eu ainda não sabia quantos eram – ela provavelmente não se alimentava totalmente – até ficar com a barriga cheia de verdade – há muito tempo. E isso era triste para uma criança, principalmente na situação do mundo atualmente.

Eu já tinha visto tantas coisas feitas com crianças que pra mim era até uma raridade alguém na idade dela estar viva sem ter nenhum psicopata atrás. Em uma das minhas escapadas de grupos de caçadores eu vi coisas horrendas, que quando não se tem a pior dose da humanidade na mente, você não consegue imaginar.

– Vendo muita coisa e ficando calado. – respondo e ela parece entender.

– Ah, então você realmente desrespeitou o seu protocolo de sobrevivência pra me salvar? – ela questiona e eu balanço a cabeça, em sinal de "mais ou menos".

– Quase isso.

– Que herói. Um verdadeiro cavalheiro, parabéns. – ela diz, em tom totalmente irônico e eu sorrio.

Na minha cabeça isso tudo poderia ser, perfeitamente, um delírio. Eu tinha passado tanto tempo constante sozinho desde a última vez que tive contato com alguém, que era difícil acreditar que aquela menina estava mesmo ali. Mas antes que você me pergunte: não, eu não uso drogas – e sim, as vezes eu acho um pouco de erva ou pó por aí. Mas eu sempre uso para pagar algum pedágio para ladrões quando vou atravessar algum estado, então não, eu não sou um lunático.

– Você, tá só com seus irmãos? – tinha chegado a hora de saber o tamanho do meu problema.

– Não. – minha espinha gela mais uma vez, enquanto ela continua comendo. Quando ela termina, coloca a vasilha de lado e me encara. – Estamos em um grupo com vários primos e primas também. Quando o surto aconteceu estávamos em uma comemoração lá em casa, todos os nossos primos estavam.

– Fala sério. – protesto, totalmente preocupado e ela sorri ao perceber meu nervosismo. – E por qual motivo estava sozinha?

Eu sabia que ela não entendia o que era ter que sobreviver sozinha. Qualquer dupla de pessoas consegue tomar tudo o que eu demorei anos para conquistar. Minhas botas, meus casacos, minhas máscaras, filtros, minha besta... tudo. E no estágio atual do mundo, qualquer perda é uma grande perda.

– Quando a gente chega em uma cidade, nos separamos em duplas ou trios. Aí nos encontramos na saída da cidade 2 dias depois. – ela me explica.

– E quem não chega?

– Quem não chega a gente deixa e quem chega infectado, é morto. Mas geralmente todo mundo chega bem e no tempo de ir embora, porque ninguém quer ter seus miolos expostos pro mundo em um chão sujo de um apocalipse zumbi de merda.

– Sinto muito que tenha que passar por isso. – respondo e ela faz sinal de desdém com a mão. Estava na cara que ela já tinha vivo tanto isso que nem ligava mais.

– Já me acostumei.

– Nenhuma criança deveria passar por essa situação. – reflito em voz alta e ela me observa.

– É, mas eu nem me considero mais uma.

– Por quê? – pelo olhar dela, estava na cara que ela já tinha passado por muita coisa, mas eu não posso negar que por diversas vezes pensei sobre o que ela pode ter passado. Estava curioso.

– Depois que você vê seu irmão atirar na sua mãe, é difícil se considerar uma criança. Isso muda uma pessoa completamente, e não é pra melhor. – ela explica e eu concordo com a cabeça.

– Eu entendo. Só não entendo como ele atirou nela e vocês sobreviveram. Eles ficam mais rápidos quando tem certeza que vão se alimentar. Os passos ficam mais largos, eu já vi alguns até correrem... não como os de filme, mas correrem.

– Morávamos em área rural. Demorou pra chegar em nós tudo isso e quando chegou, foi um susto, mas foi em uma quantidade pequena. Em um dia de domingo com festa em família, minha mãe foi no celeiro com meu pai, investigar a morte de um bezerro e eles foram mortos por um infectado lá. De lá, depois do meu irmão mais velho atirar neles, que imploraram por isso... todos nós da minha família arrumamos mochilas e fomos embora. Meus tios, dando as vidas pelos filhos, foram os primeiros a morrerem. Aos poucos todas as armas que o meu irmão carregava ficaram para trás, para que eles pudessem se suicidar e atrair atenção dos zumbis pra eles enquanto a gente escapava. – ela explica. Sem dúvida sobreviver em grupo era a forma mais fácil e mais dolorosa de sobreviver.

– Difícil sobreviver com tantas baixas seguidas.

– É, mas em alguns lugares achamos alguns sobreviventes que seguem com a gente. Alguns dos meus primos e primas até estão namorando agora. Péssima hora, mas ninguém manda no coração. – sorrio com a afirmativa dela. – E você, por que e como tá vivo? – me pergunta e eu dou de ombros.

– Porque quando esse surto começou, eu era magro demais. – ela ri com a minha piadinha, e eu dou mais um gole na minha cerveja.

Eu gostava dessa piada, porque isso tirava totalmente a minha culpa pessoal de não ter conseguido salvar as pessoas mais importantes da minha vida. Eu odiava o fato de ter sobrevivido e eles não.

– Eles não quiseram te usar pra palitar os dentes? – rimos juntos, enquanto eu negava com a cabeça.

– Não. Em contrapartida, no entanto, eles quiseram meu pai, mãe e minha irmã mais velha. – bebo mais.

– Eu sinto muito. – ela diz, com voz de compaixão e eu faço sinal de desdém. Já tinha chorado demais por isso, não queria que tudo voltasse. – Atirou neles?

– Com a besta. – complemento. – Eles foram infectados na cidade que eu encontrei a Cecil, pouco depois de eu encontrá-la eu ouvi os gritos deles. Minha mãe disse que eles iam ficar em fila indiana para que eu os matasse de uma vez, porque eles não queriam se transformar nessas coisas e porque não era pra eu gastar tantas flechas até achar mais. Como eu estava com um tipo diferente de flecha, que é a fina e sem essa parte da traseira, ela atravessou eles tão rápido que não deu tempo nem da transformação se completar.

– Por que Cecil é o nome da sua besta?

– Porque era o nome da minha irmã. – olhos nos olhos da menina.

– Mórbido. – diz ela e eu solto uma meia negação com a cabeça.

– Vingativo. – corrijo. – Agora ela mata as coisas que mataram ela.

– É, parece bom. – ela conclui, depois da minha explicação e eu sorrio. – Quando eu morrer, quero que alguém dê o meu nome pra uma besta também. Gostei do conceito.

– É só não correr no meio de um grupo de zumbis que não morre. – ela ri com a minha conclusão, concordando com a cabeça. – Pensei que fosse perigoso andar em grupo quando o seu inimigo escuta o rasgo de uma flecha no ar. Conversar lá fora não é a melhor escolha, quem dirá andar em bando.

– A gente não conversa por palavras quando estamos andando, é uma regra. Conversamos por sinais. – ela explica.

– Sinais? Que trabalho pra aprender. – concluo e ela sorri um sorrisinho tímido.

– Passar 4 anos com praticamente as mesmas pessoas, fez com que não ficasse tão difícil.

– E vocês vão para o grupo de sobrevivência do Alabama?

– Você vai também? Tipo, tá procurando o mesmo que a gente? – ela questiona e eu dou de ombros.

– É o único que eu conheço, desde que tudo isso começou. Uma moça em Massachusetts me disse que eles existiam e desde então venho descendo o país para encontrá-los. No meu caminho não achei gente viva além de ladrões e incendiários, como eu. – explico e ela concorda com a cabeça.

– Incendiários fazem um belo favor para grupos como o meu. – a garotinha conclui e eu sorrio.

– É? Então de nada. – respondo a ela, que confirma com a cabeça.

– É. Vocês incendiam carros e ônibus. As explosões chamam atenção dessas coisas que vão correndo e se queimam, morrendo de vez em seguida. É bem útil pra limpar cidades. As mais tranquilas que passamos estavam pegando fogo de cima até embaixo. – ela explica e eu fico surpreso.

– Geralmente eu solto fogo ao redor de todo lugar que eu estou, todos os dias. Pra limpar o máximo que der até ter que continuar a minha viagem. – explico.

– Eu entendo você, mas e então, cadê ela? – pergunta e eu bebo um gole da minha cerveja, encarando-a em seguida, sem entender o que ela queria saber.

– Quem?

– A moça. Se não estava sozinho, cadê ela? – dou de ombros.

– Vi ela ser morta por um cara cerca de 5 minutos depois de ela me dizer que não precisava de um acompanhante. Eu insisti e ela me mandou tomar no rabo, indo embora e sendo rendida poucos metros de distância de mim. Ele queria as botas dela e gritou bastante pra ela entregar isso. Como ela não entregou, ele atirou nela... eu só me abaixei e me escondi, já que depois que ele fez isso vários zumbis começaram a ir na direção dele, que nem ligou. – conto.

– Que droga.

– A pior parte nem foi ver ela sendo morta. Foi ver o que ele fez com ela depois... – conto por cima, me lembrando da cena, e fico meio travado.

– O que ele fez? – a garotinha me pergunta e eu a encaro. Acontece que necrofilia não é algo para se contar a alguém no cenário atual, principalmente se ela acontecer enquanto o cara está sendo devorado pelos zumbis que atraiu, então eu decidi cortar o assunto.

– Chega. Você tem que dormir. – coloco minha garrafa de lado e pego alguns cobertores que tinha achado nos quartos daquela casa, mais cedo. Começo, então, a arrumar um lugar pra aquela coisinha dormir.

– Por quê?

– Amanhã vou entregar você pros seus irmãos, torcer pra que eles não me deem uma facada e sumir do mapa. Então... é melhor a gente não criar nenhum tipo de vínculo afetivo. Tudo o que eu não preciso é sentir falta de mais uma pessoa. – explico e ela sorri.

– Tá bom. A propósito, sou Amélia. – se apresenta e eu fico impressionado, porque eu nem tinha percebido que a gente não tinha se apresentado.

– Sou o Dylan. – respondo a ela.

– É um prazer. Quando for me entregar, pede pra falar com o Bruce. Ele grita menos e escuta mais. – explica.

– É o mais velho, novo ou do meio de vocês? Aliás, quantos irmãos você tem? – pergunto e ela dá de ombros.

– Ele é o mais velho. E somos 3, eu sou a mais nova. – explica. Então o valor dela era alto pra eles, o que era ótimo e me dava uma esperança de sobreviver. – É ele que me salva quase que todas as vezes quando vamos atravessar uma cidade. O problema, é que dessa vez eu fugi com o Den, meu irmão do meio e veja só... agora eu tô perdida.

– Espero que tenha servido de aprendizado. O Den não é uma boa babá. – ela começa a rir, concordado com a cabeça.

– Não foi uma escolha. O Bruce teve que ir com uma das nossas parceiras de equipe, que está grávida. Quem está em maior risco sempre vai com ele.

– Então ele é o líder. – concluo e ela dá de ombros.

– Tipo isso. Ele serviu ao exército por um tempo, até tudo isso rolar, então ele meio que sabe cuidar bem da gente.

– Era de campo? – questiono. Tinha acabado de descobrir um problema gigantesco.

– Meu irmão viveu umas coisas que ele prefere não conversar sobre, mas pela forma como todos os militares que já esbarramos tratam ele... acho que a patente dele é alta ou importante. Ele vive recebendo informações que mais ninguém do nosso grupo pode ouvir. – ela conclui e eu fico surpreso.

– Ele tem quantos anos?

– 24.

– Saquei.

– Estava sendo treinado para grandes catástrofes por algum motivo. Mas ele não fala sobre isso. – ela fala mais e eu sorrio com a inocência dela de me contar isso tudo. Ainda bem que eu tinha encontrado ela antes de qualquer outro.

– O que ele vai achar se souber que está falando isso tudo para um estranho? – pergunto e ela dá de ombros.

– Não é um estranho. É meu amigo.

– Você acabou de me conhecer. – tento alertá-la, mas ela não parecia ser medo de mim.

– E você não tentou me violentar, nem me matar pra comer. Me deu comida e um teto. Eu sei reconhecer quando uma pessoa é ruim. Quando é boa a gente confia, quando é ruim a gente esfaqueia. – ela conclui e eu fico surpreso por isso.

– Quem te ensinou isso?

– Bruce. – ela me encara, sorrindo em seguida.

– É claro. – sorrio de volta, cobrindo-a e vendo ela se virar de costas pra mim, pra dormir.

Enquanto ela dormia eu ficava de olho no movimento da rua, verificando a casa também várias vezes durante a noite. Eu também a verificava, para ver se ela não estava com frio ou acordada. De manhã iriamos começar uma viagem longa em direção à saída da cidade – com algumas possíveis paradas.

Eu não sabia como encontrar os irmãos de Amélia, mas sabia que seria necessário, porque eles deviam estar preocupados com ela. Por isso, decidi não apenas sair da cidade, como fazer uma rota pelos locais em que os sobreviventes mais costumavam passar. Eu estava há dias naquela cidade e sabia exatamente onde todo mundo ia antes de continuar viagem – principalmente em busca de suprimentos.

Como eu não sou de ferro, aproveitei para cochilar um pouco também antes da nossa belíssima caminhada. Depois de algum tempo dormindo meu relógio começou a vibrar – porque ele ficava sempre no silencioso – me acordando para começar a arrumar as coisas.

Quando acordei, Amélia já estava acordada, sentada, toda encolhida, chorando baixinho. Eu, então, fui até ela que, quando me viu, me abraçou com força. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas sabia que não podia deixar ela lidar sozinha com isso.

– O que aconteceu? – pergunto depois de um tempo.

– Eu tive uma sensação ruim.

– De que?

– Que meus irmãos não sobreviveram.

– Que isso, olha... – penso um pouco. Ver uma garotinha chorar era desesperador, principalmente porque eu nunca tinha passado por isso. – Pelo o que você me disse, o seu irmão é uma máquina mortífera de zumbis. Ele é o Dwayne Johnson da sua casa.

– Quem? – ela me pergunta e eu a encaro com cara de deboche, que faz ela acabar rindo.

– Você não conhece o Dwayne? Anos 10, 20... – tento lembrá-la, e ela nega com a cabeça.

– Não.

– Que merda. Essa geração tá perdida. – digo, em um tom irônico e fazendo careta, o que faz com que ela ria mais um pouco. E isso era ótimo, que eu finalmente tinha conseguido fazer ela parar de chorar.

– Lembra que quando isso tudo começou eu tinha 6 anos de idade, viu? – ela pergunta, me observando com aquela carinha fofa dela.

– E não via filmes de ação dos anos 2010? – questiono e ela nega com a cabeça.

– Não? – responde me perguntando, como se fosse óbvio.

– Ok, veja bem, o Dwayne era apenas um cara foda. Tá? Ele conseguiu fazer coisas que nenhum outro cara fez no cinema além do Arnold Schwarzenegger.

– Quem é Arnold blablanegger? – ela debocha na minha cara o meu gosto por atores do passado e eu mal posso acreditar no que estava ouvindo.

– Se você não conhece o Dwayne não vai conhecer o Arnold. Mas confia em mim quando que digo que seus irmãos estão bem. A gente já já acha eles e você vai seguir sua viagem tranquilamente. – tento confortá-la e ela sorri um sorriso de agradecimento pra mim.

– Obrigada, Dylan. Quando te conheci achei que fosse um otário. – ela diz e eu dou de ombros.

– Não estava errada. – respondo.

– Eu sei. – sorrio, junto com ela. – Mas não é um otário o tempo todo. Gosto de você. – ela completa e eu confirmo com a cabeça.

– Eu também te acho uma garotinha bacana. – bagunço o cabelo dela, que sorri pra mim, tirando minha mão da cabeça dela. – Se te conhecesse em outro momento da história, até poderíamos ser vizinhos, o que acha? Ia ser engraçado furar sua bola caso ela caísse no meu quintal. – digo a ela, enquanto coloco meus casacos grossos e meu casaco de couro por cima.

– Para! – ela começa a rir e eu escuto um estalo. Nós dois então ficamos sérios e ela me encara, com medo.

– Arruma suas coisas, eu vou ver o que foi isso. – sussurro pra ela, que concorda com a cabeça.

Eu, então, pego Cecil e depois de desmontar as barricadas, saio do quarto, andando devagar. Eu saio com passos leves e cuidadosos por toda a casa, enquanto fazia um limpa por cada cômodo e em baixo de todos os móveis, para ver quem estava ali. A cada passo o meu coração batia com mais força, me alertando que alguma coisa estava errada.

Eu conseguia sentir que tinha algo dentro daquela casa, e eu só torcia para não ser mais de um zumbi, porque além de tirar Amélia dali eu ainda tinha que pegar minhas coisas – e a probabilidade de fazermos barulho era muito alta.

Por baixo da minha blusa de manga cumprida – que era a última camada de roupa antes da minha pele – eu conseguia sentir os pelos do meu braço arrepiados de tanta tensão que aquele momento estava me reservando, até que, quando cheguei na cozinha, vi um estalador do outro lado do balcão. Pensei em voltar e fechar a porta, mas o trinco faria barulho quando travado.

Acho que é aqui que eu te digo como são os comportamentos dessas coisas, então vamos lá: estalador é o nome que todo mundo passou a dar para esses zumbis, porque enquanto eles andam, eles batem em tudo, quebrando ossos que causam estalos em seus corpos – sim, é nojento, nunca disse que me acompanhar não seria.

E enquanto eles estão sozinhos, o sistema nervoso fica tão aflorado que eles ficam mordendo o tempo todo. O som dos dentes se batendo causa mais estalos, que entre eles não atrai nada, porque de alguma forma eles sabem que não tem nenhum perigo ali, mas quando uma pessoa viva tenta reproduzir, eles percebem.

Se algum dia eu for considerado um sobrevivente relevante desse período complicado da nossa história e vierem me perguntar, por exemplo, se eles são inteligentes ou não, eu não vou saber responder. Digamos que eles sabem mapear e muito bem os sons, então eles são inteligentes pra isso, mas eles não veem e raciocinam como a gente. É algo totalmente diferente de tudo que eu já vi em jogos, filmes ou séries.

Pelos glóbulos dos olhos serem brancos, e por eu já ter passado na frente de vários sem ser atacado, eu julgo que eles são cegos. Mas se, por acaso, você atirar em um deles com arma de fogo, vierem mais pra cima, e você decidir correr, eles vão saber onde você está pelo som pesado dos seus passos contra o chão. Então correr só em último caso, a menos que você queira virar lanche da tarde dessas coisas.

Eu, então, observo onde ele estava. Se eu atirasse nele daquela forma, a flecha atravessaria a sua cabeça e poderia furar a pia, fazendo um puta barulho – já que eu estava com uma flecha que não tinha a parte traseira, que a trava no alvo. Mesmo que ela pudesse não atravessar totalmente, eu decidi que era mais seguro se eu atirasse nele de uma forma que nada estivesse próximo. Decidi, então, mirar bem nele e respirar fundo, soltando o ar pela boca. Quando ele levantou a cabeça para vir em direção ao local que ele tinha escutado aquele suspiro, atirei na cabeça, e foi tão certeiro que ela quase atravessou de fato. Ele, então, apenas se debruçou sem vida sobre o balcão de mármore que tinha diante dele. Tinha sido um bom tiro, era uma vitória.

– Não se mexe. – ouço um sussurro no meu ouvido, e eu fico ali, parado. Se eu reagisse, eu e essa pessoa iríamos brigar, se a gente brigasse, faríamos barulho e o resto vocês já sabem.

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